7.7.05

O Caso do Visto (Dia 3)

Como a entrevista no consulado americano estava marcada para as 10 da manhã de segunda-feira, acordamos às 8, fizemos as malas, deixamos o Marco Antônio vigiando-as e lá nos fomos para a Chácara Santo Antônio, nome bizarro do bairro onde fica o tal consulado.
Pegamos o táxi às 15 para as 9 e isso foi muito bom, porque enfrentamos um engarrafamento bizarro nos Jardins e gastamos quase 1 hora, ao invés dos 20 minutos programados, para chegar ao consulado. A parte boa é que, como o Jardins é o bairro chique de São Paulo, ficamos paradas no trânsito vendo concessionárias de Ferraris, BMWs e Porshes. Ah, e lojas de blindagem.
Chegamos 10 minutos adiantadas, crentes que íamos ser atendidas em um instante. Ledo engano. Primeiro tem a fila para ENTRAR no consulado, que era imensa e se esticava pela calçada. Depois de meia hora, você consegue pagar a taxa do visto (100 dólares! 100 dólares! E a cotação é deles: é 250 reais e não se discute) e passar pelo detector de metais. Tomam seu celular, e deixam que você entre em um grande galpão com muitos e muitos bancos, no qual devia ter umas trezentas pessoas.
Aí você entra na fila de entregar os documentos (mais uma meia hora). Depois você entra na fila de tirar digitais (com certeza para comparar com os arquivos do FBI e ver se você não é um terrorista fichado. Pelo menos não tem que “tocar piano” com essas tintas horrorosas que só saem com ácido sulfúrico: você põe seus dedinhos indicadores em um scanner e pronto. Por que os indicadores, e não os polegares? Faz sentido: para apertar um gatilho de metralhadora ou um botão detonador de bomba você usa o indicar, não usa?). A partir desse momento, você está liberado pra passear na região da lanchonete que fica dentro do consulado, e esperar pela entrevista.
O detalhe é que só quando chegamos no consulado é que nos avisaram que teríamos que pagar mais 22 reais (cada uma!) pelo Sedex para termos nossos passaportes de volta. Como o táxi demorou, custou mais do que o esperado. E precisávamos pegar outro táxi de volta ao hotel. Em suma, o dinheiro estava racionado e só pudemos ficar olhando tristemente para os pães-de-queijo da lanchonete.
Depois de mais hora e meia, fomos chamadas para a entrevista. Eu esperava que ela acontecesse em uma sala privativa, com uma dupla de agentes secretos fazendo a rotina “good cop, bad cop” e tentando te pegar em contradição. Que nada. Um moço, atrás do guichê de vidro à prova de bala, te pergunta, sem nem olhar pra sua cara pra ver se você tem sangue árabe: o que é que você faz? E o seu marido? Já esteve nos Estados Unidos? Qual é a renda familiar? E pronto, seu visto está concedido.

2 comentários:

DaniMarco disse...

E na minha vez a moça além de nem olhar para a minha cara, nem se dignou a perguntar o que é que eu faço, ou se o meu marido é extra-terrestre ou simpatizante da Al-Kaeda (não para os dois, eu sou boba?). Falta de graça, depois de toda aquela fila, onde parecia que iam levar a gente para um trem direto pra Treblinka...

* Isa * disse...

pois é, o pessoal fica num medão danado e os consulistas nem perguntam nada. e dizem que no consulado não tem absolutamente ninguém com cara de simpático... em novembro eu tou lá pra tirar meu J1! =)