Como eu já falei aqui, eu e o Leo formamos uma ótima equipe. A viagem funcionou assim: o Leo ficou encarregado da localização, e eu, da comunicação. Ótima divisão de trabalho, porque o Leo é uma bússola humana (enquanto eu me perco indo da sala para o quarto), e eu gosto de falar como uma taramela, além de dominar o inglês, o portunhol e meia dúzia de palavras em francês.
Tudo ia maravilhosamente bem até que eu fui obrigada a ler mapas enquanto o Leo dirigia. Sair de Amsterdam até que foi fácil, porque eu usei meus poderes comunicatícios para perguntar para o motorista de táxi que nos levou à locadora de carros qual era a melhor saída, mas chegando em Haia... descobrir o hotel foi um parto.
Demos voltas e voltas sem conseguir entrar na rua do o hotel. O Leo lia as placas das ruas e perguntava se elas apareciam no mapa, e eu não achava nada. Acabamos conseguindo chegar quando eu desci do carro e fui perguntar onde diabos ficava o tal o hotel.
Depois o Leo pegou o mapa e morreu de rir, porque as ruas todas que ele tinha falado estavam lá. Mas nem me abalei, porque a gente tinha chegado, não tinha?
Pois é. Dali a três dias pegamos a estrada de novo para ir ao Kinderdijk, o patrimônio histórico mundial que tem 19 moinhos originais em funcionamento. Para chegar lá, tínhamos que circular Roterdam e sair na A12.
Então. Pegamos a saída da A12 bem felizes e lá nos fomos. E andamos. E andamos. E andamos.

Do lado da estrada, víamos galpões, guindastes e depósitos, mas como Roterdam é o maior porto da Europa, estávamos tranqüilos. O Leo olhava o nome das placas que indicavam cidades do lado da estrada e perguntava se elas estavam no mapa, e eu não achava nenhuma, mas tudo bem – não tinha acontecido a mesma coisa em Haia?
Os depósitos iam ficando cada vez mais gigantes e a estrada, mais deserta. A A12 virou N12 – e eu disse: liga não, Leo, é a mesma coisa!

De repente, num momento de iluminação, virei o mapa e descobri que estávamos indo para o
lado errado! Mais 10 quilômetros e a gente caía no mar. Aí é que eu entendi as placas “Europort” que volta e meia apareciam. Ao invés de irmos para a região central da Holanda, tínhamos dado a volta inteira em Roterdam e saído para o outro lado, na direção do mar. Estávamos 40 quilômetros fora da rota!
Não foi um de meus melhores momentos, confesso.