9.9.09

O Caso do Experimento Social: Parte 2

Tem mais: não é qualquer tipo de beleza feminina que vale, não. Você só vai ser bonita se for magra (de preferência malhada), de cabelo liso (de preferência louro), e jovem (de preferência bastante). Para completar, a publicidade fica te dizendo que esse ideal de beleza é perfeitamente atingível: é só você comprar os bens de consumo deles. Entre a indústria das dietas e a indústria dos produtos de beleza, minha amiga, você só não é a próxima Gisele se não quiser. Em outras palavras: você não é linda? Isso é um absurdo! E a culpa é sua!
Aí alguém se espanta que eu gaste dinheiro, tempo e esforço lapidando a minha aparência? Aí alguém se espanta que milhões de mulheres gastem dinheiro, tempo e esforço lapidando suas aparências? Conclusão lógica: se a sociedade não se ocupasse tanto com a aparência das mulheres, elas iam gastar dinheiro, tempo e esforço em outras coisas, talvez mais interessantes.
E aí, é claro, eu entrei em conflito. Eu quero ser uma pessoa racional e produtiva, mas eu gosto taaaanto de maquiagem! (Gosto mesmo ou sou dependente dela, já que não saio de casa com um batom e uma base em pó na bolsa?) E taaaanto de moda! (Gosto mesmo ou as revistas brilhantes e coloridas é que me convencem que eu tenho que ter uma calça jeans desbotada esburacada?) E taaanto de estar magra! (Mas será que gosto mesmo ou que não faz o menor sentindo evitar o chocolate nosso de cada dia para caber em calças dez anos atrás?)
O que aconteceria se eu (gulp) abandonasse os cuidados de beleza? Eu ficaria (the horror!) ... feia?
Imediatamente surgiram duas questões:
Questão nº 1) será que eu ficaria feia mesmo? Será que os diversificadíssimos produtos que eu esfrego, espalho e aplico em mim e as calorias que eu evito realmente me transformam em outra pessoa, várias vezes mais atraente, como insistem em dizer os meios de comunicação?
Questão nº 2) se eu ficar feia, e daí? Por que a feiúra é tão aterrorizante para mim (e acho que para muitas mulheres)? Sério, chama o Clinton ou o Lula de feio. Ou o Nelson Mandela. Ou o Stephen Hawking. Eles vão rir na sua cara. (Obs 1: não, não é coincidência que os exemplos sejam masculinos. Obs 2: não estou chamando o Clinton, o Lula, o Mandela ou o Stephen Hawking de feios. O Mandela é lindo, por sinal.)
Dito isso, abandonei um monte de produtos diários: creme clareador para tirar as manchinhas do rosto, creme para a região dos olhos, protetor solar, base em pó, corretivo, sombra, lápis de olho, rímel, blush, batom. Larguei também o secador de cabelos. Só não abri mão do brilho para a boca, porque não dei conta, até o dia 11º dia do experimento. Mas me dêem um desconto: era um brilhinho incolor.
Isso quer dizer que desde 24 de agosto, segunda-feira, eu, que faz mais de 10 anos que não saio de casa sem passar pelo menos batom, vesti uma camisa listrada e saí por aí. Com olheiras, vasinhos, manchinhas, faces pálidas e cílios curtos à mostra.
Continua...

3 comentários:

Lud disse...

Vocês viram que a Lola Aronovich deixou um comentário para mim? Que orgulho! Eu sou fã dela!
E o blogue dela, obviamente, tá na lista de blogues na minha página inicial.

just me disse...

Lud, acho que o protetor solar é mais uma questão de saúde da pele do que vaidade...
Tá liberado!

Daniela disse...

=) Dominar o mundo!