31.8.06

O Caso da Economia

Cada vez mais me dou conta de como as pessoas são descontroladas com dinheiro. Mesmo quem ganha muito volta e meia cai no cheque especial. Meu pai diz que “você fica rico não com o que você ganha, mas com o que você guarda.” E eu concordo.

Tudo bem, cada um sabe de sua vida e faz o que quer com os seus dinheiros. Mas pagar juros astronômicos para o banco, comprar tudo a prestação e fazer financiamentos intermináveis quando um pouco de economia permitiria pagar tudo a vista – aí não é independência, é burrice mesmo.

Não é difícil guardar dinheiro. É só pôr em prática as seguintes regras (que eu, pessoalmente, uso com grande sucesso):

1) Não compre nada à prestação. Se você não tem dinheiro para pagar na hora você não tem dinheiro para pagar, ponto.

2) Recebido o salário, desconte as despesas fixas (que serão poucas, já que você não compra nada à prestação) e aplique. TUDO.

As pessoas me acusam de pão-durice, mas eu aceito como elogio. Quando eu estiver me aposentando aos quarenta anos, vamos ver quem tem razão.

30.8.06

O Caso do Açúcar

O Leo decidiu comer menos doces e eu fui junto. Reduzi a quantidade de chocolate de “sem limites” para uma ração diária de 5 g.

Acho que estou tendo efeitos colaterais. Meu corpo dói (talvez também porque estou completando mais de um mês sem exercício, mas isso não vem ao caso), sinto um sono danado à tarde e estou tendo umas dores de cabeça muito inconvenientes.

Será que é síndrome de abstinência?

29.8.06

O Caso dos Copos D’Água

Finalmente, finalmente li em uma revista que esse negócio de que todo mundo tem que beber oito copos de água por dia não passa de lenda urbana. Sempre achei que fosse a maior bobagem, porque:

1) cada um tem um tamanho e um peso diferente, então o mesmo tanto de água para todo mundo não faz sentido;

2) quando a gente precisa comer, a gente sente fome; então, a lógica é que, quando a gente precise beber, a gente sinta sede. E não que já estejamos desidratados, como se alardeia por aí.

Melhor do que isso, só quando a mesma revista falou que pele oleosa não precisa de hidratante. Aí mandei um e-mail nesse sentido para outra revista que deverá permanecer sem nome – ok, foi a Nova – e a editora EM PESSOA me ligou para brigar comigo e dizer que o óleo da pele não tem nada a ver com hidratação, porque o que hidrata é água.

Moral da história: não acreditem em tudo que vocês lêem por aí. Só no que vocês lêem por aqui, é claro.

28.8.06

O Caso dos Produtos Enganosos

Com toda a insistência da mídia para evitar as gorduras, diminuir os carboidratos, combater os anti-oxidantes, maneirar no sal e controlar o açúcar, nada mais normal que a gente comece a substituir os alimentos de sempre por outros que se auto-intitulam saudáveis.

No entusiasmo, releva-se o fato de que o iogurte light seja o dobro do preço do iogurte comum e que o preço do Nutry consegue ser maior do que o do chocolate. O problema é que estou começando a achar que a maioria dos produtos da onda saudável são pura enganação.

Começando pelo Nutry, que a nutricionista do Amyr Klink inventou para a travessia do Atlântico dele só de barquinho, e que portanto era objeto da minha mais alta consideração. Se você ler a embalagem do Nutry de banana, vai ter a ingrata surpresa de descobrir que ele fornece 1 g de fibra, o equivalente a 3% do necessário para sua dieta diária. E que os ingrediente principais são xarope de glicose e flocos de arroz, isto é, ingredientes baratos de valor nutritivo parco.

Os biscoitos integrais Pit Stop, cuja embalagem alardeia “fonte de fibras!”, têm os mesmos ridículos 3% da mesma. E, para completar, 3 g de gordura saturada, o que equivale a 12% do que você “precisa” por dia. Ou seja, para conseguir 3% de fibras, você ingere o quádruplo de gordura saturada, que é o vilão da vez!

Quanto ao iogurte light da Danone, a fórmula mudou para ficar “mais vitamínica”, mas quantidade de pedacinhos de fruta do pote diminuiu.

Em suma: talvez os velhos biscoitos cream cracker façam um estrago menor. No bolso e na saúde.

25.8.06

O Caso da Moto

Uns dias atrás, conheci um amigo da minha irmã que costumava ter moto. Ele contou que as motos que têm um motor legal andam MESMO. Segundo ele, uma boa moto pode chegar a 220 km, sem stress.

Existe uma turma de motoqueiros em BH que se reúne uma vez por semana. Quando dá na telha, eles vão tomar um cafezinho em Ouro Preto, que fica a 100 km de distância em uma estrada pra lá de curvilínea e perigosa. De carro você gasta quase hora e meia. E, em 35, 40 minutos, eles chegam, tomam o cafezinho e voltam.

Estou chocada até agora.

24.8.06

O Caso da Agência de Viagens

Já me falaram várias vezes que eu devia dar um jeito de ganhar dinheiro com meu conhecimento e entusiasmo a respeito de viagens. Eu estive pensando seriamente no assunto e cheguei a conclusão de que a idéia é boa. Eu podia abrir uma agência de viagens finíssima, ou, melhor ainda, bolar roteiros exclusivos e levar as pessoas comigo.
O problema é que eu teria pouquíssimos clientes, porque eu somente aceitaria quem:

- estivesse disposto a viajar para fora do continente;

- falasse NO MÍNIMO uma língua estrangeira, sendo que espanhol só vale meio ponto;

- prometesse ler todos guias turísticos, livros de arte e romance temáticos que eu indicasse antes da viagem;

- E concordasse em viajar com apenas uma mala.

Está confirmado: eu sou MESMO uma esnobe horrível.

23.8.06

O Caso das Pessoas

Vocês vêem que as pessoas são mesmo muito diferentes. Quando eu viajo, passo semanas pesquisando e planejando. Leio críticas de hotéis até cair, entro em sites e blogues até saber qual é o preço médio das coisas, levo em consideração a tabela de temperaturas mínimas e máximas, decido nos mínimos detalhes se vou me transportar de carro, trem, ônibus ou metrô e qual o valor de cada passagem (e da gasolina). Saio do Brasil sabendo em que museus e atrações eu quero ir, quanto custam e em que horário eles funcionam; faço planilhas para estimar se é economicamente vantajoso adquirir aqueles cartões de cidades que dão direito à entrada em museus e ao transporte público (o de Bruxelas vale a pena; o de Amsterdam, não); levo diversas espécies monetárias na carteira, na bolsa e escondidas debaixo da roupa, assim como uma estimativa de quanto quero (e posso) gastar.

Minhas melhores amigas estão na Europa. Elas foram no começo do mês. Planejamento? Reservaram hotéis e albergues e iam comprar uma passagem de trem de Veneza a Paris. Programação? O pai de uma delas contou que nas estações de trem costuma ter um posto de turismo com mapas e informações. E lá se foram, lépidas e fagueiras.

E quer saber? Aposto que elas estão se divertindo tanto quanto eu.
Mas que a minha viagem dura um mês a mais (esse mês que eu gasto arrancando os cabelos, infernizando a agente de turismo, arranjando e cancelando reservas, e fazendo uma quantidade inacreditável de contas), isso dura.

22.8.06

O Caso do Chuveiro

Vocês se lembram da propaganda clássica da loja Minas Fogões? Aquela que tinha uma das musiquinhas mais toscas de todos os tempos:
A vida da dona-de-casa
É uma luta danada
Quando estragar o fogão, a panela de pressão
Não fique desesperada
Existe uma loja
Especial
Para a dona-de-casa
Minas Fogões
Conserta e tem as peças que você preciiiisa...
Pois bem: o chuveiro lá de casa queimou e eu o levei a uma eletro-técnica perto do serviço. Me falaram que eles não tinham a resistência daquele chuveiro, mas que o Róbson ou a Minas Fogões tinham. Como eu não tinha idéia de quem, ou o quê, era o Róbson, venci a natural relutância produzida pelo hino da propaganda e marchei para a Minas Fogões, que também fica perto.

Qual não foi minha emoção ao ultrapassar aqueles umbrais de domesticidade...! Foi um momento mágico. Faz mais de dois anos que eu saí da casa de meus pais, mas só então me senti uma verdadeira dona-de-casa...

21.8.06

O Caso da Graxa

Vocês sabem: se eu não fosse advogada, nem jornalista, eu seria engraxate. Gosto de espalhar a graxa sobre a superfície do couro. Adoro escovar o sapato até ele ficar brilhante. Acho que a transformação instantânea efetuada por uma boa engraxada proporciona satisfação imediata.

Já contei o caso da bota marrom que virou preta depois de três camadas generosas de graxa. É verdade que a graxa foi saindo e no final a bota ficou de uma cor escura meio indefinida, mas aí a viagem já estava acabando.
De qualquer forma, de preto para marrom não há lá grandes dificuldades. Ontem enfrentei um desafio muito maior.

Eu tenho um sapato cor-de-rosa de bico redondo e salto baixo que me restaurou a fé na crença de que sapatos bonitos também podem ser confortáveis. Eu até voltei na loja depois para ver se eu comprava o mesmo modelo em outra cor, mas é claro que todos os pares já tinha sido vendidos. E infelizmente, como o sapato é cor-de-rosa clarinho, o couro foi perdendo a beleza original depois de algum tempo.

Como não existe graxa cor-de-rosa, meus poderes de engraxate de nada serviram. E o diabo do sapato ainda tinha um vernizinho por cima do couro, o que fez com que a vendedora da loja me proibisse enfaticamente de lavá-lo, dizendo que eu só podia limpá-lo com o lado áspero de uma bucha nova.

Vocês podem imaginar quão eficiente era essa limpeza.

Pois bem: um belo dia, quando eu já estava conformada com o fato de que eu ia ter que jogá-lo fora, minha faxineira catou o sapato e deu uma boa lavada nele. O verniz foi ralo abaixo, mas a cor voltou a seu estado original. Fiquei estática de felicidade.

Evidentemente, o novo estado de limpeza não durou muito. O tal vernizinho, pelo jeito, funcionava como protetor. Tive que submeter o sapato a lavagens periódicas, e depois de algum tempo a cor estava irreconhecível.

E aí, como eu ia jogar o sapato fora mesmo, e o rosa já está saindo de moda, decidi usar minhas habilidades com a graxa para tentar recuperá-lo pela última vez.

Munida de uma escova de dentes velha e de uma caixinha de graxa preta novinha, foi ao ataque. E não é que deu certo? Depois de muitas camadas, o sapato rosa virou marrom-café. Ou roxo-beringela, como achou o Leo. Na verdade, marrom com reflexos roxos.

Ficou jóia!

18.8.06

SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA.

Anda circulando por aí um e-mail incentivando os eleitores a anularem seus votos. O e-mail diz que, se mais de metade dos votos em uma eleição forem nulos, uma nova eleição tem que ser convocada, com candidatos diferentes daqueles que participaram da primeira. É MENTIRA!

O art. 224 do Código Eleitoral (que é a lei que regula as eleições no Brasil) diz que se a nulidade atingir mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, o TSE tem que marcar dia para nova eleição dentro de 20 a 40 dias. Isso é o que o e-mail que está circulando por aí diz.
Só que o e-mail se esquece de contar que os arts. 220 a 222 explicam quais são os casos de nulidade, que são: votação feita em mesa eleitoral irregular; votação feita em cédula falsa (na época em que existia cédula!); votação feita em dia, hora ou local diferentes do que o TSE define; votação com quebra de sigilo; e outros casos listados nos artigos. ESSA NULIDADE NÃO TEM NADA A VER COM O VOTO QUE O ELEITOR ANULA POR VONTADE PRÓPRIA!

ALÉM DISSO, NÃO TEM NADA NA LEI QUE DIGA QUE OS CANDIDATOS DA ELEIÇÃO ANULADA NÃO PODEM CONCORRER DE NOVO!

Ou seja, o e-mail que incentiva as pessoas a anularem seus votos é uma grande bobagem. Está na dúvida? Não acredite em mim, acredite na lei! Siga o link http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L4737.htm. É o link do Código Eleitoral, no site da Presidência. Ou pesquise “Código Eleitoral” na internet e consulte a lei!
A democracia é feita por meio do voto. Não jogue seu voto fora!
E AVISE SEUS AMIGOS!
LEI Nº 4.737, DE 15 DE JULHO DE 1965.
Institui o Código Eleitoral.

CAPÍTULO VI
DAS NULIDADES DA VOTAÇÃO

Art. 220. É nula a votação:
I - quando feita perante mesa não nomeada pelo juiz eleitoral, ou constituída com ofensa à letra da lei;
II - quando efetuada em folhas de votação falsas;
III - quando realizada em dia, hora, ou local diferentes do designado ou encerrada antes das 17 horas;
IV - quando preterida formalidade essencial do sigilo dos sufrágios.
V - quando a seção eleitoral tiver sido localizada com infração do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 135. (Incluído pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
Parágrafo único. A nulidade será pronunciada quando o órgão apurador conhecer do ato ou dos seus efeitos e o encontrar provada, não lhe sendo lícito supri-la, ainda que haja consenso das partes.
Art. 221. É anulável a votação:
I - quando houver extravio de documento reputado essencial; (Inciso II renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
II - quando fôr negado ou sofrer restrição o direito de fiscalizar, e o fato constar da ata ou de protesto interposto, por escrito, no momento: (Inciso III renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
III - quando votar, sem as cautelas do Art. 147, § 2º. (Inciso IV renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
a) eleitor excluído por sentença não cumprida por ocasião da remessa das folhas individuais de votação à mesa, desde que haja oportuna reclamação de partido;
b) eleitor de outra seção, salvo a hipótese do Art. 145;
c) alguém com falsa identidade em lugar do eleitor chamado.
Art. 222. É também anulável a votação, quando viciada de falsidade, fraude, coação, uso de meios de que trata o Art. 237, ou emprego de processo de propaganda ou captação de sufrágios vedado por lei.
(...)
Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.
§ 1º Se o Tribunal Regional na área de sua competência, deixar de cumprir o disposto neste artigo, o Procurador Regional levará o fato ao conhecimento do Procurador Geral, que providenciará junto ao Tribunal Superior para que seja marcada imediatamente nova eleição.
§ 2º Ocorrendo qualquer dos casos previstos neste capítulo o Ministério Público promoverá, imediatamente a punição dos culpados.

17.8.06

O Caso do Reloginho

Quando me formei em direito, no longínquo ano de 1998, meu avô chamou meu pai e pediu para ele comprar um presente para mim. Meu pai resolveu o problema mandando que eu mesmo comprasse o presente, e aproveitou para sugerir “uma caneta bonita, com a data gravada”, que é o que ele acha o melhor presente de formatura de todos os tempos.

Como eu não tinha tanto interesse assim na caneta bonita, terminei comprando um bonito relógio (sem a data gravada). Achando-me muito esperta, escolhi um modelo movido a corda, e não a bateria, sendo que a corda era dada naturalmente pelo movimento do braço. A idéia é que eu nunca teria que me preocupar em trocar a bateria, nem em ficar dando corda no relógio. Ele era praticamente um moto-contínuo!

Pois bem. Depois de algum tempo percebi que o reloginho era danado para adiantar. Não consegui descobri se isso se devia ao fato de que eu gesticulo demais (já me disseram que se alguém segurasse meus braços eu não ia conseguir falar. Mas depois li a respeito de uma pesquisa a respeito do assunto, que chegou à conclusão que as pessoas que acompanham as palavras de gestos dinâmicos são consideradas mais inteligentes e mais articuladas que as outras, então continuei). Como chegar adiantada aos compromissos é bom, não me importei.

Mas agora o reloginho está pedindo socorro. Ao invés de adiantar, agora ele atrasa horrivelmente. O ponteiro dos segundos pára a seu bel-prazer, sem se importar com as minhas enérgicas sacudidas de braço. Já troquei o coitadinho do pulso esquerdo para o direito, que é mais ativo; já passei vários minutos agitando-o freneticamente. Nada adiantou. Acho que vou ter que levá-lo ao relojoeiro.

Estou me sentindo enganada.

16.8.06

O Caso das Frases

As frases que eu mais gosto de usar são:

“Uma mulher prevenida vale por duas.”

“Quem guarda tem.”

“A cidade grande está falida.”

E a minha preferida:

“Eu não disse?”

As frases que eu mais gosto de escutar são:

“À vista tem desconto.”

“Saiu o aumento.”

“Você passou!”

E a mais querida de todas:

“Você tem razão.”

11.8.06

O Caso do Sonho

Hoje eu sonhei que eu tinha comprado um velocípede amarelo com rodas azuis. Ele era igual a um pedalinho desses que alugam para passear em lagos, só que era terrestre e de plástico. No meu sonho eu pedalava alegremente pelas ruas de Fabri, até que aparecia uma subida e eu decidia descer dele e empurrá-lo. Só que eu me empolgava e empurrava demais, e ele acabava chegando a uma ladeira e disparando rua abaixo. Aí a cidade virava BH, a rua, a Contorno, e eu saía correndo atrás do carrinho, mas só chegava a tempo de ver uma moça se apoderando dele e o vendendo para o moço ao lado por cinco reais (sendo que eu tinha pago seis!). Então eu brigava com os dois, falava que o carrinho era meu, mas nenhum deles se convencia.

O resto do sonho era um longuíssimo debate entre eu e a moça, até que ela perdia a paciência e me dava os cinco reais que o moço tinha pago a ela. Eu dizia que não queria o dinheiro, queria o meu carrinho, e no final das contas ela ameaçava me trancar no quarto durante um dia inteiro porque eu a tinha perturbado demais.

Eu conseguia escapar e ia atrás do moço, que estava dando sopa na rua. Aí ocorria outro longuíssimo debate, comigo dizendo que as rodas do carrinho estavam desgastadas, que o carrinho era usado, que era só ele ver, mas o moço já tinha guardado o meu velocípede amarelo no porta-malas e não queria tirar de jeito nenhum.

Nessa hora eu acordei e passei vários minutos de minha vida contando esse interessantíssimo sonho para o Leo. Que, por sua vez, reclamou que eu nunca sonho com ele.
Mas, como ontem o Leo estava de camisa amarela exatamente do tom do carrinho e calça jeans da precisamente da cor das rodas e do volante, eu disse que eu sonho com ele sim.

10.8.06

O Caso do Acaso

Não, eu não acredito em coincidências, nem em sinais, nem em destino. Acho que a realidade humana é tão complexa que uma hora vai acontecer alguma coisa que tenha relacionamento com outra, e isso sem que haja uma divindade superior ordenando as vidas dos pobres mortais. Também acho que, quando ocorre algo e a pessoa conclui que aquilo era necessário para que ela encontrasse seu caminho, é ela que está dando significado a um fato aleatório, e não o fato que está dando significado à vida dela.

Muito bem. Dito isso, na quarta-feira passada recebi, por engano, um e-mail de serviço cujo remetente era de Ji-Paraná, em Rondônia. No sexta-feira assisti à uma palestra e um dos exemplos era uma pessoa jurídica de Ji-Paraná. No sábado fui à pós e quando chegou a hora das perguntas uma delas foi feita por um aluno de Ji-Paraná.

Alguém aí já tinha ouvido falar de Ji-Paraná? Eu não tinha a mais vaga idéia de que esse lugar existisse (perdoem-me os ji-paranaenses que me lêem).
Como eu disse, eu não acredito em sinais. Mas que no próximo concurso vão querer me mandar para Ji-Paraná e, que, se eu fosse solteira, encontraria um homem alto, bonito e moreno vindo de lá, disso eu não tenho a menor dúvida.

9.8.06

O Caso da Roda da Fortuna

Porque, como dizem os filósofos, tudo na vida é efêmero e o sucesso é uma ilusão. Vejam a Jennifer Aniston, a Rachel de Friends: até algum tempo atrás ela estava em um dos seriados mais assistidos de todos os tempos, ganhava um milhão de dólares por episódio, era casada com o Brad Pitt e foi eleita a mulher mais bonita do mundo mais de uma vez. Aí o seriado acabou, o Brad a trocou pela Angelina, as pessoas estão descobrindo que na verdade ela é meio feiosa e magrela, e que ela só sabe interpretar um papel: a Rachel.

Pra completar, como a única coisa que ela estava fazendo na época em que a Angelina anunciou sua gravidez (no intervalo de várias de várias viagens de benemerência) era um filminho muito meia-boca, o jeito foi arrumar um namorado depressa, para não ficar muito por baixo. Aí tudo que ela conseguiu arranjar foi o Vince Vaughn, um cara grandalhão, cheio de bolsas sob os olhos, que fala muito e alto, de um jeito que eu particularmente acho assustador.

Toda essa introdução foram uns pensamentos que ocorreram enquanto eu assistia ao filme “The Break-up”, que a dupla Vaughniston estava fazendo enquanto a pimpolha do Brad nascia na Namíbia.

É um filme bizarro. Está sendo vendido como comédia, mas todas as ceninhas engraçadas estão no thrailler. O resto é um drama esquisito, do tipo que só Hollywood é capaz de fabricar, na qual pessoas que têm bons empregados, bons amigos e boa casa para morar ficam se descabelando e enchendo o saco dos citados amigos por motivos risíveis. A gente não torce para o casal principal acabar junto, a gente torce para o filme acabar logo. Porque a personagem da Jennifer é uma chata e o personagem do Vince é insuportável.

Minha solução: enxada para os dois.

8.8.06

O Caso da Hospitalidade

Minha mãe é uma anfitriã agressiva. Ela serve comida o tempo todo e insiste para que as visitas repitam. Segue as pessoas pela casa, perguntando se elas estão confortáveis e se precisam de alguma coisa. Inventa diversões em tempo integral, providenciando revistas, passeios e tevê ligada. Traz água e cafezinho da bandeja e despacha o marido para a padaria para comprar quitutes especiais. Despeja as próprias filhas de seus quartos para que as visitas fiquem bem-acomodadas. E ela não deixa que as visitas levantem um dedo, porque afinal, visita é visita. Até quando as crianças do vizinho vinham brincar lá em casa e faziam a maior bagunça quem tinha que arrumar os brinquedos era eu.

Como não aprovo esse modelo hostil, decidi ser o oposto. Digo para as visitas ficarem à vontade e mostro o caminho da geladeira. Não é incomum que eu deixe as pessoas vendo filmes e vá para o quarto ler. Não insisto para que ninguém coma, nem fico inventando lugares aos quais o Leo deve levá-las. E se elas querem pôr a mesa, lavar a louça e arrumar a cama, eu falo uma única vez para elas deixarem para lá.

Gosto do meu estilo low-profile. O único inconveniente, sou forçada a admitir, é que eu só me preocupo com a alimentação das visitas quando eu mesma tenho fome. E como não tenho muita fome, se forem deixadas por minha conta, existe um risco real das pessoas emagrecerem alguns quilos em visitas prolongadas.

A sorte é as visitas nunca são deixadas por minha conta. O Leo sempre vai ao supermercado, abastece a geladeira e providencia refeições periódicas. E também oferece às pessoas guloseimas variadas, para elas irem se divertindo nos intervalos.

Sim, o Leo é um bom anfitrião. Nem exagerado como minha mãe, nem largado como eu. Mas não se preocupem, estou aprendendo.

7.8.06

O Caso da Quinta até Domingo

No final da semana passada eu me encontrei com muitos amigos. Conheci pessoas novas e revi conhecidos. Fiz várias visitas. Experimentei a torta de chocolate mais deliciosa do mundo. Conversei até começar a ficar rouca. Fui à casa da minha avó duas vezes. Comprei roupa nova. Fiz um curso de trabalho. Fui à aula da pós. Não me desentendi com minha mãe, nem com meu pai, nem com minha irmã mais nova. E não enjoei na viagem de ida, nem na viagem de volta.
Em suma, foram quatro dias atarefados, cansativos e divertidíssimos.

2.8.06

O Caso da Hoteleira Desaforada

Na nossa viagem aos Países Baixos, fiz pesquisas intermináveis na internet até achar um bed&breakfast fofo o suficiente em Brugge, na Bélgica. Depois de horas e horas de navegação, descobri um lugar legal o suficiente: o Alegria, no qual reservei o Quarto Chocolate. O preço estava até meio fora do orçamento, mas tudo bem – como diz meu pai, mais vale um gosto.

Chegamos em Brugge de carro sem maiores problemas (fora o desvio de 40 km causado por minha falta de navegação em ler mapas). Difícil foi achar o tal Alegria. Brugge é a cidade medieval mais bem conservada da Europa; as ruas do centro são estreitas, sinuosas e de mão única. O mapa que a gente tinha no guia de viagem não ajudou. Rodamos e rodamos, com o Leo cansado de tanto dirigir e eu morrendo de fome, e cada vez a coisa ficava pior, porque as ruas não são paralelas, nem perpendiculares, nem fazem sentido algum. Para piorar, algumas estavam sendo reformadas, e quando a gente achava que estava chegando, éramos impedidos de prosseguir por tratores!

No final, o Leo estacionou em uma rua mais larga e lá me fui, a pé, tentar descobrir onde ficava o tal hotel. Perguntei aqui e ali e acabei chegando a uma rua inteiramente em reforma, coberta de areia e lama. Para meu desapontamento, o b&b ficava no meio dela.

Chego lá. Acho a entrada pequena, apertada e com um cheiro esquisito. Vou falar com a velhinha gorda que está atrás do balcão e que, com o maior pouco caso, diz para eu parar o carro numa rua vagamente paralela e carregar as malas por um bequinho. Por quê? Porque não tinha como chegar no hotel de carro mesmo não. Ajudar? Não, não tem ninguém que possa. Estacionar? Ah, ela vai me ensinar onde é assim que eu chegar com as malas.

Saí de lá roxa de ódio. Imagina, ter que chapinhar na terra toda vez que fôssemos sair do hotel? E as malas, que não eram poucas, ser carregadas e descarregadas no muque? Tenha dó. Ou melhor, tenha dólares, porque o hotel Alegria não era baratinho, não!

Saímos procurando outra opção. E foi facílimo: a poucos metros de onde o carro estava estacionando havia um b&b simpaticíssimo, com uma moça mais simpática ainda. Voltei no Alegria (que só me trouxe tristezas!) para dizer para a velhinha antipática que eu não ia ficar lá, porque estava me sentindo enganada. Na hora da reserva, ninguém tinha falado nada da reforma, nem do estado da rua, nem avisado que para chegar lá a gente iria gastar HORAS!

A velhinha ficou danada. Disse que ia cobrar um dia de estadia porque estávamos cancelando em cima da hora. Fiquei mais danada ainda. E aí gastei com gosto meu inglês.

No fim das contas, o que funcionou foi a ameaça de que, se ela ousasse cobrar a diária, eu ia contar toda a história nos sites de críticas de hotéis, e aí eu queria ver ela ia arranjar mais hóspedes.
É ótimo falar a língua dos locais.

1.8.06

O Caso do Trabalho

Depois que me formei na segunda faculdade, passei alguns meses doente de vontade de trabalhar. Fiz programa de trainee, concurso, entrevista, inscrição em seleção de editora, o diabo. No final das contas, comecei a trabalhar no dia 22 de março de 2004, para minha grande alegria e satisfação.

A grande alegria e satisfação duraram até o final de 2005. Comecei a desconfiar que trabalhar, apesar das vantagens óbvias, como o salário no fim do mês, não era assim cousa tão sublime quanto eu imaginava. E olha que o ambiente de trabalho é ótimo, a infra-estrutura é muito boa, os colegas são legais, o local é próximo à minha casa.

Puxa, falando assim comecei até a gostar mais do meu trabalho.