21.8.06

O Caso da Graxa

Vocês sabem: se eu não fosse advogada, nem jornalista, eu seria engraxate. Gosto de espalhar a graxa sobre a superfície do couro. Adoro escovar o sapato até ele ficar brilhante. Acho que a transformação instantânea efetuada por uma boa engraxada proporciona satisfação imediata.

Já contei o caso da bota marrom que virou preta depois de três camadas generosas de graxa. É verdade que a graxa foi saindo e no final a bota ficou de uma cor escura meio indefinida, mas aí a viagem já estava acabando.
De qualquer forma, de preto para marrom não há lá grandes dificuldades. Ontem enfrentei um desafio muito maior.

Eu tenho um sapato cor-de-rosa de bico redondo e salto baixo que me restaurou a fé na crença de que sapatos bonitos também podem ser confortáveis. Eu até voltei na loja depois para ver se eu comprava o mesmo modelo em outra cor, mas é claro que todos os pares já tinha sido vendidos. E infelizmente, como o sapato é cor-de-rosa clarinho, o couro foi perdendo a beleza original depois de algum tempo.

Como não existe graxa cor-de-rosa, meus poderes de engraxate de nada serviram. E o diabo do sapato ainda tinha um vernizinho por cima do couro, o que fez com que a vendedora da loja me proibisse enfaticamente de lavá-lo, dizendo que eu só podia limpá-lo com o lado áspero de uma bucha nova.

Vocês podem imaginar quão eficiente era essa limpeza.

Pois bem: um belo dia, quando eu já estava conformada com o fato de que eu ia ter que jogá-lo fora, minha faxineira catou o sapato e deu uma boa lavada nele. O verniz foi ralo abaixo, mas a cor voltou a seu estado original. Fiquei estática de felicidade.

Evidentemente, o novo estado de limpeza não durou muito. O tal vernizinho, pelo jeito, funcionava como protetor. Tive que submeter o sapato a lavagens periódicas, e depois de algum tempo a cor estava irreconhecível.

E aí, como eu ia jogar o sapato fora mesmo, e o rosa já está saindo de moda, decidi usar minhas habilidades com a graxa para tentar recuperá-lo pela última vez.

Munida de uma escova de dentes velha e de uma caixinha de graxa preta novinha, foi ao ataque. E não é que deu certo? Depois de muitas camadas, o sapato rosa virou marrom-café. Ou roxo-beringela, como achou o Leo. Na verdade, marrom com reflexos roxos.

Ficou jóia!

2 comentários:

* Isa * disse...

não quer engraxar meus sapatos não? =)

DaniMarco disse...

Ponha os meus na fila também!
PS: já sei o que fazer com o meu sapato igualzinho, só que bege.
PPS: não fique triste não - eu voltei na loja e comprei um igual, só que vermelho. Surpresa: ele NÃO é confortável como o bege-agora-sujinho...