31.5.07

O Caso do Paladar

Devido à gripe dos infernos, meu nariz está entupido desde sábado. Desde então, não sinto cheiro de nada, mas estou conseguindo sentir um pouco do gosto das coisas. Só um pouco, e de maneira bastante bizarra:

- chocolate velho fica com gosto de caramelo
- chá de capim-cidreira fica com gosto de taco mexicano
- chá verde fica com gosto de nada, amargo

Estou aproveitando essa fase de pouco paladar para comer muitas verduras, das quais eu não sou fã, e trocar o maravilhoso filé ao alho do restaurante onde eu almoço por soja ou peito de frango.

Posso não ter olfato, mas sou saudável.

29.5.07

O Caso do Tratamento Alternativo

Eu estava há seis meses sem doença alguma, e aí... primeiro veio a fariginte; duas semanas depois, um gripe me derrubou.

Voltei ontem ao otorrino, que quis me lascar outro antibiótico. Mas eu protestei, porque eu mal tinha acabado de tomar o primeiro. Aí ele me propôs um tratamento alternativo: um remédio descongestionamente, outro que fluidifica secreções do sistema respiratório (nojento, né?) e aplicação de soro fisiológico nariz abaixo, dez mililitros em cada narina, quatro vezes por dia NO MÍNIMO.

Já que era pra escapar do antibiótico, lá fui eu. Garanto a vocês, injetar líqüidos pelo nariz é uma experiência única. Primeiro vem a sensação de que você está se afogando. Depois você descobre que, se não inspirar, o soro não desce (ou seja, você passa a se afogar voluntariamente!). Na terceira aplicação, você se dá conta que se você posicionar a seringa em um ângulo reto em relação ao chão (o que significa que o seu pescoço vai ficar em um ângulo inimaginável, só atingível com a ajuda de uma cama e dois travesseiros artisticamente posicionados), ela encontra o ponto certo e aí o soro vai que é uma beleza. Ainda assim, nada de levantar a cabeça imediatamente após a aplicação: tem que dar umas respiradas para ajudar, ou o soro espirra todo pra fora.

Se o auto-afogamento periódico não funcionar e no final das contas eu tiver que tomar antibiótico, vou ficar danada da vida.

25.5.07

O Caso das Exigências

Segundo uma psicóloga ontem na tevê, tem tanta mulher sozinha porque elas querem um parceiro “plus”: um homem mais velho, mais inteligente, mais rico do que elas. E acho que é verdade: mais de uma amiga já me confessou o mesmo desejo.

Noutros tempos, em que as moças estudavam pouco e só se preparavam para serem donas-de-casa, ficava fácil. Hoje em dia, em que as mulheres concorrem no mercado de trabalho em pé de igualdade com os homens (porque nas faculdades elas já estão em número maior), fica muito difícil. As que estão realmente no topo, então, se tiverem essa visão, vão ter que se resignar a ficarem solteiras.

Não estou dizendo que a mulher deve aceitar qualquer candidato que se apresenta. Só estou falando que a exigência do “plus” é uma bobagem. Fica parecendo que a moça está atrás de uma figura paterna – alguém “superior”, que “cuide dela” – como se ela não fosse adulta, independente e capaz de tomar conta de sua própria vida. Por que o namorado/marido tem de ser mais instruído e mais bem-sucedido do que ela? Sua instrução e sucesso próprios não são suficientes, não? Por que não escolher um homem que esteja em um nível parecido com o dela, ou, melhor ainda, tenha talentos em áreas diferentes?

Observem que os homens não têm tanta frescura para selecionar a esposa. Talvez porque queiram alguém menos alta, menos inteligente, menos rica? Ou talvez porque não a vejam como um prolongamento do seu eu, como tantas mulheres fazem.

24.5.07

O Caso do Vestido Infinito II

E não é que minha mãe fez um vestido infinito para mim?!?

Ele é preto, de malha, e eu já consegui fazer umas duas ou três amarrações realmente boas, do tipo que parece roupa de verdade. As outras ficaram meio desconstruídas, que é até um visual que os estilistas japoneses gostam, mas o vestido pode desmontar no meio do restaurante - um risco que eu não pretendo correr.

O ideal seria usá-lo uma ou duas vezes antes da viagem, para ver se ele não desmancha sozinho. Mas como minha mãe ainda está dando os últimos retoques, fica difícil.

Agora só preciso de mais um item... um sapato infinito!

23.5.07

O Caso da Alta

Estou tristíssima.

Voltei à nutricionista ontem. Ganhei meio quilo, perdi medida de cintura e mantive a mesma com a porcentagem de gordura corporal (21%, que é adequado para a minha idade). A nutricionista ficou satisfeita e me deu alta. Disse que eu já estava reeducada alimentarmente.

Então acabaram os experimentos alimentícios e as novidades exóticas. Não vai ter mais ninguém me apresentando sementes incomuns e dizendo para eu provar derivados da soja.

Agora estou por minha conta. Blé.

22.5.07

O Caso da Descoberta

Vejam só: um bocado de gente (inclusive eu) chama de chá qualquer água quente com folha dentro. Mas não é bem assim, não. Existe uma planta do chá: é a Camellia sinensis, com a qual se faz chá verde e chá preto. Camomila, hortelã, capim-limão e similares não produzem chá estritamente falando, mas infusões, ou chás herbais, ou chás de ervas (como se a tal da Camellia não fosse uma erva, mas tudo bem).

Em suma, o chá é um coleguinha do café: café só se faz com pó de café, e chá só se faz com folha de chá.

Mas é danado, né? Imagina você pedindo ao garçom uma infusão herbal de hortelã.

21.5.07

O Caso do Enjôo

Eu sou a pessoa mais enjoada do mundo.

Qualquer coisa me dá náusea: carro se a estrada tem curva ou quebra-molas; avião se ele sacode um pouquinho; cadeira de balanço; rede; barco; remédio que irrita o estômago; jogo de computador em primeira pessoa; filme no qual a câmera balança; montanha-russa; até elevador, se na hora de parar ele dá aquela balançada.

Já consultei um médico e ele me disse que pulseirinhas que dão choque e braceletes que apertam o pulso não são eficientes. O jeito é tomar Dramim antes de viajar (o que eu faço desde que nasci) e fazer um trabalho de habituar o corpo ao movimento, tomando aulas de balé ou de dança. Mas, considerando que eu fico enjoada com muita freqüência e meu corpinho ainda não se acostumou, ele concordou que a técnica não deve funcionar em mim, não.

O pior é que, como enjôo é uma condição não-mortal, e que pára rapidamente assim que eu desço do veículo em movimento, as pessoas nem ligam para o meu sofrimento.

18.5.07

O Caso da Moda

Ando pensando bastante na moda ultimamente. Por “moda”, entenda-se a maneira que as pessoas se apresentam, e não as últimas tendências.

Roupas e acessórios são uma maneira de se expressar? Ou são uma escravidão à indústria fashion? É fútil se preocupar com a aparência? Faz sentido que a moda, um interesse preponderamente feminino, seja considerado superficial, enquanto o futebol, um interesse preponderamente masculino, não? Porque, no final das contas, ninguém precisa saber dos últimos lançamentos (da estação ou da bola) para viver.

E, já que estamos falando de moda, aproveito para dizer que o blogue thesartorialist.blogspot.com está me dando umas idéias a respeito. Parece-me que, no Brasil, vestir-se bem está intimamente ligado com estar na moda. Se você está usando o que está nas vitrines, você está bem. Já em muitas outras partes do mundo a moda serve como sinalizador, mas as pessoas (pelo menos algumas – as que aparecem no blogue) tentam imprimir sua marca pessoal ao que estão usando.

Sim, eu sei que neste país isso também acontece. Mas o que tenho visto (tudo bem que a minha experiência seja com a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG) são combinações nas quais o indivíduo está tão preocupado em imprimir sua marca pessoal que esquece todo o sentido de cor e proporção. O resultado são uns conjuntos bizarros que não ajudam em nada a aparência de seu portador.

Sim, sim, eu concordo que, nos países ricos, as pessoas têm menos preocupações e muito mais dinheiro para se dedicar ao esporte das roupas. Ainda assim, será que estamos pecando pela falta de criatividade? A tia, taiwanesa legítima, de uma amiga, está passeando aqui no Brasil e disse que o pessoal se veste “muito sem-graça”. O thesartorialist.blogspot confirma.

Ou talvez a questão não seja só pouca imaginação. Aqui por essas bandas, as pessoas tendem a ser muito críticas com aqueles que fogem um pouco do padrão. Quem se veste um pouco diferente recebe olhares tortos. Conseqüentemente a pessoa elegante, que é justamente quem reabilitaria uma maneira de se vestir diferente, mas que sabe que chamar muito a atenção não é coisa de gente elegante, se retrai e passa a usar roupas absolutamente burocráticas.

Então convido você, pessoa elegante que me lê, a sair de sua zona de conforto. Visite o the sartorialist.blogspot, preste atenção nos filmes antigos, escute umas músicas diferentes, passe uns dias digerindo, e depois saia de casa com um visual que ninguém mais no mundo – ou pelo menos na cidade – tem igual. Ignore os olhares curiosos – ou melhor, alegre-se com eles. Estou contando com sua elegância para colocar a individualidade na moda.

16.5.07

O Caso do Leite de Soja

A nutricionista me mandou tomar um copo de leite de soja todos os dias de manhã.

Toda vez que vou ao supermercado, paro na prateleira dos leites de soja, espio o leite de soja puro, o leite de soja com chocolate, perco a coragem, e vou embora de mãos vazias.

O engraçado é que todas as outras coisas que a nutricionista mandou eu adicionar à minha alimentação eu encarei. Mas o leite de soja... o leite de soja...

A única vez que eu tomei leite de soja foi quinze anos atrás, quando uma vizinha disse que a soja que ela estava tomando era o segredo da beleza de sua pele, e eu, toda boba (e já excessivamente vaidosa), aceitei o shake de leite de soja sabor chocolate que ela me ofereceu.

Odiei. O pior é que a vizinha me deu um copo grande cheio da gororoba, que eu tive que tomar todo para não fazer falta de educação.

(Em retrospecto, fico pensando se a vizinha era realmente generosa ou simplesmente queria ajuda para se livrar do estoque de shakes de soja. Mas eu divago.)

Na sexta-feira uma colega de trabalho de carga genética puramente oriental (os pais dela não são nem naturalizados) trouxe um pouco de leite de soja, que ela, particularmente, acha delicioso. Me enchi de de coragem, estendi o copo e pedi para ela servir. E tomei tudo (só que dessa vez fui mais esperta e só deixei botar meio copo).

Achei o gosto do leite de soja igual ao cheiro da água do arroz. Isso, em si, é gerenciável. Mas tem alguma coisa na textura... ou um sabor subliminar... um fator que eu não consigo identificar (e também não vou tomar de novo para tentar) que gruda na língua e é horrível, horrível mesmo.

Talvez os genes da minha colega a protejam de sentir esse gosto abominável. Eu o sinto em todo seu esplendor, e vou bater um papinho amigo com a minha nutricionista, porque o tal do leite de soja, riquíssima fonte de proteína sem gordura e sem colesterol, não rolou, não.

15.5.07

O Caso da Faringite

Infelizmente, a doença venceu a guerra. Ou pelo menos várias batalhas. Na hora do vamovê, meu novo e melhorado sistema imunológico saiu correndo sem nem dar tchau.

Sexta-feira: como a garganta e o corpo estavam doendo demais, baixei no Pronto-Atendimento do hospital. Aposto que eles estavam com saudades de mim. O médico diagnosticou uma infecção de garganta virótica, e receitou remédio contra a dor e pastilhas. Gabei-me de não precisar de antibióticos (o Leo precisou).

Sábado: a dor do corpo e da garganta melhoraram, mas desenvolvi uma reação adversa aos remédios e fui parar no Pronto-Atendimento de novo, com uma náusea insuportável e o estômago doendo. Fiquei horas por lá, tomando soro e Dramin na veia. A náusea demorou tanto tempo para passar que o médico estava querendo me internar. No final das contas, me deram Plasil, que fiz efeito, e fui liberada com a garganta e o estômago doendo, mas sem enjôo.

Domingo: a garganta continuou doendo muito. Fiz cinco gargarejos com água e sal e Flogoral (antisséptico e anestésico). Ela nem deu bola.

Segunda-feira: fui ao otorrino. Ele diagnosticou bactérias na infecção de garganta, e me lascou um antibiótico daqueles assustadores.

Resumo da ópera: sistema imunológico? Que sistema imunológico?

11.5.07

O Caso da Doença

Toda vez que eu fico doente, o Leo acaba ficando, e vice-versa: é o único ponto negativo de morar na mesma casa e viver grudado.

Dessa vez ele teve uma infecção de garganta brava, dessas que exigem antibióticos cavalares. Fiquei me gabando de não ter pego a danada, mas ontem fiz a bobagem de tomar água no mesmo copo dele (ele já tinha praticamente terminado de tomar os antibióticos cavalares! Estava recuperado!) e hoje acordei com o corpo todo doendo e a garganta incomodando.

Ok: na verdade, meu corpo está doendo faz uma semana. Achei que fosse por causa das mudanças e tensões no trabalho, mas agora estou vendo que era um aviso para eu ficar quieta e repousar enquanto meu organismo combatia a doença.

Como não dei bola, ela resolveu atacar com força total, bem na véspera do fim-de-semana, como as doenças costumam fazer.

Mas não me dou por vencida: fiz gargarejo com água e sal, estou tomando litros de chá verde bem quentinho, e já extraí da minha chefe a promessa de me trazer um pouco de gengibre, que ela disse que é *ótimo* para a garganta.

Vamos ver quem vence a guerra: a doença ou eu.

10.5.07

O Caso da Chatice

Às vezes eu acho que sou meio chata, e depois desconfio que esse fato não impede ninguém de ter amigos. Eu mesma tenho uma amiga que tem certeza que é o centro do universo. Em quase toda conversa ela interrompe o que você está falando para despejar as idéias dela. Mais irritante ainda, inverte qualquer discussão entre um número maior de pessoas para o lado dela, ainda que não tenha o menor conhecimento ou experiência no assunto. Ela simplesmente anuncia: “se EU estivesse pensando em pular de pára-quedas, bláblábláblá”. Além disso, é impossível desabafar com ela, porque você começa a contar os seus problemas e ela te corta com os problemas dela, o que ela está fazendo para resolver, o que ela está sentindo a respeito etc. etc.

Ainda assim, sou amiga dela. Ou seja: nada impede que outras pessoas sejam amigas do meu meio chato ser.

9.5.07

O Caso das Lojas Populares

Fui traída por minha própria pão-durice.

No domingo passado fui ao BH Shopping. Devia ter rumado logo para as lojas boas, mas não, decidi dar uma paradinha na Renner.

Saí de lá com uma camisa de listras azuis lindinha. Ela não foi muito barata – 50 reais – mas na Siberian Husk ela custaria o dobro – ou o triplo.

O problema é que, depois de ter cortado as etiquetas, percebi:
1) o quarto botão (de pressão) foi colocado mais alto do que devia, e em conseqüência o tecido faz uma ruga;
2) há manchas amarelo-limão perto dos botões – provavelmente indicando o lugar em que eles deviam ter sido pregados, mas não foram;
3) as partes de baixo dos botões de pressão foram arrancadas e colocadas de novo – há manchas azuis e marcas redondas para provar, mas pelo menos essas ficam escondidas;
4) há no mínimo três linhas corridas.

Eu sou uma pessoa observadora, mas o ambiente da Renner é todo feito para você não conseguir prestar atenção. Vejam só:
1) roupas ficam comprimidas em araras;
2) o provador tem uma iluminação mais ou menos e poucos espelhos;
3) sempre há muitas pessoas se acotovelando na loja, o que faz com que você queira sair de lá rápido.

Não me resta nada a fazer a não ser ir lá e pedir meu dinheiro de volta. Que é claro que não vão me dar.

O máximo que vai acontecer, depois de muito choro, ranger de dentes e referências vociferantes ao código de defesa do consumidor, é me concederem um crédito de 50 reais em mais peças mal-ajambradas e manchadas da mesma loja.

8.5.07

O Caso dos Juniores

Me desculpem os Filhos e Netos, mas esse negócio de botar o nome do pai no filho e/ou no neto é de uma baranguice e de uma falta de criatividade indesculpáveis.

O primeiro problema é o estrago que o nome repetido deve fazer na psique da criança, que cresce carregando a carga de ser um xerox do ascendente. O segundo é a confusão que os nomes dobrados criam na família, e que se resolve chamando o infeliz de “Juninho”, “Netinho” e “Filhinho”. Ou seja: no final das contas, batizar o menino de Adelino Barbosa para perpetuar o nome não adiantou nada, porque ele vai ser conhecido como “Júnior” mesmo.

O mais engraçado é que, de maneira geral, os nomes dos Jrs., Filhos e Netos são horrendos. Nunca vi um Carlos Eduardo Oliveira Filho. O que rola são as Guiomares Soares Netas e os Fleudes Matos Júniors.

Talvez isso aconteça porque os donos dos nomes feios querem companhia no clube dos donos de nomes feios. Ou é vingança, sei lá.

O que eu sei é que meus filhos não vão ser Ludmilas, nem Leonardos, nem qualquer combinação dos dois. No máximo uma Laurinha, e olhe lá.

7.5.07

O Caso da Saúde

O Leo pegou uma dor de garganta tão forte na quinta-feira que até o ouvido estava doendo.

Submeti-o a remédios contra resfriado, doses gigantes de chá verde e gargarejos com água e sal, mas não diantou: na sexta ele foi parar no Pronto-Atendimento do hospital mais próximo de nossa casa, um lugar ao qual eu já fui umas seis vezes desde que mudei para cá (virose, labirintite, virose, sinusite, gripão e dedo machucado).

Há muitos meses não freqüento o Pronto-Atendimento, e isso me deixa felicíssima. Quer dizer que a alimentação saudável que eu tenho praticado realmente tem efeitos sobre o organismo, reforçando as defesas imunológicas e evitando o desenvolvimento de doenças.

O Leo tomou direitinho os remédios recomendados pelo médico e está quase 100%. Eu dei uns espirros no final-de-semana, e foi só.

4.5.07

O Caso da Promovoção (Promoção de Ovos de Páscoa)

Foi minha irmã Isabela que descobriu: no Verde Mar, em BH, você não só compra um ovo de Gianduia ou Alpino Tripla Camada por 35 reais (o preço original era 60), como também leva outro de graça!

Minha ambição era adquirir logo quatro ou seis, mas vi logo que estava exagerando. No meu ritmo de 15 gramas por dia eu ia gastar um ano pra dovorá-los (isto é, devorar os ovos). E chocolate, ao contrário dos bons vinhos, não envelhece bem.

Contentei-me em me associar com uma amiga e ficar com apenas um ovo: o Alpino Tripla Camada. Segundo a embalagem, entre uma camada e outra tem CREME DE ALPINO, um negócio que acho que deve ser a oitava maravilha terrestre.

Então o plano é este: no ano que vem, não compro nem um ovo de Páscoa antes da data. Espero passar e, no dia seguinte, baixo lá no Verde Mar com a carteira recheada e disposição para adquirir pelo menos quatro deliciovos.

3.5.07

O Caso das Roupas Largas

O Leo estava andando com calças de sultão e eu parecendo uma odalisca, de tão largas que as nossas roupas estavam. Eu emagreci só um pouquinho, mas como minhas roupas são certas no corpo, fez diferença. Já o Leo emagreceu um poucão.

Eu resolvi o meu problema desenterrando roupas da época da faculdade (a primeira). O Leo resolveu o dele comprando duas calças jeans, já que ele tem um tanto de camisas que agora servem, porque as pessoas da minha família, que é toda de gente pequena, sempre dão roupas apertadas pra ele nas ocasiões festivas (principalmente minha mãe. Meu pai mede 1,70 e ela acha que ele é um homem alto).

Mal posso esperar para o emagrecimento do Leo terminar e eu poder comprar para ele um monte de roupas lindas e novas.

Não preciso nem dizer que, quando anunciei essa minha pretensão, ele quase desistiu de emagrecer.

2.5.07

O Caso do Sapatinho de Viagem III

Comprei mais um sapatinho para a viagem – sim, é o terceiro. Evidentemente, só vou poder levar um – o que melhor se adaptar às condições climáticas e ao meu guarda-roupa. Claro, nenhum deles até agora é inteiramente perfeito.

Estou chegando à triste conclusão que, em se tratando de sapatos, beleza e conforto são mutuamente excludentes. Porque, vejam bem, o conforto em questão não é aquele que permite que você trabalhe o dia inteiro com o par de sapatos e chegue em casa feliz. Não, não. O conforto que eu estou buscando é aquele que garante que você caminhe o dia inteirinho, durante um mês, e chegue ao final do dia com pernas e pés doendo de maneira apenas razoável, resolvível por uma boa noite de sono (e talvez um Dorflex).

Tentei resolver o problema adquirindo uma palmilha de silicone caríssima. Ela é grossa (como não poderia deixar de ser, para absorver o impacto), e aí meus sapatos ficam apertados. Fui à loja e troquei a palmilha inteira por uma apenas para a parte da frente, o que melhorou a situação, mas não eliminou o fato de que ela tem uma textura alegremente viscosa, que dá a impressão que suas solas estão cheias de gelatina. Sim, eu sei que um par de meias resolveria o caso, mas se eu quisesse usar meias usaria um tênis feio logo de uma vez.

O novo sapatinho de viagem é uma sapatilha ouro velho com uma fitinha marrom. Ela é realmente macia, mas 1) é meio difícil de combinar; 2) depois de um dia inteiro as plantas dos pés doem um pouquinho.

Em suma, sou a orgulhosa possuidora de três sapatos de viagem, quais sejam: 1) um All Star que me deixa parecendo um personagem da turma da Mônica; 2) uma sapatilha vermelha de borracha que combina com tudo mas não absorve a transpiração; 3) uma sapatilha ouro velho que não bate com quase nada do meu guarda-roupa.

Acho que vou INVENTAR um sapato de viagem decente, cobrar royalties e ficar riquíssima.