28.7.05

O Caso do Cansaço

Estou cansadíssima. Precisando de férias urgentemente. Fui olhar na agenda quando foram as últimas férias e, para a minha surpresa, descobri que foram em maio! Não faz nem 3 meses e eu já estou pedindo água. Tudo bem que foram só 10 dias e parte dela foi gasta em BH, tirando passaporte. Mas, ainda assim...

Acho que estou muito pouco acostumada ao mundo adulto do trabalho e seus escassos 30 dias (corridos!) de férias por ano. Quando eu era universitária, tinha quase 3 meses de férias. Sem contar uma grevinha aqui, outra lá... Os estágios eram mais exigentes, é verdade, mas como eram todos de 4 horas, não cansavam tanto assim.

Alguém aí arrisca os números da Mega Sena?

27.7.05

O Caso da Indecisão

Nossa viagem a NY está suspensa até segunda ordem. Saiu a autorização para o concurso que eu quero fazer um dia antes de comprarmos a passagem. Perfect timing.

Cenários possíveis: o concurso sair antes da viagem (duvido, mas nada é impossível); o concurso ser lá por outubro, e aí dá pra gente viajar em novembro. Afinal, temos o visto americano, dinheiro no bolso e muitos dias de férias para tirar!

O problema é que os hotéis que a gente quer estão lotados até não sei mais quando, o inverno em NY é glacial e o dólar disparou.

26.7.05

O Caso dos Comprimidos Mastigáveis

Para minha grande alegria, o outro dermatologista concluiu, pós-exame de sangue, que eu estou com uma anemiazinha mesmo e que dentro de 1 mês, mais ou menos, se eu tomar o remédio direitinho, o cabelo deve começar a se recuperar.

O problema é que o remédio vem em forma de comprimidos mastigáveis sabor chocolate. Só que eles não têm o menor gosto de chocolate, são doces pra caramba, pegajosos e grudentos. Ah, e se eu tiver próteses dentárias, especialmente do tipo “luva light”, devo escover os dentes imediatamente depois de ingerir o remédio, ou elas vão escurecer. Como não tenho a menor idéia do que sejam próteses dentárias do tipo “luva light”, estou confiando que não as possuo.

De qualquer forma, vai ser duro tomar o comprimido sabor chocolate (qualquer semelhança com Oviscos é mera coincidência!) durante meses. Acho que vou ligar para o médico e pedir para ele trocar para a fórmula xarope.

25.7.05

O Caso do Casamento do Ivan

Só digo que tomei apenas uma taça de champanhe – ela nunca ficava vazia. E que dancei tanto que meus pés estão doendo até hoje.

22.7.05

O Caso da Idade

Sempre me acharam mais nova do que eu sou. Isso, em teoria, é bom no momento atual, já que eu tenho 29, mas quando eu tinha os meus 13, 14 anos, é claro que eu odiava. O que talvez explique por que eu sou louca para fazer 30 anos e por que eu acho que mentir a idade para menos é uma babaquice. Vejam só: se você fala que tem 40 e na verdade tem 35, as pessoas vão te achar bonitona e conservada. Se você diz o contrário, grande a chance de te acharem um bagulho.

Digo que me acharem mais nova do que eu sou é bom em teoria porque, no trabalho, é bom impor respeito. Estou cansada de me chamarem de “menina”, “mocinha” e “senhorita”. Afinal, eu sou uma mulher e sou uma senhora. Não foi da noite para o dia: foram necessário muitos anos e alguns momentos difíceis para virar uma mulher. E querem me reduzir a “menininha”? Diabos.
Ontem fui ao médico e, é claro, ele estava atrasado. A secretária olhou para minha cara e recomendou que eu dissesse a ele que eu tinha aula na faculdade para que ele me atendesse logo. Aula na faculdade?!? Por favor. Eu sou formada em dois cursos universitários. Passei dez anos na UFMG. Agora eu sou uma profissional!

Talvez eu deva usar uns tailleurzinhos em cores sóbrias e cortar o cabelo chanel. Segundo a minha dentista, não vai adiantar: ela garante que a causa da minha ilusória juventude são os meus dentes da frente, que ainda têm aquela “serrinha” da infância.

Vamos ver se continua funcionando quando eu tiver uns 80.

21.7.05

O Caso do Vestido

Fomos convidados para ser padrinhos de casamento em pleno julho. Beleuza. O Leo vai de terno, como sempre, e estará bem abrigado. Quanto a mim, decidi que não ia passar frio de jeito nenhum (longo histórico de congelar em festas usando vestidos lindos e frescos) e me dirigi à única loja que eu conhecia capaz de produzir roupas quentes e elegantes.

Cheguei lá firme: quero um vestido que me proteja do frio. A moça me sugeriu mangas compridas, estolas de rendas, capinhas fechadas no pescoço – essas coisas que fazem com que você pareça ter uns quarenta e cinco anos. A mais. Recusei, recusei e recusei. Aí a moça passou a me mostrar vestidos mais decotados. Me animei. Dali para o vestido lindo e fresco, foi um passo.

É lógico que eu fiz adaptações para o inverno. Ao invés de musseline, tecido de verão, escolhi cetim (muito quente, não é? Aposto que todo mundo tem jaquetas de cetim). Contei que ia usar uma estola de pele emprestada de mamã (só que no dia eu não lembrava que a tal estola era mais uma gola). E meia fina, é claro (todo mundo sabe que os esquimós só sobrevivem no Ártico porque usam meia fina).

Mas, apesar de todas essas modificações para o inverno, o vestido continua lindo... e fresco. Não tem mangas. Tem é um decote gigantesco nas costas e outro pouco menor na frente. A tal estola mal cobre nuca e ombros.

Em suma: serei uma madrinha linda... e congelada.

20.7.05

O Caso da Chave

Essas coisas só acontecem comigo.
Costumo colocar a chave da portaria e da porta do apartamento num clipe de papel para levar só as duas para a academia. Quando volto pra casa, encaixo o clipe de volta no chaveiro grande.

Ontem, acabei esquecendo essas chaves na porta. E na hora de voltar pra casa...

Cadê o porteiro? A luz da portaria estava acesa e havia um casaco sobre a cadeira, mas o porteiro não estava lá. Liguei para o Leo para perguntar qual era o apartamento da síndica, ou para implorar que ele chegasse logo em casa, mas justamente ontem ele tinha esquecido o celular em casa!

Liguei para o telefone da empresa. Ninguém atendeu. Toquei aleatoriamente o interfone em alguns apartamentos. Idem.

Aí, num momento de desalento, suspirei e me encostei no portão. Ele estava... aberto!

O detalhe é que, se o portão fica aberto mais de 15 segundos, o alarme toca loucamente. E eu estava com certeza há mais de 5 minutos plantada na frente do prédio.

Pra falar a verdade, nem me importei. Entrei correndo no prédio e fui pra casa, já que eu tinha a chave da porta dos fundos na minha bolsa!
* * *
Acaba de me ocorrer que o porteiro, antes de abandonar seu posto pra fazer não sei o quê, deixou o portão encostado e desligou o alarme. Até que foi esperto da parte dele. Se pelo menos houvesse uma maneira de distinguir visualmente o portão trancado do encostado...!

19.7.05

O Caso do Aniversário

Hoje é aniversário do Leo! Aniversário do Leo! Já é o segundo que ele faz depois de casado, e ele vai sempre estar ganhando de mim, porque eu faço aniversário em abril e a gente se casou em junho.
Tive a paciência de investigar no calendário e descobri que faço aniversário 40 dias antes da data do casamento. E o Leo faz 40 dias depois! Não é fantástico? Não é um sinal que somos almas gêmeas e ficaremos casados 80 anos (sim, sei que aí eu estaria com 119, mas pensem na evolução da ciência!)?
Iremos à BH no fim-de-semana para o Leo receber abraços dos amigos (e beijos das amigas, vá lá). E também porque somos padrinhos de um casamento. Eu e o Leo somos ótimos padrinhos: damos presentes legais, chegamos na hora, ficamos bonitos na foto e ainda somos um excelente exemplo para casais!

18.7.05

O Caso dos Hotéis

Passei o fim-de-semana grudada como um alien ao computador (e olha que o monitor perdeu o vermelho e tudo fica com cores muito esquisitas) tentando montar uma viagem decente que não nos leve à falência.
O primeiro problema é que “Nova York”, “hotel” e “barato” não pertencem à mesma frase, a não ser que a frase seja “Os hotéis em Nova York não são nada baratos”. Em termos práticos, isso significa que uma diária de 200 dólares é uma pechincha. E ainda não estamos contando os impostos de 13,5% e a taxa de ocupação de US$ 3,50 por noite!
O segundo problema é que os hotéis que eu quero já não têm vagas para daqui a 3 meses, isto é, setembro. O lado bom é que eles realmente devem ser legais. O lado ruim é que tivemos que mudar a viagem para outubro, e aí os hotéis em Washington é que ficam extorsivos...
Depois de fazer todas as combinações possíveis, decidimo-nos por dois hotéis charmosinhos em NY: o Hotel QT (www.hotelqt.com) e o BelleClaire (www.belleclaire.com). Cada um deles fica numa área diferente, o que quer dizer que teremos uma homebase para cada região. E também que nenhum deles tinha oito noites seguidas disponíveis.
Parece simples? Não foi. Quando o negócio é em dólar, você tem que montar a viagem assim: a saída tem que ser de segunda a quarta-feira, porque fica mais barato; os primeiros dias da viagem têm que ser em Washington, porque lá os hotéis são mais em conta no fim-de-semana; os primeiros dias em NY têm que ser no hotel que cobra menos durante os dias de semana, e os últimos no hotel que cobra a mesma coisa durante meio e fim-de-semana, porque aí não dá diferença.
O problema é que você só descobre o detalhe da saída de segunda a quarta depois que já reservou todos os hotéis, e então você tenta adiantar a viagem em um dia para economizar 100 dólares, só que aí os hotéis que você quer não têm mais aquele dia disponível.
The horror.

15.7.05

O Caso da Agente de Viagem

Como eu e o Leo estamos pensando em viajar mais para o final do ano, saímos à caça de um agente de viagens. Na minha cabeça, agente de viagens sabe muito mais do que os meros mortais a respeito de vôos, hotéis e localidades, e é capaz de desenterrar ofertas inacreditáveis em datas incríveis.
Acho que se trata de mais uma de minhas ilusões. A agente de viagens que nos foi recomendada, tão chique que cobra uma taxa de 100 dólares caso você acabe não fechando com ela, está nos saindo um desapontamento.
Primeiro ela nos apresenta uma oferta Google: desses que se você for nos sites de linha aérea e de hotéis você mesmo monta. Com a desvantagem de, por não ser pacote, não ter desconto nas diárias, nem seguro, nem transfer aeroporto-hotel.
Aí ela demora dias para responder as perguntas mais básicas, do gênero “quais os nomes dos hotéis que você sugere que a gente fique?”. E dá uns nomes de hotéis hó-rriveis, daqueles que têm 1.600 quartos, milhares de brasileiros, e ficam nos lugares mais óbvios do mundo.
Então eu tive uma das minhas idéias fantásticas (elas são sempre fantásticas, se pouco práticas): vou me tornar uma agente de viagens! Não pode ser tão difícil. Aposto que deve existir um curso técnico que você faz e pronto: fico sabendo de todos os segredos da profissão, ganho uns trocados toda vez que eu reservar um quarto para mim mesmo, e terei descontos fabulosos para voar pelo mundo!

14.7.05

O Caso das Donas-de-Casa Desesperadas

Ontem o Leo me contou o primeiro episódio de Desperate Housewifes e eu vi o segundo, para ver se eu gostava. Afinal, é um seriado que faz muito sucesso nos Estados Unidos e aqui, que foi indicado a vários Emmys (o equivalente ao troféu SBT dos States) etc. etc.
Sabe o que eu achei? Chato. Muito chato. As quatro personagens principais são quatro mulheres descontroladas, cujos problemas, pelo menos pra mim, surgem de uma razão muito simples: falta de serviço!
Uma é uma dona-de-casa perfeita. Outra é uma alta executiva que largou o emprego pra tomar conta dos 4 filhos pivetes. Outra é uma ex-modelo que vive sustentada pelo marido rico. A última é a única que tem um emprego: ilustradora de livros infantis. (que, venhamos e convenhamos, não é lá uma profissão de verdade. Pelo menos no seriado, ela passa o dia inteiro em casa, sem encostar em um único lápis-de-cor).
Em suma, são mulheres – pessoas – no seu pior. Sem objetivos, sem planos, sem esperança. Sem um pingo de imaginação. E sem iniciativa, porque se a vida delas, de mulheres atraentes e teoricamente inteligentes de classe-média alta não está boa, por que diabos elas NÃO FAZEM ALGUMA COISA A RESPEITO?
Põe uma enxada na mão de cada uma que resolve o problema.

13.7.05

O Caso do Cabelo

Meu cabelo anda caindo horrivelmente, então, antes que eu fique careca, tomei coragem e resolvi ir ao médico.
Ele olhou pra minha cara, cutucou minha cabeça com a ponta do dedo, perguntou se meu pai era calvo e decidiu que a questão era genética, prescrevendo um remédio de 80 reais que deve ser aplicado para o resto da vida.
Decidi arrumar um segunda opinião. O Leo achou que não era uma boa idéia: provavelmente ele ia dar outro diagnóstico, o que, ao invés de resolver o problema, iria complicá-lo. “Aí é melhor de três,” respondi, engraçadinha, mas já imaginando que, se o hipotético terceiro médico tivesse outra teoria, então eu estava ferrada mesmo.
Descobri um derma perto de casa e lá me fui, bem pimpona. A secretária estava sumida atrás de uma porta, examinando biquínis que uma colega queria empurrar nela. Depois de uns 10 minutos, ela deu as caras. Para avisar que o doutor fulano “não vinha não”. “Ele viajou,” disse ela, distraída. “E não pegaram seu telefone quando você marcou a consulta, então não pude avisar.”
Fiquei altamente desconfiada que quem marcou a consulta e, conseqüentemente, devia ter pego meu telefone, era ela, mas, enfim, como eu moro a um quarteirão do médico, nem tive forças para criar caso.
Voltei lá ontem. A secretária estava sumida de novo. Enquanto ela não aparecia, bati papo com uma mulher meio doida, que não demorou dois minutos pra contar que ela fazer botox, preenchimento, tirar as manchas da perna e aproveitar que ela estava no Brasil para colocar dentadura definitiva, porque ela mora na Flórida e é casada com um porto-riquenho de 33 anos. No fim das contas, o médico achou que eu estava meio pálida e me mandou fazer um exame de sangue para ver se eu estou anêmica. Estou torcendo para estar anêmica. Porque com certeza que o tratamento de anemia não é feito com remédios de 80 reais que devem ser aplicados para o resto da vida!

12.7.05

O Caso do Café-da-Manhã no Serviço

Ai, ai. Acho que estou me transformando em um pão-de-queijo. Também acho que não vou nem almoçar hoje. Escrever este post está sendo um esforço tremendo, porque todo o meu sangue está ocupado na digestão.
Explico: teve um aniversário hoje em minha seção e nós decidimos fazer um café-da-manhã comemorativo. No cardápio, bolo, chocolate-quente e, claro, pão-de-queijo. Como não gosto de bolo, tive que me contentar com o chocolate-quente e o pão-de-queijo. E como tinha muito de ambos, e estavam ambos muito gostosos... * suspiro*
Aproveito para passar a receita do chocolate-quente, antes que me perguntem:
2 litros de leite (960 calorias)
1 lata de leite condensado (1000 calorias)
1 barra de chocolate meio-amargo (900 calorias)
1 pacote de 200 g de chocolate em pó (1000 calorias)
Grande total: 3860 calorias. Mas não se assustem! A receita dá uns 15 copos. Isso quer dizer que cada copo possui aproximadamente 250 calorias. O que não é tão ruim assim.
Isto é, se você tiver força de vontade suficiente para tomar apenas um copo.

11.7.05

O Caso do Inverno

Aqui nesta cidade está fazendo um frio hó-rrível. Nem parece Fabriciano, sô! E nada de céus azuis e sóis cintilantes: ultimamente, o tempo está fechado, cinzento, feio mesmo. Um hó-rror!

Só é bom para duas coisas: fazer academia, porque é sempre melhor sentir menos calor e porque, por algum motivo misterioso, a freqüência cai muito, então não tenho que disputar aparelhos com ninguém. E fazer fondue! Ontem eu e o Leo comemoramos 13 meses de casamento, que na verdade foi no sábado, com um romântico fondue de queijo só para nós dois.

Enfim, estou sentindo saudade do calorzinho. Não, não era bom caminhar até o restaurante na hora do almoço com o sol a pino sobre a cabeça, mas era tão bom ir no clube nadar depois do expediente!

8.7.05

O Caso dos Livritos

A saga paulistana finalmente acabou (nossa, como essa viagem de fim-de-semana rendeu posts) e estamos de volta à programação normal.
Meus livros em inglês, aqueles que iam demorar 12 semanas para chegar, deram as caras em apenas 10. Foram entregues aqui na receita na quinta-feira passada, dentro de uma sacola branca gigantesca, parecendo que tinha um defunto dentro. Mas não tinha – eram só 36 pocket books muito bem escolhidos por mim e pela Daninha.
No fim-de-semana fui à Goval para dividirmos o tesouro. Desde então eu já devorei 5 deles, o olha que eu estou tentando economizá-los para durarem mais, e que estou muito ocupada com academia e eventos sociais. Ou seja, só sobra para lê-los o período de 11 da noite (hora em que eu geralmente durmo) às 1 da manhã (hora em que eu capoto). O resultado é que eu fico igual a um zumbi durante o dia.
Mas ontem eu me vinguei. Aproveitei que o Leo tinha um evento na empresa e não fui na academia, não fiz nada, só li livros das 5 da tarde até 11 e meia da noite. Acompanhada de uma bacia inteira de pipoca e uns chocolatinhos.
É, foram livros mesmo. Terminei o que eu estava lendo, comecei e terminei um menorzinho, e comecei outro absolutamente ótimo, que me roubou muitos minutos preciosos de sono!

7.7.05

O Caso do Visto (Dia 3)

Como a entrevista no consulado americano estava marcada para as 10 da manhã de segunda-feira, acordamos às 8, fizemos as malas, deixamos o Marco Antônio vigiando-as e lá nos fomos para a Chácara Santo Antônio, nome bizarro do bairro onde fica o tal consulado.
Pegamos o táxi às 15 para as 9 e isso foi muito bom, porque enfrentamos um engarrafamento bizarro nos Jardins e gastamos quase 1 hora, ao invés dos 20 minutos programados, para chegar ao consulado. A parte boa é que, como o Jardins é o bairro chique de São Paulo, ficamos paradas no trânsito vendo concessionárias de Ferraris, BMWs e Porshes. Ah, e lojas de blindagem.
Chegamos 10 minutos adiantadas, crentes que íamos ser atendidas em um instante. Ledo engano. Primeiro tem a fila para ENTRAR no consulado, que era imensa e se esticava pela calçada. Depois de meia hora, você consegue pagar a taxa do visto (100 dólares! 100 dólares! E a cotação é deles: é 250 reais e não se discute) e passar pelo detector de metais. Tomam seu celular, e deixam que você entre em um grande galpão com muitos e muitos bancos, no qual devia ter umas trezentas pessoas.
Aí você entra na fila de entregar os documentos (mais uma meia hora). Depois você entra na fila de tirar digitais (com certeza para comparar com os arquivos do FBI e ver se você não é um terrorista fichado. Pelo menos não tem que “tocar piano” com essas tintas horrorosas que só saem com ácido sulfúrico: você põe seus dedinhos indicadores em um scanner e pronto. Por que os indicadores, e não os polegares? Faz sentido: para apertar um gatilho de metralhadora ou um botão detonador de bomba você usa o indicar, não usa?). A partir desse momento, você está liberado pra passear na região da lanchonete que fica dentro do consulado, e esperar pela entrevista.
O detalhe é que só quando chegamos no consulado é que nos avisaram que teríamos que pagar mais 22 reais (cada uma!) pelo Sedex para termos nossos passaportes de volta. Como o táxi demorou, custou mais do que o esperado. E precisávamos pegar outro táxi de volta ao hotel. Em suma, o dinheiro estava racionado e só pudemos ficar olhando tristemente para os pães-de-queijo da lanchonete.
Depois de mais hora e meia, fomos chamadas para a entrevista. Eu esperava que ela acontecesse em uma sala privativa, com uma dupla de agentes secretos fazendo a rotina “good cop, bad cop” e tentando te pegar em contradição. Que nada. Um moço, atrás do guichê de vidro à prova de bala, te pergunta, sem nem olhar pra sua cara pra ver se você tem sangue árabe: o que é que você faz? E o seu marido? Já esteve nos Estados Unidos? Qual é a renda familiar? E pronto, seu visto está concedido.

6.7.05

O Caso dos Cafés-da-Manhã

Como no economicíssimo Formule 1 o café-da-manhã não está incluído na diária, no domingo caminhamos até a Bella Paulista, uma padaria/confeitaria/restaurante realmente legal para tomar o pequeno almoço, como dizem os portugueses. Descobri que existe uma bebida que se chama chocolate italiano, que tem textura e sabor iguais a Danette, só que quentinho! Além disso, pedi um sanduíche com peito de peru que tinha tanto recheio que eu tive que tirar um pedaço dele, sob pena de não sentir o gosto do pão. E a conta nem ficou estratosférica (considerando que é São Paulo): 10 reais.
Na segunda, resolvemos encarar o café-da-manhã do hotel mesmo. Por módicos 4 reais, você tem direito a torradas, vários tipos de mão, manteiga, cream cheese (em experiência!), geléia e substância sabor mel (é isso mesmo: não é mel de verdade), além de 2 sucos inteiramente artificiais, café e leite.
Dá pra tomar 2,5 cafés-da-manhã no Formule 1 com o preço que paguei no Bella Paulista, mas garanto que o segundo valeu muito mais a pena. Pra começar, o salão de refeições do F1 é a coisa mais sem graça que há, enquanto o BP exala charme. Além disso, no F1 o sistema é “serve-serve”; já no BP tem garçons para carregar pedidos e responder perguntas sobre o cardápio. Sem falar no café-da-manhã em si! Até que o F1 tem alguma variedade, mas toda aquela comida comprimida sobre o centro das mesas redondas faz com que a gente perca o apetite. Acabei comendo só duas torradinhas de pacote com o cream cheese experimental e tomando um gole do assustador suco artificial de tangerina. E depois fiquei com a maior fome!

5.7.05

O Caso do Fantasma da Ópera (Dia 2)

Depois de mais alguns movimentos ginásticos (porque colocar meia fina dentro do cubículo que circunda o vaso sanitário deve ser a prova de admissão do Cirque du Soleil), partimos felizes de táxi para O Fantasma da Ópera.
O ingresso é caro, mas o musical é um barato (trocadilho infame, mas eu não resisti). Basicamente, é um triângulo amoroso entre uma cantora lírica, um visconde e um gênio deformado que é arquiteto, químico, compositor e barítono. Sacaram?
É claro que eu e a Dani ficamos torcendo para o segundo, que usava uma capa preta e uma meia-máscara papa fina. E ainda tinha lustrosos cabelos pretos, que a gente só descobre que é uma peruquinha no último ato, quando ela é arrancada e se revela que o fantasma, com seus cabelinhos brancos arrepiados, é a cara do Doc Brown de De Volta para o Futuro.
Mas eu divago. Christine é a cantora lírica bobinha, que fica órfã adolescente. O pai violinista lhe prometera que, quando morresse, lhe enviaria o Anjo da Música, para ensiná-la a cantar maravilhosamente. Quando ela consegue um emprego no coro da Ópera Populaire, o Fantasma da Ópera (o gênio deformado que é arquiteto, químico, compositor e barítono e que mora escondido na construção desde que fugiu do circo, muitos anos atrás), se apaixona loucamente por ela e começa a conversar, escondido, com a moça (além de arquiteto, químico, compositor e barítono, ele também é ventríloquo) e dar-lhe aulas de canto, apresentando-se como o Anjo da Música.
A moça, que como já explicamos é uma bobinha, fica completamente dominada pelo Anjo. Quando ela está pronta para se apresentar, ele afugenta a prima-dona do teatro e Christine consegue o papel. Mas aí (the plot thickens!) o Visconde de Chagny, um coleguinha de infância conhecido na Inglaterra (a Europa é um ovo. Detalhe: Christine e seu papai morto são suecos), a vê e também se apaixona loucamente por ela.
O resto da história só acontece porque Christine não decide a vida: ela fica noiva do Visconde, mas não quer abandonar o teatro; é levada às profundezas da Ópera pelo Fantasma, arranca a máscara dele (a boba! De máscara e peruquinha ele era mó galã) e mesmo assim não foge com o Visconde.
No fim das contas, o Fantasma elimina mais alguns personagens insignificantes e rapta Christine. O Visconde vai atrás, o Fantasma ameaça matá-lo caso Christine não se case com ele, e aí vai a novela mexicana. Christine, que não é tão boba quanto parece (se escapar dessa enrascada ela pode virar uma viscondessa!), diz para o Fantasma que ele não está mais sozinho e dá um beijo nele, e milagrosamente ele fica bonzinho e diz para os dois irem embora e os deixarem em paz.
O que nos leva a concluir que Christine beijava horrivelmente mal.
Ok, o roteiro é fraquinho, mas as músicas são fantásticas (até hoje eu estou cantarolando), os cantores são excelentes e os cenários, espetaculares. As versões em português da música ficaram ótimas. Um único problema: tem horas que, mesmo em português, não dá pra entender uma palavra do que o povo tá cantando!

4.7.05

O Caso da Liberdade (Dia 2)

No domingo nos abalamos para o bairro da Liberdade para ir à feira. Acabamos pulando as barraquinhas e indo ao mercado de produtos japoneses e na loja de quimonos. No mercado, as etiquetas em japonês fazem você se sentir totalmente analfabeto, uma experiência muito interessante. Não resisti e comprei lindas tigelinhas japonesas de cerâmicas com ideogramas (nem idéia do que significam). Na loja de quimonos, também não teve jeito: eles são caros, mas tão lindos!
E não parou por aí: também adquiri uma capinha de celular de cetim azul-turquesa e uma bolsa-carteira violentamente lilás. Todos com motivos orientais. Em suma, se eu ficasse mais tempo por lá, nem o cartão mágico do Leo dava jeito.
(Pausa para explicar o cartão mágico: há uns anos atrás, quando a gente ainda nem era noivo, o Leo fez um cartão para mim da conta dele no Itaú. É claro que eu nunca usei – não foi à toa que ele me deu o cartão! – mas um dia desses precisei e lá estava ele na minha carteira! E é mágico mesmo: eu uso, mas não pago :)
Usamos o metrô para ir e voltar. Ele é limpo, confortável, e muito organizado. (Momento esnobe horrível: lembra muito o de Paris). Como era domingo, ele também estava vazio. Muito bom, porque estávamos carregando milhares de sacolas.
Depois encontramos a Lili e o André para almoçar. Esqueci o nome do restaurante, mas ele tinha um gnocchi ótimo! Eu queria ir na exposição de Tesouros da Coroa Russa, mas a Dani e o Marco desanimaram e eu a Lili resolvemos ir na Fnac, uma livraria gigantesca e fantástica. Lili me apresentou ao Francino, um café com caramelo e quatro dedos de chantilly. Minha taxa de açúcar no sangue ficou tão alta que quase tive um troço, mas resisti bravamente.
Foi bom porque conversamos loucamente. É engraçado: tem amigos que você reencontra depois de meses e o papo rola como se vocês tivessem se visto ontem!
Aí voltei para o hotel para me preparar para O Fantasma da Ópera. Detalhes no próximo post!

1.7.05

O Caso da Gripinha

Após a aventura no Santa Luzia, voltamos para o hotel (de táxi, graças a deus!) e nos dedicamos a matar a fome. Estou achando que os paulistas são muito espertos, ou que tem muito mineiro em Sumpaulo, porque a tortinha que eu comprei era de queijo minas e estava deliciosa, sem falar dos ótimos pães-de-queijo do almoço.
O Formule 1 não tem frigobar nem telefone no quarto, mas tem um microondas na recepção. Esquentamos nossos lanchinhos e voltamos para o quarto, bem felizes. Aí o Marco Antonio começou a ter febre.
Ele já estava tomando remédio para a gripe (vários), mas, segundo a Dani, a única coisa que baixa a febre do pimpolho é Novalgina. Adivinhem se tinha Novalgina na farmacinha dos dois? É claro que não! Mas o Formule 1, apesar de não ter restaurante, nem bellboy (aquele povo que faz tudo pra você por módicas gorjetas), tem os tais orelhões em cada andar, com o endereço e o telefone do hotel pregados em cima. Ou seja, tudo arrumado para você pedir o que quiser por telefone.
A drogaria mais próxima era realmente próxima, mas demorou quase 2 horas para entregar o pedido. É claro que, aí, a febre do menino já tinha baixado.
Pelo menos eles trouxeram band-aids para os pés da Daninha.
Que, por sinal, teve uma noite ótima: acordando toda hora pra ver se o Marco estava bem, comigo tossindo loucamente ao fundo.