13.1.09

O Caso do Horror à Academia

E não é que exercício de fato oxigena o cérebro? Enquanto eu trotava alegremente na esteira ontem, desenvolvi uma teoria sobre a razão de nós, “standard nerds!” (como diria o Mr. Reynholm, do seriado britânico The IT Crowd), odiarmos academia.

É porque estamos acostumados a ter a manha, povo. A pegar as coisas no ar, a deduzir tudo sozinhos e a não fazer perguntas. Ou a fazer perguntas inteligentes, embasadas e instigantes.

Só que, na academia, tudo é diferente. Na academia (fora a Brasileira de Letras, é claro), nosso conhecimento prévio não serve para nada. Somos obrigados a enfrentar um monte de aparelhos com nomes estranhamente parecidos, a fazer movimentos antes impensados e a conhecer uma etiqueta fora da nossa realidade. Ninguém conta que é pra levar uma toalhinha para não ficar encostando no suor dos outros. Ou que o peso de cinco quilos já vem no aparelho, então você tem é que tirar a carga. Ou que se a esteira não estiver com a chave ela não começa a funcionar. Ou qual é a configuração de cada instrumento de tortura para seu tamanho.

É que verdade que existe um professor que teoricamente serve para nos orientar. Infelizmente, ele passa um tempo absurdo conversando com a secretária, se admirando nos espelhos ou do outro lado do salão.

Em suma, a academia é um ambiente hostil, no qual as qualidades admiradas em uma pessoa não são sua inteligência e mordacidade, mas os músculos definidos e a capacidade de levantar seu próprio peso. Não existe a menor coerência nos programas: da outra vez que fiz academia, na minha ficha tinha 40 minutos de exercícios aeróbicos e oito exercícios com carga. Dessa vez, o objetivo é o mesmo, e me mandam fazer 20 minutos do primeiro e 12 tipos do segundo. Tem lógica?

Sim, freqüentar a academia é como viajar para um país inimigo. Só que, como já fui lá uma vez, conheço um pouco dos costumes locais. Então, confesso que estou sofrendo menos.


"Standard nerds!"

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