31.10.07

O Caso das Estratégias de Viagem

Eu acho que viajar é pura diversão. O que estraga um pouco são as burocracias: esperar no aeroporto, passar horas dentro do avião, ficar na fila da alfândega. Para tentar deixar essa parte tão legal quanto o resto, tenho desenvolvido estratégias, inclusive algumas que experimentarei na próxima viagem e contarei se funcionam:

1) sorrir, sorrir e sorrir. Quanto mais trash a situação, mais inesperado e importante é o sorriso. Ainda estou para encontrar uma comissária de bordo/garçom/ recepcionista de hotel que a resista a uma exibição de todos os meus dentes.

2) esperar que dê tudo errado: que o vôo atrase, que o check-in demore, que os amendoins acabem. Resultado: você não fica irritado quando os imprevistos acontecem, porque já estava contando com eles, e fica felicíssimo quando tudo dá certo.

3) descobrir o site do aeroporto e ver o que ele tem de interessante, incluindo o tax free shop. Investigar se o cartão de crédito dá direito a alguma sala vip.

4) possuir malas reduzidíssimas, evidentemente de rodinha. Aí fica fácil pegar táxi, entrar no ônibus que liga terminais, tirar a bagagem da esteira. Além do mais, se a sua mala for pequetita, a chance do carregador maltratá-la é menor.

5) ter livros interessantíssimos à mão para ler nos momentos de espera. Meus preferidos: pocket books de qualidade literária duvidosa – porque aí eu não tenho dó de jogá-los fora quando acabam. Também gosto de ter uns petiscos saudáveis na bolsa, porque comida de aeroporto costuma ser cara e ruim.

6) levar protetores de ouvido e máscara para os olhos para tentar dormir no avião. É impossível prever se uma criança vai chorar ou se o moço na fileira do lado vai passar a noite toda com a luz ligada lendo um pocket book de qualidade literária duvidosa.

7) usar aroma de hortelã para combater o jet-lag (acho que pastilhas de hortelã Garoto devem funcionar).

8) tomar Dramim (auto-explicativo). Lembrando que o Dramin deve ser tomado pelo menos 40 minutos antes do vôo, ou seus poderes anti-enjôo ficam severamente comprometidos!

19.10.07

O Caso da Yasmin

Hoje uma colega de trabalho trouxe a filhinha para a gente conhecer. Ela tem 2 anos, chama-se Yasmin, é linda, fofucha e usa maria-chiquinhas. Ela deu beijos, falou quantos anos tem, repetiu o nome (a pedidos) à exaustão e sentou no colo de todo mundo, inclusive no meu, que mais que depressa fiz uns bonitos desenhos para agradá-la.

Pelo menos não desagradei. A mãe levou a Yasmin e depois contou que ela chorou porque não queria ir embora.

18.10.07

O Caso da Decisão

Então eu decidi que ia ser mais sociável. Esse negócio de ficar só estudando, sem vida social, estava me deixando irritada e desanimada. E o Bill Douglas bem fala: não adianta passar em concurso se não tem ninguém pra comemorar com você.

O problema é que eu não sou naturalmente amigável. Tenho que fazer um trabalho consciente para me aproximar das pessoas. E ainda disfarçar o fato de ser uma esnobe horrível – pelo menos até que me conheçam melhor e passem a gostar de mim.

Nesse processo de fazer amigos e influenciar pessoas, descobri uma coisa ótima: gente interessante é quem se interessa pela gente. Então, é só eu fazer um monte de perguntas pro povo, e prestar bastante atenção nas respostas, que aumentarei exponencialmente meu nível de popularidade.

17.10.07

O Caso do Seriado Brasileiro II

Vi o Brazil’s Next Top Model e achei péssimo. Os jurados parecem ter inveja das modelos; o organizador (um tipo parecido com o Buzz Lightyear – só queixo e testa, mas muito menos simpático), que devia ser um terceiro desinteressado, também é jurado; a apresentadora, a modelo Fernanda Motta, tem um sobrancelhão assustador e precisa trabalhar muito nas aulas de voz e expressão corporal.

Para completar, num país miscigenado como o nosso, quase todas as meninas são branquinhas, branquinhas. O mercado é preconceituoso ou a produção que é?

16.10.07

O Caso da Tropa de Elite

Finalmente vi o filme mais comentado dos últimos tempos. Gostei muito. Sempre achei que o usuário é que financiava o tráfico mesmo. Vamos ver se o filme abre um debate sobre o assunto e os consumidores de droga percebem que seus atos têm conseqüências sociais nefastas.

Enquanto isso, o Leo canta o dia inteiro:

“Tropa de elite
Osso duro de roer
Pega um, pega geral
Também vai pegar você”

11.10.07

O Caso do Milk-Shake

Descobrimos aqui na cidade um lugar fantástico chamado 1.000k-Shakes. Ele não tem mil sabores de milk-shake, como o nome autorizaria a supor, mas tem um monte – pelo menos uns 30. Sem contar os sabores especiais, como ovomaltine e amarula.

Eu e o Leo fomos lá no domingo. O melhor é que dá pra ver a pessoa fazendo: ela bota no copo um monte de sorvete italiano de baunilha, calda do sabor apropriado e uns pozinhos misteriosíssimos, que ficam dentro de caixinhas com os nomes dos sabores. Depois disso ela usa um aparelho que parece um mixer, só que é quente, para amaciar o sorvete e misturar os ingredientes. Leite mesmo não tem, a não ser que o pozinho misteriosíssimo seja leite em pó com sabores artificiais.

Nós tomamos o milk-shake de ovomaltine e gostamos. Agora quem vier nos visitar tem mais uma atração para conhecer.

10.10.07

O Caso da Amizade

Ando desconfiada de que sou uma amiga mais ou menos. Eu esqueço aniversários (né, Fê?), prefiro mandar mails a telefonar, e sempre perco números de celulares e endereços. Se eu pensar bem, se não fosse a internet eu não teria amigos.

Andei refletindo e cheguei à conclusão que a culpa não é totalmente minha. Eu tive uma infância meio solitária, porque gostava mais de ler livros do que conversar com pessoas, e, portanto, não aprendi direito os mecanismos da amizade.

Mas não seja por isso. Decidi que farei o possível para ser uma amiga top de linha. O primeiro passo é arrumar uma caderneta para anotar endereços e telefones. O segundo é fazer uma lista de aniversários e deixar num lugar bem visível.

Para completar, vou à BH no feriado somente para ver uma amiga. E para a outra, cujo aniversário foi esquecido e estará viajando, deixarei um lindo presente.

Assim que eu descobrir o número do apartamento dela.

9.10.07

O Caso do Mistério

Eu realmente queria saber por que, nas correntes transmitidas pela internet, as pessoas insistem em impingir aos mais diversos escritores textos que obviamente não são de sua autoria.

Qualquer redaçãozinha com ambições a humor só pode ser do Luiz Fernando Veríssimo. Tiradas sarcásticas pertencem ao Arnaldo Jabor. Sentimentalismos são atribuídos a Gabriel García Márquez ou a Fernando Pessoa, o que tiver mais azar no dia.

Se fosse um simples caso de confusão entre autores, até que passava. O problema é que a qualidade dos textos é, geralmente, horrenda. Qualquer pessoa com um mínimo de bom-senso devia desconfiar que aquelas banalidades não pertencem a um escritor sequer razoável!

Fico imaginando um Salieri literário enviando textos baratos por e-mail e imputando-os todos ao Mozart.

Só pode ser isso.

8.10.07

O Caso do Dilema

Dizem (as novelas, os filmes, os livros de auto-ajuda) que você precisa buscar a felicidade interior. Aí, não importa quão complicada/difícil/sofrida esteja a sua vida, você será uma pessoa feliz.

Essas mesmas fontes também dizem que você também tem que lutar para melhorar sua situação e resolver seus problemas – e aí, é lógico, vai alcançar a felicidade.

A coisa é confusa pra caramba. Se você está feliz, por que que vai querer mudar? Mais, onde é que vai arranjar energia para mudança? A mudança não é causada pela dor/incômodo/infelicidade/insatisfação?

Em suma, eu não consigo ser feliz nos dois momentos. Ou estou feliz agora, satisfeita do jeito que estou – e fico assim mesmo, ou estou infeliz e vou buscar uma solução – para tentar resolver o problema.

Esse negócio de felicidade plena é a maior pegadinha.

1.10.07

O Caso do Seriado Brasileiro

Na quarta-feira estréia a versão nacional de um dos meus reality shows preferidos (o outro é Project Runaway): America’s Next Top Model.

O programa americano é legal porque a produção tem muito dinheiro e, portanto, contrata profissionais competentes para treinar as meninas, arruma desafios elaborados e monta sessões fotográficas sensacionais.

Vamos ver se o seriado brasileiro vai ser tão bacana quanto ou se a pobreza fransciscana que costuma assolar as produções nacionais vai atrapalhar o esquema.