30.9.09

O Caso do Remedinho

Faz mais de um ano que eu andava tendo uns medos exagerados: ficava tensa na viagem para BH, me agarrando na porta do carro a cada curva; ruídos súbitos e altos me faziam dar pulos; e eu acordava de noite, assustadíssima com um barulho não-identificado, até perceber que era o Leo respirando.

Sim, eu sabia que alguma coisa não andava indo bem. E sabia perfeitamente que o medo era infundado (o que é altamente frustrante para uma pessoa que sempre se julgou racional).

Fui a um psiquiatra do plano de saúde. Ele prescreveu um ansiolítico antidepressivo e um remédio homeopático. Tomei só o homeopático (que eu achei que mal não fazia) e nunca mais voltei. Que absurdo, ansiolítico antidepressivo. Vê lá se eu, jovem, bem-casada, feliz, com um bom emprego e nenhuma dificuldade aparente, ia mexer com remédio controlado. Pois bem, nada mudou.

Aí fui a um psicólogo ótimo. Passamos dois meses produtivos juntos, saímos os dois de férias, e nunca mais voltei.

Os medos continuaram aumentando alegremente. Sim, eu tive medo andando à noite na rua. Eu não estava sozinha, estava com o Maridinho. Na Suíça.

Tem horas que a realidade fala mais alto do que a esperança de que o problema se resolva sozinho. Arrumei outro psiquiatra (competentíssimo. E caríssimo) e, quando ele me receitou o mesmo ansiolítico antidepressivo do outro, não tive dúvidas: comprei e tomei. Com dor no coração, porque é um remédio caro pra burro. Mas achei melhor sentir dor no bolso do que na alma.

No começo, o remédio só deu sono, acessos de bocejo e falta de apetite. Depois de umas semanas, os medos, gradativamente, começaram a diminuir. E os efeitos colaterais foram embora.

Eu me considerava uma pessoa feliz. Fiquei mais. E mais tranqüila. Mais segura. Menos preocupada com a opinião alheia. Gostando mais das pessoas. E aí, claro, virei feminista.

Brincadeiras à parte (porque eu já era feminista), o tratamento fez bem para mim. Os medos não sumiram totalmente, mas quase. E eu não ia falar nada aqui, mas depois fiquei pensando: o que é que tem? Quando o meu cabelo caía, eu contava dos comprimidos de ferritina sabor chocolate. E sobre a minha absorção de serotonina desregulada (acho que é isso), eu não falo nada? Problema de saúde é problema de saúde, poxa.

PS: não estou fazendo apologia ao uso de medicamentos. A mim, neste momento, ajudou, só isso. O psiquiatra também recomendou que eu voltasse à terapia. Terapia sempre é bom.

PSII: nessas horas eu percebo como o dinheiro faz diferença na vida da gente. Acho que dá para viver com pouco e ser feliz, mas quando a pessoa não tem grana para comprar remédio, aí a coisa pode ficar feia.

4 comentários:

Yoshi disse...

Acredito muito em placebo, mas nunca tomei nada de tarja preta - e espero nunca precisar.

LudLeo disse...

Hohoho, o meu remedinho não é tarja preta. E nem vicia.
E eu também acredito em placebo!

Setembro disse...

... li seu post e fiquei assustada!!!!!!!!!!!!!!!!!
depois de um trauma que sofri, fiquei igualzinha...
to chocada!!!

LudLeo disse...

Setembro,
pois é, acontece com mais freqüência que se pensa. Mas acho que as pessoas não gostam de falar nisso, né?
Eu resisti a procurar ajuda, pensando "é bobagem", "vai passar". Mas não passou. E agora percebo que não há razão para a gente ficar sofrendo se há remédio (literal e figurativamente).
Força aí!