Esse negócio de possuir bens é mais complicado do que se pensa. Porque, vejam bem, você não tem só que possuir: tem que guardar, cuidar, trancar, limpar, fazer seguro e recarregar bateria. E se furtam o bem material você fica danada da vida, mesmo que ele não custe assim tão caro. Principalmente quando te furtam o mesmo bem material pela segunda vez, como aconteceu com o meu celular.
Mas se você é uma pessoa informada, inteligente, culta, você não deixa barato, não. Você sabe que tem direitos. Então, para fazer valê-los, você entra em contato com a companhia aérea, passa uma raiva danada toda vez que liga pra lá, altera a voz com as teleatendentes que não têm nada a ver com isso e espera três semanas feito boba para responderem (negativamente) a sua solicitação.
Aí você pessoa informada, inteligente, culta acessa o seguro-viagem que você fez para essas eventualidades mesmo. Que vai exigir registro de reclamação de furto de bagagem feito na hora, aquele que ninguém faz porque só a gente só percebe que foi furtado depois que abre a mala em casa. Aí você vai sapatear de ódio sobre a cartinha educada que eles vão te enviar falando isso, e nessa lá se vão mais dois meses.
Mas você pessoa informada, inteligente, culta não se abala. Porque você sabe que pode entrar no juizado especial cível e chamar a companhia aérea e a seguradora pro pau.
Você pode até não ganhar nada. Você pode até gastar tempo, dinheiro, paciência e suas poucas horas de folga e levar um "improcedente" pelas fuças. Mas que você vai infernizar a companhia aérea do demo e a seguradora diabólica até não poder mais, ah, isso vai.
(Vocês vêem que os bens materiais têm uma influência muito negativa sobre mim.)






















