4.12.08

O Caso do Upgrade

Toda vez que eu viajo para o exterior, ajeito o cabelo com secador, passo batom, ponho uma roupa arrumadinha e vou pegar o avião toda pimpona.

É que meu sonho doirado é overbooking na classe econônima, com vagas na executiva ou na primeira. Aí o pessoal da companhia aérea vai dar aquela olhada em volta para decidir quem ganha o upgrade, me ver e pensar: essa sim, merece passar para a frente do avião.

Nunca aconteceu. Há uns tempos, me contaram que, na verdade, as chances aumentam proporcionalmente a quão mais velhinho e mais doente você é. Ainda não sou velhinha, mas estou andando com cinco remédios variados dentro da bolsa. Será que se eu despejá-los no balcão do check-in, assim como quem não quer nada, eu ganho pontos?

Também posso fazer uma grande produção ao aplicar Sorine e Afrin no nariz, com gemidos de dor e suspiros sentidíssimos. Melhor ainda: vou usar o Sorine antes de me apresentar no balcão, porque o Amoxil e o Loralerg deixaram meu nariz ótimo, mas depois de pingar Sorine fico fungando uns bons cinco minutos, como uma boa doente que se preze.

Se bem que aí eles podem achar que eu estou com um resfriado contagiosíssimo, e vão querer preservar os passageiros da primeira classe, que pagaram cinco vezes mais do que eu pela passagem.

Talvez o melhor seja dizer a verdade: olha, estou com uma sinusite horrível, tomando todos esses remédios, então se vocês pudessem me deixar mais confortável com um upgrade eu agradeceria muito.

Não é um plano sensato?

Exceto que estou viajando com o marido e dois amigos, e é claro que se me derem upgrade por causa de doença vai ser só pra mim, e eu vou ficar lá na frente sozinha com o champanhe que eu não posso tomar enquanto a galera se diverte às pampas lá atrás.

Humpf.

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