2.8.06

O Caso da Hoteleira Desaforada

Na nossa viagem aos Países Baixos, fiz pesquisas intermináveis na internet até achar um bed&breakfast fofo o suficiente em Brugge, na Bélgica. Depois de horas e horas de navegação, descobri um lugar legal o suficiente: o Alegria, no qual reservei o Quarto Chocolate. O preço estava até meio fora do orçamento, mas tudo bem – como diz meu pai, mais vale um gosto.

Chegamos em Brugge de carro sem maiores problemas (fora o desvio de 40 km causado por minha falta de navegação em ler mapas). Difícil foi achar o tal Alegria. Brugge é a cidade medieval mais bem conservada da Europa; as ruas do centro são estreitas, sinuosas e de mão única. O mapa que a gente tinha no guia de viagem não ajudou. Rodamos e rodamos, com o Leo cansado de tanto dirigir e eu morrendo de fome, e cada vez a coisa ficava pior, porque as ruas não são paralelas, nem perpendiculares, nem fazem sentido algum. Para piorar, algumas estavam sendo reformadas, e quando a gente achava que estava chegando, éramos impedidos de prosseguir por tratores!

No final, o Leo estacionou em uma rua mais larga e lá me fui, a pé, tentar descobrir onde ficava o tal hotel. Perguntei aqui e ali e acabei chegando a uma rua inteiramente em reforma, coberta de areia e lama. Para meu desapontamento, o b&b ficava no meio dela.

Chego lá. Acho a entrada pequena, apertada e com um cheiro esquisito. Vou falar com a velhinha gorda que está atrás do balcão e que, com o maior pouco caso, diz para eu parar o carro numa rua vagamente paralela e carregar as malas por um bequinho. Por quê? Porque não tinha como chegar no hotel de carro mesmo não. Ajudar? Não, não tem ninguém que possa. Estacionar? Ah, ela vai me ensinar onde é assim que eu chegar com as malas.

Saí de lá roxa de ódio. Imagina, ter que chapinhar na terra toda vez que fôssemos sair do hotel? E as malas, que não eram poucas, ser carregadas e descarregadas no muque? Tenha dó. Ou melhor, tenha dólares, porque o hotel Alegria não era baratinho, não!

Saímos procurando outra opção. E foi facílimo: a poucos metros de onde o carro estava estacionando havia um b&b simpaticíssimo, com uma moça mais simpática ainda. Voltei no Alegria (que só me trouxe tristezas!) para dizer para a velhinha antipática que eu não ia ficar lá, porque estava me sentindo enganada. Na hora da reserva, ninguém tinha falado nada da reforma, nem do estado da rua, nem avisado que para chegar lá a gente iria gastar HORAS!

A velhinha ficou danada. Disse que ia cobrar um dia de estadia porque estávamos cancelando em cima da hora. Fiquei mais danada ainda. E aí gastei com gosto meu inglês.

No fim das contas, o que funcionou foi a ameaça de que, se ela ousasse cobrar a diária, eu ia contar toda a história nos sites de críticas de hotéis, e aí eu queria ver ela ia arranjar mais hóspedes.
É ótimo falar a língua dos locais.

3 comentários:

* Isa * disse...

a vida tá tão sem casos que vc teve que recrutar um do passado? =)

Camilinha disse...

Tem gente que acha que você é obrigado a se submeter a qualquer coisa. Eu também diria a ela:

"Ei, o que é que há velhinha?"

Anônimo disse...

Oi, amiga!
Te liguei hoje de manhã (em BH), mas vc já tinha viajado. Eu queria agradecer pelas dicas sobre a mala (foram muito úteis!!) e por todas as demais dicas, superdetalhadas e muitas vezes engraçadinhas, hoho! Te adoro!! Vamos combinar uma ida a BH em setembro?
Beijooos!
Lili