31.3.08

O Caso da Razão e da Sensibilidade

Esse final de semana quase tive uma overdose de uma das minhas histórias preferidas da Jane Austen: Sense anda Sensibility. Reli o livro e assisti ao seriado da BBC. Só ficou faltando o filme, mas eu me lembro dele bem – tão bem que, no meio da leitura , cheguei a recordar que quem fazia o Mr. Palmer, um personagem muito secundário e bastante mal-humorado, era o Dr. House. Tudo a ver.

Achei o seriado uma ótima adaptação. Nele há diversas cenas que não constam do livro. Eu particularmente acho que, se for pra repetir exatamente o que está impresso, não precisava nem filmar. Minha imaginação dá conta, obrigada. A graça de passar uma história para outra mídia e explorar o que há de legal nela.

Também é uma boa dar uma leve modernizada. No livro não há um único beijo, e não acho que seja porque as pessoas não se beijavam na época. Acho que é porque não ficava bem para a sensibilidade de então descrever beijos nos livros. O seriado resolve o problema.

28.3.08

O Caso do Mistério dos Estudos

Uma discussão intensa na hora do almoço motivou a seguinte pergunta: dá para ter prazer estudando?


Eu sou da corrente que acha que sim. E mais: que tem um momento misterioso, depois que você já estudou muitos dias, quando tudo começa a fazer sentido e você acerta todos os exercícios, que é pura alegria.


É verdade que tem momentos em que até ver “E!True Hollywood Story” repetido parece melhor que enfiar a cara nos livros. Então eu acho que o prazer de estudar depende de:


1) primeiro de tudo, material bom. Em um nível que você entenda. Se os textos forem difíceis demais, e o esforço para compreendê-los demasiado, o freguês desanima e vai ver a história da Lara Flynn Boyle e sua suposta anorexia.


2) lugar adequado. Cadeira confortável, mesa na altura boa e, principalmente, silêncio. Ninguém dá conta de absorver conteúdo com a Lara Flynn Boyle afirmando ao fundo que nunca teve problemas de peso.


3) chocolatinhos. Auto-explicativo. Recomendados para você E para a Lara Flynn Boyle.

27.3.08

O Caso dos Estudos de 2008

Estou estudando de novo. Dessa vez, a idéia é ir devagar e sempre, ao invés de estudar quatro horas por dia e largar mão depois de duas semanas. Vou estudar umas duas horas só, ou uma e meia, só nos dias de semana, sem estresse. O objetivo é parar enquanto eu ainda estiver com vontade, o que garante o início dos estudos do dia seguinte com um mínimo de empolgação.

Pela primeira vez nessa vida, estou estudando antes de sair o edital do concurso. Ou seja, nada de correria, de afobação e de deixar partes da matéria para trás. A ambição é conseguir chegar ao dia da prova com o programa todo visto. Já passou da hora de parar de ficar fazendo concursos “pra ver se dá”.

É verdade que o concurso no qual eu passei foi feito nesse esquema. Sim, é melhor fazer “pra ver se dá” do que não fazer. Mas melhor ainda é fazer “pra passar”.

Espero que os meus 16 livros de ficção-científica vencedores do prêmio Nébula demorem muito, muito pra chegar.

26.3.08

O Caso dos Enfeites

Minha teoria sempre foi que as diferenças entre mulheres e homens não são fundamentalmente biológicas, mas sociais. Até hoje não conseguiram me convencer muito do contrário. Como minha psicanalista insiste que é mulheres e homens são, sim, diferentes, eu só tenho uma pergunta a fazer: por que o jeito das mulheres se fazerem diferentes (cabelo comprido, maquiagem, depilação, salto) é muito mais trabalhoso, mais dispendioso e mais restritivo (tenta correr de salto alto e saia justa, tenta)?

Não, não estou dizendo que mulheres e homens devem se vestir e se apresentar da mesma maneira. Só estou dizendo que do jeito que está não é justo.

25.3.08

O Caso da Bicicleta Ergométrica

Eu tenho uma bicicleta ergométrica há três anos. Ela é pequena, confortável e silenciosa, e eu a uso com freqüência. Seu único inconveniente é que todo ano ela dá defeito. Aí eu a mando para a assistência técnica e ela volta uns dias depois, recuperada.

Exceto que da última vez que isso aconteceu ninguém conseguiu resolver o problema. Ela já foi e já voltou da assistência duas vezes, e o barulho esquisito e alto que começa depois de 10 minutos de pedaladas continua lá.

A única explicação pra isso é que bicicletas ergométricas domésticas não são feitas para serem usadas, mas sim para servirem de cabide de roupa.

24.3.08

O Caso dos Livros

Adoro ler. Encaro qualquer fila de banco, qualquer espera de carona, qualquer demora de médico se tiver um livrinho nas mãos.

O meu problema é que eu leio com muita voracidade. Neste feriado de Páscoa, por exemplo, eu dei cabo de:
- I'll Take Manhattan, da Judith Krantz
- The Reckoning, do Jeff Long (meu novo autor favorito)
- Timeline, do Michael Crichton
- The Secret Pearl, da Mary Balogh (pela segunda vez)

Como consumo livros velozmente, estou sempre à cata de novas (e boas) obras. O que é mais difícil do que parece. A lista dos mais vendidos, por exemplo, é muito pouco confiável.

O jeito, então, é sair perguntando para os amigos o que eles têm lido de bom. E, achando um autor que eu goste, sair correndo atrás de tudo que ele já escreveu.

Ultimamente ando numa ótima fase de livros. Primeiro porque minha irmã me indicou um site americano que vende livros semi-novos, ou gentilmente usados, baratíssimos (sim, porque não dá pra matar a minha sede de leitura com livros novos. Se eu pagar 30 reais para cada volume que liqüido numa tarde ou duas, vou falir). Segundo porque tive a brilhante idéia de consultar a lista dos ganhadores do prêmio Nébula, que anualmente escolhe as melhores obras de ficção-científica. Cruzei a lista com os títulos disponíveis no http://www.betterworld.com/ a 3,48 dólares e saí de lá com 16 livros novinhos e promissores.

Devem durar pelo menos um mês.

20.3.08

O Caso da Tortura

Eu e o Leo vimos um filme no qual o personagem principal é acusado de terrorismo, preso, levado para o Egito e torturado. Como sempre, imaginei o que eu faria na mesma situação e cheguei às seguintes conclusões:

1) eu não ia resistir a mínima. Era encostar um dedo em mim que eu cantava como um passarinho;

2) se eu fosse inocente (como o moço do filme era), eu inventava uma história bem bonita, com muitos nomes fictícios, e pronto (como o moço do filme fez). Só que eu faria isso logo que me encostassem o dedo. O moço do filme passou dias ignorando os conselhos que eu gritava para a tevê.

19.3.08

O Caso do Caso

Embora eu seja eu seja uma feminista ferrenha, e pregue incessantemente a igualdade de direitos entre homens e mulheres, de vez em quando até mesmo eu dou umas escorregadas.

Lembro-me de um caso de dois colegas de faculdade que tinham uma amizade colorida que eu achava bastante bizarra. Os dois mal conversavam na sala de aula, mas tinham encontros sexuais freqüentes (a parte do “não conversar” é que eu achava esquisito). Segundo uma amiga, nenhum deles queria namorar (com o outro), mas ela garantia que isso era isso era coisa do moço, porque mulher “sempre quer namorar”.

Sempre aceitei a versão anti-feminista dessa amiga, e conseqüentemente ficava um pouco chateada pela moça, mas um dia desses me veio uma iluminação: o cara era bonito, mas bobão. Quem levava vantagem na história, na verdade, era a menina, que se aproveitava do corpinho dele sem ter que agüentar sua conversa péssima.

Um brinde retroativo a ela!

14.3.08

O Caso dos Países Nórdicos

Da Dinamarca pulei para Suécia, Noruega e Finlândia, e descobri muitas novidades encorajadoras: quase todo mundo fala inglês, o que facilita loucamente a nossa vida; os invernos não são tão rigorosos, por causa da corrente do golfo; os países são realmente pequenos, o que permite que a gente não perca tempo nos deslocamentos.

Aí o Leo leu na internet que os países nórdicos são ainda mais caros do que a Inglaterra, um lugar no qual a moeda (libra) vale quase 4 reais.

Ah, não! Se é assim, prefero conhecer Escócia, Irlanda e a própria Inglaterra, um destino que a gente ficava adiando por causa dos preços extorsivos. Até porque agora o Leo já sabe dirigir na mão inglesa!

13.3.08

O Caso do “The Secret”

Eu ia fazer um post longo e ácido sobre o livro "O Segredo", mas achei melhor deixar que ele falasse por si mesmo:

"Os alimentos não são responsáveis pelo aumento do peso. Seu pensamento de que a comida é responsável pelo aumento do peso é que, na verdade, faz com que a comida engorde." É, eu engordei na viagem porque acreditei que todos aqueles sorvetes e chocolates eram cheios de calorias. Que tola!

"Sim, a dívida está lá. Por quê? Porque você esperava que a dívida estivesse lá. Então ela se apresentou, porque a lei da atração sempre obedece aos seus pensamentos. Faça um favor a si mesmo - espere um cheque." É, as dívidas não tem nada a ver com o fato de você ficar gastando loucamente, mané.

"Einstein conhecia muito do Segredo, e dizia "Obrigado" centenas de vezes por dia”. Porque ele não tinha nada melhor pra fazer, tipo desenvolver a teoria da relatividade.

Fiz comentários porque foi simplesmente impossível me conter.

12.3.08

O Caso do Feminino II

Não, a psicanalista não me contou o que é a feminilidade. Só disse que ela é construída por cada um (ou uma, no caso).

Achei muito obscuro. Como é que eu vou trabalhar um negócio que não sei o que é?

Vou ter que olhar no Google.

11.3.08

O Caso dos Destinos

Quando vamos viajar, o que mais acontece é começarmos querendo ir para um lugar e terminarmos em outro. Já planejamos uma viagem para Nova York e acabamos na Disney. Já compramos os guias da Itália, trocamos por uma viagem de volta ao mundo, e por fim fomos à Nova Zelândia.

A questão é que, quando se fala em viajar, há literalmente um mundo de escolhas. Junte-se a isso a disponibilidade das férias, o clima de cada lugar a cada estação, o câmbio de cada moeda, e já viu. Sem falar que eu sou fã da tal da “oportunidade”: é me contarem que tem um pacote ótimo para lugar tal que já fico toda assanhada.

O jeito é a gente se organizar e fazer uma lista de objetivos. Para não ficar pipocando em países de interesse médio e bom custo/benefício e adiando os países que realmente nos interessam. Gosto é gosto, mas eu troco três Chiles por uma Escócia, e várias idas ao Nordeste do Brasil por duas semanas no interior da França.

E, ultimamente, tenho gostado muito da carinha da Dinamarca.

10.3.08

O Caso da Ioga II

Finalmente criei vergonha na cara e fui assistir a uma aula de ioga.

Fica a dois quarteirões da minha casa. O lugar é lindo, todo indiano. A professora é supersimpática. A música é uma delícia. A aula é ótima.

Dito isso, ioga não tem nada a ver comigo.

Pra vocês terem uma idéia, a sessão termina com meditação. Todo mundo concentrado, o mantra rolando à toda, e eu morrendo de vontade de dançar.

7.3.08

O Caso do Feminino

A psicanalista disse que eu tinha que trabalhar melhor a minha feminilidade, mas a sessão acabou antes que ela me contasse como. Então, até semana que vem, vou ficar divagando sobre que diabos feminilidade significa.

Não pode ser lavar, passar e cozinhar: muito superficial. Não é sinônimo de maternidade, porque a mulher que não pode ter filhos continua sendo mulher. E quem disser que a resposta é delicadeza e sensibilidade leva uma botinada.

É usar batom? É ver novela? É colecionar sapatos? É ler romances?

Cara, não é à toa que eu estou precisando trabalhar melhor a minha feminilidade. Eu não sei nem o que ela é!

6.3.08

O Caso dos Sintomas

Um efeito colateral de assistir a muitos episódios de House, M. D., é que eu fico mega hipocondríaca. É o dedão do pé doer para eu ter certeza que estou com um problema neurológico. Ou sarcoidose.

O principal problema desse quadro é que não existe um House para diagnosticar minha doença auto-imune. Por outro lado, ele adora uma punção lombar, um exame no qual se enfia uma agulha enorme na medula da pessoa pela costas, e que deve ser uma das coisas mais doloridas do mundo.

Então, ao invés de apelar para o Vicodin, troco o sapato e fica tudo bem.

3.3.08

O Caso da Ioga

Li na revista Veja que um dos remédios comprovados para sintomas psicossomáticos (isto é, os problemas de saúde que eu ando tendo e os médicos dizem que é emocional) é a meditação. Perto da minha casa tem uma moça que dá aulas de ioga, e me contaram que parte da aula se dedica justamente a esse objetivo. Então o jeito é encarar, embora minha personalidade cética ocidental nunca tenha botado muita fé em ensinamentos transcendentais.

O pior é que eu ando dura feito uma porta, sem flexibilidade alguma, e pelo que eu sei a ioga tem tudo a ver com posturas corporais elaboradas. Já sei, já sei, vão dizer que com a ioga eu vou ficar mais elástica, mas aposto que isso vai demorar meses, e até lá eu serei a colega coitada que não consegue dar um nó simples no próprio corpo. E eu odeio não ser a melhor aluna da sala.

Talvez a meditação me ensine a parar com essas bobagens.