10.10.09

O Caso do Respeito

Uma das coisas mais difíceis que estou aprendendo com o feminismo é respeitar as opções alheias (porque eu geralmente acho que estou sempre certa e todo mundo deve fazer como eu faço). Depois de me dar conta das exigências absurdas que a sociedade faz em relação à aparência das mulheres, eu racionalmente deixei de fazer um monte de coisas (usar maquiagem, fazer a unha, usar roupas justas/curtas/enfeitadas). Só que eu sou bem padrãozinho (branca, magra, cabelo liso). Só que eu sou casada e funcionária pública. Então como é que eu vou me revoltar contra uma mulher que, estando dentro do sistema machista e patriarcal, quer emprego/namorada(o)/inclusão social e usa os instrumentos que esse mesmo sistema diz que são necessários?

O que eu posso fazer é conversar com as pessoas e mostrar os fatos para elas façam escolhas conscientes. O que posso querer é que elas saibam que o sistema existe e como ele funciona. Que, se não puderem evitar avaliar aparência e o comportamento sexual das outras pessoas, usem o mesmo padrão para todo mundo. Que criem filhos que sejam conscientes também. Aí a sociedade começa a mudar.

Se a consciência gerar nas pessoas a mesma resposta que gerou em mim, fantástico. Porque acelera o processo. E porque estou muito satisfeita com minha vida de feminista prática. Com minha nova rotina simplificada, ganhei tempo (que eu uso para fazer estes ótimos posts para vocês) e confiança. Minha faxineira ganhou um aumento de 25% (antes eu pagava o valor de mercado, que é não é grande coisa. Não que com o aumento tenha virado grande coisa, mas ajuda). Minhas economias ganharam mais força. Minha mãe ganhou novas razões para me criticar. Ou seja, todos estão felizes!

Eu principalmente.

Um comentário:

lola aronovich disse...

Que legal, Lud. É assim mesmo. A gente faz a diferença individualmente, pouco a pouco. É um dos lemas do feminismo: the personal is political. Abração!