29.11.04

A Gaveta Trancada 2

Agora temos umA Gaveta Trancada! Foi o Leo que arrumou tudinho: descobriu e instalou a fechadura, mandou fazer cópia das chaves e até colocou a chave no meu chaveiro. Falando em chaveiros: o meu está se transformando numa criatura disforme, cheio de chaves pra tudo quanto é lado, ligadas por anéis e clipes de forma aleatória. Praticamente uma instalação. Acho que quando eu for parar numa ilha deserta e tiver que reconstruir a civilização a partir do conteúdo da minha bolsa, o suprimento de metal já está garantido.

Não pode elogiar...

... que estraga. Minha faxineira/empregada, a quem teci copiosos elogios há pouquíssimos posts, não deu as caras, nem notícias. Uma vez que passei o fim-de-semana sujando alegre e vigorosamente todas as louças e talheres da casa, esperando que ela estivesse aqui na segunda para lavá-los, encontro-me na triste situação de comer cereal em taças, ou pôr as mãos à obra, isto é, ao detergente. Pelo menos cheguei antes do Leo em casa, o que quer dizer que rola de dar às coisas uma mínima aparência de ordem enquanto ele se escraviza no trabalho tentando fazer uma rede possuída pelo demo funcionar.

As belezas da vida de casados: sugeri ao Leo, com a melhor e mais generosa das intenções, que a gente fizesse um budget para as despesas de Natal e fim de ano, incluindo presentes. Ele respondeu que não era uma boa idéia, porque provavelmente eu ia querer dar presentes de 10 reais para todo mundo. Fiquei indignada e injustiçada, porque a minha proposta era um valor muitas e muitas vezes superior a 10 reais. A conversa terminou com mais algumas referências à minha, hã, sensatez econômica (para não dizer pão-durismo), e eu tive que explicar a ele que, agora que eu ganho dinheiro, estou revendo meus conceitos. Mas o marido da gente não devia perceber essas coisas sem a gente ter que contar?

27.11.04

Finalmente estou em minha casinha de novo. Estive na "capitar" durante uma semana inteira, fazendo um curso, e numa correria louca. Enquanto isso, o Leo pegava uma gripe brava, evidentemente causada pela tristeza provocada por minha ausência. Agora ele está devidamente medicado e praticamente recuperado.
Aventuras da semana:
1) minha mãe me deu uma planta assassina, cheia de folhas longas, cortantes e mortíferas. Coube ao Leo carregá-la e instalá-la na varanda, e o resultado é que ele está com vários cortes, inclusive no nariz.
2) ofendi todas as pessoas do curso comparando-as com meu pai e minha mãe. Tudo bem que eu era a mais nova (longe) ali, mas acho que forcei a mão.
3) acho que estou me recuperando da minha pão-durice aguda: comprei livros pela internet (que chegarão em 12 semanas: é claaaro que escolhi a postagem mais barata) e roupinhas para mim e para o Leo.

A Gaveta Trancada

A Gaveta Trancada é uma instituição na minha antiga casa (i.e., na casa dos meus pais). Passaportes, dinheiros, travelers' checks e outros itens valiosos (como meus dentes-de-leite) ficavam guardados na sobredita Gaveta. Sempre achei que A Gaveta Trancada era sensata e prática, até que eu precisasse de algo que estava lá dentro (cartão de crédito? dólares? meus dentes-de-leite? Não me lembro) com urgência e ambos os portadores das chaves (papá e mamã) estivessem fora de casa. Essa ocasião arrancou muitas gargalhadas do Leo, que sempre foi da opinião que A Gaveta Trancada era uma grande bobagem (até ele perder 200 dólares que sobraram de uma viagem, mas essa já é outra história).
Pois bem: tenho minha própria casa e não tenho umA Gaveta Trancada (por enquanto: estamos trabalhando nisso). Resultado: minha bolsa de mão é o lugar onde guardo coisas preciosas como meus cheques e minha carteira de funcionária pública federal com seu reluzente brasão (nenhum dente-de-leite por enquanto). Conseqüência: minha bolsa de mão pesa uma tonelada e se eu for furtada estou perdida.
Por outro lado, se eu for parar numa ilha deserta posso recriar a civilização a partir dela.

Empregadas? Melhor não tê-las...

... mas se não as temos, como sabê-lo?
Apesar da mãe de um de meus amigos afirmar categoricamente que os cristais ganhos no casamento não durarão um mês "se botar na mão da empregada", parece que o Leo e eu tiramos a sorte grande nesse departamento: arrumamos uma moça que não só é muito eficiente como ainda tem senso estético! Ela distribui as almofadas de maneira graciosa pela sala, coloca na cama a colcha que combina com a roupa de cama, e guarda as roupas - devidamente passadas - dentro do guarda-roupa!
Se minha mãe souber disso, ela tem um chilique!