14.10.09

O Caso da Moda e da Maquiagem Como é que Ficam

Eu sei, eu fico voltando a este tema. Porque ele é caro ao meu coração. Porque eu adoro moda. E adoro maquiagem. Então, abrir mão delas não está sendo um detalhezinho à toa para mim.

Além disso, eu hesito em desqualificá-las. Porque elas pertencem, de maneira predominante, ao reino feminino. E a sociedade tende a desprezar (e dizer que é fútil) tudo que pertence a esse reino: “roupa, batom, novela, romance. Tudo bobagem. Coisa de mulher.” Importante sendo, claro, futebol, carro e cerveja. (Sim, eu sei que mulher dirige carro, toma cerveja e muitas gostam de futebol. Mas estou falando de estereótipos.)

Acho que o problema é que, no presente momento, moda e maquiagem servem de instrumento para a objetificação feminina. Praticamente todo estilista (independente do sexo) diz que seu objetivo é tornar a mulher sexy. Que cansaço, isso de ser sexy sempre. Que obrigação pesada, e nada adequada. Por que diabos eu tenho que ser sexy no trabalho? No cinema? Na rua? No supermercado? (Obs: isso não quer dizer que quem queira ser sexy em todos esses ambientes não possa ou não deva fazê-lo.)

Quando eu parei de usar maquiagem, percebi como minhas roupas são sexy. (E olha que eu me visto bem dentro do padrão. Não sou aquela moça que chega em um ambiente e chama todas as atenções, nada disso. Até acho que sou um pouquinho mais conservadora do que as minhas amigas.) Eu nunca tinha reparado nisso. Porque é a norma, né? Roupa de mulher é sexy. Podem observar. Eu tenho várias calças justas, muitas blusinhas colantes, roupas que mostram o corpo (saias, tops de alcinha, decotes), diversos sapatos de salto e algumas sandálias (também de salto).

Já o guarda-roupa do Maridinho se compõe de um monte de calças jeans retas, um monte de camisetas padrão, bermudas largas, alguns tênis e uns sapatos masculinos. Ele engorda um pouco, emagrece um pouco, e ninguém se dá conta. Ele usa a mesma camiseta dois dias seguidos e ninguém repara.

O meu guarda-roupa exige que eu esteja em forma. Depilada. Com as unhas dos pés feitas. Com a pele hidratada e preferencialmente bronzeada de maneira uniforme.

Roubada, né? E eu não tinha me dado conta disso, gente! 33 anos nas costas e achando natural que eu gastasse vinte minutos para me aprontar enquanto o Maridinho precisava de 5. Ou 2.

A relação que ele tem com as roupas é clara e descomplicada. Elas servem para proteger, aquecer e tá bão. Ele não usa sapatos desconfortáveis ou trajes que deixam você respirar apenas com a parte superior dos pulmões. Ele nunca hesita em emendar um programa no outro porque não está vestido adequadamente.

Então meu ícone de moda deixou de ser a Kate Moss e passou a ser o Maridinho.

2 comentários:

Bela disse...

mas é mais fácil fazer isso quando se é casada e trabalha no silviço público =I

lola aronovich disse...

Eu sou que nem o seu maridinho então. E que nem o meu! E olha, sempre fui. Muito antes de ser casada...
Mas eu sempre penso nisso de "Será que a pessoa repara se eu usar a mesma camisa no dia seguinte?". Porque, sinceramente, eu não reparo jamais! Me pergunte o que qualquer pessoa vestiu no dia anterior. Não tem a menor chance de eu saber responder!