30.11.06

O Caso da Remoção Cirúrgica

Eu tenho umas verruguinhas na testa e no queixo (igual a uma bruxa, rárárá) e na última vez que fui ao dermatologista perguntei se ele podia dar jeito nelas. Ele prometeu carbonizá-las e disse para eu encontrá-lo no hospital na semana seguinte.

A palavra “hospital” devia ter-me feito desconfiar. Mas não fez, e lá fui eu, toda boba, porque outra dermatologista já tinha queimado minhas verruguinhas antes, e, embora o processo tenha sido um pouquinho dolorido, não foi nada de mais (embora seja verdade que também não adiantou nada e as verruguinhas voltaram).

Pois bem. Chego lá, entro numa sala ameaçadoramente chamada de “Procedimentos”, e o dermatologista, armado de uma enfermeira, põe luvas, passa álcool iodado nas verruguinhas, e saca uma injeção de todo tamanho.

E a injeção era só para anestesiar. A eliminação das verruguinhas se deu depois, com um bisturi elétrico e o inevitável cheiro de carne queimada.

Na verdade, a anestesia doeu mais do que a queimadura (porque aí eu já estava anestesiada, claro), mas achei a dor bem danada, e não tenho a menor ambição de repeti-la.

De qualquer maneira, foi tudo bem rapidinho, e em dez minutos eu estava liberada. Chegando em casa, observei que as verruguinhas haviam sido substituídas por baixo-relevos. Acho que o bisturi elétrico chegou na derme. Agora estou passando uma pomada cicatrizante três vezes por dia, e acredito que me livrei para sempre das verruguinhas teimosas.

Só tem um problema: eu tinha três verruguinhas bem pequenas no queixo. Elas continuam lá. Junto com uma cratera que parece estar se recusando a cicatrizar.

Estou muito desconfiada de que, na empolgação, meu dermatologista carbonizou uma espinha.

Nenhum comentário: