30.1.09

O Caso da Nutricionista 2009

A nutricionista da academia me passou o plano alimentar. Tinha muita coisa em comum com as instruções que a outra nutricionista me deu em 2007. Fiquei feliz: quer dizer que a nutrição tem, sim, contornos de ciência, e um cardápio equilibrado aqui é um cardápio equilibrado lá.

Ela disse que eu me alimento bem, mas que ela queria que eu variasse mais. Até a marca do pão integral e do cereal ela disse para ir trocando. Desse jeito, vou estar sempre dando coisas novas ao meu corpo e não acumulo toxinas. Achei que faz sentido.

O único problema é que eu odeio variar. Sou muito enjoada pra comer e, portanto, quando encontro algo que eu gosto, eu como aquilo por anos. Eu até experimento coisas, mas é com a maior má-vontade. Tomei sorvete só de chocolate até uns dez anos de idade (aí parti para o de flocos); strogonoff só provei aos doze. E nunca comi uma alcaparra: com esse nome, que lembra peixe (não dá perfeitamente para imaginar alguém gritando: “Alcaparras do Mediterrâneo! Alcaparras do Mediterrâneo fresquinhas!”) não pode ser bom. Não, eu não gosto de nada que nada (fora peixe frito).

Enfim, como paguei 40 mangos na consulta, acho que o mínimo que eu posso fazer é me esforçar um pouco. Alcaparra tem gosto de quê mesmo?

29.1.09

O Caso da Mala Reduzidíssima Definitiva

Próximo destino: Las Vegas, Washington e NY

Passagem: até NY, milhagem da TAM. Dali em diante, por conta própria.

Chegada: em Las Vegas, passando por NY.

O inconveniente: apenas duas horas e meia de intervalo entre a chegada em NY e o vôo para Las Vegas.

O problema: se o primeiro vôo atrasar, ou resolverem nos fazer muitas perguntas na imigração americana, a chance de perder o avião para Las Vegas é altíssima.

O paliativo: viajar com uma única mala de bordo.

A razão do paliativo: não gastar tempo resgatando a mala na esteira, nem despachando a bagagem no segundo vôo.

O inconveniente do paliativo: duas pessoas, duas semanas e uma única mala. Pequena.

A solução do inconveniente do paliativo: comprar um monte de roupas por lá, hohohoho. E uma segunda mala.

O segundo inconveniente do paliativo: é proibido colocar na mala que vai a bordo metais (adeus alicate e cortador de unhas) e líqüidos e pastosos (adeus perfume, xampu, condicionador, acetona e hidratante).

A solução do segundo inconveniente do paliativo: comprar tudo por lá, hohohoho. E uma terceira mala.

28.1.09

O Caso da Liqüidação

Aqui na cidade tem uma loja legal, que vende roupas, bolsas e sapatos de marcas bacanas. Quando ela faz liqüidação, ela reduz o preço de tudo à metade. A promoção começou hoje de manhã e chega a dar fila na porta.

Eu e duas amigas resolvemos conferir o evento na hora do almoço. Tinha fila, mas em 10 minutos conseguimos entrar na loja. Lá dentro, inferno na terra: um monte de mulheres (e alguns homens) se acotovelando na frente das estantes de sapatos. Pilhas de calças jeans sobre as mesas. Nenhuma vendedora à vista.

Depois de algum esforço, localizei três sapatos que me agradaram. Um deles era bonito, confortável e fresco, mas o pé esquerdo estava perdido nas entranhas da loja e depois de procurá-lo duas vezes, desisti. Os outros dois eram lindíssimos, mas tinham saltos muito altos, e portanto não serviriam para trabalhar, que é o que eu estou precisando.

Acabei saindo de mãos vazias, mas não fiquei triste. Ao contrário: estou feliz de perceber que minha nova resolução de gastar mais não me alejou do meu senso prático. Continuo me recusando a comprar coisas de que não preciso.

Mas amanhã volto lá pra paquerar as blusinhas.

27.1.09

O Caso da Diversão

Eu sempre fui muito sincera nos meus discursos a respeito da grande quantidade de tempo e do dinheiro gastos nos cuidados de beleza femininos. Juro que era do fundo do meu coração que eu achava que esses recursos podiam ser utilizados de maneira melhor. Só que, do alto do meu palanque, esqueci de levar em consideração um fato: cuidados de beleza são divertidíssimos!
Maquiagem é uma grande alegria: é como estar de volta ao jardim de infância e ter um monte de materiais para colorir. Fazer as unhas é ótimo: fico sentada igual a uma rainha, enquanto meus pés e mãos são massageados e pintados. Comprar roupa e sapatos é pura diversão: com a peça certa, você pode se transformar em uma bailarina, uma executiva ou uma parisiense!
Conclusão: cuidados de beleza femininos me deixam feliz. Logo, são um ótimo uso de tempo e dinheiro.

23.1.09

O Caso dos Filhinhos

Sim, eu e o Leo até escolhemos o nome dos gêmeos (Leomila e Ludnardo, né?), mas ainda não decidimos se vamos querer pequerruchos ou não. Para resolver a questão, saio perguntando pra galera a opinião de cada um, e saibam que esse é um ótimo puxador de conversa, porque todo mundo quer dar seu palpite.

A resposta generalizada é: “filho é muito bom, MAAAAAS dá muito trabalho.” Fico imaginando se essa resposta é um aviso velado que deve ser descodificado como “Fuja! Enquanto é tempo”. Afinal, pessoas integrantes da grande seita da maternidade foram reprogramadas, e portanto não tem permissão para dar uma resposta negativa direta. O máximo que eles podem fazer é dardejar olhares nervosos para o Pedrinho, que está destruindo os bibelôs da vovó mas não pode ser fisicamente reprimido porque a orientadora educacional proibiu. Dá pra desconfiar que o caso é aquele dos amigos que já pularam na piscina gelada e ficam gritando “Vem! Vem! A água tá ótima!”.

No ano passado, por um breve espaço de tempo, achei que filhos eram uma boa idéia. Em retrospectiva, percebo que a principal causa da decisão era estar meio à toa. Tipo: não estou fazendo nada, então que tal ter uns remelentos? Sim, preencher o tempo é uma péssima razão para reproduzir, e assim que comecei a gastar minhas horas livres planejando uma viagem para Nova York, o espírito maternal passou completamente.

A verdade é que toda vez que encontro meus sobrinhos (um de cinco, uma de um) fico pasma com a quantidade de tempo, energia e paciência que eles demandam. Eles são fofos, não nego, mas o fato de os familiares próximos ficaram completamente absorvidos pelas crianças faz com que seja muito difícil manter as conversações. É perturbador. Fico preocupada: se eu tiver filhos vou ficar assim? Que horror. Se não ficar assim quer dizer que sou uma mãe ruim? Que horror. Vocês percebem que é uma situação na qual eu não tenho como sair vencedora?



Por enquanto a vontade passou.

22.1.09

O Caso da Abominação

Acredite quem quiser, porque nem eu mesma estou acreditando, mas eu estou gostando da academia. Vindo de mim, é uma abominação, eu sei – só que, já que eu decidi entrar em forma, é melhor sofrer gostando, não é? Olha, talvez eu tenha um lado masoquista em mim.

Falando sério, acho que a minha alegria tem tudo a ver com os aparelhos novos na academia, que se movem suavemente (juro que eles têm amortecedor) e com um tocador de MP3 player no qual passa uma seleção muito melhor do que a música ambiente. E com o fato de eu já ter freqüentado academia, o que significa que eu já tenho roupas de ginástica e um monte de toalhinhas (uma preocupação a menos). E também com o outro fato de eu ter começado não faz três semanas e já estar achando que o meu corpo mudou.

É verdade que eu estou de dieta, o que ajuda. Também é verdade que o meu peso na balança não cai de jeito nenhum, mas o instrutor disse que isso ia acontecer mesmo, porque quem está sedentário e passa a fazer musculação ganha massa magra muito rápido.

A parte triste é que o instrutor falou disse que os resultados aparecem em quatro meses. Mas eu já me consultei com a nutricionista da academia, na semana que vem ela me passa as instruções, e eu acho que comendo direitinho os resultados vão surgir mais rápido.

Tomara. Porque estou animada e tals, mas quatro meses é uma eternidade. Se eu não vir mudanças drásticas antes disso, chuto o balde total.

16.1.09

O Caso dos Pincéis de Olho

Ah, como eu amo meus pincéis novos da MAC!

Comprei no free shop um conjunto de cinco pincéis para olho. Não trouxe maquiagem nenhuma nessa viagem (fora os rímeis da Lancôme, numa promoção no free shop do aeroporto de Heathrow, dois pelo preço de 1, 3), mas os pincéis renovaram totalmente minha relação com os produtos que eu já tinha. Antes eu possuía um único pincel de olho e com ele eu delineava, espalhava sombra, esfumaçava e fazia detalhe. Até que dava, mas é claro que não ficava lá essas coisas. Agora eu consigo, com perfeição:

1) aplicar sombra molhada como delineador;

2) cobrir toda a pálpebra ou só debaixo da sobrancelha de maneira uniforme;

3) passar sombra debaixo do olho bem fininha ou iluminar os cantos interiores;

4) colorir o côncavo;

5) esfumaçar sombras e marcar o canto exterior do olho.

Com essa riqueza de possibilidades, estou maquiando os olhos todo dia. Para minha surpresa, descobri que tenho pouquíssimas cores de sombra, só as básicas mesmo: branco, creme, marrom e grafite. Minha irmã mais velha me deu um conjuntinho fofo de sombras coloridas da Lancôme, mas no olho elas ficam superdelicadas e pastéis.

Isso quer dizer que descobri toda uma área nova da maquiagem na qual não tenho produtos!

Que alegria!


Informações técnicas:

O conjunto de pincéis Adoring Carmine é um lançamento de Natal 2008. Custa 49,50 dólares nos EUA (salvo promoções) e 53 dólares no free shop do Brasil. Os cabos são menores do que a coleção permanente da MAC e a cor é diferente (vermelha). Eles vêm dentro de um nécessaire vermelha cilíndrica e são protegidos por uma bolsinha de cetim vermelho.

Achei um bom negócio, porque cada pincel da MAC costuma custar em torno de 20 dólares. Como os pincéis são menores, são mais fáceis de guardar e transportar. Os puristas dizem que os pincéis da linha permanente são feitos a mão e os da linha de Natal, a máquina, mas eu, que não sou maquiadora profissional nem nada, achei a qualidade dos meus pinceizinhos muito da boa.

14.1.09

O Caso da Rendição

Ainda acho que fazer unha é gasto de tempo e dinheiro. Entretanto, depois de dura e prolongada luta, acabei me rendendo à ditadura dos salões.

Para começar, não fazer as unhas estava me dando um trabalho danado. Sempre tinha uma beirada lascada aqui, uma pele incomodando ali. E eu tinha de cortar as unhas duas vezes por semana, porque unha comprida sem esmalte é feio.

Para completar, fazer as unhas é um dos poucos tratamentos de beleza que dá resultado imediato e impressionante. Os pés e mãos da gente ficam tããão bonitinhos! E gastar tempo e dinheiro comigo mesma tem tudo a ver com essa minha nova fase consumista.
Estou conciliando minhas idas à manicure com os meus escrúpulos com as seguintes estratégias:
1) para minimizar a perda de tempo, marco pé e mão ao mesmo tempo;
2) para evitar ficar ouvindo fofoca, vou na terça-feira, dia em que o salão está tranqüilo;
3) para não sentir muita dor com o gasto, penso no valor social: fazer a unha é dar emprego!

Traí completamente o movimento.

13.1.09

O Caso do Horror à Academia

E não é que exercício de fato oxigena o cérebro? Enquanto eu trotava alegremente na esteira ontem, desenvolvi uma teoria sobre a razão de nós, “standard nerds!” (como diria o Mr. Reynholm, do seriado britânico The IT Crowd), odiarmos academia.

É porque estamos acostumados a ter a manha, povo. A pegar as coisas no ar, a deduzir tudo sozinhos e a não fazer perguntas. Ou a fazer perguntas inteligentes, embasadas e instigantes.

Só que, na academia, tudo é diferente. Na academia (fora a Brasileira de Letras, é claro), nosso conhecimento prévio não serve para nada. Somos obrigados a enfrentar um monte de aparelhos com nomes estranhamente parecidos, a fazer movimentos antes impensados e a conhecer uma etiqueta fora da nossa realidade. Ninguém conta que é pra levar uma toalhinha para não ficar encostando no suor dos outros. Ou que o peso de cinco quilos já vem no aparelho, então você tem é que tirar a carga. Ou que se a esteira não estiver com a chave ela não começa a funcionar. Ou qual é a configuração de cada instrumento de tortura para seu tamanho.

É que verdade que existe um professor que teoricamente serve para nos orientar. Infelizmente, ele passa um tempo absurdo conversando com a secretária, se admirando nos espelhos ou do outro lado do salão.

Em suma, a academia é um ambiente hostil, no qual as qualidades admiradas em uma pessoa não são sua inteligência e mordacidade, mas os músculos definidos e a capacidade de levantar seu próprio peso. Não existe a menor coerência nos programas: da outra vez que fiz academia, na minha ficha tinha 40 minutos de exercícios aeróbicos e oito exercícios com carga. Dessa vez, o objetivo é o mesmo, e me mandam fazer 20 minutos do primeiro e 12 tipos do segundo. Tem lógica?

Sim, freqüentar a academia é como viajar para um país inimigo. Só que, como já fui lá uma vez, conheço um pouco dos costumes locais. Então, confesso que estou sofrendo menos.


"Standard nerds!"

12.1.09

O Caso da Reforma Ortográfica

Sim, eu vou ser igual àqueles velhinhos que escrevem “pharmácia” e “objecto”. Ou seja, eu não vou adotar a reforma ortográfica.

Ok, é só por enquanto, até ter tempo de ler e estudar devidamente as novas regras. Porque é melhor escrever errado do jeito antigo do que escrever errado, ponto.

Eu queria muito malhar a reforma ortográfica, porque o que eu vi dela me deixou bem irritada. Se não for para padronizar (e arrancar fora as exceções, que a língua portuguesa tem muitas), para quê mexer?

Mas deixa quieto. Primeiro vou ler e estudar devidamente as novas regras; depois eu detono.

7.1.09

O Caso do Consumo

Lá em casa, nunca fomos grandes compradores. Minha mãe me ensinou a ser econômica e cautelosa. Na (rara) hora de adquirir qualquer coisa, o sistema era perguntar e pesquisar, ir a várias lojas, conversar com vários vendedores, julgar severamente a relação custo/benefício e, depois de um longo processo, finalmente abrir a bolsa.

Além disso, sempre fui uma ávida leitora, e a maioria absoluta dos livros de infância pregava o credo de que dinheiro não traz felicidade. O herói era sempre pobrezinho e lutava contra as adversidades. Justamente por causa de suas dificuldades, ele desenvolvia criatividade, persistência e coragem. O dinheiro era apanágio dos vilões: aqueles preguiçosos, mal-educados e ingratos que só se davam conta do que possui verdadeiro valor (amizade, lealdade, honra, amor) após prolongado contato com o herói

Quando passei de estagiária, que ganha um pouquinho só (pouquinho esse que eu guardava religiosamente, na renda fixa) para concursada, que ganha bem melhor, não perdi os hábitos econômicos. Minha grande alegria era guardar a maior parte do salário (na renda fixa). Eu via colegas torrando o salário inteiro em roupas ou financiando carros a juros altíssimos, e sinceramente não conseguia compreendê-los.

Eis que, para meu grande espanto – e de maneira contrária a todas as minhas crenças – e com 32 anos nas costas – descubro, na última viagem, que consumo traz felicidade, sim. A culpada de tudo foi a bolsa de crocodilo: eu a comprei e a carreguei comigo até voltarmos ao hotel. Volta e meia eu abria a sacola para espiar a bolsa e dava risadinhas de alegria ao ver que ela era mais bonita ainda do que eu me lembrava. A aquisição da bolsa me fez tão feliz!

A partir daí fui insensivelmente levada a um frenesi de compras – pelo menos pra mim, que sou tão recatada financeiramente. Riméis da Lancôme! Pincéis de olho da MAC! Relógio de pulso! Sandália da Schutz! Tudo caro, na minha opinião, e tudo merecedor do exaustivo sistema de perguntar e pesquisar. Mas eu não quis nem saber. Com o apoio do Leo, que não tem paciência para o sistema e acha que se você encontrou o que quer tem mais é que fechar negócio, fui em frente e adquiri uma montanha de coisas em pouquíssimo tempo.

Estou felicíssima.

6.1.09

O Caso da Academia 2009

Sim, eu sei que estou devendo posts de viagem. Sim, eu sei que já falei diversas vezes que odeio academia. Mas, para minha completa surpresa, hoje fui à academia e... gostei!

Decidi aproveitar a empolgação do começo do ano (ano novo, vida nova!) para me inscrever correndo. Também aproveitei o fato de que está chovendo muito em Fabri, e portanto a temperatura está agradável (não, não tem ar-condicionado na academia).

Então fui hoje fazer o exame físico. Quem me atendeu foi uma nutricionista simpáticíssima, que disse que eu parecia magra e que meu corpo estava ótimo para uma pessoa sendentária. Desnecessário dizer: me ganhou.

A boa notícia é que meu condicionamento é "médio" (da última vez estava "regular", que é a pior opção e na verdade quer dizer "ruim"). A má é que tenho 28,8% de porcentagem de gordura no corpo, sendo que o ideal para a minha idade é 21%. Mas também se estivesse 21% eu saía de lá para nunca mais voltar!

A academia é a mesma que eu ia antes, em 2006 - a um quarteirão da minha casa. Ela foi comprada por outro dono e renovada. Está muito melhor: os aparelhos são novos, acolchoados e mais confortáveis. Hoje fiz alongamento e uma série de 15 repetições de cada exercício. Amanhã começo de verdade, com 20 minutos de esteira na velocidade 6 (achei fraquinho; vamos ver) e três séries ao invés de uma.

A academia estava bem vazia, a música ambiente era legal, e eu sinceramente achei divertido usar os meus músculos de novo. Foi gostosinho, juro.

Estou animada. Quem sabe dessa vez me empolgo com a academia?