21.12.06

O Caso da Comida

A melhor coisa de fazer dieta é que, quando você sai dela, toda comida fica di-vi-na. Além da fome subliminar que está subjacente a toda dieta, e que aumenta o poder de atração de qualquer prato, acho que a falta de gorduras e açúcares purificar o paladar, porque eu ando sentindo sabores antes insuspeitados.

Hoje a turma do trabalho foi a um almoço especial de Natal, e eu juro que nunca comi um escalopinho ao molho madeira, um purê de batata e um arroz branco mais maravilhosos. Até a musse de maracujá, que é uma sobremesa boa mas sem nada de mais, me deixou nas nuvens. Confesso: eu já nem me lembrava mais que o leite condensado tinha uma textura tão sedosa e um sabor tão acetinado.

Meu paladar está tão afiado que até o meu cereal sem graça (que eu chamo carinhosamente de alpiste) tem ficado com um gostinho final açucarado.

Isso, ou a falta de comida está me dando alucinações.

19.12.06

O Caso das Descobertas

Descobri mais coisas interessantes na internet no fim-de-semana (nenhuma delas animadora):
1) Não é possível perder peso e ganhar músculos ao mesmo tempo. Para perder peso, você precisa diminuir a ingestão de calorias; para ganhar músculo, você precisa aumentar a ingestão de calorias. Ou seja: é um ou outro. O que dá pra fazer é perder peso perdendo um mínimo de músculos.
2) Quanto mais se emagrece, mais difícil fica continuar emagrecendo. Para começar, um corpinho menor precisa de menos calorias pra se manter. Para continuar, os mesmos exercícios começam a queimar menos calorias, não só porque o corpinho está menor, mas também porque ele fica mais eficiente.
Conclusão: como diz minha irmã Isabela, ficar em forma é a mesma coisa do que tentar subir uma escada rolante que está descendo. Você está sempre fazendo esforço, e, se ficar parado, volta para onde veio!
Depois eu começo a ter pesadelos com escadas rolantes e não sei a razão.

18.12.06

O Caso do Sapato Maravilhoso

Sim, eu jurei que nunca mais iria comprar sapatos desconfortáveis. Mas, há duas semanas, fui há uma loja à qual há muito tempo eu não ia (culpa da pós aos sábados) e me encantei com um par de sapatos fantástico.

Ele é feito de pele de cobra, tem o bico mais fino do mundo e um salto dourado altíssimo. É um sapato, assim, de juíza usar na cerimônia da posse. Para completar, o preço era tão bonito quanto o sapato (sim, ele estava na superliqüidação). Resultado: não resisti e comprei o danado.

Vejam bem, não é que tenha sido um compra ruim. O sapato tem vários aspectos positivos. E um só negativo: o salto 15, que não ajuda. Sabem a história da sereiazinha, que trocou a voz por um par de pernas, e cada passo que dava era como se tivesse pisando em milhares de alfinetes?
Pois é, ontem usei o sapato e me senti a própria sereiazinha.

15.12.06

O Caso dos Ovos Mexidos Bizarros

Minha faxineira é uma fofura. Ela está sempre descobrindo maneiras de maximizar os utensílios domésticos. Volta e meia ela desenterra alguma coisa esquecida e põe para usar, o que eu acho ótimo.

Ontem cheguei em casa e me deparei com um vidrinho para queijo ralado transformado em saleiro. Normalmente, a gente guarda o sal numa grande vasilha com tampa, e toda vez que precisamos salgar alguma coisa temos que resgatá-la do armário que fica debaixo da pia. Então, achei o saleiro uma idéia excelente.

Hoje de manhã o Leo fez ovos mexidos para mim. Como eu gosto das coisas salgadinhas, levei meu novo saleiro para a mesa toda satisfeita. Joga sal daqui, joga sal de lá, e nada do gosto dos ovos mudar. Ao contrário – eles estavam ficando cada vez menos salgados. Fiquei olhando para o saleiro com cara de brava, e então tive um momento de iluminação: ele não estava cheio de sal, mas de açúcar! Como agora eu estou tomando chá, minha faxineira deve ter achado que eu precisava de um açucareiro por perto.

Corri para a cozinha e enchi o prato de sal verdadeiro, mas já era tarde. Foram os ovos mexidos mais bizarros que eu comi.

13.12.06

O Caso da Amarga Verdade sobre Tratamentos de Beleza para o Verão

A meta: ficar esbelta com uma atrizita de Malhação.

O método: tomar chá verde, eliminar os chocolates, e ralar uma hora em cima da bicicleta ergométrica todo dia.

O resultado: peso perdido onde ele faz falta (no rosto) e gordurinhas localizadas ressaltadas (porque o resto do corpo está mais magro).

A esperança: que mais dez dias dessa programação espartana comecem a fazer efeito sobre as diabas das gordurinhas localizadas.

A conclusão: agora eu sei porque as atrizitas de Malhação fazem lipo.

12.12.06

O Caso da Dentista

Inspirada pela Lili e pelo fato de que fui ao dentista ontem, farei um post odontológico:

Dentista antiga:
Consultório lá longe. No mínimo 20 minutos de carro.

Dentista nova:
Consultório aqui perto. No máximo 2 minutos a pé.

Dentista antiga:
Guardanapo no pescoço.

Dentista nova:
Cadeira que faz massagem.

Dentista antiga:
“Tire esses vinte raios X e volte na semana que vem.”

Dentista nova:
“Não precisa tirar raio X, não!”

Dentista antiga:
80 reais pela limpeza.

Dentista nova:
0 reais pela limpeza (aceita plano de saúde).

Dentista antiga:
“Desse jeito a sua gengiva vai se retrair e seus dentes vão cair!”

Dentista nova:
“Sua gengiva está ótima. Nem está sangrando depois da limpeza!”

Dentista antiga:
“Essas suas raízes estão muito superficiais! Fica de olho!”

Dentista nova:
“Raízes? Não, elas estão jóia.”

Dentista antiga:
“Fique pelo menos uma hora sem comer após a aplicação do flúor.”

Dentista nova:
“...”

Em suma: a dentista nova é muito mais agradável. Mas, se eu continuar com ela, daqui a uns anos não vou ter mais todos os dentes.

11.12.06

O Caso dos Chá de Morango

Como eu estou gostando de chá verde sem açúcar e todo mundo fala que ele é amargo e ruim, imaginei que eu fosse achar os outros tipos de chá simplesmente deliciosos. Ontem fui ao mercado e comprei oito tipos diferentes (não, eu não sou louca: foram duas caixinhas com sabores sortidos).
Cheguei em casa sem saber qual deles eu ia experimentar primeiro: o de hortelã ou o de camomila? O de morango ou de maçã vermelha com canela?
Decidi-me pelo de morango e lá fiquei, toda feliz, vendo a água da xícara virar um vermelho lindíssimo. Na hora de tomar... que decepção. O chá de morango tem gosto de... chá. E como eu já disse, acho que chá tem gosto de água suja. Com um leve toque de grama ao fundo.

Como explicar, então, que eu goste justamente de chá verde? Tenho algumas suposições:

1) sabe aquela teoria de que os bebês vão preferir para sempre as primeiras comidas que experimentam? Pois é: como o primeiro chá que eu tomei de verdade foi o verde, meus neurônios e minhas papilas gustativas gostam é dele.
2) o gosto do chá verde é bem forte. Ou seja, não me traz à mente nem água suja, nem água de coco (que eu não gosto pelas mesmas razões), nem melancia (idem), nem... chá.
3) o chá verde que eu ando tomando é falsificado: ele é amarelo (ao invés de verde) e gostosinho (pelo menos eu acho). Como chá preto e chá verde vêm da mesma planta, como bem disse a Gaúcha Estudiosa, talvez eu esteja bebendo chá preto enganada.

Mas não temam, porque a epopéia do chá ainda não terminou. Ainda tenho sete sabores diferentes de chá para provar.

8.12.06

O Caso das Conseqüências da Idéia Retardada nº 2

Continuo firme e forte nas 5 xícaras de chá verde por dia. Tô até me acostumando com o gosto e desconfiando que vou virar fã de chá. Essa é a conseqüência boa, porque parece que até placa bacteriana ele combate. Então, se eu incorporar chazinhos no meu dia-a-dia, a experiência terá sido válida.
A conseqüência ruim é que é a segunda noite que acordo às 3 da manhã e fico olhando para o teto sem conseguir dormir. E olha que falta de sono nunca foi o meu problema - ao contrário! Tô desconfiada que chá verde é cheio de cafeína e, como nunca tomo café, meu organismo não está acostumado à substância. Resultado: tô ficando ligadona.
Hoje à noite vou deixar um livro de direito do trabalho ao lado da cama. Vamovê se a insônia resiste à prosa imortal do Godinho Delgado.

7.12.06

O Caso de Vestibular

O Leo fez vestibular pra computação, ficou em 2º lugar, e ainda tirou 10 na redação.
Agora começa a luta para ele fazer 2 períodos por semestre, estudando de manhã e à noite.
O argumento mais forte que apresentaram até agora para impedirem é que “isso nunca foi feito antes”. Só que nós não temos culpa se os calouros até agora era burrinhos, sem ambição, ou ambos.
Ele conseguiu se matricular no 1º período. O coordenador do curso disse que é assim mesmo: depois que examinaram o pedido de eliminação de matérias que ele protocolou vão chamá-lo para acertar o horário, e aí ele pode pedir as matérias do 2º período.
O pior é que só vão chamá-lo lá pelo meio de janeiro.
E a minha ansiedade, como é que fica enquanto isso?

6.12.06

O Caso da Idéia Retardada nº 2

Li no site da revista Boa Forma que o chá verde é a oitava maravilha do mundo: é cheio de antioxidantes, faz bem para a pele, acelera o metabolismo e queima gorduras. E que você, leitor inocente, pode perder 5 kg em 15 dias com a dieta do chá verde!
A dieta do chá, em si, é tosca: um cardápio diário de 1.300 calorias acompanhado de 5 xícaras de chá verde.
(Não, eu não pretendo fazer a dieta do chá verde. Primeiro porque dieta de revista é o fim da picada: uma só para todas os leitores, ignorando solenemente as diferenças de altura, peso, composição corporal e idade. Segundo porque 1.300 calorias por dia é coisa de monge tibetano jejuador, e eu não cheguei nesse nível. Ainda.)
Mas a idéia do chá verde me agradou, porque eu detesto verduras e legumes e o tal chá, como eu já disse, é cheio de antioxidantes. E ainda acelera o metabolismo! Logo imaginei (é incrível como as idéias retardadas se formam rapidamente) que, cortando os chocolates e balas e bebendo 5 xícaras de chá verde por dia, em 15 dias eu ia ficar, como diz minha irmã Isabela, um chuchu.
É verdade que, pelo site, já dava para desconfiar que chá verde é uma bela de uma gororoba, porque havia uma matéria especial só para ensinar os leitores a deixá-lo menos amargo e mais bebível. Além disso:
- eu não sou fã de chá. Acho que tem gosto de água suja;
- o fogão da minha casa não funciona faz um mês.
Mas as idéias retardadas não conhecem obstáculos. Raciocinei que, por mais amargo que o tal chá fosse, não podia ser pior que o chá de boldo que eu tomei na última viagem à praia; além disso, tampar o nariz e virar uma xícara de chá é bem melhor do que mastigar verduras e legumes de texturas pegajosas. E eu tinha o forno de microondas para ferver a água.
Fui ao supermercado, comprei o tal chá, e ontem mesmo tomei duas xícaras da poção milagrosa. Conclusões:
1) o gosto não é tão ruim assim. É muito melhor que um prato de xicória afogada. Esses leitores da Boa Forma são uns fracotes!
2) qualquer fulano emagrece com o tal do chá verde acompanhando as refeições. Uma xícara são 200 mililitros (praticamente um copo). Enchendo a barriga de água quente, não sobra muito espaço pra comida mesmo!
Vamos ver por quanto tempo eu agüento tomar um litro de chá verde por dia.

5.12.06

O Caso da Idéia Retardada

Ok, confesso: sempre malhei pessoas que acham que jejuar o dia inteiro vai deixá-las esbeltas para uma festa à noite, ou que passar uma semana comendo só abacaxi é a melhor maneira de se livrar dos quilinhos em excessos causados pelas comemorações de fim de ano. Mas o mundo dá voltas, e eis que tive minha própria idéia retardada: acordar todos os dias mais cedo para fazer vinte minutos de bicicleta antes do café-da-manhã, para estimular o metabolismo.

Eu explico: vocês sabem que faz um tempo que ando paquerando a academia, querendo e não querendo voltar para os braços dela. Há uns dias, decidi que ia começar assim que eu saísse de férias em janeiro, porque aí poderia ir todos os dias, e no horário mais vazio, de maneira a fazer a transição da maneira menos dolorosa possível.

Só que de repente surgiu a chance de passar o Ano-Novo na praia. E aí, aquelas gordurinhas que são invisíveis quando você está vestida passam a ser uma grande preocupação.

(Parêntese para esclarecimentos: sim, eu sei que existem preocupações mais graves nessa vida. Prometo que daqui a pouco me preocuparei com a paz mundial. Assim que eu estiver em forma.)

Minha primeira idéia retardada foi entrar imediatamente na academia e bater ponto nela diariamente. Mas, considerando que eu tenho apenas 17 dias, concluí que não ia adiantar muito, já que músculo algum se desenvolve em tão pouco tempo. Então, resolvi utilizar os 17 dias fazendo muitos, muitos exercícios aeróbicos, que são os que eliminam as gordurinhas mesmo.

Como eu trabalho o dia inteiro, só tenho a noite para me dedicar à boa forma. A noite... e a madrugada. Hoje acordei as 6:20 da matina para pedalar.

Sim, eu sei que é uma idéia retardada. O problema é que as idéias retardadas sempre parecem brilhantes.

4.12.06

O Caso do Vestido Infinito

Na minha busca incessante pela mala perfeita, descobri outra coisa legal: o Vestido Infinito. Ele é uma única peça de roupa, mas vira vários modelos: o cumprimento da saia e o tipo de decote é você que escolhe.

Na verdade, o Vestido Infinito é um tubo de pano com duas tiras longuíssimas saindo da parte de cima. Dobrando e enrolando, você transforma as tiras em alças, mangas e decotes, e o vestido fica do jeito que você quer.

Resumindo, ao invés de levar na mala três ou quatro vestidos, e o mesmo número de blusas e saias, você leva só o Vestido Infinito. Igreja italiana na qual alcinha não entra? Manga e a saia midi. Passeio em praia do Caribe? Ombro só e minissaia. Noite de gala em Paris? Tomara-que-caia e saia longa.

Mesmo se a viagem for longa, você não precisa se preocupar: em teoria o Vestido Infinito não amassa e seca rápido. Então, dá pra lavá-lo à noite no quarto de hotel, e ele vai estar pronto para usar no dia seguinte.

Você pode comprar essa maravilha pós-moderna pela internet. Custa 200 dólares (sem o frete). Ou você pode infernizar sua própria mãe para ela fazer o Vestido Infinito pra você (plano B).

Assim que ficar pronto eu aviso se deu certo.

1.12.06

O Caso da Ansiedade

Descobri que sou ansiosa, muito ansiosa. Quero resolver minha vida toda, agora, e rápido. Quero ter certeza do clima do fim do mês, da cotação do dólar no fim do ano que vem e do salário com que vou me aposentar. Quero um calendário mágico que me diga quanto tempo vou ter que estudar para passar em outro concurso, quanto tempo vou ter que ficar na academia para entrar em forma, e quanto tempo vou precisar para dominar essa ansiedade e virar uma pessoa calma e contente.

O pior é que, não satisfeita de me afligir com os rumos de minha própria vida (e sem muito motivo, eu reconheço), me aflijo com os rumos da vida do Leo também. Já tenho os próximos três anos de vida dele traçados. Numa planilha.

Já ele não esquenta a respeito de um futuro incerto sobre o qual não temos controle. Mas também, para que se preocupar, se eu me preocupo por nós dois?