7.1.09

O Caso do Consumo

Lá em casa, nunca fomos grandes compradores. Minha mãe me ensinou a ser econômica e cautelosa. Na (rara) hora de adquirir qualquer coisa, o sistema era perguntar e pesquisar, ir a várias lojas, conversar com vários vendedores, julgar severamente a relação custo/benefício e, depois de um longo processo, finalmente abrir a bolsa.

Além disso, sempre fui uma ávida leitora, e a maioria absoluta dos livros de infância pregava o credo de que dinheiro não traz felicidade. O herói era sempre pobrezinho e lutava contra as adversidades. Justamente por causa de suas dificuldades, ele desenvolvia criatividade, persistência e coragem. O dinheiro era apanágio dos vilões: aqueles preguiçosos, mal-educados e ingratos que só se davam conta do que possui verdadeiro valor (amizade, lealdade, honra, amor) após prolongado contato com o herói

Quando passei de estagiária, que ganha um pouquinho só (pouquinho esse que eu guardava religiosamente, na renda fixa) para concursada, que ganha bem melhor, não perdi os hábitos econômicos. Minha grande alegria era guardar a maior parte do salário (na renda fixa). Eu via colegas torrando o salário inteiro em roupas ou financiando carros a juros altíssimos, e sinceramente não conseguia compreendê-los.

Eis que, para meu grande espanto – e de maneira contrária a todas as minhas crenças – e com 32 anos nas costas – descubro, na última viagem, que consumo traz felicidade, sim. A culpada de tudo foi a bolsa de crocodilo: eu a comprei e a carreguei comigo até voltarmos ao hotel. Volta e meia eu abria a sacola para espiar a bolsa e dava risadinhas de alegria ao ver que ela era mais bonita ainda do que eu me lembrava. A aquisição da bolsa me fez tão feliz!

A partir daí fui insensivelmente levada a um frenesi de compras – pelo menos pra mim, que sou tão recatada financeiramente. Riméis da Lancôme! Pincéis de olho da MAC! Relógio de pulso! Sandália da Schutz! Tudo caro, na minha opinião, e tudo merecedor do exaustivo sistema de perguntar e pesquisar. Mas eu não quis nem saber. Com o apoio do Leo, que não tem paciência para o sistema e acha que se você encontrou o que quer tem mais é que fechar negócio, fui em frente e adquiri uma montanha de coisas em pouquíssimo tempo.

Estou felicíssima.

2 comentários:

Fernanda disse...

Oi, Lud!
Olha que triste... Meu blog morreu. Isso porque eu o hospedava no blogger.com.br e agora só quem é assinante da globo.com pode acessá-lo. Triste, não?
Agora estou pensando em fazer outro, um que tenha mais a ver comigo hoje e em que eu poste mais, Hehe... Você gosta do seu? É fácil de criar um blog no blogspot? Ajude-me!
Beijoo!
PS: Viva o consumismo!

Isabella disse...

Oi Lud.
Sou como vc... Só compro quando tenho certeza de que é uma boa compra, por um bom preço, etc. Fora que a minha maior alegria também é guardar dinheiro! Mas na minha casa eu sou a única! Minha mãe é a maior compradora compulsiva que eu conheço. Acho minha pão-durice vem da vivência com o abuso nas compras! hehe...
Até!
PS: Essa sua escorregadinha foi ótima... Mas continue prudente!!!! hehehehe!