25.2.05

Carro

Finalmente renovamos o seguro do carro. Conversa vai, conversa vem, acabamos fazendo o seguro mais chique de todos, com franquia baixa, carro substituto em caso do oficial ter que ficar na oficina, dois ganchos, proteção para vidro, prêmio de 110% no valor do carro etc etc.
O diabo é que a gente sempre torce para não acontecer nada. Então, seguro caro é meio que atirar no próprio pé. Principalmente considerando que o Leo é um ótimo motorista e eu, que sou bem marromeno, pego no carro só de vez em quando.
Ad argumentandum tantum (isso é, só pra jogar conversa fora), ficamos imaginando se valia a pena dar sumiço no carro só para ganhar o dinheiro do seguro. Resposta: não. Se a companhia de seguro descobre (e pode ter certeza que ela procura), é fraude. Além disso, se livrar de um caro daquele tamanho deve dar um trabalho....

24.2.05

A ingenuidade feminina

Decidida a possuir um sapato bonito e macio para trabalhar, fui a uma loja chique e deixei um olho em troca de lindas sapatilhas cor-de-rosa que - alguém tinha me dito - eram confortabilíssimas.
É verdade que elas eram sem salto e feitas de pelica, isto é, tinham tudo para cumprirem sua função. Mas por algum motivo perverso e traiçoeiro, as tais sapatilhas cor-de-rosa de aparência inocente estão destinadas a mastigarem meus pés.
Já tentei de tudo: esparadrapo na sapatilha. Esparadrapo no pé. Bolinhas de borracha para fazerem a sapatilha ceder. Só usá-la em ocasiões em que vou ficar sentada.
Até acreditei que estava vencendo a batalha, mas ontem decidi usá-las de novo e a derrota veio a cavalo. Só de andar 800 metros entre o trabalho e a casa, fiquei com a parte de trás dos pés em carne viva, e com bolhas!
Eu devia jogar esse sapato fora, mas ele custou tão caro que não tenho coragem.

23.2.05

Festa no interior

Hoje uma grande loja de eletrodomésticos (não vou falar o nome para não dizerem que eu estou fazendo merchan, como diz a inteligentíssima Natália do Big Brother, que trabalha como apresentadora de tv e aparentemente não tem nem idéia de que a expressão veio da palavra "merchandising") reabriu suas portas na cidade. Foi uma megainauguração, com direito a equilibrista com pernas-de-pau na porta (e um casaco azul-escuro comprido que devia ser mais eficiente na geração de calor que qualquer forninho elétrico vendido lá dentro) e artista performático pintando de prateado com uma toga de cor idem. Fiquei sem saber se o tal artista devia parecer uma divindade grega (por causa da toga) ou um robô (por causa do prateado e dos movimentos bruscos e pouco naturais). Para completar, um balão de verdade, gigantesco, estacionado do lado da rodoviária, com o nome da loja escrito no tecido.
Fiquei morrendo de vontade de passear de balão. Provavelmente eu ia passar mal, mas whatever.
Acaba de me ocorrer que seria uma ótima oportunidade para dar uma carteirada. "Solte esse balão agora, em nome da lei! Preciso perseguir um sonegador de impostos que está fugindo de helicóptero!"

22.2.05

Findi

Já está tudo combinado para o findi, e vai ser uma comilança só: na sexta, rodízio do Pizza Hut; no sábado, jantar na casa do Leo (aniversário de casamento dos pais dele!); no domingo, almoço na minha casa. E uma passadinha no Eddie, que ninguém é de ferro, né?
Acho que vou voltar muito mal-acostumada. Não vou nem querer almoçar mais no Pizzarita. Mas aí é bom, porque gasta umas calorias, né?

21.2.05

Sete graus de separação

Vocês conhecem a brincadeira "7 graus de separação", geralmente jogada com o Kevin Bacon e geralmente traduzida como "7 degraus de separação"? A idéia é que você está ligado a qualquer pessoa do mundo por não mais do que sete relacionamentos pessoais.

Pois bem, descobri que estou ligadíssima ao Ronaldinho. Meu marido me contou que o tio do namorada da minha irmã foi no casamento dele com a Cicarelli!

Espero que ele tenha levado a tia também, porque preciso de alguém que tenha prestado atenção nos detalhes para contar o que aconteceu. Se eu for depender de um homem, tenho certeza que vai sair algo do gênero:
"A festa? Foi num lugar lindo. Parecia um castelo!"
"A noiva? O vestido era branco, tenho quase certeza."
"Decoração? Como assim, a decoração?"

Observem que estou ligada ao Ronaldinho por apenas 3 graus (minha irmã - o namorado - o tio do namorado). Quer dizer que sobram muitos graus para eu me ligar com o Beckham, a Posh Spice e todas as Spice Girls!

17.2.05

Alô, vocês!

Estou de volta da terra dos mortos, ah, doentes. Doentes muito gripados, cuja cabeça pesa, o corpo dói e o nariz pinga. Um horror.
Depois de 96 horas dessa lenga-lenga e um vidro inteiro de Resfenol, estou me sentindo melhor.
Deve ser por causa do sorvete que eu tomei ontem.

13.2.05

Back to the block

Depois do longo feriado carnavalesco, no qual esse blogue ficou parado - até porque todo mundo tem mais o que fazer no feriado além de ler blogues - voltamos à nossa programação normal.
* * *
A trilha sonora do carnaval não foi nem um hino de escola de samba, nem uma trilha de axé. Foi a melancólica e paradona "The Blower's Daughter", que toca no começo e no final do filme "Closer", um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme do Ano. Volta e meia alguém soltava um "And so it is" (é o começo da música) ou um "can't take my eyes of you" (é o refrão, que se repete muitas e muitas vezes). E ficava nisso mesmo, até porque ninguém sabia o resto da letra.
* * *
Acho que estou vendo muita televisão. Percebi que meus papos com as pessoas ficam entusiásticos quando trocamos figurinhas a respeito de "Changing Rooms" e "American Idol". E até "Big Brother", que deus me perdoe.
* * *
Outro indício de excesso é que só hoje percebi que a música de abertura do "Queer Eye for the Straight Guy" diz "when you are around/when you are around/all things just keep getting better" e fiquei empolgadíssima.
* * *
Passei o fim-de-semana adquirindo uma dor de garganta horrível e depois tentando me livrar dela. Remédio contra gripe, Vic Vaporub, leite quente, até gargarejo - you name it, I've tried it. Agora estou me sentindo melhor, depois que dormi umas 6 horas.

4.2.05

Cousas da vida

Você percebe que realmente sabe alguma coisa quando:
- seu (a) estagiário (a) faz uma pergunta técnica e você se lança em uma aula sobre o assunto.
Você percebe que realmente tem algum dinheiro quando:
- seu extrato bancário mostra um valor aplicado que é superior a todo o dinheiro que você já teve durante os anos anteriores de vida somados.
Você percebe que nunca vai crescer quando:
- dá cabo de uma caixa inteira de chicletes de morango Sandy&Junior em menos de uma semana. E come o chocolate em barra que você tinha comprado para fazer copinhos de chocolates e bombons de Bailey's antes dele ser transformado em copinhos de chocolates e bombons de Bailey's.

3.2.05

American Idol

Se vocês só têm tempo para assistir a um programa na televisão, assistam a American Idol. É o programa no qual o Fama da Globo foi inspirado (ou copiado), só que melhor.
Para começar, tem o juiz mais mau de todos os tempos: Simon Cowell, um cara capaz de fazer meus comentários sarcásticos das leituras críticas parecerem carícias. Sem contar que ele fala tudo na cara dos candidatos, ao invés de mandar suas críticas num bonito relatório de capa cor-de-pêssego pelo correio.
Para completar, o programa está na fase das eliminatórias e umas 100 mil pessoas se inscreveram. É fácil deduzir que não existem 100 mil pessoas nos Estados Unidos que cantam como o Frank Sinatra, certo? Mas o que você não esperava, meu caro Watson, é a quantidade absurda de pessoas que não têm noção. NÃO TÊM NOÇÃO! Elas esquecem a letra da música, embolam as palavras, perdem o tom, se esganiçam, balbuciam, choram... e cantar que é bom, necas. Mas o pior é que elas entram todas confiantes, dizendo que vão ser o próximo Ídolo Americano, que todos os amigos elogiam seus dotes artísticos, que eles não só cantam, mas também tem personalidade (whatever it means) e são bonitos!
Então tá, então.
Enfim. Junte muitas pessoas sem noção e um juiz que não tem pejo de dizer:
"Isso, com sinceridade, foi incrivelmente péssimo"
"Você não sabe cantar, não sabe dançar e precisa perder uns 20 quilos"
"Isso foi a coisa mais horrível que eu já ouvi na minha vida"
e é diversão na certa.

2.2.05

Changing Rooms

Sonhei que o Laurence Llewelyn-Bowen (um decorador descontrolado com cabelos esvoaçantes e punhos de camisa mais esvoaçantes ainda que faz Minha Casa, Sua Casa, People&Artes, todo dia de noitinha) tinha ido à meu apartamento antigo em BH para redecorar meu quarto. Eu me lembro que a primeira coisa que ele mandou arrancar foram as cortinas cor-de-rosa. E que ele tinha cortado o cabelo curto, ficando virtualmente idêntico ao vocalista do Foo Fighters, ex-baterista do Nirvana.

Basicamente, o sonho quer dizer que eu anseio ardentemente por participar do programa Minha Casa, Sua Casa, mas minha casinha é tão bonita que não fica bem eu ir falar mal dela na tevê. O jeito, é claro, é empurrar uma casa na qual eu nem moro mais, e cujo décor, francamente...

Ok, ok, confesso: ando achando minha casinha a cara do “antes” do Changing Rooms. Mas racionalmente eu sei que isso é só porque não tenho nenhum ambiente pintado de “torquoise” ou “dove gray” ou “burnt orange”. Nem uma parede preta com uma árvore dourada desenhada pelo Laurence por cima. Nem um “huggable wall” feito de pedaços de camurça igual à jaqueta que o Laurence usa...

Humpf.

1.2.05

Manobras Radicais

Como faz 9 meses que eu praticamente não dirijo, e só peguei o Focus 1 ou 2 vezes da minha vida (Nah. Na verdade é porque eu sou roda-dura para manobras mesmo), o Leo está me ensinando a tirá-lo da garagem.

Trata-se de uma verdadeira operação de guerra. Tenho que acordar 10 minutos mais cedo, porque esse é o tempo que eu gasto para tirar o Focus Mulder (é, nosso carro tem nome! O da Lili é Cavalo de Fogo) de seu berço esplêndido. O Leo coloca seu capacete de proteção e agarra seu rosário, e lá vamos nós!

A minha estratégia é fazer com que o carro ande muito, muito vagarosamente, para não causar danos permanentes no caso do carro encostar em uma das muitíssimas pilastras que adornam a garagem (praticamente um templo grego). E também não virar demais o volante, para evitar movimentos bruscos.

Segundo o Leo, esse é o problema - minhas manobras são muito tímidas. Aí, 10 segundos depois, ele está se agarrando ao banco quando o retrovisor do lado dele passa à distância de um fio de cabelo da parede.

Acho que uns 5 anos da vida dele vão ficar na nossa garagem.