30.12.07

O Caso do Jet Lag

Chegamos sãos e salvos às terras austrais. Meio grogues, é verdade. O tal do jet-lag existe mesmo: não é lenda urbana! Nos 3 primeiros dias, fomos dormir 7 da noite e acordamos 4 da manhã. Aí a gente olhava o relógio, suspirava e tentava dormir de novo.

Agora já estamos aclimatados. Ontem fomos dormir às 11 da noite!


Os hotéis não têm internet, então está difícil postar. Mas aí vai um foto no glacier Fox, para alegria da galera!

Aproveitando a ocasião, feliz 2008 pra todo mundo!!! Nós passaremos nosso Reveillon na cidade do glaciar, que tem 200 habitantes. 202 com a gente.

21.12.07

O Caso da Promessa

Dei o bolo nos meus leitores em relação à viagem Portugal/Espanha: prometi que ia postar tudo, e no fim não pus uma mísera foto. As razões foram duas: não tive muito tempo durante a viagem, e o Leo disse que se contamos as aventuras no blogue faltam novidades para dar ao vivo para a família e os amigos.

Após meditar profundamente sobre o assunto, cheguei à conclusão que existe um meio-termo razoável entre o contar tudo e o falar nada. Então vai ser assim: sempre que for possível, coloco fotinhas e notícias. Podem bater ponto aqui que mais dia menos dia aparecerão novidades de down under (os americanos usam essa expressão pra se referir à Austrália, mas acho que NZ também está na definição – livremente traduzida como “lá embaixo de tudo”).

E vamo que vamo!

20.12.07

O Caso das Férias Psicológicas

O Leo se mandou para BH na quarta-feira, e eu fico aqui até sexta porque estou trabalhando. Como ele foi de carro e eu irei de trem, fechamos as malas da viagem para NZ na terça à noite e ele levou tudo. O resultado é que psicologicamente já me sinto de férias, mas na prática continuo no lerê nosso de cada dia. Isso quer dizer que o trabalho está se arrastando, que os dias não passam e que parece que esta semana vai durar para sempre.

19.12.07

O Caso do Emocional

Hoje fui a outro médico resolver outro problema e, de novo, ele me falou que é emocional. Mas esse médico não se contentou com isso: ele também insistiu que eu fosse a um psicólogo, indicou um colega de prédio e me lascou o cartãozinho dele.

Fico na dúvida se eles angariam clientes um para o outro ou se realmente minha lataria psíquica está precisando de uns retoques. Já fiz terapia antes e achei ótimo, porque durante uma hora da semana eu podia falar incessantemente sobre meu assunto preferido: eu mesma. Na época, a terapia resolveu os problemas que eu queria resolver, mas eram questões internas. Acho difícil fazer a ligação entre minha queda de cabelos e minha labiritinte com conflitos mal-resolvidos de infância (ou fato similar).

Por outro lado, estou cansada de bater ponto nos mesmos médicos e tomar os mesmos remédios a cada semestre. Talvez o psicólogo ajude. Se não ajudar, pelo menos terei passado umas horas agradáveis falando incessantemente sobre meu assunto preferido.

18.12.07

O Caso do Balanço de Fim-de-Ano

É verdade que de vez em quando eu finjo que faço umas resoluções de ano-novo, mas garanto a vocês que nunca as levo a sério. Acho bizarro decidir o que vai ser feito nos próximos 365 dias. Convenhamos, é tempo pra caramba, e muita coisa pode acontecer.

Entretanto, como achei 2007 um ano pouco produtivo, talvez umas resoluções firmes sejam justamente o que eu esteja precisando.

O problema é que resoluções de ano-novo são geralmente coisas chatíssimas, do tipo parar de fumar, beber menos, gastar menos, arrumar emprego. Um horror. Acho que pessoas naturalmente melancólicas como eu necessitam é de resoluções legais, como comer mais chocolate, gastar mais dinheiro, sair mais, fazer mais amigos, comprar roupas novas, despreocupar do trabalho, dar mais presentes, comemorar mais, tomar mais sorvete, escutar mais música e falar mais eu te amo.

Então tá combinado.

(2008 começa a parecer promissor.)

17.12.07

O Caso do Flight of The Conchords

Ultimamente tudo que provém da Nova Zelândia tem nos interessado. Sendo assim, estamos interessadíssimos em um seriado da HBO chamado The Flight of The Conchords. Trata-se da história de uma banda, formada por dois neo-zelandeses, Bret and Jemaine, que tenta a sorte em Nova York.

O agente dos personagens cumula o cargo com o de cônsul da Nova Zelândia. A piada interna é que existem tão poucos neo-zelandeses no mundo que cada um deles tem de ter mais de uma função.

No meio dos episódios, Bret e Jemaine saem cantando e dançando músicas de sua autoria. Hilário. Uma canção de amor, por exemplo, vai mais ou menos assim: “Você é tão bonita/ com certeza a garota mais bonita do bar/e na rua, dependendo da rua/você é com certeza uma das três garotas mais bonitas do lugar/Você é tão bonita/que podia ser modelo durante parte do dia/não o suficiente para largar o emprego/mas durante parte do dia, ah, durante parte do dia você podia.”

Aproveito pra prestar bastante atenção no sotaque dos personagens. O “e” deles é praticamente um “i”. “Bret” vira “Brit”, “dead” vira “did”.

Já sei como conseguir ovos mexidos no café-da-manhã. É só pedir “iggs”.

14.12.07

O Caso da Dieta Pré-Viagem

Completei um mês de dieta. Perdi dois quilos e trezentos gramas e já estou cabendo nas roupas justas de novo. Ninguém precisa se preocupar: a minha alimentação é supersaudável, com cinco porções diárias de frutas e verduras, cereais integrais, derivados do leite, arroz, feijão e carne vermelha. Eu nem passo (muita) fome – só vontade. E nem é tanta vontade, porque volta e meia eu como um chocolatinho. Pequetito.

Quando estou me alimentando direito é que percebo como a gente come muito mais do que precisa. E como é difícil recusar comida quando te oferecem e você não quer. As pessoas ficam perplexas. Insistem. Como assim, você não vai aceitar este pedaço de pizza gigante/essa coxinha gordurosa/mais um prato de feijoada?

E ai de mim se eu falar que estou de dieta. As pessoas se sentem imediatamente ultrajadas. E dizem: “mas você não precisa de fazer regime, você é magra!”. O que dá vontade de responder: “Vocês não estão entendendo – eu sou magra porque eu faço dieta!”

Talvez a solução seja mentir que meu colesterol é alto e pronto.

13.12.07

O Caso da Labirintite

Agora virou moda: é só chegar perto de uma viagem que eu tenho um ataque de labirintite. O de ontem foi feio: acordei às 5 da manhã com o quarto rodando loucamente. Tentei ficar de pé, sentada, deitada, tomei Labirin, tomei Dramin, e às 6 e meia fui parar no pronto-atendimento do hospital porque não estava mais me agüentando de náusea. O médico me pôs no soro com uma ampola de Dramin na veia, e aí eu melhorei. No fim do dia bati na porta do meu otorrino, que me receitou o Vertizine D de sempre durante 20 dias e, perguntado se eu poderia pelo menos EXPERIMENTAR os famosos vinhos brancos da Nova Zelândia durante o tratamento, respondeu que, em pequenas doses, o vinho teria o mesmo efeito do remédio, mas que “a diferença entre remédio e veneno é a dosagem”. No fim das contas, consegui arrancar dele a informação de que a pior conseqüência da mistura seria outro ataque de labirintite - morrer dela eu não ia. Works for me.

Ambos os médicos acham que a causa da labirintite é emocional. O Leo tem certeza.

11.12.07

O Caso do Chá de Cadeira

Íamos ficar 6 horas de bobeira no Galeão entre um vôo e outro e eu já não estava achando bom. Agora o vôo BH-Rio mudou para mais cedo ainda e vamos ficar 7 horas e meia de bobeira no Galeão.

Pensei em passar o vôo para mais tarde e ficar apenas 4 horas e meia de bobeira no Galeão. Entretanto, várias pessoas (inclusive a agente de viagens) acharam arriscado. Vamos viajar no dia 23, os aeroportos devem estar lotados, e no fim de ano sempre chove. O jeito é ir no vôo mais cedo mesmo.

Uma amiga sugeriu que gastássemos o tempo extra deixando as malas no guarda-volumes do aeroporto, pegando um táxi e indo passear no Rio. Mas, como boa mineira desconfiada, acho muito arriscado. Afinal, todo mineiro sabe que o Rio é um lugar muito perigoso, e que pra te assaltarem e levarem seu passaporte não custa nada. Isso se o próprio taxista não te seqüestrar.

Assim sendo, acho que lerei pelo menos um dos três livros de qualidade literária duvidosa que estou levando para os vôos e que experimentarei todos, absolutamente todos os perfumes do free shop.

10.12.07

O Caso do Caderninho

Toda vez que eu viajo para fora compro um caderno pequetito para anotar dicas e lembretes. Ele fica morando dentro da bolsa, junto com uma caneta, e carrega a lista dos endereços, encomendas e presentes, sendo especialmente útil para registrar preços de free shops diferentes.

Ultimamente tenho comprado mini-agendas ao invés de caderninhos. A vantagem é que as dicas relativas a cada cidade ficam no dia em que estaremos nelas. E sobram muitos meses para as anotações sobre as comprinhas!

Nesse fim-de-semana comprei uma mini-agenda 2008 (mini mesmo: é quase do tamanho da palma da mão), de capa preta, bonitinha, boa mesmo. Seu único defeito é que não tinha marcador. Então eu mesma criei dois, usando fitas pretas fininhas que extraí de uma blusinha e guardei. Porque, meus amigos, quem guarda tem!

7.12.07

O Caso da Mala Reduzidíssima (mais um)

Eis-me mais uma vez perante o dilema da mala reduzidíssima. Estou botando fé que dessa vez não vai ser tão difícil. Primeiro porque a Nova Zelândia me parece um país esportivo. Segundo porque acabei de comprar o vestidinho preto perfeito, que pode ser usado tanto para sair à noite quanto para almoçar de dia.

O dilema é se levo sapatos de salto para a tal da saída à noite ou uso minhas botas de montaria mesmo. Que são lindas e confortáveis, mas ocupam um espaço danado na mala, e portanto devem ir nos pés. O que não sei é se é sábio encarar três vôos (de uma, três e treze horas, respectivamente) usando botas de montaria. Ok, eu sei - não é sábio, mas eu fico tão feliz quando eu estou elegante.

É claro que eu corro o risco de ser obrigada a tirá-las a cada detetor de metais. Mas aí dá uma emoção.

6.12.07

O Caso da Frustração

Todo mundo já sabe que sou possuidora de uma pão-durice legendária. Ainda assim, de vez em quando me convenço a investir rico dinheirinho em bens caros, “de marca”, acreditando piamente que receberei em troca possessões de qualidade superior.

Por isso mesmo, fico muitíssimo frustrada quando tais bens não correspondem à expectativa. Primeiro foram os óculos escuros que, usados mais do que dez minutos seguidos, deixavam depressões nas maçãs do rosto. Depois foram as botinhas de trekking que me fizeram retornar à loja diversas vezes (incomodava, troquei por uma maior e incomodava, troquei por um tênis e meus dedinhos formigavam. Aí passei o abacaxi para o meu pai).

Só falta eu conseguir o upgrade para a classe executiva que estou planejando e as azafatas das Aerolineas Argentinas me maltratarem.

5.12.07

O Caso da Mudança

Ando superboazinha e amigável ultimamente. Sorrio para as pessoas, sou simpática, e é até perigoso eu arrumar mais uns amigos no processo. O problema é que temo grandemente que meu lado sarcástico e mau esteja desaparecendo. Um dia desses fiquei olhando uma pessoa que estava trabalhando usando uma vestimenta que era igualzinha a uma camisola sexy, e ao invés de externar o pensamento, só suspirei. Ouvi outra contando o tanto de dinheiro que gasta em roupas, e nem tive que fazer força para não comentar “Mas não tá adiantando muito, né?”.

Com toda essa boa-vontade na terra dos homens, arrumei uma nova amiga que é muito boazinha e feliz (sinceramente boazinha e felizmente, não forçadamente boazinha e feliz como eu). O resultado é um círculo vicioso: ando mais tolerante ainda.

A coisa tá feia pro meu lado.

4.12.07

O Caso dos Preparativos

A viagem à Nova Zelândia se aproxima. Tá tudo certinho, menos os últimos detalhes do que fazer quando estivermos lá. Geralmente eu faço uma lista de atividades hora a hora, para que não percamos nem um minuto do escasso e precioso tempo que temos em terras estrangeiras, mas estou achando que NZ acata uma programação mais light. Até porque é um país novíssimo, mais jovem do que o Brasil, e que portanto não oferece castelos/fortalezas/catedrais imperdíveis a cada esquina.

Enquanto o dia de embarcar não chega, embarcamos nós numa dieta pré-viagem. A idéia é da Isa, e eu a acho ótima: emagrecer não depois, mas antes de viajar. Aí você fica liberado para comer de tudo nas férias, sem se preocupar. E não precisa fazer dieta quando volta para casa – convenhamos, poucas coisas são mais deprimentes do que retornar ao trabalho passando fome, ainda mais com o armário cheio de chocolates suíços comprados no free shop.

22.11.07

O Caso do Blogue

Ontem percebi que este blogue está muito antisséptico, muito politicamente correto, muito vanilla. Como se eu estivesse escrevendo para a minha mãe (ou para a madre superiora). Não tem comentários maldosos, não tem palavras em outra língua, não tem nenhuma das minhas indignações (e como eu fico indignada toda vez que presencio ataques à estética e à lógica – a estética primeiro, observem –, eu fico indignada o tempo todo).

Abaixo a boa-mocice! Abaixo os posts água-com-açúcar!

Próximo post: por que eu odeio a ecologia.

21.11.07

O Caso do Próximo Destino

Nossa próxima viagem será a mais ambiciosa de todas: quase um mês em um lugar a 16 horas de avião (partindo do Rio de Janeiro), no qual se fala uma língua quase ininteligível e se dirige à esquerda.

É a Nova Zelândia!

Tanto a equipe de comunicação (eu) quanto a equipe de transporte (o Leo) ficarão bastante atarefados. Em NZ se fala inglês, mas o sotaque é carregado (vimos um filme neozelandês para treinar e achei difícil de entender). Já o Leo vai ter que se virar para dirigir na mão inglesa, sentado no lado direito do carro.

Acho que os leitores mais espertos já tinham desconfiado. Também, com esse papo de bungee-jumping virtual, túnel de vento, esportes radicais...

13.11.07

O Caso da Ferritina

Então ontem eu voltei ao dermatologista levando o exame de sangue, que por sua vez revelou que minha ferritina continua baixa – 25 –, embora eu tenha tomado um suplemento de ferro por dois meses, terminando no meio de setembro.

Tá explicado por que meu cabelo está caindo igual ao dólar.

O que não está explicado é essa anemia bizarra, já que eu me alimento bem e nem estou tomando chá verde (que o meu dermatologista disse que não tinha nada a ver, por sinal). Mas bem que eu tenho andado fraquinha e cansada de uns tempos pra cá.

O derma receitou de novo o suplemento de ferro sabor chocolate que gruda no dente por quarenta dias.

Vão vê se funciona.

9.11.07

O Caso da Banda

Ontem eu estava em casa à toa vendo uns clipes na tevê e cheguei à conclusão de que, como eu vivo mudando de profissão e de idéia, o jeito é montar uma banda chamada The Quitters e cair na estrada.

8.11.07

O Caso das Empadas

O Leo descobriu mais uma iguaria regional: empadas gigantes do Rei das Empadas, uma loja que fica semi-perto de casa. As empadas de frango com bacon e de queijo são deliciosas, grandes e baratas (1 real a unidade). E eles ainda entregam em casa.

Ontem os colegas de faculdade do Leo falaram que existiam empadas ainda maiores e melhores: as do Sabor da Empada. Essa loja fica mais longe, mas como estávamos impressionadas com a descoberta original, decidimos ir lá conhecer.

Experimentamos três tipos: a de frango e bacon e a de queijo – para comparar – e a de presunto e queijo, porque a primeira vez que encontramos esse recheio.

Resultado final do embate gastronômico: o Rei das Empadas continua imperando. A empada de frango e bacon do Sabor da Empada era até gostosinha, mas as duas outras usavam como queijo uma mistura de requeijão e maisena (é com “s” mesmo – com “z” é marca registrada) suspeitíssima.

Ei, ei, ei, empadas só do Rei!

7.11.07

O Caso dos Cabelos

Meu cabelo voltou a cair – de novo –, fui ao dermatologista – de novo – e ele mandou eu fazer um exame de sangue – de novo –, para ver se a minha ferritina está baixa – de novo.

Não sei o que eu arrumo com essa ferritina que ela nunca está na dosagem correta. Já ingeri comprimidos de ferritina sabor chocolate durante semanas duas vezes. E eu me alimento bem!

O pior é que eu estou torcendo para a ferritina estar baixa mesmo. Porque, se não for isso, o médico vai ter que ficar levantando outras hipóteses pelas quais o meu cabelo está caindo, e até lá eu fico careca.

6.11.07

O Caso da Mudança para a Europa

Volta e meia eu descubro um blogue de brasileiros que moram na Europa e passam os fins-de-semana pipocando entre capitais. Fico toda empolgada e tento convencer o Leo de que é uma ótima idéia nos mudarmos para lá (essa parte é essencial porque ele é o único casal que tem habilidades profissionais que valem fora do país. Eu, com meu direito e comunicação, tô n’água).

Aí o Leo, que é mais sensato (embora talvez menos romântico) responde que na Europa, mesmo se nós dois arrumarmos empregos, vamos ganhar menos – em euros – do que ganhamos aqui e gastaremos mais, porque o custo de vida é mais alto. E que eu gosto tanto da Europa porque vou lá de férias, com tempo livre para passear e dinheiro pra gastar.

Não me convenço, mas me conformo.

Por enquanto.

5.11.07

O Caso de BH

Eu e o Leo acabamos de chegar de um fim-de-semana prolongado frenético em BH. Estamos mais cansados depois do que antes dele. Mas não tem problema, não: chegamos à conclusão que vale a pena a gente se acabar quando vai lá, visitando família/encontrando amigos/indo a festas/testando restaurantes/procurando coisas que não se acha aqui. Dá a sensação de que fomos muito produtivos.

A única coisa ruim é que a gente se diverte tanto que fica com vontade de ir de novo logo.

1.11.07

O Caso das Escolhas

O primeiro – e talvez o mais difícil – passo da viagem é escolher onde ir (e, conseqüentemente, eliminar dos planos diversos outros destinos maravilhosos). Pior do que escolher para si mesmo, entretanto, é escolher para os outros.

Não que me perguntem com tanta freqüência assim. Mas é só um parente/amigo/conhecido anunciar, dentro da minha zona de audição, que pretende ir à Europa e pronto: eu imediatamente me lanço sobre ele, interrogando-o severamente sobre as línguas que domina, as viagens que já fez e as perspectivas que possui. Se aquele é seu primeiro (e talvez último) contato com o Velho Continente, sinto que é minha missão pessoal garantir que a viagem seja perfeita e inesquecível. Se é seu segundo, também.

Por coincidência, amigos diferentes me contaram que estão querendo fazer sua primeira visita à Europa. Ambos pretendem passar pela Itália. Já eu acho que, para uma primeira viagem, a combinação ideal é Londres, Paris, Amsterdã e Bruge. Itália, Portugal e Espanha são legais, mas a cultura é parecida com o Brasil, e o legal da viagem – pelo menos na minha opinião – é conhecer lugares e costumes diferentes aos que a gente está acostumado.

Estou me contendo.

31.10.07

O Caso das Estratégias de Viagem

Eu acho que viajar é pura diversão. O que estraga um pouco são as burocracias: esperar no aeroporto, passar horas dentro do avião, ficar na fila da alfândega. Para tentar deixar essa parte tão legal quanto o resto, tenho desenvolvido estratégias, inclusive algumas que experimentarei na próxima viagem e contarei se funcionam:

1) sorrir, sorrir e sorrir. Quanto mais trash a situação, mais inesperado e importante é o sorriso. Ainda estou para encontrar uma comissária de bordo/garçom/ recepcionista de hotel que a resista a uma exibição de todos os meus dentes.

2) esperar que dê tudo errado: que o vôo atrase, que o check-in demore, que os amendoins acabem. Resultado: você não fica irritado quando os imprevistos acontecem, porque já estava contando com eles, e fica felicíssimo quando tudo dá certo.

3) descobrir o site do aeroporto e ver o que ele tem de interessante, incluindo o tax free shop. Investigar se o cartão de crédito dá direito a alguma sala vip.

4) possuir malas reduzidíssimas, evidentemente de rodinha. Aí fica fácil pegar táxi, entrar no ônibus que liga terminais, tirar a bagagem da esteira. Além do mais, se a sua mala for pequetita, a chance do carregador maltratá-la é menor.

5) ter livros interessantíssimos à mão para ler nos momentos de espera. Meus preferidos: pocket books de qualidade literária duvidosa – porque aí eu não tenho dó de jogá-los fora quando acabam. Também gosto de ter uns petiscos saudáveis na bolsa, porque comida de aeroporto costuma ser cara e ruim.

6) levar protetores de ouvido e máscara para os olhos para tentar dormir no avião. É impossível prever se uma criança vai chorar ou se o moço na fileira do lado vai passar a noite toda com a luz ligada lendo um pocket book de qualidade literária duvidosa.

7) usar aroma de hortelã para combater o jet-lag (acho que pastilhas de hortelã Garoto devem funcionar).

8) tomar Dramim (auto-explicativo). Lembrando que o Dramin deve ser tomado pelo menos 40 minutos antes do vôo, ou seus poderes anti-enjôo ficam severamente comprometidos!

19.10.07

O Caso da Yasmin

Hoje uma colega de trabalho trouxe a filhinha para a gente conhecer. Ela tem 2 anos, chama-se Yasmin, é linda, fofucha e usa maria-chiquinhas. Ela deu beijos, falou quantos anos tem, repetiu o nome (a pedidos) à exaustão e sentou no colo de todo mundo, inclusive no meu, que mais que depressa fiz uns bonitos desenhos para agradá-la.

Pelo menos não desagradei. A mãe levou a Yasmin e depois contou que ela chorou porque não queria ir embora.

18.10.07

O Caso da Decisão

Então eu decidi que ia ser mais sociável. Esse negócio de ficar só estudando, sem vida social, estava me deixando irritada e desanimada. E o Bill Douglas bem fala: não adianta passar em concurso se não tem ninguém pra comemorar com você.

O problema é que eu não sou naturalmente amigável. Tenho que fazer um trabalho consciente para me aproximar das pessoas. E ainda disfarçar o fato de ser uma esnobe horrível – pelo menos até que me conheçam melhor e passem a gostar de mim.

Nesse processo de fazer amigos e influenciar pessoas, descobri uma coisa ótima: gente interessante é quem se interessa pela gente. Então, é só eu fazer um monte de perguntas pro povo, e prestar bastante atenção nas respostas, que aumentarei exponencialmente meu nível de popularidade.

17.10.07

O Caso do Seriado Brasileiro II

Vi o Brazil’s Next Top Model e achei péssimo. Os jurados parecem ter inveja das modelos; o organizador (um tipo parecido com o Buzz Lightyear – só queixo e testa, mas muito menos simpático), que devia ser um terceiro desinteressado, também é jurado; a apresentadora, a modelo Fernanda Motta, tem um sobrancelhão assustador e precisa trabalhar muito nas aulas de voz e expressão corporal.

Para completar, num país miscigenado como o nosso, quase todas as meninas são branquinhas, branquinhas. O mercado é preconceituoso ou a produção que é?

16.10.07

O Caso da Tropa de Elite

Finalmente vi o filme mais comentado dos últimos tempos. Gostei muito. Sempre achei que o usuário é que financiava o tráfico mesmo. Vamos ver se o filme abre um debate sobre o assunto e os consumidores de droga percebem que seus atos têm conseqüências sociais nefastas.

Enquanto isso, o Leo canta o dia inteiro:

“Tropa de elite
Osso duro de roer
Pega um, pega geral
Também vai pegar você”

11.10.07

O Caso do Milk-Shake

Descobrimos aqui na cidade um lugar fantástico chamado 1.000k-Shakes. Ele não tem mil sabores de milk-shake, como o nome autorizaria a supor, mas tem um monte – pelo menos uns 30. Sem contar os sabores especiais, como ovomaltine e amarula.

Eu e o Leo fomos lá no domingo. O melhor é que dá pra ver a pessoa fazendo: ela bota no copo um monte de sorvete italiano de baunilha, calda do sabor apropriado e uns pozinhos misteriosíssimos, que ficam dentro de caixinhas com os nomes dos sabores. Depois disso ela usa um aparelho que parece um mixer, só que é quente, para amaciar o sorvete e misturar os ingredientes. Leite mesmo não tem, a não ser que o pozinho misteriosíssimo seja leite em pó com sabores artificiais.

Nós tomamos o milk-shake de ovomaltine e gostamos. Agora quem vier nos visitar tem mais uma atração para conhecer.

10.10.07

O Caso da Amizade

Ando desconfiada de que sou uma amiga mais ou menos. Eu esqueço aniversários (né, Fê?), prefiro mandar mails a telefonar, e sempre perco números de celulares e endereços. Se eu pensar bem, se não fosse a internet eu não teria amigos.

Andei refletindo e cheguei à conclusão que a culpa não é totalmente minha. Eu tive uma infância meio solitária, porque gostava mais de ler livros do que conversar com pessoas, e, portanto, não aprendi direito os mecanismos da amizade.

Mas não seja por isso. Decidi que farei o possível para ser uma amiga top de linha. O primeiro passo é arrumar uma caderneta para anotar endereços e telefones. O segundo é fazer uma lista de aniversários e deixar num lugar bem visível.

Para completar, vou à BH no feriado somente para ver uma amiga. E para a outra, cujo aniversário foi esquecido e estará viajando, deixarei um lindo presente.

Assim que eu descobrir o número do apartamento dela.

9.10.07

O Caso do Mistério

Eu realmente queria saber por que, nas correntes transmitidas pela internet, as pessoas insistem em impingir aos mais diversos escritores textos que obviamente não são de sua autoria.

Qualquer redaçãozinha com ambições a humor só pode ser do Luiz Fernando Veríssimo. Tiradas sarcásticas pertencem ao Arnaldo Jabor. Sentimentalismos são atribuídos a Gabriel García Márquez ou a Fernando Pessoa, o que tiver mais azar no dia.

Se fosse um simples caso de confusão entre autores, até que passava. O problema é que a qualidade dos textos é, geralmente, horrenda. Qualquer pessoa com um mínimo de bom-senso devia desconfiar que aquelas banalidades não pertencem a um escritor sequer razoável!

Fico imaginando um Salieri literário enviando textos baratos por e-mail e imputando-os todos ao Mozart.

Só pode ser isso.

8.10.07

O Caso do Dilema

Dizem (as novelas, os filmes, os livros de auto-ajuda) que você precisa buscar a felicidade interior. Aí, não importa quão complicada/difícil/sofrida esteja a sua vida, você será uma pessoa feliz.

Essas mesmas fontes também dizem que você também tem que lutar para melhorar sua situação e resolver seus problemas – e aí, é lógico, vai alcançar a felicidade.

A coisa é confusa pra caramba. Se você está feliz, por que que vai querer mudar? Mais, onde é que vai arranjar energia para mudança? A mudança não é causada pela dor/incômodo/infelicidade/insatisfação?

Em suma, eu não consigo ser feliz nos dois momentos. Ou estou feliz agora, satisfeita do jeito que estou – e fico assim mesmo, ou estou infeliz e vou buscar uma solução – para tentar resolver o problema.

Esse negócio de felicidade plena é a maior pegadinha.

1.10.07

O Caso do Seriado Brasileiro

Na quarta-feira estréia a versão nacional de um dos meus reality shows preferidos (o outro é Project Runaway): America’s Next Top Model.

O programa americano é legal porque a produção tem muito dinheiro e, portanto, contrata profissionais competentes para treinar as meninas, arruma desafios elaborados e monta sessões fotográficas sensacionais.

Vamos ver se o seriado brasileiro vai ser tão bacana quanto ou se a pobreza fransciscana que costuma assolar as produções nacionais vai atrapalhar o esquema.

26.9.07

O Caso do Estresse

Nunca achei que seria uma vítima do estresse, mas, nas últimas semanas:

- estou acumulando meu serviço com o serviço de uma pessoa que foi transferida;
- tem uma parte do serviço da pessoa que foi transferida que eu simplesmente não sei, mas tenho que fazer do mesmo jeito;
- estou ensinando a uma funcionária nova a parte que eu sei do serviço da pessoa que foi transferida;
- o chefe está cobrando providências sobre coisas urgentes que cabiam à pessoa que foi transferida;
- os sistemas estão lentos, lentíssimos, quando não param de vez, e não dá para trabalhar sem os sistemas;
- a tecla quatro do telefone não funciona

O resultado é que há nove, NOVE pilhas de processo em minha mesa.

As pilhas estão me deixando uma pilha.

25.9.07

O Caso dos Seriados

Eu estava me sentindo meio melancólica e sem rumo, mas já descobri a razão: é que os seriados estavam em mid-season, e a única coisa que sobrava para ver era os especiais “Child Star” na E!, que além de ruins são repetidos à exaustão.

Essa era de trevas está acabando. Os seriados logo estarão de volta à vida, e eu terei muito mais ânimo para pedalar na minha bicicletinha ergométrica, sendo que agora eu uso medidor de batimentos cardíacos e fico me matando para mantê-los acima de 134 por minuto.

Ver o McSteamy distrai da dor.

13.9.07

O Caso dos Escorregões

Falem a verdade: não é ótimo quando alguma celebridade, que vive disso, tem tempo, dinheiro e personal stylist, dá uma derrapada? É porque aí a gente se consola de algumas decisões de moda não muito brilhantes, como a franja repicada e a meia-calça com desenhos.

Eis as últimas mancadas que percebi por aí:

1) o cabelo curto da Deborah Secco
Ela caiu numa armadilha clássica: a da mulher que começa a se achar tão bonita que resolve cortar o cabelo. Saiba ela que cabelo curto é só para as starlets dos anos cinqüenta, a Trinity de Matrix e a Natalie Portman.

E o pior é que, na hora de cortar, ela foi se mirar na Posh Spice, que tem um rosto triangular igualzinho a um louva-deus. Fala sério.


2) o vestido de casamento da Daniela Sarayba
Ela é alta, linda e magra, e o vestido foi feito pelo Valentino. Mas, no fim das contas, a moça ficou meio... repolhuda. Alguém me explica aqueles babados saindo de debaixo dos quadris?

12.9.07

O Caso dos Simuladores

Lembram o bungy jump virtual? Pois é, descobri que existe um túnel de vento vertical que simula um salto de pára-quedas. Mais barato, e muito mais seguro.

Essas imitação são ótimas para pessoas medrosas, quer dizer, cautelosas como eu.

5.9.07

O Caso dos Empregos

Empregos de sonho:
- Tradutora de legendas para seriados americanos;
- Produtora da revista de produtos Natura;
- Agente de viagens para clientes selecionados;
- Criadora de cores de cosméticos.

Empregos que pareciam ser de sonho, mas na verdade não eram:
- Jornalista em revista de turismo;
- Revisora de textos de Ciência Política;
- Avaliadora de originais literários;
- Vendedora em loja da Disney.

3.9.07

O Caso da Pupila

Vai chegar uma funcionária nova aqui no trabalho e fui encarregada de treiná-la. Estou animadíssima. Eu sempre quis ser professora (para moldar cerebrozinhos inocentes, hohoho) e esta é a minha grande chance de ver se dou para a coisa mesmo ou é só garganta.

Da última vez que chegaram funcionários, eu bem que tentei me candidatar para ensiná-los, mas o chefe preferiu outra pessoa, aquela que o pessoal novo ia substituir. O que faz sentido, mas não deu muito certo, por vários fatores. Um deles é que tentaram passar para o povo novo muita coisa em pouco tempo, e eles ficaram perdidinhos, coitados.

Tentarei não cometer o mesmo erro. Vou explicar cada coisa devagar, e só passar para a seguinte depois que a primeira estiver dominada. Vou sorrir muito, dizer muitas palavras de incentivo, falar que trabalhar aqui é ótimo e que ela está indo muito bem. Já fiz um roteiro passo-a-passo no Word e uma planilha no Excel explicando onde está o quê.

Está só faltando uma musiquinha para cada sistema.

24.8.07

O Caso dos Cookies Light

Com essa minha nova mania de experimentar coisas novas, às vezes me dou mal. Semana passada vi no mercado um lançamento de cookies light. Eu já tinha comprado o integral de laranja da mesma marca, que é muito gostosinho e tem fibras. Me animei com os lights porque os sabores pareciam legais: abacaxi com chocolate branco e uva com chocolate ao leite. Imaginem que fossem verdadeiras delícias.

Aí... li o rótulo e descobri que os cookies tem um pouco de gordura saturada e também de gordura trans. Nada saudável. A vantagem é que eles têm metade das calorias do que os cookies integrais. A desvantagem: metade das fibras. Já descobriram o truque, né? Na verdade, eles têm é metade do tamanho dos outros.

Para completar, o cookie de uva é bizarro. Me senti mastigando Fanta Uva. E a cobertura de chocolate é tão fina que mal dá pra sentir.

O cookie de abacaxi já é melhorzinho. Tem gosto de Mirabel de abacaxi, o que, perto da Fanta Uva crocante, é uma grande vantagem.

Agora, vantagem mesmo é fato de que os cookies light são mais ou menos que você come um e nem quer mais.

23.8.07

O Caso das Dúvidas

Estou preocupada.

Descobri que ganhei 5 quilos nos últimos dois meses e comecei uma dieta terça-feira.

Estou sendo sensata e razoável, já que o ganho de peso exagerado é ligado a diversos problemas de saúde, ou superficial e boba, já que meu peso é saudável e 5 quilos não matam ninguém?

Estou tomando conta do meu corpo, que é a minha casa, ou sendo indevidamente influenciada pela mídia e seus modelos de beleza irreais?

Estou buscando a saúde ou sendo excessivamente vaidosa (para variar)?

Estou me tornando uma pessoa consciente de seu corpo e das mudanças trazidas pelo passar do tempo, ou exagerando, já que fiz outra dieta no início do ano?

Aguardo respostas.

21.8.07

O Caso do Chá Diferente

Descoberta de hoje: chá preto tem gosto de água de batata.

20.8.07

O Caso do Almoço

Estou indignada. Fui à casa de uma colega de trabalho no feriado almoçar e, depois de perguntar do que eu o Leo gostávamos – ao que eu respondi “arroz, feijão, carne e salada” – ela vai e me serve... lentilha refogada!

Eu nunca tinha comido lentilha. Portanto, nem percebi que não era feijão na hora de me servir. Até a cor estava parecida. Só quando comecei a levar a primeira garfada em direção à boca que a danada da colega pergunta: “Vocês gostam de lentilha?”

Aí era tarde. Tive que continuar o trajeto da garfada, mastigar e engolir. E comer o que estava no prato, claro.

Ruim, ruim, não é.

Mas detesto que me enganem.

17.8.07

O Caso das Tintas

A descoberta do sapateiro pintor de sapatos abriu novos mundos para mim. E reciclando, eu ainda economizo! Ou seja, passar por lá levando itens que já passaram de sua primeira juventude está se tornando um dos meus passatempos favoritos.

Da última vez levei uma bolsa preta que eu adoro mas que estava meio gasta e outra dourada cuja alça estava se desfazendo. A bolsa preta foi pintanda e engraxada e ficou quase nova; a dourada ganhou uma alça diferente, de camurça bege, que é mais chique que a original. O sapatinho caramelo que eu estava ameaçando pintar de vermelho-mertiolate também ficou ótimo. A cor é cheguei pra burro, mas combinou tão bem com o bico redondo!

No momento ambiciono transformar uma jaqueta de couro laranja-queimado, que é bonito, mas difícil de combinar. Tenho certeza que marrom-café ou preto vão deixá-la muito mais utilizável.

E a cor escura vai diminuir as ombreiras dela, que são gigantes.

16.8.07

O Caso da Emoção Virtual

Uma vez que montanhas-russas me enjoam e esportes radicais me dão medo, parece que estou destinada a passar pela vida sem experimentar um pico de adrenalina que não seja causado por ameaças de assalto.

Ou não?

Descobri que existe, em um museu na Nova Zelândia, um bungee jump virtual. Você coloca um capacete, te amarram igual a um presente e te fecham em uma cabine. Ao som de um entusiástico “1, 2, 3, bungee!”, a cabine vira de cabeça para baixo, ao mesmo tempo em que imagens de um salto verdadeiro são projetados na sua frente.

Quem faz diz que é tão emocionante quanto o salto real. Estou animada.

Mas como eu enjôo muito, vou tomar meio draminzinho antes.

Só pra garantir.

13.8.07

O Caso dos Quilinhos

Eu e o Leo viajamos um mês e voltamos iguais ao conchinillo, o leitão assado que é o prato típico de Toledo: tostados e rechonchudos.

Mas também, com uma dieta à base de pratos típicos gordurososo (incluindo batatas fritas em praticamente todas as refeições), toneladas de chocolate suíço (a barra gigante de Lindt custa 3 euros na Espanha!) e montanhas de sorvete (matamos a saudade do Häagen-Dasz. Diariamente) não é de se espantar.

Só acho uma grande injustiça que eu tenha gasto mais de 3 meses para perder 3 quilos e meio e os tenha recuperado em meros 30 dias.

10.8.07

O Caso da Gabriela

Tenho uma nova melhor amiga: a Gabriela.

Gabriela é paciente, bem-educada, fina e tem sotaque português. Sem Gabriela a viagem não teria sido o sucesso que foi.

Gabriela sabia chegar a qualquer lugar na Península Ibérica. Com toda calma do mundo, Gabriela ensinava que estrada pegar, que saída tomar, que desvio escolher. E, se por acaso o motorista errava, ela dizia, gentilmente, para ele retornar assim que fosse possível.

Gabriela me tirou a posição oficial de navegadora, mas ela é tão superior que cedi o posto sem o menor ressentimento.

O Leo disse que nunca mais viaja sem a Gabriela, e o pior é que eu concordo: não viajo mais sem ela!

Gabriela é nome da voz do GPS que alugamos junto com o carro, e ela é óóóótima!

O Caso das Explicações

Estou postando pouco, mas é por uma boa causa: estou trabalhando e estudando muito, e esse excesso de trabalho e estudo tem secado totalmente a minha criatividade. O engraçado é que quando eu estava na faculdade de direito (e queria fazer jornalismo), era precisar de estudar para uma prova para eu ficar inspiradíssima.

Mas enfim. Quando chego em casa quero mais é morcegar na frente da tevê. Durante esse saudável hábito descobri mais um programa trash interessantíssimo: Dirty Dancing, que passa na GNT às 5 da tarde todo dia. É mais um reality show, mas esse é inspirado no filme e tem dança o tempo todo.

A premissa desse programa de baixo orçamento são cinco dançarinos profissionais bonitões (er) que precisam escolher uma parceira para uma competição de dança. Depois da primeira eliminação, cada um escolheu três e agora, capítulo a capítulo, as três são reduzidas a uma (para cada um, claro).

Dirty Dancing é tosco (para vocês terem uma idéia, o apresentador é um ex da J. Lo), e algumas das candidatas são mais toscas ainda (além de ficarem mais feias depois da "transformação" do que antes). Mas é justamente em sua tosquidão intrínseca é que reside a diversão do programa.

PS: para compensar a falta de posts dos últimos dias, hoje postarei várias vezes.

26.7.07

O Caso do Vestido Infinito e a Vida Real

O vestido infinito foi usado 4 vezes na viagem e ganhou nota 6,5. Ele tem vantagens: não amassa, não mostra sujinhos – já que é preto – e é confortável. A desvantagem é que, já que ele é preto, as diferentes amarrações que fazem o modelo variar praticamente não aparecem. Portanto, levar na mala um pretinho básico ao invés de um vestido infinito faria praticamente o mesmo efeito.

Além disso, o vestido acabou ficando muito longo, então toda vez que eu o colocava achava que estava indo para um baile. Vou mandar cortar um pedaço e talvez a coisa melhore.

Se bem que, pensando bem, numa das vezes em que o usei esfriou e eu consegui transformar o modelo sem mangas no modelo com mangas até os cotovelos (e não pude mais abrir os braços, mas aí já são outros quinhentos).

Acho que vou subir a nota do vestido infinito para 7,5.

25.7.07

O Caso da Megasorte

Embarcamos em BH no dia 16 de junho para fazer a perninha até o Rio pela TAM e de lá para Lisboa pela TAP. Os sistemas das duas companhias aéreas não estão integrados, o que quer dizer que fazer o check-in na TAM não significa nada para a TAP. Aí, como não podia deixar de acontecer, o vôo BH-Rio atrasou quase uma hora.

Chegamos esbaforidos no balcão da TAP, e ainda bem que a gente correu. A aeronave original estava com problema, e havia sido substituída por outra, com 30 lugares a menos. Olha a sorte: havia só mais 5 vagas quando nós 4 fomos fazer o check-in!

Para completar, colocaram meus pais nos excelentes lugares perto da saída de emergência, mas eles pediram para trocar conosco, porque lá é gelado e meu pai estava gripadinho. Vesti duas blusas em cima da que eu já estava usando, peguei emprestado um casaco de minha mãe, enrolei o cobertor nas pernas e tive uma viagem ótima, toda espaçosa.

Mas quem gostou mesmo, já que em toda viagem de avião ele costuma bater os joelhos na cadeira da frente, já que ele tem quase 1,90 de altura, foi o Leo.

24.7.07

O Caso do Alerta do Chá Verde

Interrompemos essa novela para um aviso de utilidade pública: chá verde NÃO deve ser tomado após as refeições.

Sim, o chá verde continua a oitava maravilha do mundo: aumenta as defesas imunológicas, é repleto de antioxidantes. Mas, assim como café, sorvete e chocolate, atrapalha a absorção de ferro pelo organismo.

Portanto, o recomendado é que o chá verde seja tomado:
- pelo menos meia hora antes da refeição que contém ferro
- pelo menos duas horas depois da refeição que contém ferro

Quem me contou foi uma nutricionista, um dia depois de eu ter sido diagnosticada com uma baixa de ferritina que fez meu cabelo cair loucamente. Mas a culpa é minha mesmo, já que tolamente resolvi seguir o exemplo de uma beldade televisiva que disse que toma chá verde depois do almoço para auxiliar a digestão.

Podia se mirar na Madre Teresa de Calcutá ou no Bill Gates, mas não, foi escutar conselho de Solange Frazão.

Só podia dar nisso.

23.7.07

O Caso da Viagem a Espanha e Portugal

Agora a viagem sai, e em capítulos!

Capítulo I: O Caso da Mala Reduzidíssima (e de Outras Nem Tanto)

Sim, eu e o Leo conseguimos embarcar levando:
A) um mala de roupas de tamanho pequeno, do tipo bagagem de mão, tão cheia que não cabia nem mais um alfinete;
B) outra mala pequena, também de rodinhas, que foi como bagagem de mão, com a maleta do laptop (com o dito-cujo) dentro. Sapatos podem ficar para trás, mas o notebook, para acessar internet wireless (ou uí-fí, como dizem os espanhóis), fazer o resumo do dia e anotar as despesas, não.

Para conseguir esse milagre da ocupação do espaço, dobrei as camisetas do Leo exatamente na largura da mala, usando uma régua. E estávamos contando que, lá pelo meio da viagem, íamos mandar lavar umas roupinhas num hotel (já tínhamos até o preço: 2 euros por peça). Além disso, eu estava levando o lendário vestido infinito, que deveria se multiplicar em vários modelos.

Isso éramos nós. Já meus pais, que foram exaustivamente avisados que o porta-malas do carro, ao contrário do vestido, não é infinito, apareceram com:
A) uma mala de rodinhas de tamanho razoável;
B) uma mala SEM rodinhas média;
C) uma mochila;
D) uma bolsa de mão GRANDE.

Isso depois de eu proibi-los de levar mais de um casaco de frio e dar uma esvaziada geral no que eles iam levando. (Pensando bem, é provável que eles tenham se rebelado e pego de volta as roupas que eu descartei.)

Um dia depois de começarmos a viagem as bagagens dos meus pais já haviam se multiplicado, com diversos itens transferidos para sacolas e bolsas que vieram escondidos dentro das diabas das malas sem rodinha.

O pior era carregar a malaria até os hotéis, porque fizemos reservas em lugares ótimos, muito centrais, e esse tipo de hotel pequeno geralmente não tem garagem. A gente estacionava o carro em uma garagem pública próxima e lá se ia.

A distância nunca era superior a 500 metros, mas tenta caminhar 500 metros sem saber direito onde você está indo, em rua de pedrinha, com um sol de mais de 35 graus na cacunda, carregando duas malas, tenta. Eu e o Leo íamos todos serelepes na frente com nossas duas malas de rodinha e o maleta do laptop em cima de uma delas, e meus pais ficavam para trás com suas bagagens jurássicas. Aí é claro que o Leo ia lá ajudar, e no final, depois de toda sua alegria perante a realização fática da mala reduzidíssima, ele tinha que se encarregar de bagagens jurássicas.

Em Salamanca consegui convencer meus pais a adquirir duas malas novas – de rodinha, é claro – no Carrefour, pela bagatela de 49 euros. Também falei para eles jogarem as malas antigas (literalmente) fora, mas tenho certeza que eles ignoraram. Aposto que voltaram para o Brasil dentro das novas.

19.7.07

O Caso das Delícias

Estou de volta!

Diverti-me muitíssimo na minha viagem a Portugal, Espanha e Paris e comi mais ainda! É porque estou numa fase de experimentações culinárias. Provei um tanto de pratos inéditos e descobri que a coragem geralmente é recompensada com sabores interessantíssimos.

Aí vai a lista das coisas que eu nunca havia comido antes:

Gazpacho (sopa de tomate fria típica do sul da Espanha. É gostosinha.)

Natilla (sobremesa espanhola parecida com um flã de baunilha. É muito boa, principalmente a versão limão)

Veado (delícia!)

Creme de cogumelo (junto com a carne de veado. Ótimo)

Cordeiro (muito forte; não gostei)

Ponche toledano (rocambole de massa esponja, recheio de trufa, cobertura de marzipã e calda de limão. Divino)

Ponche segoviano (bolo de massa esponja com recheio de creme e cobertura de marzipã. Médio)

Pastel de Belém (empadinha de massa folhada recheada com creme amarelo. Achei meia-boca)

Mont Blanc (merengue coberto de massa de castanha portuguesa. Razoável)

Chocolate-quente branco (provavelmente a bebida mais doce que jamais existiu)

Macaron (um doce francês maravilhoso, macio e crocante ao mesmo tempo)

Sorbet de framboesa (lindo e gostoso)

Sorvete de pétalas de rosa (lindo e com gosto de sabonete)

Raclette (queijo derretido acompanhado de batatinhas e frios. É bom, mas o queijo raclette é meio sem gosto)

Tartiflette (batata, bacon, cebola, tudo coberto com queijo derretido. Nhão!)

É oficial: não sou mais uma pessoa enjoada para comer.

24.6.07

O Caso das Férias

Estou de férias do blogue.

Não se preocupem que eu volto já, já.

14.6.07

O Caso do Sapateiro

Descobri um negócio fantástico: o sapateiro.

Você leva pra ele os seus calçados gastos e desbotados, pede para pintar e trocar o salto, paga quinze reais e voilà: um par de sapatos novos.

O que eu levei era lilás e virou preto, mas pretendo ser mais criativa das próximas vezes. Se a gente se distrai, começa com um tanto de sapatos coloridos e alegres termina com todos eles escuros e fúnebres. Tenho é que descobrir quão boa é a cobertura da tinta para sapatos. Duvido que ela consiga transformar sapatos marrom-café em branco-gelo, mas quem sabe chocolate em roxo, oncinha em verde, bege em coral?

Minha próxima vítima será um par caramelo novinho que é sem graça que dói. O plano é deixá-lo vermelho como as botas de Supergirl da minha irmã mais nova. E lembram a bota marrom que foi transformada em preta com ajuda de muita graxa e muque? Também tá na fila.

Com a vantagem de não ir perdendo a cor no meio da viagem e terminar em um degradé suspeitíssimo.

13.6.07

O Caso dos Casais

Outro dia vi na tevê uma psicóloga defendendo a teoria de que único jeito de conservar a paixão nos longos relacionamentos era cada um conservar sua liberdade, inclusive sexual. Fiquei matutando. O problema que eu vejo em casamentos abertos é que, se esposa/marido podem se envolver com outras pessoas, nada impede que elas se apaixonem e abandonem o relacionamento original. E aí, de que adianta ter mantido a paixão?

Vão me dizer que esse risco ocorre até com parceiros fidelíssimos. De fato, até parceiros fidelíssimos podem se sentir atraídos por terceiros. A diferença é que o parceiro fidelíssimo vai evitar as situações que alimentem essa atração, e o casal aberto vai se jogar. O primeiro, que ficou na dele, tem baixíssimas chances de se apaixonar por aquela pessoa que sequer chegou a conhecer direito. O segundo vai se envolver e aí, já viu...

Eu não sei não, mas acho o risco maior que o ganho.

12.6.07

O Caso do Labirinto

Nas asas da faringite e da supergripe, veio um desagradável ataque de labirintite – não muito forte, mas persistente. Aconteceu a mesma coisa no ano passado, só que daquela vez um remedinho leve receitado pelo médico reumatologista (?!?) do pronto-atendimento deu conta. Dessa vez o Labirin não deu nem pra começo de conversa: não fez praticamente nenhum efeito, e ontem o otorrino me lascou quase um mês de Vertizine D, um daqueles remédios cuja bula avisa que você não deve dirigir nem operar veículos pesados.

Como eu não dirijo nem opero veículos pesados, tudo bem. O problema é que a bula também diz que não se deve ingerir álcool durante o tratamento, e eu já estava contando com umas tacinhas de vinho nas férias...

Vou ter que ligar para o médico e negociar.

Fora isso, o Vertizine D é muito bom. Depois de dias meio mareada, estou me sentindo bem. Com um sono, que é um dos efeitos colaterais do remédio, absolutamente incrível, mas fora isso muito bem.

6.6.07

O Caso da Triste Constatação

É: em concursos públicos, ninguém quer saber se você entende de vinhos, se se veste bem, se é um viajante internacional, se é um bom amigo, se fala várias línguas, se se alimenta de maneira saudável, se recita Camões de cor, se está em forma, se tem facilidade com cores, se sabe usar o Google. Não – pra isso eles não ligam a mínima. Eles só querem saber se você domina a matéria da prova, e nem para o fato de sua letra ser bonita dão bola.

Ou seja: em concursos públicos, não importa se você é a Miss Universo ou o Quasímodo, o Pinky ou o Cérebro, se é mais bonito ou mais inteligente que a concorrência. O que importa é saber a maldita matéria da prova!

O que significa que certas pessoas devem se preocupar menos em acompanhar os campeonatos de tênis e mais em estudar Direito do Trabalho.

5.6.07

O Caso do Exame de Sangue

Toda vez que faço exame de sangue é um drama: a pressão cai, o ouvido zumbe, e se eu não me deitar rápido desmaio mesmo.

Acabo de fazer um exame de sangue e nenhuma das alternativas acima ocorreu. Pode ser um ótimo e inesperado efeito colateral da minha nova alimentação saudável, que acaba de completar seis meses. Acho que, como o açúcar no meu sangue anda bem estável, o jejum pré-exame não provocou uma queda absurda da glicose, aquela que deixa as pessoas fraquinhas e trêmulas. Saí do laboratório lépida e fagueira e, apesar das 12 horas sem comer, nem fome eu estava sentindo.

4.6.07

O Caso dos Jogadores de Tênis

Estamos na época do torneio de Roland Garros, o aberto de tênis da França. Passa na tevê a cabo e eu e o Leo acompanhamos. Eu não gostava de assistir a jogos de tênis, porque eu não entendia direito o que estava acontecendo. Depois que o Leo me explicou as regras e eu tive umas aulas, passei a entender não só o jogo mas também o grau de dificuldade dos lances. Fiquei fã.

Eu torço para o Nadal, o espanhol que é um dos melhores jogadores em quadra de saibro de todos os tempos (pelo menos é o que o site dele diz), e o Leo torce para o Federer, o suíço que é um dos melhores jogadores em qualquer tipo de quadra de todos os tempos (pelo menos é o que a imprensa especializada diz). Todos os jogadores de tênis são fregueses do Federer – menos o Nadal.

Eu não tenho nada contra o Federer e até torço para ele de vez em quando, mas o Leo odeia o Nadal com todas as forças. Ele acha o Nadal mascarado, convencido, antipático e feioso. Já eu acho o Nadal animado, dinâmico e persistente.

E gosto das calças capri que ele usa.

1.6.07

O Caso dos Piratas

Na quarta-feira eu fui ver Piratas do Caribe 3 e adorei. O primeiro eu tinha achado legal e o segundo eu detestei, e agora sei a razão que: é porque guardaram todas as idéias boas para o último episódio da trilogia.

* SPOILER* Se você não viu o filme e pretende fazê-lo, não continue lendo!

No final todo mundo se dá bem, menos a personagem da Kiera Knightley, a Elizabeth Swan. Ela se casa com o Legolas e ele, para escapar da morte, vira um pirata amaldiçoado que só vai à terra UM dia a cada DEZ anos.

Se ele tivesse morrido, ela ia chorar, se lamentar, e depois de um ano ou dois descolava outro gatinho e se arranjava com ele. Do jeito que foi, ela não pode arrumar outro hômi, nem ir cuidar da vida, mas tem que ficar esperando o mané bater ponto no porto a cada década. E ela ainda vai envelhecer enquanto ele vive para sempre, jovem e lampeiro.

Em suma: sobrou igual chuchu na janta.

31.5.07

O Caso do Paladar

Devido à gripe dos infernos, meu nariz está entupido desde sábado. Desde então, não sinto cheiro de nada, mas estou conseguindo sentir um pouco do gosto das coisas. Só um pouco, e de maneira bastante bizarra:

- chocolate velho fica com gosto de caramelo
- chá de capim-cidreira fica com gosto de taco mexicano
- chá verde fica com gosto de nada, amargo

Estou aproveitando essa fase de pouco paladar para comer muitas verduras, das quais eu não sou fã, e trocar o maravilhoso filé ao alho do restaurante onde eu almoço por soja ou peito de frango.

Posso não ter olfato, mas sou saudável.

29.5.07

O Caso do Tratamento Alternativo

Eu estava há seis meses sem doença alguma, e aí... primeiro veio a fariginte; duas semanas depois, um gripe me derrubou.

Voltei ontem ao otorrino, que quis me lascar outro antibiótico. Mas eu protestei, porque eu mal tinha acabado de tomar o primeiro. Aí ele me propôs um tratamento alternativo: um remédio descongestionamente, outro que fluidifica secreções do sistema respiratório (nojento, né?) e aplicação de soro fisiológico nariz abaixo, dez mililitros em cada narina, quatro vezes por dia NO MÍNIMO.

Já que era pra escapar do antibiótico, lá fui eu. Garanto a vocês, injetar líqüidos pelo nariz é uma experiência única. Primeiro vem a sensação de que você está se afogando. Depois você descobre que, se não inspirar, o soro não desce (ou seja, você passa a se afogar voluntariamente!). Na terceira aplicação, você se dá conta que se você posicionar a seringa em um ângulo reto em relação ao chão (o que significa que o seu pescoço vai ficar em um ângulo inimaginável, só atingível com a ajuda de uma cama e dois travesseiros artisticamente posicionados), ela encontra o ponto certo e aí o soro vai que é uma beleza. Ainda assim, nada de levantar a cabeça imediatamente após a aplicação: tem que dar umas respiradas para ajudar, ou o soro espirra todo pra fora.

Se o auto-afogamento periódico não funcionar e no final das contas eu tiver que tomar antibiótico, vou ficar danada da vida.

25.5.07

O Caso das Exigências

Segundo uma psicóloga ontem na tevê, tem tanta mulher sozinha porque elas querem um parceiro “plus”: um homem mais velho, mais inteligente, mais rico do que elas. E acho que é verdade: mais de uma amiga já me confessou o mesmo desejo.

Noutros tempos, em que as moças estudavam pouco e só se preparavam para serem donas-de-casa, ficava fácil. Hoje em dia, em que as mulheres concorrem no mercado de trabalho em pé de igualdade com os homens (porque nas faculdades elas já estão em número maior), fica muito difícil. As que estão realmente no topo, então, se tiverem essa visão, vão ter que se resignar a ficarem solteiras.

Não estou dizendo que a mulher deve aceitar qualquer candidato que se apresenta. Só estou falando que a exigência do “plus” é uma bobagem. Fica parecendo que a moça está atrás de uma figura paterna – alguém “superior”, que “cuide dela” – como se ela não fosse adulta, independente e capaz de tomar conta de sua própria vida. Por que o namorado/marido tem de ser mais instruído e mais bem-sucedido do que ela? Sua instrução e sucesso próprios não são suficientes, não? Por que não escolher um homem que esteja em um nível parecido com o dela, ou, melhor ainda, tenha talentos em áreas diferentes?

Observem que os homens não têm tanta frescura para selecionar a esposa. Talvez porque queiram alguém menos alta, menos inteligente, menos rica? Ou talvez porque não a vejam como um prolongamento do seu eu, como tantas mulheres fazem.

24.5.07

O Caso do Vestido Infinito II

E não é que minha mãe fez um vestido infinito para mim?!?

Ele é preto, de malha, e eu já consegui fazer umas duas ou três amarrações realmente boas, do tipo que parece roupa de verdade. As outras ficaram meio desconstruídas, que é até um visual que os estilistas japoneses gostam, mas o vestido pode desmontar no meio do restaurante - um risco que eu não pretendo correr.

O ideal seria usá-lo uma ou duas vezes antes da viagem, para ver se ele não desmancha sozinho. Mas como minha mãe ainda está dando os últimos retoques, fica difícil.

Agora só preciso de mais um item... um sapato infinito!

23.5.07

O Caso da Alta

Estou tristíssima.

Voltei à nutricionista ontem. Ganhei meio quilo, perdi medida de cintura e mantive a mesma com a porcentagem de gordura corporal (21%, que é adequado para a minha idade). A nutricionista ficou satisfeita e me deu alta. Disse que eu já estava reeducada alimentarmente.

Então acabaram os experimentos alimentícios e as novidades exóticas. Não vai ter mais ninguém me apresentando sementes incomuns e dizendo para eu provar derivados da soja.

Agora estou por minha conta. Blé.

22.5.07

O Caso da Descoberta

Vejam só: um bocado de gente (inclusive eu) chama de chá qualquer água quente com folha dentro. Mas não é bem assim, não. Existe uma planta do chá: é a Camellia sinensis, com a qual se faz chá verde e chá preto. Camomila, hortelã, capim-limão e similares não produzem chá estritamente falando, mas infusões, ou chás herbais, ou chás de ervas (como se a tal da Camellia não fosse uma erva, mas tudo bem).

Em suma, o chá é um coleguinha do café: café só se faz com pó de café, e chá só se faz com folha de chá.

Mas é danado, né? Imagina você pedindo ao garçom uma infusão herbal de hortelã.

21.5.07

O Caso do Enjôo

Eu sou a pessoa mais enjoada do mundo.

Qualquer coisa me dá náusea: carro se a estrada tem curva ou quebra-molas; avião se ele sacode um pouquinho; cadeira de balanço; rede; barco; remédio que irrita o estômago; jogo de computador em primeira pessoa; filme no qual a câmera balança; montanha-russa; até elevador, se na hora de parar ele dá aquela balançada.

Já consultei um médico e ele me disse que pulseirinhas que dão choque e braceletes que apertam o pulso não são eficientes. O jeito é tomar Dramim antes de viajar (o que eu faço desde que nasci) e fazer um trabalho de habituar o corpo ao movimento, tomando aulas de balé ou de dança. Mas, considerando que eu fico enjoada com muita freqüência e meu corpinho ainda não se acostumou, ele concordou que a técnica não deve funcionar em mim, não.

O pior é que, como enjôo é uma condição não-mortal, e que pára rapidamente assim que eu desço do veículo em movimento, as pessoas nem ligam para o meu sofrimento.

18.5.07

O Caso da Moda

Ando pensando bastante na moda ultimamente. Por “moda”, entenda-se a maneira que as pessoas se apresentam, e não as últimas tendências.

Roupas e acessórios são uma maneira de se expressar? Ou são uma escravidão à indústria fashion? É fútil se preocupar com a aparência? Faz sentido que a moda, um interesse preponderamente feminino, seja considerado superficial, enquanto o futebol, um interesse preponderamente masculino, não? Porque, no final das contas, ninguém precisa saber dos últimos lançamentos (da estação ou da bola) para viver.

E, já que estamos falando de moda, aproveito para dizer que o blogue thesartorialist.blogspot.com está me dando umas idéias a respeito. Parece-me que, no Brasil, vestir-se bem está intimamente ligado com estar na moda. Se você está usando o que está nas vitrines, você está bem. Já em muitas outras partes do mundo a moda serve como sinalizador, mas as pessoas (pelo menos algumas – as que aparecem no blogue) tentam imprimir sua marca pessoal ao que estão usando.

Sim, eu sei que neste país isso também acontece. Mas o que tenho visto (tudo bem que a minha experiência seja com a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG) são combinações nas quais o indivíduo está tão preocupado em imprimir sua marca pessoal que esquece todo o sentido de cor e proporção. O resultado são uns conjuntos bizarros que não ajudam em nada a aparência de seu portador.

Sim, sim, eu concordo que, nos países ricos, as pessoas têm menos preocupações e muito mais dinheiro para se dedicar ao esporte das roupas. Ainda assim, será que estamos pecando pela falta de criatividade? A tia, taiwanesa legítima, de uma amiga, está passeando aqui no Brasil e disse que o pessoal se veste “muito sem-graça”. O thesartorialist.blogspot confirma.

Ou talvez a questão não seja só pouca imaginação. Aqui por essas bandas, as pessoas tendem a ser muito críticas com aqueles que fogem um pouco do padrão. Quem se veste um pouco diferente recebe olhares tortos. Conseqüentemente a pessoa elegante, que é justamente quem reabilitaria uma maneira de se vestir diferente, mas que sabe que chamar muito a atenção não é coisa de gente elegante, se retrai e passa a usar roupas absolutamente burocráticas.

Então convido você, pessoa elegante que me lê, a sair de sua zona de conforto. Visite o the sartorialist.blogspot, preste atenção nos filmes antigos, escute umas músicas diferentes, passe uns dias digerindo, e depois saia de casa com um visual que ninguém mais no mundo – ou pelo menos na cidade – tem igual. Ignore os olhares curiosos – ou melhor, alegre-se com eles. Estou contando com sua elegância para colocar a individualidade na moda.

16.5.07

O Caso do Leite de Soja

A nutricionista me mandou tomar um copo de leite de soja todos os dias de manhã.

Toda vez que vou ao supermercado, paro na prateleira dos leites de soja, espio o leite de soja puro, o leite de soja com chocolate, perco a coragem, e vou embora de mãos vazias.

O engraçado é que todas as outras coisas que a nutricionista mandou eu adicionar à minha alimentação eu encarei. Mas o leite de soja... o leite de soja...

A única vez que eu tomei leite de soja foi quinze anos atrás, quando uma vizinha disse que a soja que ela estava tomando era o segredo da beleza de sua pele, e eu, toda boba (e já excessivamente vaidosa), aceitei o shake de leite de soja sabor chocolate que ela me ofereceu.

Odiei. O pior é que a vizinha me deu um copo grande cheio da gororoba, que eu tive que tomar todo para não fazer falta de educação.

(Em retrospecto, fico pensando se a vizinha era realmente generosa ou simplesmente queria ajuda para se livrar do estoque de shakes de soja. Mas eu divago.)

Na sexta-feira uma colega de trabalho de carga genética puramente oriental (os pais dela não são nem naturalizados) trouxe um pouco de leite de soja, que ela, particularmente, acha delicioso. Me enchi de de coragem, estendi o copo e pedi para ela servir. E tomei tudo (só que dessa vez fui mais esperta e só deixei botar meio copo).

Achei o gosto do leite de soja igual ao cheiro da água do arroz. Isso, em si, é gerenciável. Mas tem alguma coisa na textura... ou um sabor subliminar... um fator que eu não consigo identificar (e também não vou tomar de novo para tentar) que gruda na língua e é horrível, horrível mesmo.

Talvez os genes da minha colega a protejam de sentir esse gosto abominável. Eu o sinto em todo seu esplendor, e vou bater um papinho amigo com a minha nutricionista, porque o tal do leite de soja, riquíssima fonte de proteína sem gordura e sem colesterol, não rolou, não.

15.5.07

O Caso da Faringite

Infelizmente, a doença venceu a guerra. Ou pelo menos várias batalhas. Na hora do vamovê, meu novo e melhorado sistema imunológico saiu correndo sem nem dar tchau.

Sexta-feira: como a garganta e o corpo estavam doendo demais, baixei no Pronto-Atendimento do hospital. Aposto que eles estavam com saudades de mim. O médico diagnosticou uma infecção de garganta virótica, e receitou remédio contra a dor e pastilhas. Gabei-me de não precisar de antibióticos (o Leo precisou).

Sábado: a dor do corpo e da garganta melhoraram, mas desenvolvi uma reação adversa aos remédios e fui parar no Pronto-Atendimento de novo, com uma náusea insuportável e o estômago doendo. Fiquei horas por lá, tomando soro e Dramin na veia. A náusea demorou tanto tempo para passar que o médico estava querendo me internar. No final das contas, me deram Plasil, que fiz efeito, e fui liberada com a garganta e o estômago doendo, mas sem enjôo.

Domingo: a garganta continuou doendo muito. Fiz cinco gargarejos com água e sal e Flogoral (antisséptico e anestésico). Ela nem deu bola.

Segunda-feira: fui ao otorrino. Ele diagnosticou bactérias na infecção de garganta, e me lascou um antibiótico daqueles assustadores.

Resumo da ópera: sistema imunológico? Que sistema imunológico?

11.5.07

O Caso da Doença

Toda vez que eu fico doente, o Leo acaba ficando, e vice-versa: é o único ponto negativo de morar na mesma casa e viver grudado.

Dessa vez ele teve uma infecção de garganta brava, dessas que exigem antibióticos cavalares. Fiquei me gabando de não ter pego a danada, mas ontem fiz a bobagem de tomar água no mesmo copo dele (ele já tinha praticamente terminado de tomar os antibióticos cavalares! Estava recuperado!) e hoje acordei com o corpo todo doendo e a garganta incomodando.

Ok: na verdade, meu corpo está doendo faz uma semana. Achei que fosse por causa das mudanças e tensões no trabalho, mas agora estou vendo que era um aviso para eu ficar quieta e repousar enquanto meu organismo combatia a doença.

Como não dei bola, ela resolveu atacar com força total, bem na véspera do fim-de-semana, como as doenças costumam fazer.

Mas não me dou por vencida: fiz gargarejo com água e sal, estou tomando litros de chá verde bem quentinho, e já extraí da minha chefe a promessa de me trazer um pouco de gengibre, que ela disse que é *ótimo* para a garganta.

Vamos ver quem vence a guerra: a doença ou eu.

10.5.07

O Caso da Chatice

Às vezes eu acho que sou meio chata, e depois desconfio que esse fato não impede ninguém de ter amigos. Eu mesma tenho uma amiga que tem certeza que é o centro do universo. Em quase toda conversa ela interrompe o que você está falando para despejar as idéias dela. Mais irritante ainda, inverte qualquer discussão entre um número maior de pessoas para o lado dela, ainda que não tenha o menor conhecimento ou experiência no assunto. Ela simplesmente anuncia: “se EU estivesse pensando em pular de pára-quedas, bláblábláblá”. Além disso, é impossível desabafar com ela, porque você começa a contar os seus problemas e ela te corta com os problemas dela, o que ela está fazendo para resolver, o que ela está sentindo a respeito etc. etc.

Ainda assim, sou amiga dela. Ou seja: nada impede que outras pessoas sejam amigas do meu meio chato ser.

9.5.07

O Caso das Lojas Populares

Fui traída por minha própria pão-durice.

No domingo passado fui ao BH Shopping. Devia ter rumado logo para as lojas boas, mas não, decidi dar uma paradinha na Renner.

Saí de lá com uma camisa de listras azuis lindinha. Ela não foi muito barata – 50 reais – mas na Siberian Husk ela custaria o dobro – ou o triplo.

O problema é que, depois de ter cortado as etiquetas, percebi:
1) o quarto botão (de pressão) foi colocado mais alto do que devia, e em conseqüência o tecido faz uma ruga;
2) há manchas amarelo-limão perto dos botões – provavelmente indicando o lugar em que eles deviam ter sido pregados, mas não foram;
3) as partes de baixo dos botões de pressão foram arrancadas e colocadas de novo – há manchas azuis e marcas redondas para provar, mas pelo menos essas ficam escondidas;
4) há no mínimo três linhas corridas.

Eu sou uma pessoa observadora, mas o ambiente da Renner é todo feito para você não conseguir prestar atenção. Vejam só:
1) roupas ficam comprimidas em araras;
2) o provador tem uma iluminação mais ou menos e poucos espelhos;
3) sempre há muitas pessoas se acotovelando na loja, o que faz com que você queira sair de lá rápido.

Não me resta nada a fazer a não ser ir lá e pedir meu dinheiro de volta. Que é claro que não vão me dar.

O máximo que vai acontecer, depois de muito choro, ranger de dentes e referências vociferantes ao código de defesa do consumidor, é me concederem um crédito de 50 reais em mais peças mal-ajambradas e manchadas da mesma loja.

8.5.07

O Caso dos Juniores

Me desculpem os Filhos e Netos, mas esse negócio de botar o nome do pai no filho e/ou no neto é de uma baranguice e de uma falta de criatividade indesculpáveis.

O primeiro problema é o estrago que o nome repetido deve fazer na psique da criança, que cresce carregando a carga de ser um xerox do ascendente. O segundo é a confusão que os nomes dobrados criam na família, e que se resolve chamando o infeliz de “Juninho”, “Netinho” e “Filhinho”. Ou seja: no final das contas, batizar o menino de Adelino Barbosa para perpetuar o nome não adiantou nada, porque ele vai ser conhecido como “Júnior” mesmo.

O mais engraçado é que, de maneira geral, os nomes dos Jrs., Filhos e Netos são horrendos. Nunca vi um Carlos Eduardo Oliveira Filho. O que rola são as Guiomares Soares Netas e os Fleudes Matos Júniors.

Talvez isso aconteça porque os donos dos nomes feios querem companhia no clube dos donos de nomes feios. Ou é vingança, sei lá.

O que eu sei é que meus filhos não vão ser Ludmilas, nem Leonardos, nem qualquer combinação dos dois. No máximo uma Laurinha, e olhe lá.

7.5.07

O Caso da Saúde

O Leo pegou uma dor de garganta tão forte na quinta-feira que até o ouvido estava doendo.

Submeti-o a remédios contra resfriado, doses gigantes de chá verde e gargarejos com água e sal, mas não diantou: na sexta ele foi parar no Pronto-Atendimento do hospital mais próximo de nossa casa, um lugar ao qual eu já fui umas seis vezes desde que mudei para cá (virose, labirintite, virose, sinusite, gripão e dedo machucado).

Há muitos meses não freqüento o Pronto-Atendimento, e isso me deixa felicíssima. Quer dizer que a alimentação saudável que eu tenho praticado realmente tem efeitos sobre o organismo, reforçando as defesas imunológicas e evitando o desenvolvimento de doenças.

O Leo tomou direitinho os remédios recomendados pelo médico e está quase 100%. Eu dei uns espirros no final-de-semana, e foi só.

4.5.07

O Caso da Promovoção (Promoção de Ovos de Páscoa)

Foi minha irmã Isabela que descobriu: no Verde Mar, em BH, você não só compra um ovo de Gianduia ou Alpino Tripla Camada por 35 reais (o preço original era 60), como também leva outro de graça!

Minha ambição era adquirir logo quatro ou seis, mas vi logo que estava exagerando. No meu ritmo de 15 gramas por dia eu ia gastar um ano pra dovorá-los (isto é, devorar os ovos). E chocolate, ao contrário dos bons vinhos, não envelhece bem.

Contentei-me em me associar com uma amiga e ficar com apenas um ovo: o Alpino Tripla Camada. Segundo a embalagem, entre uma camada e outra tem CREME DE ALPINO, um negócio que acho que deve ser a oitava maravilha terrestre.

Então o plano é este: no ano que vem, não compro nem um ovo de Páscoa antes da data. Espero passar e, no dia seguinte, baixo lá no Verde Mar com a carteira recheada e disposição para adquirir pelo menos quatro deliciovos.

3.5.07

O Caso das Roupas Largas

O Leo estava andando com calças de sultão e eu parecendo uma odalisca, de tão largas que as nossas roupas estavam. Eu emagreci só um pouquinho, mas como minhas roupas são certas no corpo, fez diferença. Já o Leo emagreceu um poucão.

Eu resolvi o meu problema desenterrando roupas da época da faculdade (a primeira). O Leo resolveu o dele comprando duas calças jeans, já que ele tem um tanto de camisas que agora servem, porque as pessoas da minha família, que é toda de gente pequena, sempre dão roupas apertadas pra ele nas ocasiões festivas (principalmente minha mãe. Meu pai mede 1,70 e ela acha que ele é um homem alto).

Mal posso esperar para o emagrecimento do Leo terminar e eu poder comprar para ele um monte de roupas lindas e novas.

Não preciso nem dizer que, quando anunciei essa minha pretensão, ele quase desistiu de emagrecer.

2.5.07

O Caso do Sapatinho de Viagem III

Comprei mais um sapatinho para a viagem – sim, é o terceiro. Evidentemente, só vou poder levar um – o que melhor se adaptar às condições climáticas e ao meu guarda-roupa. Claro, nenhum deles até agora é inteiramente perfeito.

Estou chegando à triste conclusão que, em se tratando de sapatos, beleza e conforto são mutuamente excludentes. Porque, vejam bem, o conforto em questão não é aquele que permite que você trabalhe o dia inteiro com o par de sapatos e chegue em casa feliz. Não, não. O conforto que eu estou buscando é aquele que garante que você caminhe o dia inteirinho, durante um mês, e chegue ao final do dia com pernas e pés doendo de maneira apenas razoável, resolvível por uma boa noite de sono (e talvez um Dorflex).

Tentei resolver o problema adquirindo uma palmilha de silicone caríssima. Ela é grossa (como não poderia deixar de ser, para absorver o impacto), e aí meus sapatos ficam apertados. Fui à loja e troquei a palmilha inteira por uma apenas para a parte da frente, o que melhorou a situação, mas não eliminou o fato de que ela tem uma textura alegremente viscosa, que dá a impressão que suas solas estão cheias de gelatina. Sim, eu sei que um par de meias resolveria o caso, mas se eu quisesse usar meias usaria um tênis feio logo de uma vez.

O novo sapatinho de viagem é uma sapatilha ouro velho com uma fitinha marrom. Ela é realmente macia, mas 1) é meio difícil de combinar; 2) depois de um dia inteiro as plantas dos pés doem um pouquinho.

Em suma, sou a orgulhosa possuidora de três sapatos de viagem, quais sejam: 1) um All Star que me deixa parecendo um personagem da turma da Mônica; 2) uma sapatilha vermelha de borracha que combina com tudo mas não absorve a transpiração; 3) uma sapatilha ouro velho que não bate com quase nada do meu guarda-roupa.

Acho que vou INVENTAR um sapato de viagem decente, cobrar royalties e ficar riquíssima.

27.4.07

O Caso da Moda de Rua

Ontem descobri mais uma diversão na minha vida: os blogues de moda de rua. Tem um monte, e eles se dedicam a documentar com fotografias o que as pessoas comuns vestem pelo mundo.

Nos blogues em que naveguei, dá de tudo. Há um bando de gente na Finlândia que liga muito para o que usa e faz combinações originais – ainda que não nessariamente elegantes. Em Lisboa tem um turminha danada, que também gosta muito de roupa de segunda mão. De Paris não descobri ainda um blogue de fashion street decente – mas há de existir um em algum lugar.

O meu preferido, longe, é thersartorialist.blogspot.com (sem o www). Nele, um americano posta só fotos de gente usando roupas que ele acha dignas de nota. Para completar, as fotos são de ótima qualidade e, como o moço é do mundo da moda e viaja pelo mundo, tem elegantes de Nova York, Paris, Milão...

Conclusões:
1) os italianos e italianas são lindos E se vestem bem pra burro. Afe!
2) Nova-iorquinas chiques e francesas idem usam vestidinhos de verão de grife com sandálias havainas pretas ou marrons. Brasil!

26.4.07

O Caso da Viagem por Conta Própria X Excursão

Numa excursão, guias e motoristas altamente treinados te levam pela mão aos pontos turísticos mais badalados. Você não tem que se preocupar com nada – só em botar a mala para fora do quarto na hora certa para o carregador levar. Não há perigo da reserva do hotel sumir, nem do ônibus se perder entre uma cidade à outra, nem de chegar numa segunda-feira ao museu que você mais queria visitar e descobrir que ele está fechado. Se você não fala nada da língua do lugar que está visitando, nunca foi ao exterior, odeia surpresas, e/ou acha que férias são para ser mimado, uma excursão é uma boa opção.

O contra da excursão é que, claro, todo esses serviços têm um preço (e ele não é baixo, até porque o lucro da empresa de turismo vem embutido). Além disso, em uma viagem em grupo você está sempre esperando algo ou alguém (no check-in do hotel, porque são 20 ou 30 hóspedes; para reunir a turma depois de um passeio; ao sair do hotel pela manhã).

Fazer a viagem por contra própria significa que você está por sua conta e risco no exterior. Se a bateria do carro arriar na garagem do hotel, se fecharam a estação de metrô com você dentro, se a rua do hotel que você reservou está inacessível por causa de uma reforma, se o vôo atrasa horas e horas (sim, tudo isso já aconteceu), não tem pra onde correr. O jeito é se virar – o que acabando gerando histórias engraçadíssimas depois que o sufoco passa.

Por outro lado, você tem liberdade de horários e de escolhas; pode ficar um dia na cidade de onde veio seu bisavô; pode parar no meio da estrada numa vilazinha que achou simpática; pode detestar de cara uma capital badalada e puxar o carro no mesmo dia.

Uma viagem por sua conta pode ficar bem mais barata do que uma excursão, ainda que você fique em hotéis melhores! Só que, para isso, você tem que estar disposto a gastar um item valioso: tempo. Para pesquisar destinos, ler críticas, ir a sites, escolher hotéis, traçar rotas, programar atividades e fechar a passagem e a estadia com meses de antecedência. Se você curte – como eu e o Leo curtimos –, a viagem começa meses antes de acontecer. Se você odeia, é melhor embarcar logo numa excursão e gastar as horas e horas de pesquisa fazendo hora-extra. Se bobear, no final você sai no lucro.

Na verdade, você não é obrigado a optar só por um deles para sempre. É possível combinar as duas espécies: várias capitais da Europa por conta própria, e no final uma excursãozinha pelo Vale do Loire, como fez uma amiga minha; ou, como a minha irmã, ir independentemente aos lugares em que você fala um pouco da língua e embarcar num grupo para conhecer a Rússia.

25.4.07

O Caso de Como Economizar para a Viagem dos seus Sonhos (a pedidos)

Acredito piamente que o dinheiro gasto em viagens é uma das granas mais bem-gastas do mundo. Uma viagem dos sonhos pode mudar sua maneira de ver o mundo - depois dela você nunca mais será o mesmo. E, ao contrário de um carro novo ou uma casa nova (que podem ser roubados ou pegar fogo), as lembranças da viagem permanecem para sempre (a não ser que você bata a cabeça e perca a memória permanentemente, mas as chances disso isso acontecer são mínimas).

Dito isso, a questão é juntar a grana. A maior parte das pessoas, quando decide economizar, guarda o dinheirinho que sobra no fim do mês, quando sobra algum. Nesse ritmo, demora anos, se é que chega a algum lugar, o que desanima qualquer um.

Os economistas dizem que os recursos são limitados e os desejos, ilimitados. Ou seja: não dá para ter tudo que se quer tudo ao mesmo tempo agora (a não ser que você seja o Ermírio de Moraes, mas parece que ele trabalha 14 horas por dia, então não tem tempo pra viajar mesmo).

É necessário fazer escolhas. Se você quer passar um mês na Europa, e seu salário não permite guardar 500 reais todo mês E comprar uma bolsa (ou um jogo novo pro X-Box ou outro som para o carro) de 500 reais, o jeito é escolher (lembrando que a bolsa ou o jogo podem sair de moda, mas saltitar às margens do Sena nunca sairá). Bote na cabeça que o fundo para a viagem é uma despesa fixa mensal, e separe o dinheiro dele logo após pagar as contas necessárias à sobrevivência.

Dá dor no coração não trocar o celular pelo modelo mais moderno? Dá. Mas é só visualizar a si mesmo num campo de tulipas na Holanda, fazendo um boneco de neve em Bariloche ou tirando foto com o Mickey Mouse que a dor passa na hora. Garanto.

Se por um lado você junta dinheiro, por outro lado há maneiras de garantir que a viagem saia o mais em conta possível. A primeira delas é ir na baixa temporada, porque a passagem e a estadia estarão mais baratas. A segunda é viajar por conta própria, porque aí você não arca com o lucro da companhia que monta a excursão.

Essa última questão é polêmica. Fica para o próximo post.

24.4.07

O Caso dos 500

Este é o 500o post do blogue.

Agradeço a todos que de qualquer maneira, direta ou indiretamente, dolosa ou culposamente, querendo, sem querer ou sem querer querendo, sensata ou insensatamente, contribuíram para o sucesso desta página e suas várias meia-dúzias de acessos diários; ao meu marido, à minha mãe, ao meus pai, à irmã mais velha, à irmã mais nova, a minhas tias-avós, a meus futuros sobrinhos, ao cachorro, ao papagaio, às pulgas do cachorro e do papagaio, à internet, ao blogger, ao google, a meus amigos, a meus inimigos, salvemos Ouro Preto!

23.4.07

O Caso dos Laços Familiares

Eu e minha mãe temos um relacionamento algo complicado. Geralmente está tudo muito bem, e aí ela vai e pumba!, faz um comentário (geralmente uma crítica) que me deixa irritadíssima ou muito magoada.

Várias pessoas já me disseram que é bobagem minha. Que eu não devo deixar que simples comentários me afetem. Poxa, mas se você não liga para o que sua própria mãe diz, vai ligar pra quê?

Pra piorar, minha mãe é uma daquelas pessoas de óóótimo coração, do tipo que se preocupa se os parentes velhinhos estão recebendo a devida atenção e acolhe em casa familiares que passaram por cirurgias complicadas e portanto terão que ser mimados durante semanas.

Então, toda vez que ela faz uma de suas críticas mortais, eu fico achando que ela é a mocinha da história e eu, claro, só posso ser a vilã.

20.4.07

O Caso dos Sucos

O Leo deu uma olhada na programação alimentar e não botou muita fé, porque ela é cheia de sucos de frutas, e eu

1) não sou fã de suco de frutas

2) recorrendo aos sucos de caixinha, a meio litro de suco por dia a conta no final do mês vai ficar alta.

Ele tinha razão. Quando vi o preço de um mísero litro, fiquei chocada. Tão chocada que (eu, a menos doméstica das pessoas!) comprei laranjas e um espremedor para produzir meu próprio suco (sob o olhar de total descrença do Leo). Isso quando as laranjas amadurecerem, porque elas estão um bocado verdes.

Entretanto, como sei que a variedade é a alma do negócio, controlei a pão-durice. Na quarta-feira fomos a três supermercados para eu me equipar. Comprei um suco de uva (o mais barato, hohohoho) e um suco de soja sabor pêssego (a nutricionista queria leite de soja, mas ainda não tive coragem, e ela disse que o suco também valia).

Os sucos são doces que dói, mas gostosinhos. O de soja tem uma aparência embaçada, e o sabor da boneca Pesseguinho da Turma da Moranguinho (não perguntem). Infelizmente li o rótulo e descobri que tem pouquíssima proteína. Acho que vou ter que me conformar com a idéia do leite de soja.

Também comprei geléia de morango, biscoito integral salgado e gergelim. O gergelim é gostosinho e crocante. O biscoito é ótimo! Até melhor do que o cream cracker comum. A geléia a nutricionista quer que eu passe no biscoito, mas uma das coisas que eu mais odeio na vida é misturar doce e salgado. A solução foi comer os biscoitos a seco e depois uma colherada da geléia de morango. Que é mais uma do time das coisas horrivelmente doces, mas tenho certeza de que me acostumo!

Então está indo tudo muito bem, até porque toda essa glicose que eu estou consumindo está me deixando de óóótimo humor.

19.4.07

O Caso da Mudança

Estão querendo transformar o escritório aqui numa filial de menor importância.

Os executivos graduados ficaram em polvorosa, porque provavelmente serão enviados para outra cidade.

Estão se movimentando para impedir a modificação. Até tentaram me aliciar para o protesto.

Mas eu, que ganho metade do que eles ganham e não corro risco de ser transferida, não tô ligando a mínima.

Quero mais é que o escritório seja reduzido, o serviço diminua e o mundo acabe em barranco pra eu morrer encostada.

18.4.07

O Caso da Alimentação Oficial

Ontem voltei à nutricionista e ela me passou um programa alimentar lindinho. Nem teve aveia e linhaça; de exótico, só o leite de soja (também pode ser o suco) e gergelim (fonte de cálcio). A lista está cheia de coisinhas gostosas, como geléia de frutas, iogurte e minhas mini-pizzas de torrada integral, que ela disse que são muito nutritivas. Até chocolate tem (15 g, que é uma quantidade minúscula, e só porque eu pedi pelo amor de deus. Mas que tem, tem)!

A boa notícia é que minha porcentagem de gordura corporal está em 21, adequada para a minha idade (e menor do que os 22% que consegui na academia). A má é que a nutricionista acha que eu estou muito preocupada com as gorduras e açúcares da minha alimentação, e é para eu relaxar.

Então tá.

17.4.07

O Caso da Roupa Nova do Imperador

O Leo está precisando de roupa. O Leo odeia comprar roupa.

Durante muito tempo, ele resolveu o problema pedindo camisas de natal e de aniversário. Infelizmente, agora ele precisa é de calças.

No sábado, fui autorizada a ir com ele comprá-las, mas tive que obedecer às seguintes diretivas:

1) ser rápida, objetiva e direta;

2) dizer “sim” ou “não” para as roupas que ele experimentar e pronto;

3) não chamar a vendedora pra ver a roupa nele;

4) não ficar detalhando para o vendedor a razão pela qual a peça não agradou;

5) não confraternizar com a vendedora;

6) não ficar explicando ao vendedor a razão, o evento ou a necessidade que motivou a compra.

O engraçado é que eu achei que eu não fazia nenhuma dessas coisas, mas na loja tive que me segurar para não fazer muitas delas!

No fim das contas, as regras resultaram em uma compra rapidíssima e praticamente indolor.

Acho que vou adotá-las.

13.4.07

O Caso da Soja

Descobri que no restaurante onde eu almoço tem carne de soja. Acho que era soja refogada com pimentão (vou perguntar). Tinha cara de carne moída, o que muito me animou. Aparências e texturas familiares me reconfortam.

Obedecendo ao princípio do “Experimenta, e poderás gostar”, assim como a seu corolário “Misturado no arroz e feijão, quase tudo desce”, botei uma colher de sopa no meu prato e fui palpitante para a mesa.

Quer saber de uma coisa? É gostosinho! Ainda não posso dizer que agora conheço o gosto da soja, porque a peçonha do pimentão tinha passado toda para ela, mas achei o sabor do prato muito aceitável.

Conclusão: já que comer boi vegetal ralado todo dia vai me deixar bem-nutrida, saudável e dispensando reposição hormonal num futuro distante, encaro numa boa.

12.4.07

O Caso da Ovoliação (= Avaliação dos Ovos de Páscoa)

Serenata de Amor: chocolate ao leite com pedacinhos crocantes. Sabor encorpado, com toques de castanha. Ótima safra.


Chokito: chocolate ao leite com flocos de arroz, coberto com uma fina camada de caramelo. Ovo alegre e volátil, de acentuada doçura.


Diamante Negro: chocolate ao leite com os pedacinhos crocantes. Aroma envolvente e bom contraste entre texturas.



Crunch: chocolate ao leite com flocos de arroz. Um ovo jovem e despretensioso. Acompanha bem ocasiões informais.



Alpino: delicado mas com personalidade. Buquê sedutor. Um clássico.


Confetti duas cores: chocolate ao leite e chocolate branco salpicados de mini-confettis. Textura interessante, mas composição desequilibrada pelo excesso de açúcar.



Laka: chocolate branco. Consistência aveludada e cremosa. Buquê simples, mas eficiente, com toques de baunilha.



Sonho de Valsa: chocolate ao leite coberto com camada do recheio do bombom. Encorpado e vigoroso, satisfaz os paladares mais exigentes.

11.4.07

O Caso da Nutrição

Ontem fui à nutricionista, e foi ótimo. Ela sabia tudo sobre a equação do metabolismo basal, o chá verde e as propriedades funcionais dos alimentos.
Preenchi um longuíssimo questionário com os meus hábitos alimentares, minhas condições de saúde e as comidas que eu odeio. Ela perguntou se eu estaria disposta a incluir na alimentação aveia, soja e granola, e eu confessei que nunca tinha comido nenhuma delas, mas estava disposta a experimentar. Sou muito enjoada pra comer, mas depois de ter descoberto que adoro pão integral e chá, fiquei mais aventureira.
A nutricionista disse que minha alimentação estava boa e equilibrada, mas que eu podia incluir mais frutas, por causa das vitaminas (que hoje em dia eu supro com um multi-vitamínico) e variar um pouco o cardápio, para não enjoar (é aí que entram a aveia, a soja e a granola).
Fui pesada, medida e beliscada com o adipômetro. Na semana que vem eu volto lá, para ela me contar minha porcentagem de gordura corporal e me entregar uma dieta (não no sentido de restrição de calorias, mas no sentido de prescrição alimentar) feita especialmente para mim.
Perguntei se ao entrar na academia seria necessário mudar a dieta. Ela disse que nesse caso eu deveria retornar, e ela faria alterações para potencializar o ganho de massa magra sem aumentar a massa gorda, além de indicar os alimentos adequados para antes e depois do treino.
Um sucesso, essa nutricionista!

10.4.07

O Caso da Inglaterra

Hoje está chovendo por aqui. O céu está cinzento e triste, as ruas estão molhadas e vazias e o ar está gelado.
É incrível como um copo de chá quentinho contrabalança todos esses abatedores de ânimo. Ele aquece as mãos, a garganta e a barriguinha, deixando a baixa temperatura ambiente agradável. Os vapores que sobem dele hidratam o sistema respiratório. O aroma de mato faz lembra que o sol existe (e eventualmente aparecerá).
Sim, agora eu entendo os ingleses, moradores daquela ilha úmida, e o fato de eles acharem que uma boa xícara de chá é praticamente uma panacéia universal.
Acho que eles têm razão.

5.4.07

O Caso da Teoria Pascal

Estou com uma teoria de que ovos de Páscoa são tão absurdamente caros não só porque a indústria chocolateira sabe o público os espera avidamente, e não só porque a forma especial e a embalagem também não são baratas. Havendo provado alguns deliciovos, minha conclusão é que, para que o chocolate suporte permanecer em forma de ovo, é necessário alguma modificação em sua composição. Essa mudança deve ser o aumento da massa de cacau, que é o ingrediente mais caro, e isso gera não só um aumento no preço como também na qualidade, para minha grande alegria gustativa.

Pretendo recolher mais dados objetivos para sustentar minha teoria na segunda-feira, em que farei um rolê pelos supermercados daqui para ver se há deliciovos em promoção. Planejo fazer um estoque.

Tudo em nome da ciência, é claro.

4.4.07

O Caso do Tempo

Que horror: o primeiro trimestre do ano já acabou. O tempo realmente parece passar mais rápido à medida que a gente envelhece. Conheço duas teorias para explicar o fato:

1ª teoria (produzida por um amigo doidão): para uma criança de 1 anos, um mês é 1/12 da vida dela. Uma eternidade. Para uma moça de 30, um mês é 1/360 da minha vida. Uma ninharia.

2ª teoria (produzida pela ciência): o cérebro humano tem um mecanismo para evitar superlotação: todas as vezes que você vê/aprende/percebe uma coisa nova, ele registra com detalhes. Quando a coisa é batida, ele nem fixa. Você se lembra a maneira exata com que pescou a chave dentro da bolsa e trancou a porta? Pois é, fica automático. Mas, para uma criança, tudo é novidade.

Gosto muito da segunda teoria, que também explica porque, quando você viaja para um lugar diferente ou muda de emprego, o tempo parece demorar mais a passar. Mas provavelmente a realidade é uma soma das duas, mais de uma terceira e quarta teorias que ainda não me ocorreram.

3.4.07

O Caso do Incentivo

O Leo me incentiva a evitar programas aos quais eu não estou com vontade de ir, a ignorar sugestões que não me agradam, a só fazer o que eu gosto. Em suma, ele deixa a minha vida mais fácil.

Já eu incentivo o Leo a voltar para faculdade e se matricular em dez matérias de uma vez, a seguir uma dieta rigorosa e a fazer concursos. Em suma, eu deixo a vida dele mais difícil.

Mas, convenhamos, mais interessante.

2.4.07

O Caso da Ação Direta de Inconstitucionalidade

Lembram-se da monografia sobre o arrolamento no processo fiscal?

Pois é, o STF estava julgando a constitucionalidade dele numa ADI que se arrasta desde 1999. Duas semanas após eu entregar a monografia, o STF decidiu finalmente produzir uma decisão E considerou o arrolamento fiscal inconstitucional.

Toda a utilidade da minha monografia (se é que tinha alguma!) caiu por terra.

E ela nem foi corrigida ainda!

30.3.07

O Caso dos 300

Mensageiro persa: “O rei Xerxes exige que vocês entreguem uma oferenda de terra e água.”
Rei de Esparta (jogando o mensageiro no poço): “Tem bastante terra e água aí embaixo.”

Capitão persa: “Nossa flechas cobrirão o sol!”
Soldado de Esparta: “Ótimo. Combateremos à sombra.”

Rei Xerxes: “Ajoelhe-se e pouparei seu povo.”
Rei de Esparta: “Eu até me ajoelharia, mas esse negócio de massacrar um batalhão inteiro do seu exército hoje de manhã me deu uma câimbra danada na perna.”

Capitão persa: “Entreguem suas armas!”
Voa uma lança das linhas espartanas e perfura o cara.

Sim, as respostas malcriadas são a melhor razão para assistir a “Os 300 de Esparta”.

29.3.07

O Caso dos Lanchinhos de Viagem

Tive uma de minhas ótimas idéias (aquelas que depois de um exame detalhado se revelam retardadas): levar na viagem à Península Ibérica uns lanchinhos gostosos e de baixo índice glicêmico e distribuí-los fartamente entre as principais refeições para não deixar o açúcar no sangue da galera bater no pé durante ou depois de uma sucessão interminável de obras de arte/trezentos degraus até o topo de uma torre de igreja/quilômetros e quilômetros percorridos a pé no centro histórico. O plano é manter todo mundo alimentado e bem-humorado o tempo todo, o que elevará em muito o nível de contentamento da tripulação. Afinal, não há alegria viajora que resista se você está morrendo de fome/sede/calor, e a única coisa que consegue entender no cardápio são os preços de vários dígitos em euro.

Descartei de cara Nutry e biscoitinhos do tipo Club Social porque são enganação: têm muita gordura ou muito carboidrato simples, e praticamente nada de fibra ou vitamina. Descobri que damascos secos e amendoins têm baixo índice glicêmico e um tanto bom de calorias, ideal para fornecer energia na hora daqueles trezentos degraus.

Aí comecei a fazer contas: 30 g de amendoim ou 6 damascos secos... vezes 4 pessoas... vezes 28 dias... Resultado: eu teria que levar na mala mais de 3 quilos de amendoins e quase 700 damascos!



Larguei mão.

28.3.07

O Caso da Comida

Sempre fui enjoada pra comer. Eu era aquela criança magrelinha, esmirrada, que os pais tinham que pedir pelo amor de deus para vir almoçar. Nunca comi tomate. Strogonoff, só fui experimentar depois dos doze anos. Não gostava de verdura, legume, fruta (fora jabuticaba), e da maioria dos doces e salgados também. É um mistério que eu não tenha morrido de desnutrição.

Com a idade, fiquei um pouco menos enjoada. Depois que cresci e pude adquirir minhas próprias refeições, descobri que chocolate, sorvete, pão-de-queijo e pizza são alimentos agradabílissimos.

Agora que fiquei saudável, estou enjoada de novo. É verdade que encaro uns verdes folhosos menos repelentes, consumo uns legumes crus, e acho que diversas frutas – fora jaca. E caju. E mamão – são até gostosinhas. Mas não como mais pão de farinha refinada, bolo, biscoito, salgadinhos fritos e doces em geral (fora o chocolate, é claro). É que essas comidas não são funcionais, e com meu novo paladar desentoxicado de açúcar, nem tão gostosas. Então eu dispenso.

Isso deixa a minha avó, que sempre tem coca-cola, pasteizinhos fritos e torta de abacaxi em casa e gosta de alimentar os netos, desesperada.

PS 1: Isso não quer dizer que na minha festa de aniversário vou só servir água gelada, chá sem açúcar e sanduíches de pão integral com requeijão light. Não, não. Para os convidados vai ter também sorvete de soja.
PS 2: Brincadeirinha!

27.3.07

O Caso dos Pães

Eu como um pão de forma integral metido a besta e mais caro do que os normais. Demorei a me acostumar com o gosto, e ele também tem um tanto de calorias razoável, mas enfim – é carboidrato complexo e tem fibras, certo?

O Leo come um pão de forma light de farinha branca refinada. Como tudo que é feito de farinha branca refinada, ele é delicioso. Cada fatia tem quase metade das calorias do meu, mas enfim – é um produto sem valor nutricional algum, certo?

Errado. Comparei os rótulos e fiquei chocada: o pãozinho bobo do Leo tem quase o dobro de fibras por porção!

Boba sou eu.