31.7.08

O Caso da Mala Seriamente Reduzida

Um dos prazeres de planejar uma viagem com antecedência é que você pode planejar tudo nos mínimos detalhes. Ontem mesmo fiz um protótipo da mala. Dessa vez não tem conversa: como vamos nos locomover de trem, a mala tem mesmo que ser reduzida. E por reduzida entenda-se uma mala de cabine. E nem quero embarcar com ela, não: é pra ter mobilidade na hora de pular
de um hotel para o outro.
Estou moderadamente otimista. Se eu abandonar os chinelos, levar um pijama pequetito (partindo do pressuposto que os quartos de hotel estarão aquecidos) e deixar pra trás a nécessaire (que só por si ocupa muito espaço), é possível que eu consiga enfiar duas calças, várias blusas de lã, dois casaquinhos, um cachecol, um gorrinho, um par de tênis de couro preto e um sobretudo longo na malinha. Além das meias, dos acessórios e das toiletries em geral. Isso porque eu já viajo com outra calça, as botas, duas blusas e um casacão recheado de penas de ganso e que as roupas térmicas vão na mala de mão, prontas para serem vestidas assim que eu chegar no aeroporto em Geneva (porque não tenho a menor ilusão que vai dar para colocá-las debaixo da roupa dentro dos estreitos domínios do banheiro do avião).
A malinha do Leo vai ser ainda mais difícil, porque as roupas dele são grandes. Por outro lado, ele não tem a minha frescura de ter várias trocas de roupas pra parecer diferente nas fotos a cada dia.

30.7.08

O Caso do Alemão

Eu tinha aquela vaga impressão, que todo mundo tem, de que Alemão é uma língua difícil. Entretanto, depois que descobri que eu podia aprender on-line o básico em 12 semanas, fiquei achando que era preconceito da galera. A língua é parente do inglês e inglês eu sei. Além disso, eu tenho a teoria que, absorvido o primeiro idioma estrangeiro, os outros são mais fáceis, porque você já pegou a manha de aprender. Ou seja, moleza, né?
Ontem fiz minha primeira aula de alemão on-line. Já sei me apresentar (Ich bin Ludmila!) e perguntar se você é alguém (Sind Sie Claus Neddermeyer?). Também sei que aeroporto é Flughafen, que “muito prazer” é Freut mich e que “também” é auch.
Tudo muito fácil até eu chegar na parte de “sons do alemão”. Existem trinta, TRINTA regras de pronúncia! E algumas são mega obscuras, do tipo “quando o ‘d’ aparece no fim da palavra, soa como ‘t’” e “quando o ‘s’ aparece no começo da palavra antes do ‘t’ e do ‘p’, soa como ‘ch’”.
Até que eu fixei, né?

29.7.08

O Caso do Outuno

Por causa dos filmes hollywoodianos, sempre achei que natal no hemisfério norte e neve eram sinônimos. Como vamos para a Europa em dezembro, eu estava crente que ia chegar lá no meio do inverno. Só que parei para ver direito e percebi que, na verdade, estamos indo no outono! Fim do outono, é vero, mas outono mesmo assim.

Então, se tudo correr bem, a paisagem estará assim:



28.7.08

O Caso da Dieta Interrompida

Pois é: fiz aquele esquema todo, perdi dois quilos, estava feliz da vida. Aí o Leo entrou de férias, comprou doces, fomos a vários eventos e comemorações, papei muitos chocolates e sorvetes e os dois quilos já voltaram quase todos.

Agora eu entendo porque as pessoas dizem que o difícil não é perder peso, é manter o peso novo.

A verdade é que meu corpinho quer pesar 53 kg, não 48. Tenho que convencê-lo que 48 é que é
o canal.

24.7.08

O Caso do Alemão

Eu fico adiando minha viagem ao interior da França para polir meu francês capenga, e agora decidi me meter na Áustria, onde se fala alemão. Diz a lenda que todo mundo tem inglês como segunda língua na escola, mas a verdade é que quem foi lá diz que o povo não fala assim um inglês fluente. Então o jeito é aprender um pouco da língua germânica.

Aqui no interior não tem aula. Resolvi ser autodidata e apelar para o bbc.co.uk/languages. Em teoria, vou dominar o alemão básico em apenas doze semanas.

Tendo decidido que vou aprender Deutsch, não é que ontem encontro uma alemã legítima na hora do almoço? Ela está fazendo intercâmbio e vai ficar um ano por aqui.

Chegou bem na hora de treinar os meus Guten Tags.

23.7.08

O Caso do Pulinho em Londres

Então a nova passagem é legal: é pela Tam, que é melhor do que a Ibéria (que alegava ter “azafatas que le atenderán muy gustosamente”, mas que na verdade tinha as aeromoças mais mal-humoradas del mondo) e cujas milhas podem ser transformadas em uma viagem a Salvador. Além disso, a volta é por Londres, onde ficaremos de uma da tarde às nove da noite aguardando a conexão.

Isso é bom? É ótimo! Vamos aproveitar para dar um pulinho em Londres. De metrô, ir do aeroporto Heathrow até o centro da cidade demora uma hora (e custa quatro libras), mas de Heathrow Express, um trem rápido sem paradas, demora só 15 minutos (e custa 13,50 libras, mas tudo bem). Se não conseguirmos despachar a bagagem logo que chegarmos do vôo, podemos levá-la conosco e guardá-la na Paddington Station, que é onde o Heathrow Express chega. Libras a gente saca no caixa rápido do aeroporto.

Mesmo sendo bem prudentes com os horários e voltando cedo, vamos conseguir umas quatro horas líqüidas no centro de Londres. E vai estar até quentinho comparado com as outras temperaturas que vamos enfrentar: 9 a 3º C. Anoitece às 4 da tarde, mas é bom, porque aí veremos as iluminações de Natal.

Agora, se tudo der errado, se o vôo atrasar, se não deixarem a gente sair da área de embarque, não tem problema: o Heathrow é um aeroporto bonitão e moderno. Pelo menos comer fish and chips a gente vai.

22.7.08

O Caso da Passagem

Comprar a passagem de uma viagem internacional é sempre um momento de tensão. Por alguma razão misteriosa, o que a gente encontra na internet é diferente do que o agente de viagens oferece. Eu achava que com o http://matrix.itasoftware.com/cvg/dispatch esse problema estaria resolvido, mas era mera ilusão. A passagem que eu e o Leo escolhemos com muitíssimo carinho e cuja referência passamos para nossa agente de viagens não foi localizada por ela.

Pelo menos a moça arrumou outra passagem com o mesmo preço. A parte ruim é que vamos chegar mais tarde no destino, então o primeiro dia será perdido; a parte boa é que a companhia aérea dela é melhor.

Então o jeito é ficar mais um dia, né?

18.7.08

O Caso do Dilema

Sou totalmente a favor de viagens independentes. Acho que todo mundo que fala um tanto razoável de inglês é capaz de se virar no mundo todo. Acredito que ficar prisioneiro de uma de excursão é coisa para velhinhos e viajantes inexperientes. Entretanto…


Entretanto, vamos ficar alguns dias em Viena e faremos uns passeios de um dia a Bratislava, capital da Eslováquia e Budapeste, capital da Hungria. Temos a opção de pegarmos o trem na estação e irmos por conta própria, ou contratarmos umas excursõezinhas em ônibus de dois andares. A primeira opção proporciona mais liberdade e custa metade do preço da segunda. No entanto, está me parecendo um conforto tão grande o guia me pegar no hotel… e me levar pela mão a essas cidades em que o povo fala eslovaco e húngaro… e me contar tudo que eu preciso saber em inglês fluente… e me carregar de ônibus a todos os lugares importantes…



Eu sei, excursão é para os fracos. Mas vai estar fazendo tanto frio em dezembro que eu acho que vou estar me sentindo meio fraquinha.

17.7.08

O Caso da Sola de Borracha

Fui toda alegrinha mostrar minhas botas de montaria, que agora são meus sapatos oficiais para viagens a lugares frios, a uma amiga. Ela mais que depressa pediu para ver a sola e sentenciou que não dava, porque na neve elas iam escorregar igual sabão, e falou que segundo outra amiga sapato para lugar congelado tem que ter sola de borracha.

A sola da bota é de couro e, realmente, ela é bem lisinha. Eu já tinha começado a arrancar os cabelos, imaginando onde eu ia arrumar uma bota com sola de borracha nessa cidade que só faz calor, quando me ocorreu a brilhante idéia de levar as minhas ao sapateiro, que providenciaria uma bonita sola anti-derrapante.

Dito e feito. O sapateiro disse que faz, sim, e me mostrou o material, que é uma folha de borracha grossa com textura craquelê. Diz ele que põe por cima da sola normal, que não dá nem pra ver o retoque, e que vai custar a módica quantia de 15 reais.

Fiquei feliz da vida. Acho que a bota vai ficar até mais confortável, porque a sola dela não é grossa e quando eu piso em um chão muito irregular sinto cada ângulo. Sem falar que, não comprando uma bota nova, estou economizando no mínimo uns 200 reais.

15.7.08

O Caso da Correria e do Puxadinho

Estávamos bem animados bolando o tour pela Suíça e Áustria de trem quando descobrimos que as cidades austríacas e suíças, embora lindas, não são lá recheadas de atrações. Ou seja: um noite em cada uma delas (exceto Viena, que exige três) é suficiente.


Isso significa que vou desobedecer a uma das minhas regras de ouro de viagem, que é “não pipocarás de uma cidade para outra” (ou seja, ficarás pelo menos 2 noites em cada lugar). Porque, cada vez que se troca de quarto, tem a novela de fechar as malas, fazer o check-out, localizar o novo hotel, fazer o check-in e abrir as malas. Entretanto, dessa vez o Leo me convenceu que é melhor gastar um tempinho com isso do que ficar sem ter o que fazer na mesma cidade.


Uma facilidade é que os nossos hotéis ficam nos centros históricos, pertinho das estações de trem. Outra é que as malas vão ser pequetitas, e portanto fáceis de carregar, de arrumar e de desarrumar.

Vamos ver como vai funcionar.


* * *


Diminuindo o número de noites que vamos ficar em cada cidade na Suíça e na Áustria, sobrou um tempinho de férias. Mais que depressa tivemos a brilhante idéia de incluir Praga no roteiro, fazendo um puxadinho para a República Tcheca. Afinal, Praga fica a 4 horas de trem de Viena, que é onde termina o passeio.

Praga é chamada de Paris do leste, então esperamos que seja cousa muito boa.


14.7.08

O Caso do Inverno

Quem chutou que o próximo destino será Suíça e Áustria acertou. Como iremos no inverno, na verdade a paisagem vai estar assim:

Para determinar o que iremos enfrentar no frio europeu, usei o http://br.weather.com/ e fiz uma bonita tabela. O resultado é:
1) Temperaturas (em º C): de 3 a – 3, em média. Menos Zurique e Lucerna, que oscilam de 9 (bom!) a –11 (ruim)!
2) Precipitação (em ml): de 43 a 81. Como base de comparação, em BH chove 15 ml por mês no inverno (meses secos) e 200 ml no verão (meses molhados). Então estou achando que é só o suficiente para uma nevezinha básica. Em Bariloche, por exemplo, em julho, que é a alta temporada de esqui, a pluviosidade é 130 ml!
3) Nascer e por-do-sol: de 07:30 a 08:15 e de 16:00 a 16:52. Ou seja: menos de 12 horas de sol por dia. Parece pouco, e é, mas mesmo no verão os museus só abrem às 10:00 mesmo. E a noite conduz aos sonhos, ao fondue, ao vinho e ao amor.
Resumo da ópera: qualquer época é boa para viajar, se você sabe e vai preparado para o que te espera.
Isto é, menos a estação de monções no sudeste asiático.

11.7.08

O Caso da Próxima Viagem

Hohoho, estamos tramando mais uma viagem. Essa vai ser para dezembro, única época do ano em que eu e o Leo temos férias juntos. Sim, eu sei, vai ser inverno no hemisfério norte, com seus diazinhos curtos e temperaturas abaixo de zero, mas para quem mora em Fabriciano frio é atração turística. Além do mais, será época de natal e tudo vai estar enfeitado e lindo.

Estamos planejado viagens com cada vez mais antecedência. Dessa vez, serão seis meses. Pode parecer muito para quem é ansioso, mas na verdade é ótimo, porque a) a gente fica alegre desde o momento em que decide a viagem; b) dá para pesquisar tudo nos mínimos detalhes; e c) vamos conseguir os melhores preços na passagem e nos hotéis.

Além disso, vou ter seis meses para arrumar a mala reduzidíssima. Estou confiante que essa será a menor de todos os tempos. Primeiro porque vamos ficar só 15 noites, e as duas últimas malas foram para 30 dias; segundo porque no frio ninguém vê a roupa que você usa por baixo, só o casaco, então não adianta fazer desfile; terceiro porque, apesar de roupas de inverno serem volumosas, agora temos roupas de baixo térmicas, que irão me economizar pelo menos duas camadas; e quarto porque, como temos roupas de baixo térmicas, podemos lavar só elas, e portanto não preciso ficar levando um monte de trocas de roupa!

Além disso, como estamos planejando fazer toda a viagem toda de trem, é bom mesmo que a mala seja reduzida.

Aí vai uma pista do próximo destino:


10.7.08

O Caso dos Doces

Está decidido: a próxima viagem a Paris (em 2009, se tudo correr como planejado) será uma epopéia gastronômica.


Mas como eu e o Leo não somos fã de ostras, caviar ou miúdos, vamos pular os restaurantes e desbravar o maravilhoso caminho das confeitarias francesas.



Já tenho o mapa da mina: a seleção do guia de viagem Frommer’s das melhores patisseries de Paris - http://www.frommers.com/destinations/paris/0062024034.html.


Na última viagem, fomos à Angelina para tomar o melhor chocolate-quente do mundo e a Ladurée para experimentar os melhores macarons. Foram dois pontos altos no passeio. O Leo nunca há de se esquecer do chocolate-quente de chocolate branco que o venceu. Ele não deu conta de tomar tudo!


Desde então ele vem planejando sua revanche.

9.7.08

O Caso dos Palpites 2

O Leo tinha razão. As pessoas não querem escutar conselhos sábios. As pessoas querem dar tiradas malcriadas para mostrar como são espertas (vide post e comentário abaixo).

Então, nas palavras imortais de meu papai, “que se lasquem”. Fico com minhas idéias construtivas para mim mesmo, e daqui a vinte anos, quando eu tiver vários milhões no banco e aposentada precocemente, vamos ver quem era esperto.

8.7.08

O Casos do Palpites

Eu sei, eu sei, não devo dar opiniões na vida alheia. Afinal, não dão palpite na minha. O que me leva a concluir que: 1) dar pitaco deve ser ruim, e é por isso ninguém me oferece os deles, ou 2) dar pitaco deve ser bom, e aí nesse caso ninguém se preocupa comigo e, portanto, não devo me preocupar com ninguém.

Mas vejam só: como é que eu posso acabar de ler um livro sobre educação financeira e não dividir os insights com a minha irmã que acabou de entrar no mercado de trabalho?

Uma tarde de conversa pode render dividendos por toda uma vida.

7.7.08

O Caso do Livro Econômico

Li um livro ótimo: Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, do Gustavo Cerbasi. A moral da história é que você deve viver abaixo do padrão de vida que seu salário lhe proporciona. Assim, sobra para economizar. É a velha máxima: você não fica rico com o que você ganha, você fica rico com o que você guarda.

O livro ratificou totalmente a minha pão-durice. Às vezes eu acho que não estou aproveitando a vida com deveria, em termos de consumo, mas eis que o Cerbasi diz que eu estou mais do que certa.

É doce ver a glória dos meus princípios.

4.7.08

O Caso do Cogumelo

Ontem voltei ao salão para cortar a franja. Ela estava tão comprida que eu mesmo tive que apará-la com uma tesourinha de unhas antes de um evento.

Eu estava pensando em deixar o cabelo crescer, mas na hora me empolguei e pedi para a cabelereira cortar como estava antes, só que com franjinha de lado. Como sempre, houve um problema de comunicação e, ao invés de sair de lá com um bonito penteado esférico,

saí com a cabeça em formato de cogumelo. Acho que essa foi a inspiração da coiffeuse:
Mas não se desesperem, porque eu ainda não me desesperei: depois que eu lavar e passar vamos ver como fica.

3.7.08

O Caso da Cirurgia Plástica

Uma vez eu estava conversando com umas colegas de trabalho e todas falaram que queriam colocar silicone no peito.

E uma ainda falou que acha lindo o visual plástica, isto é, aquelas meias-esferas perfeitas grudadas no tórax.

Sabe quem costuma pôr silicone?
- atrizes pornô
- a Daniela Winits

Não, eu não estou dizendo que você não deva colocar, mas que talvez deva pensar um pouco sobre a imagem que vai transmitir.

Se tivesse uma cirurgia plástica para botar noção em quem não tem, aí sim, o mundo seria um lugar melhor.

1.7.08

O Caso do Fim da Terapia

Larguei a terapia. A psicanalista disse que não me dava alta, e que a minha resistência era subconsciente e vinha justamente de termos chegado a um ponto importante, mas nem liguei. Estava achando chato, improdutivo e caro. Eu tinha a impressão que ficava sempre discutindo os mesmos assuntos, comigo me auto-analisando e ela fazendo pouquíssimos comentários. Além disso, com o argumento de que ela usava o tempo lógico, e não o cronológico, as sessões iam ficando cada vez mais curtas, até o dia em que quase uma hora de atraso no horário produziu uma consulta de quinze minutas. Fora que tivemos um desentendimento a respeito de recibos que gerou um aumento de 50% no valor da sessão. Péssimo.

Mesmo com esses probleminhas, achei muito válido. Aprendi lições importantíssimas:

1) parar de tentar arrumar a vida dos outros e focar na minha. As pessoas só podem ser ajudadas quando estão prontas pra isso; além disso, mesmo se seguirem os meus conselhos, nunca vão ficar devidamente agradecidas, pois afinal foram elas que agiram para melhorar.

2) deixar de achar que meus pais, que implicam um com o outro de maneira odiosa desde sempre, vão mudar. Essa é a dinâmica que funciona pra eles há trinta anos e, portanto, eu é que devo parar de me incomodar.

3) ser perfeccionista é imobilizante. Melhor largar mão.

4) deixar fluir!