18.5.07

O Caso da Moda

Ando pensando bastante na moda ultimamente. Por “moda”, entenda-se a maneira que as pessoas se apresentam, e não as últimas tendências.

Roupas e acessórios são uma maneira de se expressar? Ou são uma escravidão à indústria fashion? É fútil se preocupar com a aparência? Faz sentido que a moda, um interesse preponderamente feminino, seja considerado superficial, enquanto o futebol, um interesse preponderamente masculino, não? Porque, no final das contas, ninguém precisa saber dos últimos lançamentos (da estação ou da bola) para viver.

E, já que estamos falando de moda, aproveito para dizer que o blogue thesartorialist.blogspot.com está me dando umas idéias a respeito. Parece-me que, no Brasil, vestir-se bem está intimamente ligado com estar na moda. Se você está usando o que está nas vitrines, você está bem. Já em muitas outras partes do mundo a moda serve como sinalizador, mas as pessoas (pelo menos algumas – as que aparecem no blogue) tentam imprimir sua marca pessoal ao que estão usando.

Sim, eu sei que neste país isso também acontece. Mas o que tenho visto (tudo bem que a minha experiência seja com a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG) são combinações nas quais o indivíduo está tão preocupado em imprimir sua marca pessoal que esquece todo o sentido de cor e proporção. O resultado são uns conjuntos bizarros que não ajudam em nada a aparência de seu portador.

Sim, sim, eu concordo que, nos países ricos, as pessoas têm menos preocupações e muito mais dinheiro para se dedicar ao esporte das roupas. Ainda assim, será que estamos pecando pela falta de criatividade? A tia, taiwanesa legítima, de uma amiga, está passeando aqui no Brasil e disse que o pessoal se veste “muito sem-graça”. O thesartorialist.blogspot confirma.

Ou talvez a questão não seja só pouca imaginação. Aqui por essas bandas, as pessoas tendem a ser muito críticas com aqueles que fogem um pouco do padrão. Quem se veste um pouco diferente recebe olhares tortos. Conseqüentemente a pessoa elegante, que é justamente quem reabilitaria uma maneira de se vestir diferente, mas que sabe que chamar muito a atenção não é coisa de gente elegante, se retrai e passa a usar roupas absolutamente burocráticas.

Então convido você, pessoa elegante que me lê, a sair de sua zona de conforto. Visite o the sartorialist.blogspot, preste atenção nos filmes antigos, escute umas músicas diferentes, passe uns dias digerindo, e depois saia de casa com um visual que ninguém mais no mundo – ou pelo menos na cidade – tem igual. Ignore os olhares curiosos – ou melhor, alegre-se com eles. Estou contando com sua elegância para colocar a individualidade na moda.

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