11.9.09

O Caso do Experimento Social: Parte 3

Resultados imediatos: passei a ir para o trabalho mais cedo e a abraçar as pessoas sem me preocupar se uma parte da maquiagem ia ficar nelas. Também abandonei o hábito de checar o estado das olheiras. E passei a me olhar no espelho com olhos menos críticos – afinal, sem maquiagem, eu sabia que não ia estar perfeita mesmo.

Resultados após alguns dias: como eu estava sendo menos exigente comigo mesma, estendi a cortesia às pessoas em geral. Elas ficaram mais interessantes, já que, suspenso o julgamento em relação ao visual, dava para prestar atenção no que elas diziam e faziam.

Reações até agora: não houve. Nenhuma. NENHUMA. As pessoas me tratam exatamente da mesma maneira. Ninguém apontou o dedo e disse: hahaha, olha as olheiras dela. Ou hehehe, que cabelo ridículo ela tem. Ou hihihi, seus poros são gigantes. O que me leva a concluir que meu visual não fica assim tão “agradável” quando “me cuido”, nem tão “desagradável” quando não ligo a mínima.

Resposta à questão nº 1) será que, sem maquiagem/cremes/secador, eu vou ficar feia mesmo?

Olha, ninguém gritou que eu tinha virado um monstro. Talvez alguma amiga tenha notado a palidez, mas não falou nada. O Maridinho sequer percebe se eu estou maquiada ou não. Só a irmã I. comentou que eu estava um pouco abatida (mas eu estava usando uma blusa cor-de-burro-quando-foge, então a mostra foi contaminada).

Ou seja: as propagandas (surpresa!) mentem. Eu não vou ficar linda como as modelos que aparecem anunciando produtos de beleza (até porque nem elas são lindas assim, mas aí já é outro assunto). E também não vou ficar feia como o Shrek se não usar cosméticos (apesar de que o Shrek não é assim tão medonho... eu não disse que estou olhando com mais carinho para as pessoas?).

Resposta à questão nº 2) e se eu ficar feia?

Como eu disse, sempre fui muito preocupada com a aparência. Nessa experiência, percebi que eu e a mídia nos preocupamos muito mais com a minha aparência do que as pessoas que me cercam se preocupam com a minha aparência.

As pessoas que me cercam querem que eu seja competente no trabalho, confiável nas amizades, atenciosa no casamento. Nenhuma delas exige que eu tenha a pele de porcelana e olhos de gazela. Para elas, eu sou muito mais do que a minha aparência.

Assim sendo, passei a ligar muito menos para o visual, meu e dos outros. E isso é libertador.

Ao mesmo tempo, minha definição do que é belo foi alargada enormemente. Descobri que não preciso de que os meios de comunicação, com seus padrões de beleza horrivelmente restritivos, me contem o que é bonito ou não. Eu chego às minhas próprias conclusões, obrigada.

Contraditório, né? Está tudo meio bagunçado em minha cabeça ainda. O ideal é que a gente ignore as aparências, ou que não as ignore, mas as aceite como são?

Continua...

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi, Lud
Adoro seu blog e a maneira como vc escreve. Eu nunca usei maquiagem durante o dia e só uso a noite quando tenho algo mais formal. Mas uso secador, cremes, faço as unhas... Mas decidi que não vou mais fazer a unha do pé! É caro, me machucam muitas vezes! Daqui pra frente só vou manter as unhas curtas! Beijo!