3.11.09

O Caso do Blogue Novo

Agora eu estou aqui.

Vejo vocês lá!

28.10.09

O Caso do Cavalheirismo

O Maridinho sempre foi muito cavalheiro. Já meu pai costuma não carregar a mala da minha mãe e, tendo oportunidade, nem a própria mala.

Tem gente que diz que o cavalheirismo morreu. Outros bradam pela necessidade de seu retorno. E eu? Eu sei lá.

Entendo que o cavalheirismo possa ser encarado como gentileza. Seriam sinônimos de cavalheiro as palavras “educado” e “solícito”. Concordo plenamente que é bom conviver com uma pessoa que tenha essas qualidades.

Entretanto, tanto aqueles que resmugam que o cavalheirismo desapareceu quanto os que exigem sua volta costumam encará-lo com um significado mais específico, isto é, aquele conjunto determinado de ações do homem para com a mulher. E esse cavalheirismo me desagrada profundamente: pra variar, ela fica lá, como uma pata choca, esperando que o homem faça alguma coisa.

Além disso, tem alguns itens da receita pronta do cavalheiro que não fazem muito sentido, como aquela história de que o homem deve pagar a conta do restaurante, levar flores e abrir a porta do carro. Poxa, se eu também trabalho e também tenho dinheiro, não vejo razão para ele pagar tudo (existe a tese “quem convida paga”, que me parece mais lógica. E eu sempre gosto de rachar. Agora, se o Bill Gates me chamar para jantar no restaurante do Alain Ducasse em New York, eu não vou brigar com ele pelo privilégio de pagar a conta, que deve ser equivalente a muitos dias do meu salário. Mas eu levaria um saquinho de balas Chita para demonstrar minha gratidão). Eu também posso dar flores (embora tanto o Maridinho quanto eu prefiramos oferendas em chocolate). E se eu estou dirigindo (o que é raro, admito, porque eu dirijo mal, me perco com facilidade e tenho um talento incomum para exterminar espelhos retrovisores), por que não abrir a porta para o passageiro?

Em suma, eu também posso (e devo, acredito) ser cavalheira com o Maridinho, isto é, educada e solícita. E eu sou. Mas quando aquele povo lá de cima fala em cavalheirismo, elas não estão pensando em mim, estão?

E tem outra: será que o cavalheirismo é mesmo bom para mim? Vejam só: o Maridinho é bem mais alto e forte do que eu. Quando vamos ao mercado, ele leva as sacolas de refrigerantes e eu levo as sacolas de guardanapos. É claro que isso me é agradável e confortável. Só que o resultado é que eu não uso meus músculos e fico ainda mais fraquinha que já sou.

Por outro lado, por enquanto não me sinto apta a carregar para casa o garrafão de água mineral de 20 l, que pesa quase metade do que eu (e talvez eu nunca adquira essa capacidade, mesmo depois do curso de Krav Magá que estou ambicionando fazer).

Pensando bem, não tenho nada contra uma divisão de trabalhos racional. Isto é, baseada nos fatos e na situação e não nos estereótipos. Assim, acho que faz sentido que, na hora de pagar o jantar, quem ganhe mais pague mais. Se a porta está fechada, que quem esteja na frente abra. Quando se quer um desconto, que quem tenha mais jeito peça. É verdade que o Leo costuma carregar mais peso que eu, mas eu fizer compras com uma pessoa mais fraca, sou eu quem vai carregar mais, é claro. Quando a gente viaja, o Leo bússola humana cuida do transporte e a Lud tagarela da comunicação. E o meu pai é folgado mesmo.

É claro que é muito mais fácil mulheres e homens terem seus papéis pré-determinados e todo mundo obedecer às regrinhas. Mas eu acho que papéis pré-determinados não estão com nada, principalmente quando a sociedade muda e eles não acompanham.

Não estou querendo dizer que eu quero que o cavalheirismo morra e que todo mundo seja grosso. Ok, o cavalheirismo de forminha de torta eu quero que morra, sim. Só que também acho que todo mundo deve ser gentil, polido e educado. Cada um do seu jeito e do jeito que melhor funcionar.

25.10.09

O Caso das Revistas Femininas

Sempre fui fã de revistas femininas. Quando fiz Comunicação Social, um dos meus objetivos era escrever para elas. Já defendi, com mais ardor do que análise, que o jornalismo feminino era, sim, jornalismo, e tão válido e digno quanto qualquer outro.

Cheguei mesmo a ter algumas matérias (duas, se não me engano) publicadas nelas. Até me pediram uma terceira, mas confesso que, na hora das entrevistas, refuguei: a pauta continha as expressões "truques sexuais", "prostitutas" e "usam com seus clientes". (Sim, é essa revista mesmo que vocês estão pensando.) Eu era ainda mais puritana do que sou hoje (uma característica que sempre deplorei) e acabei passando o serviço para uma das minhas melhores amigas, que deu conta da tarefa em dois tempos. (Acabo de perceber que a revista nunca mais me encomendou nada. Talvez a matéria cabeluda fosse um rito de iniciação no qual eu falhei miseravelmente.)

De uns tempos para cá, contudo, as revistas femininas têm me irritado e aborrecido em igual medida. Será que elas mudaram, eu mudei, ou todas as alternativas acima?

A impressão que eu tenho hoje quando as leio é que se eu não for jovem, magra, branca, bela, sedutora, de cabelos longos e lisos, com um ou mais homens em minha vida e várias roupas, cosméticos e acessórios novos em meu guarda-roupa, eu estou deixando de alcançar meu potencial total como mulher.

Pode ser que eu seja muito impressionável, e que outras pessoas leiam revistas femininas e não achem nada disso. Mas vejam só: tenho em mãos uma revista Nova de fevereiro de 2004 (é meio antiga, eu sei, mas é a que está disponível). Ela tem 146 páginas (contando as capas).

66 das páginas têm fotos de mulheres. 4 das mulheres (sendo que uma delas é o "antes" de uma transformação) têm cabelos não-lisos (sendo que ondas artísticas feitas sobre cabelo escovados contam como liso); 1 mulher é negra (numa foto pequena, entre duas amigas brancas). Não tem nenhuma mulher que aparente ter mais de 25 anos.

99 páginas são conteúdo. 39 são propaganda. 32 listam regras para o relacionamento com o sexo oposto, incluindo sexo. 34 páginas são dedicadas a matérias sobre diversos produtos. As páginas que faltam para fechar a conta incluem horóscopo, cartas das leitoras, endereços etc.

Deixando para depois a análise das matérias "como agarrar seu homem", talvez a maior maldade das revistas femininas seja a mensagem não-escrita é que você pode, sim, se transformar em uma das fotos da revista. É só consumir! A lista não tem fim: nessa única revista Nova, temos cera de depilação, tinta para o cabelo, regularizadores intestinais (?), roupas, perfumes, absorventes, jóias, bronzeadores, mais tinta para o cabelo, objetos de decoração, roupas, mais roupas, bolsas, sapatos, tratamentos de beleza exóticos como banho de pó de pérolas, xampu, creme anti-celulite, controlador de brilho da pele, creme antioxidante, creme com protetor solar para os cabelos, rímel, perfumes recém-lançados, corretivo, lápis de olho, batom, celular, miojo light, sombra de olho, brilho, chinelos bordados, sachê com ervas afrodisíacas, gel redutor, cosméticos para quem malha, sucos naturais, mouse decorado, revista de moda, revista feminina, pincéis de maquiagem, iluminador, blush líquido, curvex, creme de limpeza, sabonete facial, sabonete líquido, lenços antibrilho, loção tônica, demaquiante, hidratante para o rosto, hidrantante para o corpo, hidratante para as mãos, hidratante para a região dos olhos, sais de banho, exfoliante, loção para os pés, loção firmadora, ufa, cansei (mas tem mais).

O que até deve funcionar, para uma parcela da população quem tem tempo, dinheiro e genética a seu favor. Mas e se você não for (ou não quiser ser, ou não puder ser) jovem, magra, branca, bela, sedutora, de cabelos longos e lisos, com um ou mais homens em sua vida e várias roupas, cosméticos e acessórios novos em seu guarda-roupa? A mulher ideal das revistas femininas é um retrato bastante redutor, não? (Sim, eu sei que isso tudo vem a ver com o capitalismo, e com o fato que a revista custa dinheiro para ser produzida, que o dinheiro vem dos anunciantes. Mas será que tem de ser assim mesmo?)

Um amigo sugeriu que eu simplesmente deixasse de lê-las. Seria uma solução, sem dúvida. Só que essa mesma revista tem matérias sobre serviço voluntário, auto-exame de pele e mamas, dicas para progredir na carreira, formas de diminuir o risco de ter câncer, perfis de profissionais que ganham para viajar, educação financeira. Outras revistas femininas também trazem pautas que me interessam, como saúde, relacionamentos familiares, mulheres em posições de poder. As revistas de variedades, como a Veja, cobrem parte desses assuntos, mas geralmente o enfoque é neutro (ou seja, masculino). Então as revistas femininas têm, sim, a sua utilidade para as mulheres.

Minha conclusão é que as revistas femininas brasileiras atuais são basicamente esquizofrênicas. Matéria sobre auto-estima de um lado e modelos jovens, magras, brancas, de cabelo liso etc. de outro. Ecologia X consumismo. Saúde X horóscopo. Mulheres na política X celebridades.

O que fazer, então? Abandoná-las de todo? Ler só as partes que eu "aprovo"? Mas se eu comprá-las vou estar financiando todas as partes, não vou? E apesar dos pesares eu não consigo desaprová-las totalmente. Não sei se, caso todas elas fechassem, as mulheres estariam mais bem-servidas. Porque elas, bem ou mal, são um espaço de manifestação feminina.

Acho que precisamos é de uma revista feminina feminista. Que não pergunte para a futura candidata à presidência do Brasil se ela perdeu peso e como - ou que pergunte a mesma coisa aos futuros candidatos, antes de interrogá-los como sobre eles conciliam a vida familiar com a política e qual é sua receita preferida. Que mostre mulheres de todos os tipos e cores. Que não faça perguntas tolas a celebridades bobonas. E que acabe com os horóscopos!

24.10.09

O Caso do Comentário do Caso dos Comentários

No último post, a Setembro! fez um comentário muito pertinente: se ninguém percebeu, nem me tratou diferente quando eu parei de usar maquiagem/esmalte/etc, então como eu tenho tentado passar esses meus novos conceitos às pessoas que não acessam meu blog?

Funciona assim: estou em um grupo. Alguém comenta qualquer coisa sobre aparência/beleza/cosméticos. Aí eu anuncio orgulhosamente: pois EU não uso mais maquiagem.

As pessoas me olham perplexas. E percebem que, de fato, estou de cara limpa. Observe que o "mais" é uma palavra-chave, porque existe gente que não usa maquiagem mesmo. Mas o "mais" implica que já usei, que já experimentei seus "benefícios", e que abri mão.

Aproveito o momento de silêncio atordoado e me explico. O engraçado é que, nesse momento, gente que não estava nem notando se eu estava ou não de batom fica me questionando. Como se os meus cromossomos XX me fizessem automaticamente uma viciada em produtos de beleza. Como se os cosméticos fossem um privilégio. Como assim você não quer ficar BONITA?

Então a conversa cai no feminismo e os ânimos se inflamam. Surge a oportunidade de esclarecer alguns pontos polêmicos. Não, as feministas não querem ser iguais aos homens. Não, o feminismo não é o contrário do machismo (e logo, tão ruim quanto). Não, feminista não é palavrão.

Não vou dizer que convenço todo mundo, nem que as mulheres presentes esvaziam imediatamente a bolsa no lixo mais próximo. Até porque o assunto é complexo e não se esgota em uma única conversa. Mas faço o povo pensar um pouco. E sim, consigo uns adeptos.

Mas vou confessar: abandonar os cosméticos é bom principalmente para mim. Porque, para usá-los, eu tinha que ficar prestando a maior atenção no meu rosto, na minha pele, nos meus cílios, nas minhas cutículas, no meu cabelo, em tudo que que eu queria "corrigir" "disfarçar" e "realçar". Agora me olho no espelho a uma distância muito mais saudável de três palmos, e gosto do que vejo. Sim, o meu experimento teve um efeito colateral engraçadíssimo: estou me achando. (Minhas irmãs vão revirar os olhos, porque elas acham que eu já me achava. Eu acho.)

Por isso vou me maquiar a contragosto para ser madrinha no casamento da minha amiga. A festa seria um momento fantástico para a bombástica declaração visual "Não sou enfeite". Mas enfim. Estou pensando seriamente em lavar o rosto depois das fotos.

23.10.09

O Caso dos Comentários

Muitos comentários interessados e interessantes no último post. Acho muito legal que as pessoas se manifestem.

Eu concordo que nem lá, nem cá, ou nem tanto ao mar nem tanto à terra, é mais equilibrado. Sempre defendi que “a virtude está no meio”. E que é mais fácil, mais confortável e mais agradável para todo mundo, inclusive para mim, se conformar às convenções sociais de vez em quando (e é o que vou fazer, fantasiada de madrinha de casamento). Porque a gente vive em sociedade, afinal.

Só que... bem, eu tenho pretensões. De mudar o mundo, né. Porque eu acho que do jeito que está não está tão bom assim. Não é que eu não possa usar maquiagem. É que eu não quero. Na minha cabeça, neste momento, usar maquiagem não é privilégio (no sentido de que os homens “não podem”), nem liberdade. É obrigação. É a mesma coisa que dizer que eu teria a “opção” de usar uniforme na escola.

Sim, eu percebo que as exigências sociais podem ser encaradas como um jogo. E eu, classe média, funcionária pública, branca, heterossexual, magra, cabelo liso, tenho todos os trunfos na mão e todas as condições de jogar pra ganhar. Só que, embora o jogo seja bom para mim, não é bom pra todo mundo.

E, ao fim e ao cabo, não vai ser bom pra mim também. E quando eu envelhecer um pouquinho? Vou ficar na neura da juventude e me submeter a intervenções cirúrgicas para manter o corpinho? Como é que eu vou amadurecer com graciosidade quando durante anos gastei tempo e dinheiro para ser um deleite para os olhos e minha auto-estima está tão ligada à minha aparência? E o meu cabelo, que está caindo que é um horror? Se eu ficar careca, vou querer me suicidar ?

Eu se eu entrar na política? Ao invés de debater minhas idéias políticas, vou ter que agüentar colunistas políticos criticando meu guarda-roupa e a revista Cláudia perguntando se eu perdi peso e como?

E seu tiver filhas? Vou precisar dizer a elas que não, elas não podem ter a mesma liberdade sexual de seus irmãos, porque elas vão ser chamadas de putas e eles de garanhões?

(E olha que essas são questões exclusivamente pessoais. Tem outras generalizadas muito mais importantes, mas aqui estou falando só por mim.)

Atenção: não estou dizendo que quem usa maquiagem é a favor de todas essas coisas e/ou as perpetua. Estou dizendo que, para mim, neste momento, minha maneira de lutar é abandonando a maquiagem/secador/esmalte. Acho que o Daniel pegou o espírito da coisa: é um símbolo.

Com certeza existem muitas outras maneiras de lutar. Uma delas é escrever esse blogue. Por isso os comentários são importantes. Faz com que a gente troque idéias. Sim, posso ser convencida que a minha tática é inócua. Também posso convencer alguém que não é. E posso descobrir formas mais eficientes de mudar o mundo.

Alguém tem alguma idéia?

20.10.09

O Caso da Cara Limpa

Para minha grata surpresa, percebi hoje que tem 50 dias que não uso maquiagem/secador/esmalte.

Não usei nada fazendo curso de trabalho, visitando amigas, passeando no shopping, indo a festas de família. Tudo na maior tranqüilidade, se desconsiderarmos os comentários da minha mãe. Mas confesso que disfarcei as olheiras e passei batom duas vezes nesses 50 dias: tirando uma foto para o passaporte e outra para o Rotary. Vaidade, admito, mas bem controlada. Na Polícia Federal, dei ok para a primeira foto digital. No Rotary, fui clicada sem frescura. E ainda falei risonhamente para as outras moças, que se afligiam com a falta de espelho: “gente, não é concurso de miss, é intercâmbio profissional...!”

Quando comecei, tratava-se de um experimento modesto, e eu achava que ia sofrer um pouco. Pois deu tão certo que adotei por tempo indefinido. Não doeu nada, e só me diverti. Deixei de me preocupar com o estado do corretivo, do batom, do penteado. Não fico matutando antes de emitir minha opinião ou aceitar um convite. Durmo com o cabelo molhado. Não me aborreço quando a unha lasca (porque agora elas não lascam, elas são curtas!).

É verdade que eu estou tendo um pouco de conflito com o fato de que uma grande amiga ter me chamado para ser madrinha de casamento. Foi antes do meu experimento; ela mudou de cidade e não acompanhou minhas novas escolhas. Não ia entender lhufas se eu aparecesse no altar de cara lavada e calça comprida. Provavelmente ia achar que era pouco caso.

Então, em nome da nossa amizade e das expectativas sociais, vou usar o vestido longo e decotado que eu já tinha adquirido para a ocasião. Mas não vou fazer as unhas e não vou ao salão arrumar o cabelo. Quanto à maquiagem, estou seriamente inclinada ao estilo zumbi: olho roxo e boca nude.

Já que tenho de ser enfeite, serei um enfeite "user-unfriendly".

19.10.09

O Caso das Dinâmicas de Grupo

Eu e as dinâmicas de grupo nunca nos demos bem. Entrevista, apresentação, teatrinho, desafio, tudo isso eu encarava – mas dinâmica... Acho que é porque nelas eu não dava conta de disfarçar que sou mandona, teimosa e odeio trabalhar em grupo.

A verdade é que, até o intercâmbio para a Austrália, nunca consegui nada que dependesse de uma delas. Não, minto – na seleção de trainee da Vale do Rio Doce eu passei pela dinâmica de grupo e fiquei na redação de português e inglês (Como assim? Se tem alguma coisa que eu sei fazer nessa vida é redação em português e inglês. Estou convencida que minha caligrafia entregou que sou mandona, teimosa e odeio trabalhar em grupo).

Sim, pode ser que desde a última vez que fiz uma dinâmica de grupo (lá se vão cinco anos), eu tenha ficado menos mandona, teimosa e resistente a trabalhar em grupo. Mas tenho certeza de que o que garantiu minha aprovação foi uma commodity valiosíssima: noção.

Numa dinâmica de grupo para um intercâmbio profissional no qual você vai representar o Brasil em um país estrangeiro, você não deve dizer:

- que seu objetivo é melhorar o inglês;

- que você é tímido;

- que a sua maior qualidade é gostar de praticar esportes;

- que você dirigiu alcoolizado.

Vão por mim.

15.10.09

O Caso do Gene da Babaquice

Ando desenvolvendo a teoria de que todos nós, ou quase todos, temos em nosso DNA o gene da babaquice. Ele só espera uma oportunidade para se manifestar.

É a pessoa passar em um concurso melhorzinho, conseguir uma promoção ou arrumar um estagiário – ou seja, dispor de uma partícula de poder – que começa a se achar superior aos outros. E aí passa a batalhar por direitos que devem ser só seus e a atrapalhar os direitos dos outros. Sim, porque sua suposta superioridade tem de se traduzir em vantagens e benesses. E só se sustenta diante da suposta inferioridade alheia.

Eu descobri que tinha o gene da babaquice quando entrou gente nova de um cargo diferente, de salário menor, em minha seção. Imediatamente me dispus a mandar neles (e passar para eles os serviços que eu não queria fazer). Meio segundo depois percebi que era a babaquice aflorando. E segurei a onda, na hora. Vergonha própria.

Não é interessante que eu, que de vez em quando sou vítima da babaquice alheia, tenha tido como primeiro reflexo a reprodução da opressão sobre os mais desprotegidos? O gene taí, gente. Pelo menos me redimi prontamente: reconheci o ato falho e passei a defender os novatos da seção.

Aí me dei conta de como a opressão se multiplica. O chefe oprime o empregado, que que vai pra casa e oprime os filhos, que por sua vez oprimem os coleguinhas mais frágeis (não é regra; só tendência). É inconsciente: se somos inferiorizados em um lugar, no outro queremos nos sentir superiores. E lá nos vamos alegremente, reproduzindo aqui as táticas de dominação que aprendemos acolá.

Nessa hora entra a reflexão, né? Para reconhecer que o gene da babaquice existe e reprimi-lo. Sem dó nem piedade.

14.10.09

O Caso da Moda e da Maquiagem Como é que Ficam

Eu sei, eu fico voltando a este tema. Porque ele é caro ao meu coração. Porque eu adoro moda. E adoro maquiagem. Então, abrir mão delas não está sendo um detalhezinho à toa para mim.

Além disso, eu hesito em desqualificá-las. Porque elas pertencem, de maneira predominante, ao reino feminino. E a sociedade tende a desprezar (e dizer que é fútil) tudo que pertence a esse reino: “roupa, batom, novela, romance. Tudo bobagem. Coisa de mulher.” Importante sendo, claro, futebol, carro e cerveja. (Sim, eu sei que mulher dirige carro, toma cerveja e muitas gostam de futebol. Mas estou falando de estereótipos.)

Acho que o problema é que, no presente momento, moda e maquiagem servem de instrumento para a objetificação feminina. Praticamente todo estilista (independente do sexo) diz que seu objetivo é tornar a mulher sexy. Que cansaço, isso de ser sexy sempre. Que obrigação pesada, e nada adequada. Por que diabos eu tenho que ser sexy no trabalho? No cinema? Na rua? No supermercado? (Obs: isso não quer dizer que quem queira ser sexy em todos esses ambientes não possa ou não deva fazê-lo.)

Quando eu parei de usar maquiagem, percebi como minhas roupas são sexy. (E olha que eu me visto bem dentro do padrão. Não sou aquela moça que chega em um ambiente e chama todas as atenções, nada disso. Até acho que sou um pouquinho mais conservadora do que as minhas amigas.) Eu nunca tinha reparado nisso. Porque é a norma, né? Roupa de mulher é sexy. Podem observar. Eu tenho várias calças justas, muitas blusinhas colantes, roupas que mostram o corpo (saias, tops de alcinha, decotes), diversos sapatos de salto e algumas sandálias (também de salto).

Já o guarda-roupa do Maridinho se compõe de um monte de calças jeans retas, um monte de camisetas padrão, bermudas largas, alguns tênis e uns sapatos masculinos. Ele engorda um pouco, emagrece um pouco, e ninguém se dá conta. Ele usa a mesma camiseta dois dias seguidos e ninguém repara.

O meu guarda-roupa exige que eu esteja em forma. Depilada. Com as unhas dos pés feitas. Com a pele hidratada e preferencialmente bronzeada de maneira uniforme.

Roubada, né? E eu não tinha me dado conta disso, gente! 33 anos nas costas e achando natural que eu gastasse vinte minutos para me aprontar enquanto o Maridinho precisava de 5. Ou 2.

A relação que ele tem com as roupas é clara e descomplicada. Elas servem para proteger, aquecer e tá bão. Ele não usa sapatos desconfortáveis ou trajes que deixam você respirar apenas com a parte superior dos pulmões. Ele nunca hesita em emendar um programa no outro porque não está vestido adequadamente.

Então meu ícone de moda deixou de ser a Kate Moss e passou a ser o Maridinho.

12.10.09

O Caso das Penélopes

Então tem gente que acha que o ideal de mulher é isso?

Não, obrigada. Eu passo. Ter todas as virtudes e ainda a obrigação de ser linda? É demais para mim.

E ainda há quem se pergunte por que as mulheres são mais infelizes do que os homens. Não tá na cara?

10.10.09

O Caso do Respeito

Uma das coisas mais difíceis que estou aprendendo com o feminismo é respeitar as opções alheias (porque eu geralmente acho que estou sempre certa e todo mundo deve fazer como eu faço). Depois de me dar conta das exigências absurdas que a sociedade faz em relação à aparência das mulheres, eu racionalmente deixei de fazer um monte de coisas (usar maquiagem, fazer a unha, usar roupas justas/curtas/enfeitadas). Só que eu sou bem padrãozinho (branca, magra, cabelo liso). Só que eu sou casada e funcionária pública. Então como é que eu vou me revoltar contra uma mulher que, estando dentro do sistema machista e patriarcal, quer emprego/namorada(o)/inclusão social e usa os instrumentos que esse mesmo sistema diz que são necessários?

O que eu posso fazer é conversar com as pessoas e mostrar os fatos para elas façam escolhas conscientes. O que posso querer é que elas saibam que o sistema existe e como ele funciona. Que, se não puderem evitar avaliar aparência e o comportamento sexual das outras pessoas, usem o mesmo padrão para todo mundo. Que criem filhos que sejam conscientes também. Aí a sociedade começa a mudar.

Se a consciência gerar nas pessoas a mesma resposta que gerou em mim, fantástico. Porque acelera o processo. E porque estou muito satisfeita com minha vida de feminista prática. Com minha nova rotina simplificada, ganhei tempo (que eu uso para fazer estes ótimos posts para vocês) e confiança. Minha faxineira ganhou um aumento de 25% (antes eu pagava o valor de mercado, que é não é grande coisa. Não que com o aumento tenha virado grande coisa, mas ajuda). Minhas economias ganharam mais força. Minha mãe ganhou novas razões para me criticar. Ou seja, todos estão felizes!

Eu principalmente.

7.10.09

O Caso do Curso e das Alunas do Curso

Sim, eu sumi por uns dias. É porque estou fazendo um curso em outra cidade.

O curso em si é chato pra burro. A parte boa é que conheci quatro moças (meninas? mulheres?) sensacionais.

Conversamos de tudo. Ateísmo, religião, feminismo, literatura, cinema, ecologia, vegetarianismo, trabalho. Vamos almoçar juntas e, como não dá pra andarmos todas lado a lado, formamos dois grupinhos sortidos. E todo mundo conversa com todo mundo e participa nas conversas umas das outras e tudo funciona muito bem.

Eu sempre tive amigas mas, que eu me lembre, o processo da formação da amizade era lento e gradual. Dessa vez, não. Foi praticamente instantâneo.

A parte ruim é que, quando o curso acabar, vai cada uma pra um lado.

A parte boa é que existe e-mail.

2.10.09

O Caso da Pílula Vermelha

Vocês se lembram do filme Matrix? Em que o Neo, interpretado pelo Keanu Reeves, escolhe tomar a pílula vermelha, vê a realidade de fato e aí não tem mais como fingir que tudo está bem?

Pois então. O feminismo é a pílula vermelha. Depois que você percebe que a sociedade é patriarcal e machista, e trata as mulheres como enfeites e reprodutoras, e isto está tão inserido na cultura e na gente que até então nem nos dávamos conta, também não tem mais como voltar atrás e fingir que está tudo bem. Situações e imagens aparentemente naturais começam a saltar aos olhos. Exemplos práticos dos últimos dias:

Vídeo de apresentação do Brasil na seleção para sediar as Olimpíadas 2016. Lindíssimas imagens do Rio, e as mulheres que aparecem estão: a) de biquíni na praia, b) fazendo compras no shopping, c) desfilando no carnaval. Tradução: mulher é enfeite e adorar comprar. Mais enfeites.

Filme de animação Igor. A história é sobre como o mais humilde (dos homens) pode superar as dificuldades. As mulheres são: a) a sedutora ajudante do vilão, que namora os cientistas rivais para roubar suas invenções, b) uma criação do Igor, intrinsecamente boazinha, a quem bastar chamar de “feia” para deixar desconsolada. Tradução: mulher é puta ou é santa. E a maior ofensa que você pode fazer a ela é dizer que ela não é bonita, isto é, enfeite.

Seriado novo, Glee. As personagens feminas são a) visualmente atraentes, b) basicamente desequilibradas. Tradução: mulher é enfeite. Enfeite irracional.

É chato notar essas coisas. É assustador perceber que, até pouco tempo atrás, eu nem notava essas coisas. É apavorante dar-se conta que a maior parte das pessoas não só não notas essas coisas como também, quando você as aponta, te olha com absoluta incompreensão.

(Imagino que era exatamente assim que o Neo se sentia quando se conectava à Matrix.)

O Morpheus tinha a pílula vermelha para oferecer. A minha versão da pílula vermelha é o meu corpo cada vez mais sem artifícios femininos. Ela não é tão eficiente quanto a original, e precisa de tradução, mas vem me servindo.

O mundo pós-pílula vermelha é, francamente, uma porcaria. Eu me lembro de, após assistir Matrix, declarar que eu preferia continuar dentro na máquina a comer papa num submarino enferrujado (mesmo que fosse junto com o Keanu). Quando eu percebo a maneira que a mulher é retratada, e a eficiência desse tratamento para convencer as pessoas desde o berço de que “as coisas são assim mesmo”, eu fico brava, chateada e frustrada. Acreditar que o mundo era mais ou menos justo e que eu passava maquiagem porque eu gostava era muito mais confortável e relaxante.

Mas há suas compensações. Quando eu deixei de acreditar em monte de mensagens sobre como eu “devia ser”, comecei a prestar atenção em como eu quero ser, o que é muito mais importante (simplesmente porque tem mais chances de me fazer feliz). Passei a ser mais tolerante, comigo e com os outros. A perceber injustiças e preconceitos (e me expressar contra eles). A comer mais chocolate. E a saber que, num mundo imaginário em que o Maridinho não existisse e eu estivesse em um submarino enferrujado com o Keanu, a última das minhas preocupações seria o estado das minhas unhas.

"Vem que é nóis!"

30.9.09

O Caso do Intercâmbio na Austrália

No sábado fui a BH fazer a seleção para participar de um intercâmbio profissional na Austrália promovido pelo Rotary.

Conheci pessoas legais, gastei o inglês, e ainda teve lanchezinho com pães-de-queijos deliciosos. Adorei.

Aí fiquei arrancando os poucos cabelos que me restam esperando o resultado.

Tinha horas em que eu ficava otimista, achando que tinha ido bem. Tinha outras em que eu ficava pessimista, achando que a concorrência tinha ido melhor. Mas a consciência estava tranqüila, porque eu tinha me preparado o melhor que podia: antes da seleção, pesquisei sobre o Rotary, sobre o intercâmbio profissional, sobre a Austrália. A irmã I., que é a master trainee lá de casa, deu dicas de dinâmica de grupo. A irmã D., que é a maior fã de intercâmbios, incentivou entusiasticamente.

Confesso que quando cheguei à seleção, firme no meu propósito de não usar maquiagem/roupas justas e enfeitadas, e dei de cara com um concorrente de terno, pensei por um breve instante que talvez a minha estratégia não tivesse sido a melhor. Mas logo reafirmei minha decisão: não era concurso de miss, oras. Eu não estava lá para deleitar o olhar dos julgadores (e julgadoras), ou impressionar os concorrentes com meu fashion sense. Estava lá para mostrar que era dinâmica, comunicativa e sabia falar inglês.

E foi o que eu fiz: o resultado saiu hoje. Aprovada!

(Feliz da vida.)

O Caso do Remedinho

Faz mais de um ano que eu andava tendo uns medos exagerados: ficava tensa na viagem para BH, me agarrando na porta do carro a cada curva; ruídos súbitos e altos me faziam dar pulos; e eu acordava de noite, assustadíssima com um barulho não-identificado, até perceber que era o Leo respirando.

Sim, eu sabia que alguma coisa não andava indo bem. E sabia perfeitamente que o medo era infundado (o que é altamente frustrante para uma pessoa que sempre se julgou racional).

Fui a um psiquiatra do plano de saúde. Ele prescreveu um ansiolítico antidepressivo e um remédio homeopático. Tomei só o homeopático (que eu achei que mal não fazia) e nunca mais voltei. Que absurdo, ansiolítico antidepressivo. Vê lá se eu, jovem, bem-casada, feliz, com um bom emprego e nenhuma dificuldade aparente, ia mexer com remédio controlado. Pois bem, nada mudou.

Aí fui a um psicólogo ótimo. Passamos dois meses produtivos juntos, saímos os dois de férias, e nunca mais voltei.

Os medos continuaram aumentando alegremente. Sim, eu tive medo andando à noite na rua. Eu não estava sozinha, estava com o Maridinho. Na Suíça.

Tem horas que a realidade fala mais alto do que a esperança de que o problema se resolva sozinho. Arrumei outro psiquiatra (competentíssimo. E caríssimo) e, quando ele me receitou o mesmo ansiolítico antidepressivo do outro, não tive dúvidas: comprei e tomei. Com dor no coração, porque é um remédio caro pra burro. Mas achei melhor sentir dor no bolso do que na alma.

No começo, o remédio só deu sono, acessos de bocejo e falta de apetite. Depois de umas semanas, os medos, gradativamente, começaram a diminuir. E os efeitos colaterais foram embora.

Eu me considerava uma pessoa feliz. Fiquei mais. E mais tranqüila. Mais segura. Menos preocupada com a opinião alheia. Gostando mais das pessoas. E aí, claro, virei feminista.

Brincadeiras à parte (porque eu já era feminista), o tratamento fez bem para mim. Os medos não sumiram totalmente, mas quase. E eu não ia falar nada aqui, mas depois fiquei pensando: o que é que tem? Quando o meu cabelo caía, eu contava dos comprimidos de ferritina sabor chocolate. E sobre a minha absorção de serotonina desregulada (acho que é isso), eu não falo nada? Problema de saúde é problema de saúde, poxa.

PS: não estou fazendo apologia ao uso de medicamentos. A mim, neste momento, ajudou, só isso. O psiquiatra também recomendou que eu voltasse à terapia. Terapia sempre é bom.

PSII: nessas horas eu percebo como o dinheiro faz diferença na vida da gente. Acho que dá para viver com pouco e ser feliz, mas quando a pessoa não tem grana para comprar remédio, aí a coisa pode ficar feia.

29.9.09

O Caso da Champã

Como presente de formatura, o Maridinho ganhou de mim uma garrafa de Veuve Clicquot, trazida pela irmã I. de sua última viagem e alegremente consumida entre amigos.

Foi um erro. Porque agora ele torce o nariz para a Mumm argentina, que custa um quarto do preço. E já declarou que não toma mais espumante, só champanhe de verdade.

O Maridinho é uma pessoa simples; eu é que sempre fui a esnobe horrível.

Aparentemente o esnobismo horrível é contagioso.


28.9.09

O Caso dos Comentários Maternos

Nesse fim-de-semana tive o primeiro comentário negativo a respeito do meu experimento social (isto é, a recusa em ser enfeite). O mais engraçado é que ele veio de minha mãe, aquela criatura sem vaidade da minha adolescência.

No meio de uma conversa, eu disse que não andava ligando muito para a aparência e ela retrucou: “É, eu percebi mesmo... você anda muito desleixada. Usando umas calças largas, velhas.”

Eu ri, né? Porque eu acho que estou longe de ser desleixada. Eu continuo tomando banho, penteando o cabelo, cortando as unhas. As calças “largas, velhas” são calças sociais que não são grudadas no corpo.

Respondi que, de fato, eu costumava ser mais vaidosa. E ela me lascou: “É verdade, você era até exageradamente vaidosa.”

(Sim, minha mãe nunca está satisfeita com a minha aparência, nem com a aparência das minhas irmãs. Mas esse é outro assunto.)

Expliquei a ela que meu novo visual era uma declaração política. Ao que ela me respondeu: “Ah, mas radicalizar não é uma boa” e “Um pouco de vaidade é importante”.

É claro que perguntei por que radicalizar não era uma boa e por que um pouco de vaidade era importante. E é claro que ela enrolou e não conseguiu responder, porque são típicas frases feitas que todo mundo repete mas que não necessariamente se sustentam.

O mais engraçado é que não virei, de repente, uma pessoa totalmente desprovida de vaidade. Meu corpo continua depilado. Minhas roupas continuam combinando. Meus sapatos continuam engraxados. Eu só estou evitando as roupas justas e enfeitadas e a maquiagem.

Ou seja, eu ainda me visto melhor que o Leo (desculpa aí, Maridinho). Mas o Leo ninguém acusa de desleixo.

24.9.09

O Caso do Fim do Ciclo Universitário

Aqui é o Leo postando. A Esposinha já ameaçou várias vezes mudar o nome do blogue para LudLud ou Lud. Só porque eu nunca escrevo? Imagina. Em quase 6 anos devo ter feito uns 4 post já. E para manter a média, vamos ao quinto:

Finalmente colei grau e terminei minha saga de faculdade. Depois de dois anos e meio (novo recorde onde estudei, aqui no Vale do Aço), me formei no curso de Computação - Sistemas de
Informação.

O mais legal é que não sei o que sou. Se tivesse terminado o curso de Ciências Econômicas na UFMG, que comecei em 1993 e larguei no meio, eu seria economista ou, mais chique ainda, cientista econômico. Agora, quem se forma em Computação - Sistemas de Informação (adoro o traço no meio do nome do curso) é o quê?

Passei boa parte dos 2 anos e meio tentando descobrir. E para minha tristeza termino o curso sem saber, porque nenhum professor conseguiu me dizer. O mesmo vale para o coordenador de curso. Tô achando que serei igual ao Chandler do seriado Friends: o amigo do qual ninguém sabe profissão. Será que sou um transponster?

Agora é seguir em frente. Nova etapa, estudos para concursos públicos. E para não faltar feminismo neste post, quer marido mais feminista que eu? Sou dono-de-casa. Dondoco.

E, cá entre nós, adoro esta profissão!!!
Fonte da figura: este site aqui.

23.9.09

O Caso do Teste: Você é Feminista?

Percebo que muitas pessoas hesitam em se intitularem feministas. E alguns parecem francamente ofendidas quando pergunto se se consideram como tal.

Para resolver a questão de uma vez por todas, aí vai um teste revelador: você é feminista?

1. Você acha que (A) uma mulher deve receber o mesmo salário de um homem para realizar o mesmo trabalho ou (B) uma mulher deve receber um salário superior ao de um homem para realizar o mesmo trabalho?

2. Você acha que (A) as atividades domésticas devem ser de responsabilidade de todos os moradores da casa ou (B) as mulheres não devem ser responsáveis pelas tarefas domésticas?

3. Você acha que (A) que homens e mulheres devem receber a mesma educação escolar ou (B) somente as mulheres devem ser admitidas nas faculdades?

4. Você acha que (A) homens e mulheres devem ter direito a votarem e a serem votados ou (B) somente as mulheres devem ter direito a votarem e a serem votadas?

5. Você acha que (A) homens e mulheres devem ter autonomia para possuir bens e administrá-los ou (B) somente as mulheres devem possuir bens e administrá-los?

Resultado do teste:

Se você marcou mais letras (A), surpresa – você é feminista! É isso mesmo: o feminismo defende que todo mundo deve ter direitos e obrigações iguais, independentemente do gênero. É por isso que feminismo e machismo não são opostos: o feminismo quer que tanto mulheres quanto homens tenham acesso às mesmas oportunidades; já o machismo acredita que os homens são superiores e, por causa disso, devem ter direito a vários privilégios. O real oposto do machismo é o femismo, que segue a mesma "lógica" ("sou melhor porque tenho o cromossomo X ou Y") e está representado pelas letras (B) no teste.

Você se chocou com as letras (B)? Pois é, que horror. Que injustiça. Mas perceba que, se você trocar a palavra “mulher(es)” por “homem(ns)” nos itens 1 e 2, eles vão refletir a realidade atual de muitas mulheres. E se você fizer a mesma coisa nos itens 3, 4 e 5, bem, eles correspondiam à verdade não faz muito tempo (e ainda correspondem em certos países). O que aconteceu desde então? O feminismo.

Então, meninas e meninos, não façam cara feia quando perguntarem se vocês são feministas. Feminismo não é palavrão. É elogio. É liberdade. É contestação. É questionamento de modelos prontos. É bom para todo mundo.

Ah, gente, confessem: vocês já eram feministas e nem sabiam.

Nota importante: baseei meu teste neste aqui.

"Feminismo é a noção radical de que as mulheres são pessoas"

22.9.09

O Caso da Dúvida: Por que as Mulheres se Arrumam?

A minha amiga Chris deixou nos comentários a seguinte indagação: “dizem que, na verdade, as mulheres se vestem bem, usam maquiagem e tudo mais pras outras mulheres, e não para os homens... será?”

Bem, eu posso falar da minha experiência. O Maridíssimo não é ligado em roupas (nem nas dele) ou em maquiagem. Quando eu boto uma roupa que faz muito tempo que não uso, ele pergunta se é nova. Ele só percebia que eu me pintava quando eu usava um monte de sombra nos olhos. E às vezes eu usava alguma coisa superfashion e ele olhava meio desconfiado.

Ele e os amigos dele são assim. Eles só notam se a moça “tá bunita”. E a definição de beleza deles passa bem longe dos editoriais das revistas de moda. Boca nude e esmalte roxo não fazem o menor sucesso. Roupa de marca eles nem registram.

Então parece que, de fato, as mulheres não se arrumam para os homens (e eu nem acho que deveriam, tá?). Mas, por outro lado, conheço alguns homens acham, sim, que tem alguma coisa errada com as mulheres que não “se cuidam”. Talvez eles não saibam direitinho o que o “se cuidar” envolva, mas conseguem apontar que a Marina Silva é uma delas. (De novo a Marina Silva! É porque ela é a única mulher pública que eu consigo lembrar que se apresenta de cara limpa (tão bonito isso, para um político). E confesso que já passou pela minha cabeça que um corretivozinho lhe cairia bem. Mas isso foi antes de ler “O Mito da Beleza” da Naomi Wolf, e entender que a Marina Silva não é modelo/manequim, mas política, e portanto a aparência dela não vem ao caso (porque nas olheiras do José Serra ninguém quer passar corretivo, né?)).

Ao fim e ao cabo, o certo é que a sociedade exige das mulheres uma certa aparência. E a punição da sociedade para quem não cumpre suas exigências é a crítica, o ridículo e até o ostracismo.
Nós, mulheres, estamos inseridas na sociedade. Então, é meio automático que a gente repita seus mandamentos. O que acaba sendo um tiro no pé, porque quando eu critico a aparência de uma mulher, estou mantendo vivo e forte o sistema e reforçando que é “natural” que eu também seja avaliada pelo meu visual.

O que a gente faz para mudar isso? Bem, eu estou tentando vivamente não falar da aparência das pessoas (e principalmente das mulheres). Simplesmente não comento. Nem para elogiar. Porque acho que só cabe esse julgamento se estamos falando de atores/modelos, profissões ligadas à aparência. Ou talvez só modelos, porque eu gostaria muito que a profissão de ator não fosse ligada à aparência. Embora eu saiba que seja, principalmente se você é atriz.

E também tento convencer gentilmente as pessoas desse ponto-de-vista. (É, porque eu achava que uma discussão era uma oportunidade para esmagar os outros com meus argumentos vociferantes. Há pouco tempo descobri que uma discussão serve para é para trocar idéias – e se eu escutar atentamente as alheias, é mais provável que os outros também escutem atentamente as minhas). Confesso que não é fácil mudar uma visão que está tão inserida nas pessoas que elas não percebem que é só uma visão, não uma verdade definitiva. Mas acho que o simples fato de abrir o questionamento já é um passo importante.

21.9.09

O Caso do Menino ou da Menina

Parece que na França é muito comum o casal, durante a gestação, não querer saber o sexo do bebê. Fiquei pensando sobre o assunto e concluí que é uma ótima idéia. Sem saber se é menino ou menina, a mãe e o pai (e os familiares) vão pensar no baby como uma pessoa. Não vão ficar desenvolvendo expectativas do tipo “vai gostar de esporte” (se for garoto), ou “vai gostar de cozinhar” (se for garota). Porque não tem nada nos genes que determine essas preferências, né? É pura construção social.

Outra vantagem: o feto não ganha roupinhas e brinquedinhos “de gênero”. Ou seja, nada de vestidinhos cor-de-rosa. Ou de uniformezinho do exército. Que são danados, né? Porque os estereótipos estão também no nosso inconsciente. Por mais que eu tente ser crítica, tenho certeza que vou (e todo mundo também vai) esperar que uma criança vestida de princesa seja muito mais frágil e mais bem-educada do que se ela estiver usando camuflagem. Já o bebê fantasiado de Rambo vai poder gritar e chutar e correr e todo mundo vai achar lindo.

Então acho que, se eu decidir ter filho(s), não vou querer saber o sexo do bebê até nascer. E enquanto isso vou chamando nem de menino e nem de menina, mas de menine.

Vejam acima atraente menine mostrando a língua para os estereótipos de gênero.

17.9.09

O Caso do Discurso Pró-Vida da Nova Novela das 8

Obs: já vi que "Viver a Vida" vai render assunto para inúmeras postagens.

Hoje minha mãe veio me visitar e, já que ela vê novela, fiz companhia. Atuações constrangedoras? Check. Mulheres chatas e fúteis? Check. Velhusco conquistador metido? Check.

Aí ficamos sabendo que a Sandrinha, irmã mais nova da Helena (acho que a personagens tem uns 18 anos) , está grávida. A mãe das duas, a Edith, fica escandalizada (ANTES de saber que o namorado usa drogas e bate nela). E a Helena afirma para a mãe que a Sandrinha TEM de ficar em Búzios até o filho nascer. Porque se a Sandrinha voltar no Rio "ela vai acabar achando um açougueiro que faça um aborto. Ela vai se matar e vai me matar também".

Bem, gente, Sandrinha é classe média. Classe média arranja clínica arrumadinha para fazer aborto (que nos primeiros meses da gravidez é um procedimento simples - cirurgicamente falando). Ou seja, não tem açougueiro na história. E o risco de morte (se feito adequadamente) é muito baixo (acredito que até menor do que o do parto).

Sandrinha é jovem, revoltada e NÃO quer ter o filho. Eu não estou entendendo porque a Helena se arvorou em dona da verdade e da irmã. A mensagem da cena é clara, né? Aborto é uma aberração (que só uma doida como a Sandrinha, que além do mais apanha do namorado drogado, cogita fazer). Se apesar disso se você decidir por ele, primeiro você vai sofrer e depois você morre.

As coisas não são beeem assim, não. Não estou dizendo que abortar é simples como ir ao cinema; que não pode deixar seqüelas emocionais; que é uma decisão fácil. Mas também acho que a escolha é da mulher grávida. É o corpo dela que vai mudar e é ela que vai ser a principal responsável pela criança (salvo exceções). E me irrita profundamente que quem decida sobre a legalidade do assunto seja um monte de congressistas homens, velhos e carolas.

Achei a cena bem movimento Pró-Vida (contrário ao aborto exceto em alguns casos, e às vezes nem nesses). Que, ao contrário do que muita gente pensa, não é uma oposição simétrica ao Pró-Escolha (a favor da liberdade reprodutiva). Porque o Pró-Vida decide pela mulher: não pode abortar e pronto. O Pró-Escolha acha que a mulher deve decidir por si mesmo: abortar ou não. Ou seja, o Pró-Escolha abriga as duas possibilidades. O Pró-Vida só admite uma.

Você pode muito bem estar certa de que nunca interromperia uma gravidez e ao mesmo tempo ser Pró-Escolha. Porque o Pró-Escolha não obriga ninguém a abortar. Ele só defende que o direito de decidir é seu, não dos congressistas homens velhos carolas.



Eu sou Pró-Escolha mermo.

O Caso da Cara Limpa

Então eu deixei de usar maquiagem, né? Porque eu não sou enfeite. Nem palhaço.
E não é que eu não goste de maquiagem. Eu adoro. É uma escolha, mesmo.
Eu sei que pode ser difícil para as leitoras (e leitores!) entenderem essa idéia, porque afinal aparentemente a beleza feminina só traz vantagens, né? E porque que a boba aqui vai abrir mão dessa vantagens?
Tem vários de motivos, e talvez eu não consiga expressá-los tão bem quanto gostaria, mas vou tentando.
Primeira idéia: mulheres e homens são diferentes biologicamente, mas isso não justifica uma hierarquia entre eles.
E, na nossa sociedade, existe uma hierarquia. Mulher é cidadão de segunda classe. Se não fosse, ela não seria 51% da população mas estaria presente nos cargos políticos e de chefia numa porcentagem muitíssimo menor, né? Ou ganharia um salário menor pelo mesmo emprego. Ou sofreria violência doméstica. Ou seria 70% dos pobres do mundo (o dado é da ONU). Etc etc.
Segunda idéia: muitas das diferenças entre mulheres e homem (geralmente aquelas que são usadas para justificar a dominação masculina), são construções sociais, não conseqüência da biologia.
Ando conversando com muita gente a respeito de criação de filhos, e as mesmas pessoas que insistem que meninos e meninos são diferentes, sim, por causa dos hormônios! são os que ficam mais chocados com a idéia de botar um vestido de princesa rosa no menino. Ué, se a masculinidade está nos genes dele, não é um vestidinho bobo que vai confundir o garoto, não é?
Terceira idéia: aos cidadãos de primeira classe (que por acaso são os homens, mas que podiam ser também as murtas azuis calpurnianas) não se exige uma aparência que deleite os olhos (como se demanda das mulheres). Ninguém chama o Lula ou o Clinton de feios, porque a beleza simplesmente não está em questão. Mas tem colunista criticando a Marina Silva por “não se cuidar”.
Então eu, que antes de ser mulher sou pessoa, não quero mais gastar dinheiro, tempo e preocupação em coisas que não são exigidas dos cidadãos de primeira classe (que por acaso são os homens, mas que podiam ser também as murtas azuis calpurnianas).
Também estou revendo meu guarda-roupa (e foi uma coisa natural, não premeditada). Estou preferindo roupas mais unissex. E, adivinha? Elas são mais fáceis de usar e combinar.
Isso não quer dizer que estou negando minha qualidade de mulher. A não ser, claro, que se considere que ser mulher é usar batom, esmalte, secador e saia. E não é, né?
Também não estou dizendo que homem e mulheres são inimigos. Ou que ninguém deve usar maquiagem. Ou que essa é a solução para todos os problemas femininos.
Só sei que para mim, neste momento, ao perceber que vivo numa sociedade que trata as mulheres como enfeites (quem nunca recebeu um cartão de Dia das Mulheres nos agradecendo por embelezar o mundo?) ou palhaças (salário menor pelo mesmo serviço), não faz o menor sentido sair por aí com o rosto pintado.
Porque eu não sou enfeite. Nem palhaça.

15.9.09

O Caso da Nova Novela das 8

Faz anos que eu não vejo novela, mas como a que estreiou ontem na Globo tinha a primeira protagonista negra no “horário nobre”, achei que valia a pena dar uma espiada.
Rolaram umas convulsões de ódio na frente da tevê. Senão, vejamos:
* a fofa da Taís Araújo aparece de cabelos crespos, naturais e lindos no começo do episódio, mas na hora do desfile de moda a cabeleira fica lisa escorrida. E a irmã dela está a cara da Riahanna – isto é, cabelinho liso, liso. Pelo menos a mãe das duas, que consegue ser ainda mais bonita que a Taís, varia.
É superlegal ter uma família negra em destaque na novela das 8, mas se for pra lascar nela a estética do homem branco não adianta muito, né?
* o galã da novela é o José Mayer, canastrão como sempre. Da boca dele saem estas pérolas: “Eu não consigo viver sem uma mulher fixa. Eu gosto dos pés se encontrando no meio da noite, de escutar as bobagens dela no café-da-manhã, de ouvir as fofocas que ela traz do salão de beleza”.Um momento que eu vou ali vomitar.
* eu não sei de onde tirei a idéia de que o escritor da novela, o Manoel Carlos, gosta das mulheres. Quase todas que apareceram no primeiro capítulo são todas bonitas, arrumadas, ricas, fúteis e chatas.
* a única personagem que me agradou foi a ex-esposa do José Mayer, a Lília Cabral. Ela é bonita, arrumada, rica, fútil e chata. Mas como a atriz é ótima, simpatizei com ela. Até porque me parece que a idéia era usá-la de contraponto ao José Mayer (tipo ela é esposa insuportável, ele é o marido sacrificado). E ele é um chatão.
* o José Mayer tem 59 anos. A Taís Araújo tem 30. Nada contra a diferença de idade, mas porque na maioria absoluta dos casos o homem é velhusco e a moça é que é novinha?
Aí começou um filme e eu mudei de canal.

14.9.09

O Caso do Experimento Social: Parte 4 e Final

Afinal, o ideal é que a gente ignore as aparências, ou que não as ignore, mas as aceite como são?

Andei pensando (e posso mudar de idéia). Minha conclusão no momento é a primeira opção é a melhor – mas é também meio impossível. Então o jeito é não dar muita importância, e também não ficar fazendo julgamentos apressados, baseados somente na cara (e no corpo) das pessoas. Só porque alguém é diferente de mim não significa que ela seja boba/feia/chata. E aí nessa de não julgar pelas aparências um monte de preconceitos vai embora, né?

O que estou levando do meu modesto experimento social?

Vou continuar dispensando os “cuidados de beleza”. Deu pra ver que, com a mesma rotina que meu marido tem (banho – desodorante – corte de cabelo e unha – lâmina para os pelos – perfume de vez em quando) eu fico perfeitamente apresentável. E feliz da vida.

Além disso, prometo solenemente:

1) rir da cara das propagandas de produtos de beleza, sabendo que elas são essencialmente mentirosas. E não gastar meu rico dinheirinho com eles.

2) ler revistas femininas com muita reserva (vide post futuro).

3) evitar comentários sobre a aparência das pessoas, tanto negativos quanto positivos. A mensagem? Seu visual não é mais importante que você.

E agora, o mais importante: a base teórica do experimento.

Escrevalolaescreva, da Lola Aronovich:
http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2008/06/beleza-no-um-por-todos-todos-por-um.html

O Mito da Beleza, da Naomi Wolf:
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2007/01/370736.shtml
Direitos autorais: o livro está esgotado no Brasil. Assim que for lançada uma nova edição (o que é pouco provável), tiro o link do blogue.

11.9.09

O Caso do Experimento Social: Parte 3

Resultados imediatos: passei a ir para o trabalho mais cedo e a abraçar as pessoas sem me preocupar se uma parte da maquiagem ia ficar nelas. Também abandonei o hábito de checar o estado das olheiras. E passei a me olhar no espelho com olhos menos críticos – afinal, sem maquiagem, eu sabia que não ia estar perfeita mesmo.

Resultados após alguns dias: como eu estava sendo menos exigente comigo mesma, estendi a cortesia às pessoas em geral. Elas ficaram mais interessantes, já que, suspenso o julgamento em relação ao visual, dava para prestar atenção no que elas diziam e faziam.

Reações até agora: não houve. Nenhuma. NENHUMA. As pessoas me tratam exatamente da mesma maneira. Ninguém apontou o dedo e disse: hahaha, olha as olheiras dela. Ou hehehe, que cabelo ridículo ela tem. Ou hihihi, seus poros são gigantes. O que me leva a concluir que meu visual não fica assim tão “agradável” quando “me cuido”, nem tão “desagradável” quando não ligo a mínima.

Resposta à questão nº 1) será que, sem maquiagem/cremes/secador, eu vou ficar feia mesmo?

Olha, ninguém gritou que eu tinha virado um monstro. Talvez alguma amiga tenha notado a palidez, mas não falou nada. O Maridinho sequer percebe se eu estou maquiada ou não. Só a irmã I. comentou que eu estava um pouco abatida (mas eu estava usando uma blusa cor-de-burro-quando-foge, então a mostra foi contaminada).

Ou seja: as propagandas (surpresa!) mentem. Eu não vou ficar linda como as modelos que aparecem anunciando produtos de beleza (até porque nem elas são lindas assim, mas aí já é outro assunto). E também não vou ficar feia como o Shrek se não usar cosméticos (apesar de que o Shrek não é assim tão medonho... eu não disse que estou olhando com mais carinho para as pessoas?).

Resposta à questão nº 2) e se eu ficar feia?

Como eu disse, sempre fui muito preocupada com a aparência. Nessa experiência, percebi que eu e a mídia nos preocupamos muito mais com a minha aparência do que as pessoas que me cercam se preocupam com a minha aparência.

As pessoas que me cercam querem que eu seja competente no trabalho, confiável nas amizades, atenciosa no casamento. Nenhuma delas exige que eu tenha a pele de porcelana e olhos de gazela. Para elas, eu sou muito mais do que a minha aparência.

Assim sendo, passei a ligar muito menos para o visual, meu e dos outros. E isso é libertador.

Ao mesmo tempo, minha definição do que é belo foi alargada enormemente. Descobri que não preciso de que os meios de comunicação, com seus padrões de beleza horrivelmente restritivos, me contem o que é bonito ou não. Eu chego às minhas próprias conclusões, obrigada.

Contraditório, né? Está tudo meio bagunçado em minha cabeça ainda. O ideal é que a gente ignore as aparências, ou que não as ignore, mas as aceite como são?

Continua...

9.9.09

O Caso do Experimento Social: Parte 2

Tem mais: não é qualquer tipo de beleza feminina que vale, não. Você só vai ser bonita se for magra (de preferência malhada), de cabelo liso (de preferência louro), e jovem (de preferência bastante). Para completar, a publicidade fica te dizendo que esse ideal de beleza é perfeitamente atingível: é só você comprar os bens de consumo deles. Entre a indústria das dietas e a indústria dos produtos de beleza, minha amiga, você só não é a próxima Gisele se não quiser. Em outras palavras: você não é linda? Isso é um absurdo! E a culpa é sua!
Aí alguém se espanta que eu gaste dinheiro, tempo e esforço lapidando a minha aparência? Aí alguém se espanta que milhões de mulheres gastem dinheiro, tempo e esforço lapidando suas aparências? Conclusão lógica: se a sociedade não se ocupasse tanto com a aparência das mulheres, elas iam gastar dinheiro, tempo e esforço em outras coisas, talvez mais interessantes.
E aí, é claro, eu entrei em conflito. Eu quero ser uma pessoa racional e produtiva, mas eu gosto taaaanto de maquiagem! (Gosto mesmo ou sou dependente dela, já que não saio de casa com um batom e uma base em pó na bolsa?) E taaaanto de moda! (Gosto mesmo ou as revistas brilhantes e coloridas é que me convencem que eu tenho que ter uma calça jeans desbotada esburacada?) E taaanto de estar magra! (Mas será que gosto mesmo ou que não faz o menor sentindo evitar o chocolate nosso de cada dia para caber em calças dez anos atrás?)
O que aconteceria se eu (gulp) abandonasse os cuidados de beleza? Eu ficaria (the horror!) ... feia?
Imediatamente surgiram duas questões:
Questão nº 1) será que eu ficaria feia mesmo? Será que os diversificadíssimos produtos que eu esfrego, espalho e aplico em mim e as calorias que eu evito realmente me transformam em outra pessoa, várias vezes mais atraente, como insistem em dizer os meios de comunicação?
Questão nº 2) se eu ficar feia, e daí? Por que a feiúra é tão aterrorizante para mim (e acho que para muitas mulheres)? Sério, chama o Clinton ou o Lula de feio. Ou o Nelson Mandela. Ou o Stephen Hawking. Eles vão rir na sua cara. (Obs 1: não, não é coincidência que os exemplos sejam masculinos. Obs 2: não estou chamando o Clinton, o Lula, o Mandela ou o Stephen Hawking de feios. O Mandela é lindo, por sinal.)
Dito isso, abandonei um monte de produtos diários: creme clareador para tirar as manchinhas do rosto, creme para a região dos olhos, protetor solar, base em pó, corretivo, sombra, lápis de olho, rímel, blush, batom. Larguei também o secador de cabelos. Só não abri mão do brilho para a boca, porque não dei conta, até o dia 11º dia do experimento. Mas me dêem um desconto: era um brilhinho incolor.
Isso quer dizer que desde 24 de agosto, segunda-feira, eu, que faz mais de 10 anos que não saio de casa sem passar pelo menos batom, vesti uma camisa listrada e saí por aí. Com olheiras, vasinhos, manchinhas, faces pálidas e cílios curtos à mostra.
Continua...

2.9.09

O Caso do Experimento Social: Parte 1

Sempre me preocupei com a aparência. Quando eu era adolescente, não podia fazer muito a respeito, porque minha mãe não era vaidosa e só ia ao salão (e me levava) de vez em quando, e só pra cortar o cabelo. Maquiagem quase não existia lá em casa.

E, é claro, eu achava que a falta de vaidade era uma mancha no currículo da minha mãe.

Quando virei uma mulherzinha, lancei-me alegremente às roupas justas, ao corretivo e ao batom. Não saía de casa sem esconder as olheiras, que eu achava enormes (e elas realmente são). E assinava revistas femininas e via programas de moda e lia blogues de maquiagem. Não comprava muito, porque o escorpião no bolso, como diz a irmã D. , não deixava. Mas gastava, e aproveitava as viagens para adquirir produtos de beleza e roupas bacanas. E ficava feliz porque me sentia bonita e aceita e integrada à sociedade.

Aí comecei a ir a uns blogues diferentes e a ler uns textos diferentes e a me perguntar por que é que eu sentia essa obrigação de estar sempre “bonita”. E a questionar porque diabos eu já tinha feito dieta (mais de uma vez!) sendo que eu era magra. E a pensar porque raios eu não podia ir nem na esquina sem esconder as olheiras.

Olha, não tem nada intrinsecamente errado com a moda, as dietas e a maquiagem. O problema é que, para mim, elas tinham se tornado um dever. Eu só recebia amigos em casa com sombra nos olhos e sapato de saltinho. Precisava trabalhar usando base e blush. Às vezes dormia com fome. E estava considerando seriamente em gastar o preço de várias passagens para a Europa em uma bolsa Chanel.

Eu me considero uma pessoa racional. E esses comportamentos não são nada racionais.

Só que, é claro, eu não tirei a obrigação de estar “bonita” só da minha cabeça. Para quase todo lugar que a gente olha (tevê, revista, internet) tem mulher jovem, bonita e esbelta. Os apresentadores de jornal podem ter rugas e cabelos brancos, enquanto as apresentadoras são novas e belas. O Faustão é uma bolota, mas a Ana Maria Braga usa botox e silicone. O Luciano Huck tem nariz de tucano e a Angélica é loira e linda. Estão vendo a mensagem, sem precisar de muito esforço? Mulher, seja bonitona, senão você não tem espaço. Não faz sucesso. Não existe.









X







Continua...

O Caso da Volta ao Blogue

Hohoho! De volta.

Os planos estão todos em suspenso, caminhando a passos de tartaruga e sem resultados discerníveis no momento.

Enquanto isso, ando lendo blogues e livros interessantíssimos e fazendo modestos experimentos sociais.

O primeiro: abandonar a maquiagem e o secador de cabelos (eu adoro e uso ambos. Sempre).

No próximo post, observações e resultados.





Abaixo a ditadura!

1.7.09

O Caso da Explicação

É ruim gente que abandona o blogue, né? Eu particularmente detesto gente que abandona o blogue. Mas é que eu estou numa fase, assim, meio sei lá (também detesto gente desarticulada). Não é que eu esteja sem casos pra contar: é que eu não quero contar os planos, porque depois pode não dar certo - e sim, eu também detesto gente misteriosa no blogue.

O que eu posso adiantar é que os planos não envolvem bebês, nem cirurgias plásticas (a princípio, sou contra), nem a aquisição de grandes bens materiais.

O que eu não posso adiantar, nesta postagem especialmente detestável, é se quando volto. Mas um dia eu volto, isso é certo. E cheia de novidades (espero).

20.5.09

O Caso de New York, New York

A viagem foi fantáááástica!

Não se se foram os hotéis chiques(a preços reduzidos por causa da crise), os shows e atrações (nos quais gastamos sem dó já que economizamos na passagem de milhas), o apartamentinho alugado em NY (mais em conta do que hotel e muitíssimo bem-localizado), as compras (laptop, Wii Fit e muita maquiagem) ou a a companhia (Dani e Marco passaram quatro dias com a gente). Sei que me diverti demais e essa viagem vai ficar na história.

Espetáááculo!

24.4.09

O Caso do Até Breve

Então lá nos vamos em uma nova aventura. Não vamos levar laptop dessa vez, então não posso garantir posts ao vivo. Mas a gente volta!

17.4.09

O Caso do Xtreme

Na Páscoa me reuni com minhas duas irmãs queridas em BH. Trocamos muitos chocolates gostosos (incluindo bombons de Baileys de Bariloche e nhás-bentas da Copenhagen) e nos divertimos desenterrando jogos da adolescência. Só que, agora, como somos mais velhas e mais espertas, não jogamos normalmente: a gente joga a versão Xtreme.

É assim: no Master Xtreme, quem gritar a resposta primeiro – para qualquer pergunta –avança. No Imagem & Ação Xtreme, quem gritar a resposta primeiro – para qualquer mímica – avança. E no Memomímica Xtreme, ao invés de fazer cada ação de uma vez, tem que fazer todas ao mesmo tempo.

A gente gritou muito e riu muito. Eu perdi no Master mas ganhei no Imagem & Ação (no Memomímica todo muito empatou), então fiquei satisfeita (é, eu sou uma má perdedora). E comemos fondue (que a Dani fez) e tomamos drinques (que a Isa fez) e sujamos um monte de vasilhas (que a Lud juntou e o Leo lavou).

Ei, vamos fazer igual no próximo feriado? Vai ser o Tiradentes. Aí a gente pode brincar de Xtreme Forca.

8.4.09

O Caso das Aulas de Direito Administrativo

Hoje dei minha última aula para a galera.

Eu tendo a me empolgar e só perceber que a coisa é complicada depois que já me comprometi. Então, é claro que foi muito mais difícil do que eu imaginava. Teve suor e ranger de dentes. Teve estudo e seleção de materiais. Teve quadro-branco que não apagava e retroprojetor que não queria funcionar. Mas, no final, deu tudo certo.

Estou com a sensação de dever cumprido.

7.4.09

O Caso da Mala Menos Reduzida

No fim das contas, o intervalo entre o vôo que chega em NY e o que sai para Las Vegas vai ser de três horas. Temos vigiado no site da Infraero e o avião Brasil-States anda bem pontual. E os amigos que andaram por lá ultimamente garantiram que a imigração está liberando rápido.

Então, vamos desistir de duas malas reduzidíssimas que embarcariam conosco e faremos uma mala maiorzinha, ou duas, que serão despachadas. A grande vantagem dessa mudança não é poder levar mais roupa: é não vou ter que deixar para trás – e perder tempo comprando por lá – aqueles itens perigosíssimos que são proibidos a bordo : alicate (“Ó, seu piloto, pousa este avião agora ou eu dou fim às suas cutículas!”), tesourinha (“Ó, seu piloto, pousa este avião agora ou eu dou aparo suas unhas! E os fios compridos das suas sobrancelhas também!”), perfume, xampu, condicionador e hidratante (“Ó, seu piloto, pousa este avião agora ou eu te deixo limpo e cheiroso!”).

O pivô da decisão foram dois: primeiro, o fato de não ficarmos perto do WalMart (supermercado grandão e barato) ou similar em nenhuma das cidades; segundo, uma das malas de bordo que temos perdeu uma roda, foi para a garantia, não voltou ainda, e a mala que a loja (é a Le Postiche, e o atendimento é ótimo) emprestou é muito boa, mas bem grandinha.

Eu particularmente estou bem satisfeita. O paradigma da mala reduzidíssima continua valendo: a idéia é levar as malas meio vazias mesmo.

E enchê-las por lá.

6.4.09

O Caso do Fim do Surto Consumista

Pois é, passou. Voltei a achar mais legal ter dinheiro na conta do que roupas no armário.

É que descobri que ter montanhas de bens tira a diversão de improvisar combinações e usos novos para poucos e selecionados bens. Sem falar que ocupa um espaço danado. Sem contar que, quando você compra muito, acaba comprando algumas coisas não tão legais e termina tendo que se livrar delas – e aí já viu, prejuízo.

Uma coisa o surto do consumo serviu para me ensinar: já que eu vou ter poucos itens, então posso querer que eles sejam de qualidade. É claro que eu vou gastar mais do que se eu tiver poucas e baratas coisas, mas é menos do que eu gastaria se tivesse um monte de todos os preços. E vou ficar mais feliz.

Mas só porque eu estou disposta a adquirir bens de categoria não significa que eu topo deixar um olho na loja. A idéia é abrir a carteira, mas só um pouquinho. O jeito é aproveitar as “oportunidades” (uma de minhas palavras preferidas, junto com “desconto” e “aumento de salário”): bazares, outlets, liquidações e brechós. Tem muita oferta horrenda, mas de vez em quando salva alguma coisa.

3.4.09

O Caso do Aniversário da Mudança

Semana passada fiz cinco anos morando na minha casinha (o Leo vai demorar um pouco mais porque ele só veio morar mesmo comigo perto do casamento, três meses depois). E só tenho coisas boas a dizer a respeito dela.

É verdade que de vez em quando aparece um vazamento. Mas aí – uma das muitas vantagens de morar em apartamento alugado – a gente liga pro dono e ele providencia o conserto.

A nossa casinha é fofa. Ela não é muito grande (mais fácil de limpar!), e o espaço é bem distribuído (temos até quarto de hóspedes!). A gente é que escolheu todos os móveis e decorou como quis. Nela estão os presentes de casamento e as lembrancinhas que trazemos de viagem.

(Confesso queria guardar os presentes de casamento a sete chaves para a faxineira não tirar lasquinha deles, mas o Leo me convenceu que a gente tem que usá-los. A faxineira tira sim lasquinha deles, mas o Leo também me convenceu que, se fôssemos nós a limpá-los, tiraríamos muitas mais.)

Feliz aniversário, casinha!

2.4.09

O Caso do Dilema

Sabe quando tem uma coisa que vai ser muito boa para sua vida mas você está com preguiça de fazer? Quando racionalmente você tem perfeita consciência de que se trata de um sacrifício temporário que vai gerar benefícios constantes mas só consegue produzir um esforço meia-boca? Quando as condições de temperatura e pressão são excelentes para aquele objetivo como nunca foram e jamais voltarão a ser e mesmo assim... nhé?

Pois é. Estou numa situação dessas, e tendo altas conversas sérias comigo mesmo. Sem resultado algum, diga-se de passagem.

Estou pensando aqui que vou precisar me subornar.

* Obs: odeio ler postagens misteriosas nos blogues alheios. Hoje, estou me vingando.

1.4.09

O Caso da Mudança da Programação de Viagem

Acho muito bom programar tudinho com atencedência, como vocês bem sabem. Até a sobremesa (eu explico: o vulcão de chocolate foi indicação de uma amiga!). O único inconveniente nesse sistema é que o Leo não deixa de vasculhar a net em busca de promoções. E aí às vezes você acha uma oferta ainda melhor do que a que você tinha encontrado!

Aí você cancela aqui, reserva lá, fica aflito com a possibilidade de não devolverem seu dinheiro (até hoje nunca aconteceu, mas eu gosto de me afligir) e tem que fazer a programação de novo (porque sabemos até o preço do táxi que vai nos levar do aeroporto ao hotel).

Mas é por uma boa causa, né? E as novas acomodações vão nos deixar bem pertinho do vulcão de chocolate!


(a foto é emprestada do blogue http://www.memoriasbelas.blogspot.com/)

31.3.09

O Caso da Sala de Visitas

Minha mãe tem uma sala de visitas. Minha avó tem uma sala de visitas. Já eu não tenho uma sala de visitas! Será que é coisa da minha geração?

A sala de visita é um quarto separado, cheio de bibelôs, que só é usado, obviamente, pelas visitas. No resto do tempo, fica lá, vazio, sem serventia nenhuma (fora a exposição dos bibelôs).

Minha casa tem um daqueles ambientes conjugados nos quais ficam a sala de jantar e, supostamente, a sala de visitas. Também tem uns quartos pequenos lá para dentro. Se minha mãe morasse no meu apartamento, ela com certeza instalaria a tevê em um dos quartos pequenos, e deixaria intocada a área das visitas. Já eu, que sou uma pessoa moderrrna, ocupei o espaço com um sofá imenso e confortável e lasquei uma tevê grande de tela plana na parede.

É ótimo porque eu uso minha sala intensivamente, ao invés de deixar o espaço reservado para ocupantes ocasionais. Mas confesso que na minha sala também tem bibelôs.

27.3.09

O Caso do Aniversário Frustrado

Ontem minha irmã mais velha, que mora em outra cidade, fez aniversário. Fiz de tudo para ela passar aqui e almoçar comigo, ou dormir aqui e só ir para BH amanhã, mas ela tinha hora pra chegar lá e não rolou.

Nessas horas é especialmente ruim morar longe das pessoas que você gosta.

25.3.09

O Caso da Programação de Viagem

Eu e o Leo estamos à toda na programação da viagem para os States. Eu gosto de me organizar e deixar anotadinho tudo o que posso esquecer, então faço um roteiro mais ou menos assim:

25/04/09, SÁBADO: vôo BH-NY-Las Vegas. Chegada em Las Vegas: 23:59.
Hotel: Paris. Check-in do hotel pode ser feito no aeroporto enquanto esperam-se as malas no Terminal 1. Fazer o registro e pegar a chave; chegando ao hotel dá pra ir direto para o quarto. Transfer para o hotel: 2 opções. Opção 1, táxi:15 dólares com gorjeta. Perguntar o preço antes. Dizer ao motorista para não pegar a freeway. Opção 2, shuttle: 5 dólares por cabeça, mas pode gastar uma hora para chegar ao hotel.

26/04/09, DOMINGO:
09:00: acordar. Café-da-manhã no hotel. Buffet no La Village de 7 às 11 da manhã (depois passa a ser champagne brunch) ou café normal no Cafe Ile St Louis (24 h). Passear na Strip. Primeira parada: Bellagio. Ver o conservatório de plantas e as fontes musicais (toda meia-hora, começando no início da tarde; a partir de 8 da noite a cada 15 minutos. Não funciona quando está ventando muito). Em seguida, Monte Carlo, New York New York, Excalibur. Parar no Luxor para almoçar (praça de alimentação). Após, Mandalay, Four Seasons, MGM Grand (sobremesa: vulcão de chocolate no Rainforest Café) e Planet Hollywood. Estar de volta ao hotel às 19:00. Saída para o show do Cirque du Soleil: 20:30.

Fico muito feliz de saber direitinho o que fazer. Isso quer dizer que não perco nem um segundo de tempo quebrando a cabeça no meio da viagem. Às vezes, anoto as opções para decidir lá (táxi ou shuttle? Buffet ou café normal?), mas já saio daqui sabendo quais elas são.

E aí a viagem não fica engessada? Não, porque a gente não se importa em mudar os planos se surgir coisa melhor!

24.3.09

O Caso da Meia Década

É incrível como o tempo voa quando você está se divertindo. Os últimos cinco anos passaram rápidos como raios.

Sério, para mim parecem que foram no máximo dois e meio.

23.3.09

O Caso das Reclamações

É engraçado como os sentimentos negativos são contagiosos. Sabe quando você acha uma coisa até legal, mas tanta gente reclama que você começa a achar ruim também? Pois é.

Falar mal das coisas é uma maneira eficaz de confraternizar. As pessoas se sentem unidas quando arrumam um inimigo em comum. O negócio é que entrar na onda das lamentações só pra participar é a maior furada. Você acaba arrumando problemas que não tinha!

Ou seja: melhor resistir e mudar de assunto. Porque tentar convencer a turma que a situação não é tão negra assim não funciona (eu já tentei, mas ficaram me achando a) doida; b) cega e c) chata – nada pior do que uma pessoa satisfeita com uma situação que te deixa miserável).

Pretendo até evitar os reclamões, se não tiver outro jeito.

A felicidade é muito volátil pra gente dar mole assim.

20.3.09

O Caso do Trabalho

Trabalhar é muito bom. Cinco anos atrás, na época que eu tinha me formado na segunda faculdade e estava feito louca atirando pra tudo quanto é lado a procura de um emprego (mandando currículo, fazendo trainee, estudando pra concurso), eu desconfiava que trabalhar era uma boa (a independência financeira! O uso dos neurônios!), mas não tinha idéia que fosse tão legal.

A independência financeira conta milhões de pontos, é claro. Mas também é ótimo usar o cérebro para produzir. A quem acha que o serviço público não apresenta desafios ofereço meu cargo durante uma semana (mais não, que eu vou sentir saudades). Minha função, basicamente, é resolver problemas, e é problema atrás de problema, sendo que eles estão sempre mudando, junto com os sistemas!

Tem dias que eu fico nervosa, confesso. Às vezes junta um monte de abacaxis. Há momentos em que os sistemas se recusam a funcionar. Tem hora que os especialistas também não sabem a solução. Mas é fantástico ir pra casa ruminando uma questão e sonhar com a resposta!

Como é bom ser um membro produtivo da sociedade.

16.3.09

O Caso dos Casinhos

* As aulas que estou dando são para o pessoal que trabalha comigo e que vai fazer um concurso de segundo grau. Não estou ganhando nada por elas, só a simpatia da galera. E a experiência, é claro.

* O Leo se ofereceu para dar aulas de informática, que também cai no concurso. Não precisa nem dizer que a aula dele demorou mais que uma hora, e que ele ainda tinha muitas outras coisas pra falar. Nem que o pessoal adorou.

* Minha dieta está uma palhaçada: todo fim-de-semana tem um evento, e portanto uma razão pra sair da linha. O resultado é que dois meses e meio e muitas idas para a cama com fome depois perdi modestos três quilos (o que é melhor do que nada, eu concordo). O problema é que a Páscoa está chegando e com ela os deliciovos (para quem não sabe, é um “neolugismo” que significa “ovos deliciosos”).

* O Leo já me presenteou com um Talento vermelho novinho em folha. O jeito é comer um pouquinho a cada dia. O negócio é que chocolate é mesmo um vício: depois de algumas doses o efeito não é o mesmo e a gente precisa de quantidades cada vez maiores para atingir a felicidade...

* Ganhei uma Mafaldinha fofa para fazer companhia ao “Toda Mafalda” (coleção completa das tirinhas) que comprei em Buenos Aires na lua-de-mel. O legal é que o Júlio e a Verônica a trouxeram da lua-de-mel deles!

11.3.09

O Caso da Professora

Hoje dei minha primeira aula. Foi a maior emoção.

Sempre achei que eu tinha jeito para professora. Hoje, na prática, vi que a coisa é mais complicada do que parece.

Eu tinha uma hora para falar sobre direito. Depois de trinta minutos, o assunto que eu tinha preparado simplesmente acabou. Perguntei se eu estava falando muito rápido e a resposta foi não. É que planejei mal o tempo, mesmo.

O que me salvou é que ontem eu tinha dado uma olhadinho no clássico “Como passar em provas e concursos”, do Bill Douglas, e portanto deu para lascar na audiência vinte e cinco minutos de técnicas de estudo.

Já vi que tenho que me preparar muito melhor para a próxima aula.

Ficar com cara de tacho na frente dos alunos não dá.

10.3.09

"It is only shallow people who do not judge by appearances."

Oscar Wilde

6.3.09

O Caso das Histórias em Duo

Tenho percebido que eu e o Leo demos para contar histórias em dupla. É assim: quando a gente vai relatar um caso para alguém, vamos alternando as frases, um completando as idéias do outro.

Não sei se isso é bom para a audiência, porque a apresentação fica mais dinâmica, ou ruim, porque é um coisa mega "casalzinho fofo", que pode irritar profundamente pessoas solteiras ou casaizinhos não tão fofos.

Também fico pensando se isso é legal e indica que estamos em sintonia, ou se não é uma boa pois é sinal de que estamos nos fundindo numa entidade só.

4.3.09

O Caso da Academia Gente Boa

Na minha academia antiga, só podia deixar de ir – e ficar sem pagar – durante um mísero mês por ano, e até isso tinha que ser negociado – você tinha que praticamente provar que ia viajar e portanto seria fisicamente impossível continuar a freqüentá-la. A nova academia é muito mais legal: eles deixam você ficar sem ir – e sem pagar – durante o tempo que você quiser. Só tenho que fazer a avaliação física de novo se eu desaparecer por quatro meses, o que achei muito justo. E ainda resolvi tudo por telefone!

Falei com a secretária que eu só ia dar as caras de novo em maio, isto é, depois da viagem aos States. Mas estou sentindo tanta boa-vontade emanando da academia que se o calor melhorar por estas bandas eu volto antes. Juro que volto.

2.3.09

O Caso do Calor Horrível

Fui na academia direitinho até a sexta-feira antes do Carnaval. Voltei disposta a continuar na luta, mas aqui na cidade está fazendo um calor insuportável e na academia só tem uns ventiladores meia-boca. Como só de andar na rua a gente já começa a se sentir mal, semana passada fiquei em casa fazendo bicicleta ergométrica no ar-condicionado.

Aí, o Leo, no papel de diabinho, disse que o calor ia só piorar e que era para eu aproveitar que era fim do mês pra largar a academia de uma vez.

Estou tentadíssima.

Olha só se a idéia não tem seus méritos: mantenho a dieta saudável e daqui a dois meses, quando o tempo estiver mais fresco, volto para academia. Como no meio tempo terei perdido os 4% de gordura que estão sobrando no meu corpinho, poderei iniciar uma alimentação mais generosa e ganhar mais massa magra do que os ridículos 200 g da última vez!

É incrível o nível de racionalização a que eu chego para escapar da musculação.

27.2.09

O Caso da Domadora de Sapatos

Já sofri muito com sapatos que machucam o pé. Até sapatilhas, que têm a fama (imerecida) de confortáveis (e que eu insisto em comprar sei lá por que – deve ser síndrome de bailarina, já que eu não tenho nem um metro e sessenta e portanto devia preferir saltinho), produzem bolhas.

A partir de certo momento em minha vida, decidi que não ia mais comprar sapatos que já começassem a incomodar na loja, mesmo que a vendedora jurasse que iam ceder. Foi uma ótima resolução e a partir daí passei a sofrer muito menos. O diabo é que a gente não fica mais do que poucos minutos experimentando os danados, e portanto um par que parece decente no primeiro momento pode mastigar dedinhos sem dó depois de uma tarde no trabalho.

Aí vem o dilema: insistir ou largar mão? O melhor para a saúde é doar o sapato para alguém da família (ou para algum inimigo). Mas se eu acho o sapato bonito, eu insisto, piamente crente que ele vai se ajustar a meu pé depois que eu usá-lo algumas dúzias de vezes.

Às vezes funciona. Se o sapato não é de plástico ou de verniz, alguns passeios podem mostrar pra ele quem é que manda no pedaço. Infelizmente, na outra metade das vezes esse método não funciona, e aí ele fica relegado a jantares sentados e a idas ao cinema.

Ultimamente estou domando dois: sandálias estilo gladiador (sem fivela subindo pela perna e com salto, de modos que não, eu não fico parecendo um soldado romano quando as uso) e um par de sapatilhas pretas (eu sei, eu sei – mas essas têm fivelinha no tornozelo, então a parte de trás não fica cavando um buraco no meu calcanhar de Aquiles).

Estou confiante.

26.2.09

O Caso do Dilema

É possível ter glamour como funcionário público? Dá para ser chique morando no interior? Um mês na Europa compensa os outros onze? Adianta ter lido os clássicos se não tem ninguém pra discuti-los?

Dúvidas, dúvidas.

20.2.09

O Caso dos Bons Resultados

Ontem voltei à nutricionista, depois de um mês e meio, para apurar os resultados da dieta e dos exercícios, e eles foram ótimos. Perdi 2,1 kg na balança: 2,3 kg de gordura a menos e 200 g de massa magra a mais.

Nessa meu percentual de gordura corporal caiu de 28% para 25% (o ideal para a minha idade é 21). Não é bizarro que ¼ do meu corpo seja formado por óleos solidificados? Porque meu índice de massa corporal é 20, considerado saudável. Isso quer dizer que sou uma falsa magra, uma magra paraguaia!

Achei o aumento da massa magra uma porcaria (200 g? Fala sério! Eu estou me matando nos aparelhos de tortura da academia!), mas aí me lembrei que estou de dieta, e portanto não ter perdido já é uma vitória.

A nutri ficou surpreendida. Disse que não esperava um resultado tão bom, porque eu já estava na faixa da normalidade. Fiquei toda toda. E achando que eu merecia: tenho me esforçado pra caramba, ido na academia religiosamente e feito a dieta direitinho.

Agora é continuar até a gordura corporal chegar aos 21%.

Aí, é claro, chuto o balde total.

19.2.09

O Caso dos Aparelhos de Tortura

Eu estava bem feliz com a minha ficha de musculação, tendo finalmente aprendido a colocar os aparelhos nas posições certas, e até aumentado o peso em metade deles, quando decidiram mudar os exercícios.

A coisa boa na mudança é que no dia que você faz teste de carga você tem que fazer apenas uma série das três que te prescrevem. O resto é todo ruim.

O novo instrutor (o antigo sumiu, sabe-se lá por quê – e olha que ele tinha me conquistado com suas menções à literatura científica) é todo animadinho e parece decidido a me transformar em uma pessoa em forma. Ele me colocou para fazer um monte de exercícios complexos numas máquinas que eu nunca tinha visto mais gordas (elas, não eu). E já foi avisando que os pesos iam ser puxados mesmo.

O primeiro problema é que cada aparelho tem uma configuração especifíca para o tamanho do usuário. Eu passo uns bons treinos tentando reproduzir a maneira exata em que o instrutor os colocou. O segundo problema é que ele quer que eu corra a sete km/h na esteira por vinte minutos, e eu estava ainda me acostumando a correr a seis sem parar. Ah, e os abdominais que ele me botou fazendo dão a sensação de que os músculos da minha barriguinha vão arrebentar!

Por acaso alguém aí já experimentou aquela cama que faz exercícios para você?

14.2.09

O Caso da Escolha

Depois que me dei conta de que só tenho sombras neutras, decidi adquirir umas maquiagens de olho mais coloridas.

Já descobri que kits são uma ótima escolha: eles têm um monte de cores em pequenas quantidades, então dá para experimentar até resolver quais funcionam melhor em mim.

Só uma dúvida: qual das opções abaixo?

Esse tem sete cores e dois delineadores em pó (verde-escuro e azul-escuro). Os delineadores podem ser usados como sombras; além disso, as sombras podem ser misturadas, conforme instruções que vêm na caixa, para formar novas cores! Sem falar que praticamente todos as críticas que eu li eram elogiosas.

O kit é da Bare Escentuals e custa 48 dólares.Esse tem 64 sombras, 32 batons, sete blushes e um pó. Ou seja, mais opções! E ainda custa mais barato. O problema é que as cores, apesar de muitas, são beeem parecidas. Além disso, as críticas que eu li não era muito boas (sendo a reclamação mais constante a falta de pigmentação).

O kit é da Sephora e custa 30 dólares.

12.2.09

O Caso da Ginástica em Etapas

Aqui tá fazendo um calor daqueles subsaarianos. Na academia tem uns ventiladores na parede, mas eles não dão conta do recado, não. Então, para melhorar minha qualidade de vida, decidi que vou usar a academia só para musculação; o aeróbico faço em casa, na minha bicicleta ergométrica - juntinho do ar-condicionado!

É muito mais legal. Quando eu fazia esteira na academia eu ficava quase roxa de tão vermelha. Eu achava que era o esforço, mas descobri que é o calor, mesmo. Agora que me exercito em um clima mais agradável, fico apenas agradavelmente rosadinha.

E a bicicleta ainda fica do lado de uma cômoda, onde eu instalo diversas revistas, livros, um copo e uma garrafona de água gelada. Um conforto só!

11.2.09

O Caso da Hora-Aula

Resumindo, a escola de idiomas só tem aula de “françês” (vide post anterior) para iniciantes. A mim que já estou mais avançadinha restam aulas particulares ao custo de 55 reais a hora.

Sem condições. Prefiro pegar os 1.900 reais que o tal do Jaider calculou que vai me custar o semestre e comprar uma passagem para Paris. Enquanto isso, vou aprendendo a língua mais lindo do mundo pela internet no http://www.bbc.co.uk/languages/french/ .

Agora, uma vantagem das aulas pagas é que elas são um compromisso ao qual você não falta. Fazer aulas on-line “na hora que der” é receita para o fracasso. Para resolver esse problema, estou pensando em montar um calendário escolar para mim mesma: terças e quintas de cinco às seis da tarde, durante todo o semestre. Vou até fazer uma planilha no Excel.

E todo mês que eu completar o programa sem falhas ganho 440 reais =D.

9.2.09

O Caso da Escola Atrapalhada

Sábado vi um outdoor anunciando que a escola de idiomas a dois quarteirões da minha casa estava oferecendo aulas de francês. Fiquei muito animada, porque não é sempre que a oportunidade aparece aqui no Vale do Aço – costuma ter só inglês e espanhol na região. Liguei, confirmei que era verdade mesmo, fiquei sabendo que as aulas começariam em março, e fiquei de ir lá na segunda-feira me matricular.

Hoje encerrei o bate-papo pós-almoço mais cedo para me dedicar a isso. Cheguei na escola, esperei ser atendida, e não é que não consegui informação NENHUMA? A moça da secretaria disse que só um tal de Jaider sabia sobre as aulas de francês, e tal do Jaider estava no almoço.

Olhei para ela incrédula. Mas ela não tinha nem o horário das aulas? Nem o preço das aulas? Não, ela respondeu. Só o Jaider podia explicar.

Fui ficando brava, é claro. Ir pessoalmente a um curso de idiomas e não encontrar ninguém que possa te informar sobre as aulas é o fim da picada. Não é disso que eles vivem? E o que é que tem para explicar em horário e preço de aula? É daquele jeito e pronto.

Insisti em saber alguma coisa de útil, e aí para me apaziguar a moça me deu um papelzinho para preencher com o curso “que eu tinha intenção de fazer”.

Acho que nessa hora soltei faíscas de raiva. Como assim, o curso que eu tenho intenção de fazer? Isso não tem a menor importância – o importante é o curso que ELES oferecem! Posso querer fazer chinês mandarim o tanto que for – duvido que eles me arrumem uma aula!

Para completar, no papelzinho vinha escrito “Francês” assim: “Françês". Dá para acreditar?

Se eu não quisesse muito mesmo melhorar meu francês, nunca mais aparecia por lá.

6.2.09

O Caso do Fenômeno da Roupa Menos Feia

Por causa dessa minha nova onda consumista, tenho freqüentado mais lojas. Minha última aquisição foram duas blusinhas de tecido. Elas são bem fofas, mas depois de comprá-las eu fiquei meio na dúvida se foi um bom investimento. Tudo bem que elas estavam pela metade do preço, mas o valor inicial era alto, então elas não foram quase de graça. O que me intrigou é que geralmente eu só compro roupas que eu realmente gosto e as duas blusas não são exatamente meu estilo. O que será que aconteceu dessa vez?

Fiquei pensando e concluí que fui vítima de um acontecimento do consumo: o fenômeno da roupa menos feia. Funciona assim: você vai numa lojinha melhor (sim, uma das características da minha nova onda consumista é que eu dei um upgrade nos estabelecimentos que eu freqüento) e vê nos cabides um monte de peças com potencial para agradar. Você carrega um monte para o provador e experimenta todas. Umas ficam largas, outras ficam esquisitas, e aí quando você coloca uma que serve, comparativamente ela é tão melhor do que as outras que você decide comprá-la na hora! E aí termina com duas blusas que talvez não sejam bem sua cara.

Estou achando que a melhor maneira de contornar o problema é sair para fazer compras com uma roupa que eu goste muito. Aí dá pra comparar a peça nova com o que eu estou usando e ter uma idéia boa se a nova aquisição vale a pena... ou se é apenas o fenômeno da roupa menos feia.