28.11.08

O Caso da Botinha

Olha como é bom viajar com os amigos: a Thaís está indo conosco e tanto procurou que descobriu uma botinha adequada para o inverno europeu – toda forrada de lã, com solado alto e leve e, para completar, bonitinha.

Experimentei e gostei tanto do conforto e do preço (metade do que custaria uma Timberland) que fui correndo comprar uma pra mim, já que a Thaís disse que não se importava. A idéia era transformá-la em preta, mas o moço da Sapataria Rápida disse que não ficava bom pintar camurça. Então ela vai ficar da cor original mesmo (um bege bem clarinho).

O que obriga a uma recomposição da mala. O meu guarda-roupa de viagem era todo em tons frios, mas agora estou pensando em levar umas blusas e um cachecol de cores quentes para combinar com a botinha.

Agora, de onde vão sair essas blusas e esse cachecol é que são elas. Quase verão não é época de comprar peças de inverno. Pensando bem, as minhas irmãs têm um monte de coisas guardadas na casa dos meus pais, e nenhuma das duas estará lá quando eu passar por BH para pegar o avião.

Hohohoho!

Botinha Bull Terrier, modelo Tuareg. Considerando o que existe no mercado, ela é lindíssima, vão por mim.

21.11.08

O Caso dos Mais Casos

Ontem ocorreu a atividade integradora (toda uma manhã disperdiçada!) e eu não gostei. Eu só me interesso quando rolam umas competições, porque aí posso mandar em todo mundo e me contorcer de impaciência quando os colegas não fazem o que eu quero, mas dessa vez a idéia era fortalecer a comunicação e o trabalho em equipe, sendo que eu odeio “trabalhar em equipe” (Até “trabalhar” eu gosto mais do que “trabalhar em equipe”.). Tive que que dar a mão para uma galera e, horror dos horrores, abraçar pessoas.

Nada se salvou. Até o chocolatinho Talento que ganhamos no final estava velho.

* * *

Fui à uma dermatologista estética há umas semanas. Não foi bom.

Os problemas que eu queria que ela resolvesse (olheiras profundas e vasinhos superficiais) ela disse que só melhorariam com laser, a sessões de centenas de reais. Para uso diário ela me receitou um produto La Roche-Posay caríssimo (um tal de Redermic), que após pesquisa se revelou “para rugas profundas e perda de firmeza”. Ok, eu não tenho mais dezesseis anos, mas rugas profundas? Eu mal tenho linhas perto dos olhos!

Acho que vou seguir os conselhos da dermatologista da Irmã Maior, cuja recomendação foi o Roche-Posay Vitamina C, que combate linhas finas e ainda pode ser usado na área dos olhos. A pele da minha irmã mais velha é diferente da minha, mas whatever. Pelo menos o Vitamina C não é grudento como a amostra grátis de Redermic que a derma me deu.

Ah, e tem mais uma: por alguma misteriosíssima e inexplicada razão, a dermatologista não quer que eu use o Redermic debaixo dos olhos e nos vincos (que eu ainda não tenho) entre nariz e boca . São justamente os lugares nos quais ela costuma aplicar Botox! Mera coincidência? É, também acho que não.

* * *

Numa nota mais alegre, cortei o cabelo de novo e ele voltou a seu atraente formato esférico. Eu gosto de mudar o visual, mas acho que terei esse cabelo por um longo tempo. É que eu sempre quis ter um rosto redondo e adorável, e agora tenho uma cabeça redonda! Superengana.

18.11.08

O Caso dos Casos

Sabe quando você descobre uma pessoa parecida com você? Uma pessoa da qual você gosta e com quem se imagina tendo longas e ótimas conversas?

Aí você decide ser amigo dessa pessoa. Você oferece caronas, puxa papos, empresta coisas, conta piadas, presta atenção no que ela fala... e nada!

Não é que ela não goste de você. Não, ela convive socialmente com você numa ótima. Ela simplesmente não está interessada em sua amiga.

Nem o método Karina de fazer amigos e influenciar pessoas (fazer muitas, muitos perguntas) funcionou. Não adianta fazer perguntas quando a pessoa não quer responder!

* * *

Quinta-feira teremos mais um evento integrador aqui no serviço. A idéia é fazer pessoas de todos os departamentos interagirem. Como vocês sabem, odeio ser interagida. Infelizmente não fomos convidados, mas convocados, então não tem jeito de escapar, a não ser com um ataque fulminante de labirintite (uma impossibilidade médica, já que estou tomando remédio para o último até hoje).

Para completar, as duas pessoas que trabalham diretamente comigo não estarão lá. Então, nem um amiguinho para as atividades em dupla eu vou ter. O que significa que vou sobrar, junto com alguma outra pessoa triste sem amiguinhos, e vou ter que fazer atividades com ela.

O pior é que já tem outro evento desses marcado para o ano que vem. Estou seriamente pensando em comandar uma rebelião, combinando com todos os colegas que também não querem ser integrados de ficarmos emburrados o tempo todo.

Talvez assim o chefe capte a mensagem.

17.11.08

O Caso do Trem

Quando sugeri que na viagem de inverno à Áustria e Suíça dispensássemos o carro e fizéssemos tudo de trem, eu estava pensando nos perigos de dirigir na neve, mas também na conforto e na tranqüilidade que teríamos. Sai a preocupação com rotas, saídas e pedágios e entra a comodidade de usar as melhores malhas ferroviárias do mundo, vendo belíssimas paisagens passar pela janelinha. Sem falar que a idéia era comprar um passe, e portanto nem o trabalho de adquirir a passagem antes de cada embarque íamos ter. Moleza, né?
Nem tanto. Primeiro você tem que cavucar a internet para descobrir o que é melhor financeiramente: comprar as passagens separadas ou o passe Eurail. No nosso caso, vamos comprar tíquetes unitários na Suíça e usar o passe na Áustria e na República Tcheca (não, não tem um passe para os três países). Aí você descobre que o melhor site de todos, aquele que tem todas as informações ferroviárias da Europa, é da Alemanha. Sim, tem a versão em inglês, mas de vez em quando ele dá a louca e passa para o alemão. Nisso você já sabe os nomes da cidades às quais quer ir em três línguas, pelo menos (e a versão em alemão é sempre a pior).
Então você compra o passe (tem que ser aqui no Brasil), espera que ele chegue em sua casa, acompanhado de folhetos explicativos, pelo correio e fica sabendo que:
- Você TEM que validar o passe antes de usá-lo! Se não, paga multa!
- Você TEM que escrever o dia em que vai usar o passe antes de entrar no trem! Se não, paga multa!
- Você TEM que escrever o dia em que vai usar o passe certo! Escreveu errado, dançou! Perde o dia! Ou paga multa!
- Você TEM que fazer reserva com antecedência! E paga por isso! Se não fizer, corre o risco de não ter lugar para você no trem! Mas não em todos os trens, só em alguns! E o único lugar que informa se é necessário fazer reserva é... o site alemão!
É verdade que reserva pode ser feita em qualquer estação de trem. Mas será que o atendente vai falar inglês? O meu francês é capenga e o meu alemão, inexistente. Para me garantir, imprimi em um papelzinho “Reserva” em inglês, francês e alemão, e debaixo coloquei as cidades e os horários que quero reservar. Aí descobri que não basta saber a cidade, tem que saber a estação também! É, de volta ao site alemão!
Ou seja: tudo é muito menos tranqüilo e relaxante do que eu imaginava.

13.11.08

O Caso da Dieta Pré-Viagem

É sempre uma boa idéia emagrecer um pouco antes de uma viagem que promete muitas delícias culinárias, já que é muito mais fácil fazer regime tendo pela frente uma meta recompensadora do que quando o passeio acabou e você tem que voltar ao trabalho. No meu caso, entretanto, a dieta tem um caráter mais urgente. Engordei um pouco nas últimas semanas (muita comida e nada de corrida, uma beleza) e agora estou cabendo em minhas calças de viagem sem um milímetro de folga. Problema um: como colocar uma meia de lã muito grossa por baixo de roupas justas? Problema dois: na viagem vou consumir muitos chocolates suíços e fondues de queijo, e aí é que as calças não vão servir mesmo, mesmo sem a meia de lã muito grossa.

As pessoas sensatas que lêem esse blogue devem estar pensando: por que ela simplesmente não compra calças um número maior? Mas aumentar as roupas não resolve o meu problema, pessoas. Eu uso as calças por dentro das botas de montaria, e calças de tamanho maior vão ficar largas na região do joelho, produzindo um visual “bombacha gaúcha”, que, da última vez que chequei, estava longe de ser o último grito da moda. E usar as calças por fora das botas de montaria não tem graça nenhuma.

O jeito é cortar os doces, sorvetes e pães-de-queijo que estavam alegrando tanto o meu dia-a-dia e voltar aos odiosos pães integrais, grãos de soja e saladas de folha. Afe.

12.11.08

O Caso do Trabalho

Ano passado eram seis pessoas fazendo os serviços X, Y e Z. No momento somos duas fazendo os mesmos X, Y e Z. O mais legal é que a pessoa que fazia X foi embora ANTES de me repassar decentemente o esquema. Então agora eu não só tenho uma montanha de serviço, como também não sei fazer pelo menos a metade da montanha de serviço.




Outro ponto alto da situação é que vai vir uma terceira pessoa para ajudar nos serviços X, Y e Z. Só que essa pessoa não sabe nada de X, nem de Y, nem de Z!




Estressada, eu? Imagina.




10.11.08

O Caso do Seguro-Saúde

Toda vez que viajamos para o exterior, compramos diligentemente um seguro de viagem para doenças e acidentes. A idéia é pagar, não usar, e achar bom. Nunca precisamos acioná-lo (minto: em Aruba, tive uma dor de estômago horrível que Pepto-Bismol nenhum - cedido gentilmente pelo hotel - dava jeito. Fui parar no hospital, me lascaram uma injeção, melhorei, e até hoje não sei o que tive. Mas o seguro cobriu a consulta e a espetadela.).


Há algum tempo, quando estávamos indo para a Nova Zelândia, descobrimos que quem tem um cartão de crédito mais metido a besta ganha o seguro de viagem se comprar a passagem com o cartão. Aí fomos investigar como funcionava.


Ah, a novela. Você liga para todos os telefones do site e ninguém sabe nada. Isso quando não duvidam do que você acabou de ler na página deles! E te mandam ligar para outro número. E outro. E mais outro. Aí perdemos a paciência, achamos que se bobear a cobertura não alcançava a Nova Zelândia, compramos diligentemente nosso seguro de viagem Budget (ou "Buguéti", como a moça da agência de viagem aqui gosta de falar) e lá nos fomos.


Este ano começamos o processo de novo. O Leo ligou, foi transferido um tanto de vezes, e finalmente conseguiu falar no internacional do cartão, que prometeu que mandaria um e-mail com o comprovante do seguro.


A moça do cartão disse que o e-mail chegaria uns três dias antes da viagem. Logo percebemos que isso era a maior furada, porque se ela tivesse anotado mal nosso e-mail ou se alguma coisa errada acontecesse, não ia mais dar tempo de comprar o "Buguéti"!


Então hoje cheguei em casa disposta a gastar horas resolvendo o problema. Nem foi: no primeiro número que eu liguei já me passaram para o internacional, que não conseguiu desenterrar o primeiro pedido, mas que se prontificou a fazer outro. Gastei legal o meu inglês, animada pelo sotaque da atendente. O mais difícil foi soletrar meu nome e o do Leo inteiros (eu tendo a misturar o E ("i") e o I ("ai") na hora do vamovê). Me solidarizei com o Leo, que teve que fazer a mesma coisa no pedido anterior. No fim das contas deu tudo certo: o e-mail chegou minutos depois, com os nossos nomes perfeitamente escritos (graças a deus nenhum deles tem acento).

Estou com a sensação de dever cumprido. E, agora que temos o seguro que o Tratado de Schengen exige, estamos prontos para colocar os pés em solo europeu.

4.11.08

O Caso da Gastronomia

Eu gosto de ir a blogues gastronômicos. Adoro fotos de pratos elaborados. Leio com prazer cardápios chiques. Acho a gastronomia uma área fascinante.

O problema é que, embora eu tenha grande prazer intelectual nessas atividades, acho pouca graça na hora do vamos ver, isto é, de comer. Eu sou (e o Leo também é) enjoada pra burro. Gosto é de batata frita e chocolate. Detesto frutos do mar, ervas exóticas, peixe cru, carnes raras ou champignons. Ou seja: qualquer receita mais refinada me faz torcer o nariz e ficar separando pedacinhos da comida no canto do prato.

É triste. Eu queria muito dar o devido valor ao mundo dos sabores diferentes, mas se dependesse de mim eu ia comer pizza pro resto da vida. Minha sorte é que minha irmã e o marido são gourmets e volta e meia me apresentam umas novidades que até mesmo meu paladar pedestre consegue apreciar, como vinhos bons e queijos franceses.

Depois de refletir profundamente sobre o assunto, decidi não deixar minha falta de sensibilidade alimentar me abater. Descobri a solução, e ela é ótima: vou exercitar a gastronomia na área dos chocolates! Ao invés de ir a restaurantes caros, freqüentarei confeitarias finas! Não é perfeito?





Guloseimas de Pierre Hermé, Paris


Créditos da foto: http://www.praquemquisermevisitar.com/mundoafora_herme.html, um blogue de dar água na boca.