24.10.09

O Caso do Comentário do Caso dos Comentários

No último post, a Setembro! fez um comentário muito pertinente: se ninguém percebeu, nem me tratou diferente quando eu parei de usar maquiagem/esmalte/etc, então como eu tenho tentado passar esses meus novos conceitos às pessoas que não acessam meu blog?

Funciona assim: estou em um grupo. Alguém comenta qualquer coisa sobre aparência/beleza/cosméticos. Aí eu anuncio orgulhosamente: pois EU não uso mais maquiagem.

As pessoas me olham perplexas. E percebem que, de fato, estou de cara limpa. Observe que o "mais" é uma palavra-chave, porque existe gente que não usa maquiagem mesmo. Mas o "mais" implica que já usei, que já experimentei seus "benefícios", e que abri mão.

Aproveito o momento de silêncio atordoado e me explico. O engraçado é que, nesse momento, gente que não estava nem notando se eu estava ou não de batom fica me questionando. Como se os meus cromossomos XX me fizessem automaticamente uma viciada em produtos de beleza. Como se os cosméticos fossem um privilégio. Como assim você não quer ficar BONITA?

Então a conversa cai no feminismo e os ânimos se inflamam. Surge a oportunidade de esclarecer alguns pontos polêmicos. Não, as feministas não querem ser iguais aos homens. Não, o feminismo não é o contrário do machismo (e logo, tão ruim quanto). Não, feminista não é palavrão.

Não vou dizer que convenço todo mundo, nem que as mulheres presentes esvaziam imediatamente a bolsa no lixo mais próximo. Até porque o assunto é complexo e não se esgota em uma única conversa. Mas faço o povo pensar um pouco. E sim, consigo uns adeptos.

Mas vou confessar: abandonar os cosméticos é bom principalmente para mim. Porque, para usá-los, eu tinha que ficar prestando a maior atenção no meu rosto, na minha pele, nos meus cílios, nas minhas cutículas, no meu cabelo, em tudo que que eu queria "corrigir" "disfarçar" e "realçar". Agora me olho no espelho a uma distância muito mais saudável de três palmos, e gosto do que vejo. Sim, o meu experimento teve um efeito colateral engraçadíssimo: estou me achando. (Minhas irmãs vão revirar os olhos, porque elas acham que eu já me achava. Eu acho.)

Por isso vou me maquiar a contragosto para ser madrinha no casamento da minha amiga. A festa seria um momento fantástico para a bombástica declaração visual "Não sou enfeite". Mas enfim. Estou pensando seriamente em lavar o rosto depois das fotos.

7 comentários:

Bela disse...

melhor não, porque tem fotos depois das fotos oficiais e vc vai parecer 'aquela chapadona que estava vomitando no banheiro e teve até que lavar o rosto'. believe me =)

Bela disse...

nossa, todo mundo fazendo comentários superconstrutivos e eu só venho aqui pra atrapalhar. hmmm.

Setembro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Setembro disse...

Achei interessante essa frase: "engraçado é que, nesse momento, gente que não estava nem notando se eu estava ou não de batom fica me questionando".

Engraçado como certas pessoas reagem! Quero dizer, se elas nem notavam a falta dos cosméticos, por que passam a reagir como se você estivesse quebrando alguma lei importante das mulheres?
Ou agindo como se fosse menos mulher que as outras que usam maquiagem?!

Sinceramente, acho que tem gente nesse mundo que tem uma visão muito, mas muito pequena da realidade!

LudLeo disse...

Belinha,
eu não vejo problema nenhum em parecer "aquela chapadona". Já percebi que as pessoas que não tem medo (ou noção) do ridículo se divertem muito mais.

Setembro,
sim, eu também acho que tem neste mundo pessoas não muito críticas, que aceitam o que vêem em torno de si como natural e dado. Que acham que "mulher é assim", "homem é assado", "nenhum político presta", "tudo que a revista Veja fala é verdade" e por aí vai. Se bobear, a vida dessas pessoas é mais fácil. O mundo delas é fixo e a receita da felicidade é simples: é só se adaptar ao mundo, ou "entrar no jogo". O que é bom para quem gosta, eu suponho.

lola aronovich disse...

Lud, pois é, concordo que essa palavrinha, MAIS, talvez seja a palavra-chave, no caso de "eu não uso MAIS maquiagem". Porque eu nunca usei, e as pessoas só me olhavam espantadas nas raríssimas ocasiões em que pus um batom. Claro, tinha a turma que vinha falar comigo das minhas olheiras, mas eu nem prestava atenção. E eu ainda emendava, com orgulho: não tenho orelha furada, nunca pintei as unhas na vida, não uso salto alto. E sou mulher heterossexual.
Seria interessante encarar maquiagem como uma máscara, algo que as mulheres põe pra cobrir o rosto, como um véu. Ou como encarnar um personagem. Mas não como obrigação, e não naquele esquema do "antes" (sem maquiagem somos horrendas, dizem pra gente) e "depois" (que é permanente). Adoro uma cena de Bastardos Inglórios em que a heroína põe maquiagem como se fosse uma pintura de guerra, sabe? Abração!

Anônimo disse...

EU fui nas bodas de ouro dos meus avós sem maquiagem nenhuma. No final da festa quando estávamos voltando e entrando na van minha prima disse: Nossa a sua maquiagem saiu toda né?
E EU: Não saiu, pq não passei nada.
E ela: MAS PQ???

Ninguém percebeu, e eu achando que ia ser um escândalo.