27.4.07

O Caso da Moda de Rua

Ontem descobri mais uma diversão na minha vida: os blogues de moda de rua. Tem um monte, e eles se dedicam a documentar com fotografias o que as pessoas comuns vestem pelo mundo.

Nos blogues em que naveguei, dá de tudo. Há um bando de gente na Finlândia que liga muito para o que usa e faz combinações originais – ainda que não nessariamente elegantes. Em Lisboa tem um turminha danada, que também gosta muito de roupa de segunda mão. De Paris não descobri ainda um blogue de fashion street decente – mas há de existir um em algum lugar.

O meu preferido, longe, é thersartorialist.blogspot.com (sem o www). Nele, um americano posta só fotos de gente usando roupas que ele acha dignas de nota. Para completar, as fotos são de ótima qualidade e, como o moço é do mundo da moda e viaja pelo mundo, tem elegantes de Nova York, Paris, Milão...

Conclusões:
1) os italianos e italianas são lindos E se vestem bem pra burro. Afe!
2) Nova-iorquinas chiques e francesas idem usam vestidinhos de verão de grife com sandálias havainas pretas ou marrons. Brasil!

26.4.07

O Caso da Viagem por Conta Própria X Excursão

Numa excursão, guias e motoristas altamente treinados te levam pela mão aos pontos turísticos mais badalados. Você não tem que se preocupar com nada – só em botar a mala para fora do quarto na hora certa para o carregador levar. Não há perigo da reserva do hotel sumir, nem do ônibus se perder entre uma cidade à outra, nem de chegar numa segunda-feira ao museu que você mais queria visitar e descobrir que ele está fechado. Se você não fala nada da língua do lugar que está visitando, nunca foi ao exterior, odeia surpresas, e/ou acha que férias são para ser mimado, uma excursão é uma boa opção.

O contra da excursão é que, claro, todo esses serviços têm um preço (e ele não é baixo, até porque o lucro da empresa de turismo vem embutido). Além disso, em uma viagem em grupo você está sempre esperando algo ou alguém (no check-in do hotel, porque são 20 ou 30 hóspedes; para reunir a turma depois de um passeio; ao sair do hotel pela manhã).

Fazer a viagem por contra própria significa que você está por sua conta e risco no exterior. Se a bateria do carro arriar na garagem do hotel, se fecharam a estação de metrô com você dentro, se a rua do hotel que você reservou está inacessível por causa de uma reforma, se o vôo atrasa horas e horas (sim, tudo isso já aconteceu), não tem pra onde correr. O jeito é se virar – o que acabando gerando histórias engraçadíssimas depois que o sufoco passa.

Por outro lado, você tem liberdade de horários e de escolhas; pode ficar um dia na cidade de onde veio seu bisavô; pode parar no meio da estrada numa vilazinha que achou simpática; pode detestar de cara uma capital badalada e puxar o carro no mesmo dia.

Uma viagem por sua conta pode ficar bem mais barata do que uma excursão, ainda que você fique em hotéis melhores! Só que, para isso, você tem que estar disposto a gastar um item valioso: tempo. Para pesquisar destinos, ler críticas, ir a sites, escolher hotéis, traçar rotas, programar atividades e fechar a passagem e a estadia com meses de antecedência. Se você curte – como eu e o Leo curtimos –, a viagem começa meses antes de acontecer. Se você odeia, é melhor embarcar logo numa excursão e gastar as horas e horas de pesquisa fazendo hora-extra. Se bobear, no final você sai no lucro.

Na verdade, você não é obrigado a optar só por um deles para sempre. É possível combinar as duas espécies: várias capitais da Europa por conta própria, e no final uma excursãozinha pelo Vale do Loire, como fez uma amiga minha; ou, como a minha irmã, ir independentemente aos lugares em que você fala um pouco da língua e embarcar num grupo para conhecer a Rússia.

25.4.07

O Caso de Como Economizar para a Viagem dos seus Sonhos (a pedidos)

Acredito piamente que o dinheiro gasto em viagens é uma das granas mais bem-gastas do mundo. Uma viagem dos sonhos pode mudar sua maneira de ver o mundo - depois dela você nunca mais será o mesmo. E, ao contrário de um carro novo ou uma casa nova (que podem ser roubados ou pegar fogo), as lembranças da viagem permanecem para sempre (a não ser que você bata a cabeça e perca a memória permanentemente, mas as chances disso isso acontecer são mínimas).

Dito isso, a questão é juntar a grana. A maior parte das pessoas, quando decide economizar, guarda o dinheirinho que sobra no fim do mês, quando sobra algum. Nesse ritmo, demora anos, se é que chega a algum lugar, o que desanima qualquer um.

Os economistas dizem que os recursos são limitados e os desejos, ilimitados. Ou seja: não dá para ter tudo que se quer tudo ao mesmo tempo agora (a não ser que você seja o Ermírio de Moraes, mas parece que ele trabalha 14 horas por dia, então não tem tempo pra viajar mesmo).

É necessário fazer escolhas. Se você quer passar um mês na Europa, e seu salário não permite guardar 500 reais todo mês E comprar uma bolsa (ou um jogo novo pro X-Box ou outro som para o carro) de 500 reais, o jeito é escolher (lembrando que a bolsa ou o jogo podem sair de moda, mas saltitar às margens do Sena nunca sairá). Bote na cabeça que o fundo para a viagem é uma despesa fixa mensal, e separe o dinheiro dele logo após pagar as contas necessárias à sobrevivência.

Dá dor no coração não trocar o celular pelo modelo mais moderno? Dá. Mas é só visualizar a si mesmo num campo de tulipas na Holanda, fazendo um boneco de neve em Bariloche ou tirando foto com o Mickey Mouse que a dor passa na hora. Garanto.

Se por um lado você junta dinheiro, por outro lado há maneiras de garantir que a viagem saia o mais em conta possível. A primeira delas é ir na baixa temporada, porque a passagem e a estadia estarão mais baratas. A segunda é viajar por conta própria, porque aí você não arca com o lucro da companhia que monta a excursão.

Essa última questão é polêmica. Fica para o próximo post.

24.4.07

O Caso dos 500

Este é o 500o post do blogue.

Agradeço a todos que de qualquer maneira, direta ou indiretamente, dolosa ou culposamente, querendo, sem querer ou sem querer querendo, sensata ou insensatamente, contribuíram para o sucesso desta página e suas várias meia-dúzias de acessos diários; ao meu marido, à minha mãe, ao meus pai, à irmã mais velha, à irmã mais nova, a minhas tias-avós, a meus futuros sobrinhos, ao cachorro, ao papagaio, às pulgas do cachorro e do papagaio, à internet, ao blogger, ao google, a meus amigos, a meus inimigos, salvemos Ouro Preto!

23.4.07

O Caso dos Laços Familiares

Eu e minha mãe temos um relacionamento algo complicado. Geralmente está tudo muito bem, e aí ela vai e pumba!, faz um comentário (geralmente uma crítica) que me deixa irritadíssima ou muito magoada.

Várias pessoas já me disseram que é bobagem minha. Que eu não devo deixar que simples comentários me afetem. Poxa, mas se você não liga para o que sua própria mãe diz, vai ligar pra quê?

Pra piorar, minha mãe é uma daquelas pessoas de óóótimo coração, do tipo que se preocupa se os parentes velhinhos estão recebendo a devida atenção e acolhe em casa familiares que passaram por cirurgias complicadas e portanto terão que ser mimados durante semanas.

Então, toda vez que ela faz uma de suas críticas mortais, eu fico achando que ela é a mocinha da história e eu, claro, só posso ser a vilã.

20.4.07

O Caso dos Sucos

O Leo deu uma olhada na programação alimentar e não botou muita fé, porque ela é cheia de sucos de frutas, e eu

1) não sou fã de suco de frutas

2) recorrendo aos sucos de caixinha, a meio litro de suco por dia a conta no final do mês vai ficar alta.

Ele tinha razão. Quando vi o preço de um mísero litro, fiquei chocada. Tão chocada que (eu, a menos doméstica das pessoas!) comprei laranjas e um espremedor para produzir meu próprio suco (sob o olhar de total descrença do Leo). Isso quando as laranjas amadurecerem, porque elas estão um bocado verdes.

Entretanto, como sei que a variedade é a alma do negócio, controlei a pão-durice. Na quarta-feira fomos a três supermercados para eu me equipar. Comprei um suco de uva (o mais barato, hohohoho) e um suco de soja sabor pêssego (a nutricionista queria leite de soja, mas ainda não tive coragem, e ela disse que o suco também valia).

Os sucos são doces que dói, mas gostosinhos. O de soja tem uma aparência embaçada, e o sabor da boneca Pesseguinho da Turma da Moranguinho (não perguntem). Infelizmente li o rótulo e descobri que tem pouquíssima proteína. Acho que vou ter que me conformar com a idéia do leite de soja.

Também comprei geléia de morango, biscoito integral salgado e gergelim. O gergelim é gostosinho e crocante. O biscoito é ótimo! Até melhor do que o cream cracker comum. A geléia a nutricionista quer que eu passe no biscoito, mas uma das coisas que eu mais odeio na vida é misturar doce e salgado. A solução foi comer os biscoitos a seco e depois uma colherada da geléia de morango. Que é mais uma do time das coisas horrivelmente doces, mas tenho certeza de que me acostumo!

Então está indo tudo muito bem, até porque toda essa glicose que eu estou consumindo está me deixando de óóótimo humor.

19.4.07

O Caso da Mudança

Estão querendo transformar o escritório aqui numa filial de menor importância.

Os executivos graduados ficaram em polvorosa, porque provavelmente serão enviados para outra cidade.

Estão se movimentando para impedir a modificação. Até tentaram me aliciar para o protesto.

Mas eu, que ganho metade do que eles ganham e não corro risco de ser transferida, não tô ligando a mínima.

Quero mais é que o escritório seja reduzido, o serviço diminua e o mundo acabe em barranco pra eu morrer encostada.

18.4.07

O Caso da Alimentação Oficial

Ontem voltei à nutricionista e ela me passou um programa alimentar lindinho. Nem teve aveia e linhaça; de exótico, só o leite de soja (também pode ser o suco) e gergelim (fonte de cálcio). A lista está cheia de coisinhas gostosas, como geléia de frutas, iogurte e minhas mini-pizzas de torrada integral, que ela disse que são muito nutritivas. Até chocolate tem (15 g, que é uma quantidade minúscula, e só porque eu pedi pelo amor de deus. Mas que tem, tem)!

A boa notícia é que minha porcentagem de gordura corporal está em 21, adequada para a minha idade (e menor do que os 22% que consegui na academia). A má é que a nutricionista acha que eu estou muito preocupada com as gorduras e açúcares da minha alimentação, e é para eu relaxar.

Então tá.

17.4.07

O Caso da Roupa Nova do Imperador

O Leo está precisando de roupa. O Leo odeia comprar roupa.

Durante muito tempo, ele resolveu o problema pedindo camisas de natal e de aniversário. Infelizmente, agora ele precisa é de calças.

No sábado, fui autorizada a ir com ele comprá-las, mas tive que obedecer às seguintes diretivas:

1) ser rápida, objetiva e direta;

2) dizer “sim” ou “não” para as roupas que ele experimentar e pronto;

3) não chamar a vendedora pra ver a roupa nele;

4) não ficar detalhando para o vendedor a razão pela qual a peça não agradou;

5) não confraternizar com a vendedora;

6) não ficar explicando ao vendedor a razão, o evento ou a necessidade que motivou a compra.

O engraçado é que eu achei que eu não fazia nenhuma dessas coisas, mas na loja tive que me segurar para não fazer muitas delas!

No fim das contas, as regras resultaram em uma compra rapidíssima e praticamente indolor.

Acho que vou adotá-las.

13.4.07

O Caso da Soja

Descobri que no restaurante onde eu almoço tem carne de soja. Acho que era soja refogada com pimentão (vou perguntar). Tinha cara de carne moída, o que muito me animou. Aparências e texturas familiares me reconfortam.

Obedecendo ao princípio do “Experimenta, e poderás gostar”, assim como a seu corolário “Misturado no arroz e feijão, quase tudo desce”, botei uma colher de sopa no meu prato e fui palpitante para a mesa.

Quer saber de uma coisa? É gostosinho! Ainda não posso dizer que agora conheço o gosto da soja, porque a peçonha do pimentão tinha passado toda para ela, mas achei o sabor do prato muito aceitável.

Conclusão: já que comer boi vegetal ralado todo dia vai me deixar bem-nutrida, saudável e dispensando reposição hormonal num futuro distante, encaro numa boa.

12.4.07

O Caso da Ovoliação (= Avaliação dos Ovos de Páscoa)

Serenata de Amor: chocolate ao leite com pedacinhos crocantes. Sabor encorpado, com toques de castanha. Ótima safra.


Chokito: chocolate ao leite com flocos de arroz, coberto com uma fina camada de caramelo. Ovo alegre e volátil, de acentuada doçura.


Diamante Negro: chocolate ao leite com os pedacinhos crocantes. Aroma envolvente e bom contraste entre texturas.



Crunch: chocolate ao leite com flocos de arroz. Um ovo jovem e despretensioso. Acompanha bem ocasiões informais.



Alpino: delicado mas com personalidade. Buquê sedutor. Um clássico.


Confetti duas cores: chocolate ao leite e chocolate branco salpicados de mini-confettis. Textura interessante, mas composição desequilibrada pelo excesso de açúcar.



Laka: chocolate branco. Consistência aveludada e cremosa. Buquê simples, mas eficiente, com toques de baunilha.



Sonho de Valsa: chocolate ao leite coberto com camada do recheio do bombom. Encorpado e vigoroso, satisfaz os paladares mais exigentes.

11.4.07

O Caso da Nutrição

Ontem fui à nutricionista, e foi ótimo. Ela sabia tudo sobre a equação do metabolismo basal, o chá verde e as propriedades funcionais dos alimentos.
Preenchi um longuíssimo questionário com os meus hábitos alimentares, minhas condições de saúde e as comidas que eu odeio. Ela perguntou se eu estaria disposta a incluir na alimentação aveia, soja e granola, e eu confessei que nunca tinha comido nenhuma delas, mas estava disposta a experimentar. Sou muito enjoada pra comer, mas depois de ter descoberto que adoro pão integral e chá, fiquei mais aventureira.
A nutricionista disse que minha alimentação estava boa e equilibrada, mas que eu podia incluir mais frutas, por causa das vitaminas (que hoje em dia eu supro com um multi-vitamínico) e variar um pouco o cardápio, para não enjoar (é aí que entram a aveia, a soja e a granola).
Fui pesada, medida e beliscada com o adipômetro. Na semana que vem eu volto lá, para ela me contar minha porcentagem de gordura corporal e me entregar uma dieta (não no sentido de restrição de calorias, mas no sentido de prescrição alimentar) feita especialmente para mim.
Perguntei se ao entrar na academia seria necessário mudar a dieta. Ela disse que nesse caso eu deveria retornar, e ela faria alterações para potencializar o ganho de massa magra sem aumentar a massa gorda, além de indicar os alimentos adequados para antes e depois do treino.
Um sucesso, essa nutricionista!

10.4.07

O Caso da Inglaterra

Hoje está chovendo por aqui. O céu está cinzento e triste, as ruas estão molhadas e vazias e o ar está gelado.
É incrível como um copo de chá quentinho contrabalança todos esses abatedores de ânimo. Ele aquece as mãos, a garganta e a barriguinha, deixando a baixa temperatura ambiente agradável. Os vapores que sobem dele hidratam o sistema respiratório. O aroma de mato faz lembra que o sol existe (e eventualmente aparecerá).
Sim, agora eu entendo os ingleses, moradores daquela ilha úmida, e o fato de eles acharem que uma boa xícara de chá é praticamente uma panacéia universal.
Acho que eles têm razão.

5.4.07

O Caso da Teoria Pascal

Estou com uma teoria de que ovos de Páscoa são tão absurdamente caros não só porque a indústria chocolateira sabe o público os espera avidamente, e não só porque a forma especial e a embalagem também não são baratas. Havendo provado alguns deliciovos, minha conclusão é que, para que o chocolate suporte permanecer em forma de ovo, é necessário alguma modificação em sua composição. Essa mudança deve ser o aumento da massa de cacau, que é o ingrediente mais caro, e isso gera não só um aumento no preço como também na qualidade, para minha grande alegria gustativa.

Pretendo recolher mais dados objetivos para sustentar minha teoria na segunda-feira, em que farei um rolê pelos supermercados daqui para ver se há deliciovos em promoção. Planejo fazer um estoque.

Tudo em nome da ciência, é claro.

4.4.07

O Caso do Tempo

Que horror: o primeiro trimestre do ano já acabou. O tempo realmente parece passar mais rápido à medida que a gente envelhece. Conheço duas teorias para explicar o fato:

1ª teoria (produzida por um amigo doidão): para uma criança de 1 anos, um mês é 1/12 da vida dela. Uma eternidade. Para uma moça de 30, um mês é 1/360 da minha vida. Uma ninharia.

2ª teoria (produzida pela ciência): o cérebro humano tem um mecanismo para evitar superlotação: todas as vezes que você vê/aprende/percebe uma coisa nova, ele registra com detalhes. Quando a coisa é batida, ele nem fixa. Você se lembra a maneira exata com que pescou a chave dentro da bolsa e trancou a porta? Pois é, fica automático. Mas, para uma criança, tudo é novidade.

Gosto muito da segunda teoria, que também explica porque, quando você viaja para um lugar diferente ou muda de emprego, o tempo parece demorar mais a passar. Mas provavelmente a realidade é uma soma das duas, mais de uma terceira e quarta teorias que ainda não me ocorreram.

3.4.07

O Caso do Incentivo

O Leo me incentiva a evitar programas aos quais eu não estou com vontade de ir, a ignorar sugestões que não me agradam, a só fazer o que eu gosto. Em suma, ele deixa a minha vida mais fácil.

Já eu incentivo o Leo a voltar para faculdade e se matricular em dez matérias de uma vez, a seguir uma dieta rigorosa e a fazer concursos. Em suma, eu deixo a vida dele mais difícil.

Mas, convenhamos, mais interessante.

2.4.07

O Caso da Ação Direta de Inconstitucionalidade

Lembram-se da monografia sobre o arrolamento no processo fiscal?

Pois é, o STF estava julgando a constitucionalidade dele numa ADI que se arrasta desde 1999. Duas semanas após eu entregar a monografia, o STF decidiu finalmente produzir uma decisão E considerou o arrolamento fiscal inconstitucional.

Toda a utilidade da minha monografia (se é que tinha alguma!) caiu por terra.

E ela nem foi corrigida ainda!