13.9.06

O Caso do Dedinho

Em mais uma espetacular prova da minha falta de coordenação motora, consegui prender o dedo na porta do carro ontem, quando o Leo me deixava no serviço.

Doeu tanto que a pressão baixou e eu chorei igual criança. Coloquei gelo por meia hora, mas continuou doendo horrores . Aí não agüentei e chamei o Leo.

Você sabe que está adulta e independente quando você se machuca ou fica doente mas não liga para sua mãe. Não, não. Você corre para o hospital.

Estou ficando figurinha carimbada no pronto-atendimento do hospital que fica perto da minha casa. Nesses dois anos e meio que me mudei para esta cidade, baixei lá por causa de um vírus galopante, uma rinite, uma crise de labirintite e agora o dedo.

O médico mandou tirar uma radiografia, verificou que o osso estava intacto, me passou um daqueles remédios cuja bula diz que você não deve dirigir nem operar máquinas pesadas, e falou para eu passar o dia com o dedo dentro de um copo de água com gelo e com o braço para cima.

No final do dia o remédio fez efeito, o dedo passou a doer só um pouquinho e o hematoma, que agora está ocupando quase metade da unha, parou de crescer.

Ainda bem. O médico disse que, se ele aumentasse muito, ia ser necessário fazer um furo na unha e drenar.

Urgha!

11.9.06

O Caso dos Exercícios Nocivos

No sábado fui ao clube nadar e fiquei muito enjoada. Acho que é porque tenho que ficar tirando a cabeça da água para respirar.

O que levou o Leo a concluir que eu não sirvo para atividades atléticas mesmo, porque elas diminuem meu bem-estar físico, ao invés de aumentá-lo. Vejam só: comecei a jogar tênis e arrumei uma tendinite. Fui aprender a fazer cambalhotas na água e tive náuseas. Decidi andar de bicicleta e só consegui na menorzinha de todas. Achei que natação era a solução, já que é um exercício sem impacto, e deu no que deu.

O Leo acha que eu só posso fazer atividades controladas, do tipo bicicleta ergométrica ou no máximo academia. E que eu devo me dedicar aos empreendimentos intelectuais, já que esse é o meu forte.
Estou arrasada.

8.9.06

O Caso dos Pássaros

Hoje cheguei no serviço e fui saudada por três andorinhas voando loucamente dentro da sala. Apaguei todas as lâmpadas e abri todas as janelas, para ver se elas voavam para a luz. A mais espertinha entendeu a dica e se mandou na hora. As outras duas continuaram esvoaçando pela sala e insistindo em bater as cabecinhas nos vidros, num exercício de futilidade.

Uma das andorinhas ficou escondida num canto baixo, tentando inutilmente bicar seu caminho para a liberdade. Precisei de uns cinco minutos e dois processos (um para colocar por debaixo dela, outro para não deixar que ela escorresse para os lados, como ela insistia em fazer) para botar a danada pra fora.

A última andorinha outra voou pra cá, voou pra lá e pousou em lugares altos, fora do alcance dos meus processos. Andar pela sala balançando os braços e abanando papéis que nem uma louca para tentar conduzi-la para a área das janelas não adiantou lhufas. Aí, do nada, ela deu uma embicada no vôo e conseguiu escapar.

Não sei como três andorinhas entraram na minha sala. Tudo indica que elas aproveitaram que a espuma que circunda o aparelho de ar-condicionado saiu do lugar devido aos fortes ventos do feriado para dar uma espiadinha no meu local de trabalho. O engraçado é que elas conseguiram entrar, mas não conseguiram sair por onde vieram.
Não é à toa que “cérebro de passarinho” não é elogio.

6.9.06

O Caso do Frete

Sempre achei que lojas na internet eram modernas, práticas e legais, mas elas estão começando a me irritar.

Caso 1) Submarino. Recebem a mercadoria com defeito (+), te dão um vale no valor da mercadoria ao invés de devolver o dinheiro como determina o Código de Defesa do Consumidor (-), e quando você usa o vale para comprar outra mercadoria, descobre que você não tem direito ao frete grátis, porque o frete grátis não é para o bico de quem usa vale (- - -).

Caso 2) Americanas. Tem lista de casamento mal-arrumada e confusa (-), tem coragem de cobra o frete, embora provavelmente deixem os presentes se empilharem antes de entregá-los (- -) e aí quando você vai à página inicial você descobre exatamente o produto que você comprou para o seu amigo casadoiro com frete grátis (- - -).

5.9.06

O Caso dos Exercícios (ou Falta de)

Exercícios não são o que Jesus quer para mim. Recebemos um e-mail da Submarino dizendo que eles não têm mais orbitreks, então é pra gente escolher outra coisa. E, justamente porque eu estava animada a nadar, começou a chover por aqui e pelo jeito não vai parar mais.

Resolvemos escolher uma bicicleta ergométrica, que é o que cabe na sala. Aí, surpresa: o prazo de entrega é 20 dias.

Jesus quer que eu fique gorduchinha, gorduchinha.

4.9.06

O Caso da Piscina

Aproveitei que ontem o sol estava brilhando e fui ao clube para encerrar quase dois meses sem atividade física causados pelo defeito no orbitrek que eu comprei pela internet, pela doação da bicicleta ergométrica e pela falta de condições de caminhar aqui perto de casa.

Depois de passar um protetor solar no rosto e outro no corpo, pôr o maiô, prender o cabelo, colocar a faixa que impede a franja de cair no olho e tomar uma chuveirada para encharcar o cabelo de água doce e impedir o efeito maléfico do cloro, me joguei na piscina com toda a animação.

A água estava tão gelada que o meu coração quase congelou. Mas, depois de chapinhar energicamente por muitos minutos, juro que a temperatura ficou agradável.

Ontem eu tentei nadar mais devagar, porque a velocidade que eu estava desenvolvendo no começo do ano me deixava sem fôlego em pouquíssimo tempo. Não que essa velocidade fosse lá grande coisa – a minha capacidade aeróbica é que é fraquinha mesmo.

Deu certo. Nadei quase meia hora.

Depois fiquei tonta por ter feito esforço demais.

1.9.06

O Caso do Celular

Meu celular foi furtado no aeroporto. A companhia aérea, que não será nomeada – ok, foi a TAM – se recusou a tomar providências, porque a violação da mala só foi descoberta após termos deixado o aeroporto. Fui à delegacia fazer o BO, mas ele acabou com o número de nota fiscal da conta do celular, porque o atendente da operadora, que deverá permanecer anônima – ok, foi a Telemig – disse que o número na segunda via da conta tirada na internet era o da nota fiscal do aparelho.

Diante de tantos obstáculos, desisti de entrar no Juizado Especial, porque eu ia me aborrecer mais do que aborrecer a empresa. Ok, na verdade é porque a diaba da TAM lacrou a mala no check-in, e a gente só percebeu que o lacre tinha sumido em casa. Então para o juiz achar que nós faltamos com o dever de vigilância sobre a bagagem não custava nada.

O último capítulo dessa novela é que não posso cancelar a conta do celular furtado, porque ele estava em comodato. O que eu posso fazer é continuar a pagar 17 reais por mês (que é o valor-base da mensalidade) até o contrato acabar (em outubro de 2007); ou pagar 215 reais para a operadora para ressarci-la do custo do celular e só aí cancelar a conta.

Ou então (como descobri depois de muito atormentar a Telemig) posso pedir um outro chip (16 reais), enfiar em qualquer celular GSM, e continuar com o contrato até outubro de 2007, mas aí fazendo ligações, claro.

Alguém aí tem um celular GSM bem baratinho, tipo o Nokia 1108 ou o Nokia 1110, gentilmente usado, para vender em suaves prestações?

31.8.06

O Caso da Economia

Cada vez mais me dou conta de como as pessoas são descontroladas com dinheiro. Mesmo quem ganha muito volta e meia cai no cheque especial. Meu pai diz que “você fica rico não com o que você ganha, mas com o que você guarda.” E eu concordo.

Tudo bem, cada um sabe de sua vida e faz o que quer com os seus dinheiros. Mas pagar juros astronômicos para o banco, comprar tudo a prestação e fazer financiamentos intermináveis quando um pouco de economia permitiria pagar tudo a vista – aí não é independência, é burrice mesmo.

Não é difícil guardar dinheiro. É só pôr em prática as seguintes regras (que eu, pessoalmente, uso com grande sucesso):

1) Não compre nada à prestação. Se você não tem dinheiro para pagar na hora você não tem dinheiro para pagar, ponto.

2) Recebido o salário, desconte as despesas fixas (que serão poucas, já que você não compra nada à prestação) e aplique. TUDO.

As pessoas me acusam de pão-durice, mas eu aceito como elogio. Quando eu estiver me aposentando aos quarenta anos, vamos ver quem tem razão.

30.8.06

O Caso do Açúcar

O Leo decidiu comer menos doces e eu fui junto. Reduzi a quantidade de chocolate de “sem limites” para uma ração diária de 5 g.

Acho que estou tendo efeitos colaterais. Meu corpo dói (talvez também porque estou completando mais de um mês sem exercício, mas isso não vem ao caso), sinto um sono danado à tarde e estou tendo umas dores de cabeça muito inconvenientes.

Será que é síndrome de abstinência?

29.8.06

O Caso dos Copos D’Água

Finalmente, finalmente li em uma revista que esse negócio de que todo mundo tem que beber oito copos de água por dia não passa de lenda urbana. Sempre achei que fosse a maior bobagem, porque:

1) cada um tem um tamanho e um peso diferente, então o mesmo tanto de água para todo mundo não faz sentido;

2) quando a gente precisa comer, a gente sente fome; então, a lógica é que, quando a gente precise beber, a gente sinta sede. E não que já estejamos desidratados, como se alardeia por aí.

Melhor do que isso, só quando a mesma revista falou que pele oleosa não precisa de hidratante. Aí mandei um e-mail nesse sentido para outra revista que deverá permanecer sem nome – ok, foi a Nova – e a editora EM PESSOA me ligou para brigar comigo e dizer que o óleo da pele não tem nada a ver com hidratação, porque o que hidrata é água.

Moral da história: não acreditem em tudo que vocês lêem por aí. Só no que vocês lêem por aqui, é claro.

28.8.06

O Caso dos Produtos Enganosos

Com toda a insistência da mídia para evitar as gorduras, diminuir os carboidratos, combater os anti-oxidantes, maneirar no sal e controlar o açúcar, nada mais normal que a gente comece a substituir os alimentos de sempre por outros que se auto-intitulam saudáveis.

No entusiasmo, releva-se o fato de que o iogurte light seja o dobro do preço do iogurte comum e que o preço do Nutry consegue ser maior do que o do chocolate. O problema é que estou começando a achar que a maioria dos produtos da onda saudável são pura enganação.

Começando pelo Nutry, que a nutricionista do Amyr Klink inventou para a travessia do Atlântico dele só de barquinho, e que portanto era objeto da minha mais alta consideração. Se você ler a embalagem do Nutry de banana, vai ter a ingrata surpresa de descobrir que ele fornece 1 g de fibra, o equivalente a 3% do necessário para sua dieta diária. E que os ingrediente principais são xarope de glicose e flocos de arroz, isto é, ingredientes baratos de valor nutritivo parco.

Os biscoitos integrais Pit Stop, cuja embalagem alardeia “fonte de fibras!”, têm os mesmos ridículos 3% da mesma. E, para completar, 3 g de gordura saturada, o que equivale a 12% do que você “precisa” por dia. Ou seja, para conseguir 3% de fibras, você ingere o quádruplo de gordura saturada, que é o vilão da vez!

Quanto ao iogurte light da Danone, a fórmula mudou para ficar “mais vitamínica”, mas quantidade de pedacinhos de fruta do pote diminuiu.

Em suma: talvez os velhos biscoitos cream cracker façam um estrago menor. No bolso e na saúde.

25.8.06

O Caso da Moto

Uns dias atrás, conheci um amigo da minha irmã que costumava ter moto. Ele contou que as motos que têm um motor legal andam MESMO. Segundo ele, uma boa moto pode chegar a 220 km, sem stress.

Existe uma turma de motoqueiros em BH que se reúne uma vez por semana. Quando dá na telha, eles vão tomar um cafezinho em Ouro Preto, que fica a 100 km de distância em uma estrada pra lá de curvilínea e perigosa. De carro você gasta quase hora e meia. E, em 35, 40 minutos, eles chegam, tomam o cafezinho e voltam.

Estou chocada até agora.

24.8.06

O Caso da Agência de Viagens

Já me falaram várias vezes que eu devia dar um jeito de ganhar dinheiro com meu conhecimento e entusiasmo a respeito de viagens. Eu estive pensando seriamente no assunto e cheguei a conclusão de que a idéia é boa. Eu podia abrir uma agência de viagens finíssima, ou, melhor ainda, bolar roteiros exclusivos e levar as pessoas comigo.
O problema é que eu teria pouquíssimos clientes, porque eu somente aceitaria quem:

- estivesse disposto a viajar para fora do continente;

- falasse NO MÍNIMO uma língua estrangeira, sendo que espanhol só vale meio ponto;

- prometesse ler todos guias turísticos, livros de arte e romance temáticos que eu indicasse antes da viagem;

- E concordasse em viajar com apenas uma mala.

Está confirmado: eu sou MESMO uma esnobe horrível.

23.8.06

O Caso das Pessoas

Vocês vêem que as pessoas são mesmo muito diferentes. Quando eu viajo, passo semanas pesquisando e planejando. Leio críticas de hotéis até cair, entro em sites e blogues até saber qual é o preço médio das coisas, levo em consideração a tabela de temperaturas mínimas e máximas, decido nos mínimos detalhes se vou me transportar de carro, trem, ônibus ou metrô e qual o valor de cada passagem (e da gasolina). Saio do Brasil sabendo em que museus e atrações eu quero ir, quanto custam e em que horário eles funcionam; faço planilhas para estimar se é economicamente vantajoso adquirir aqueles cartões de cidades que dão direito à entrada em museus e ao transporte público (o de Bruxelas vale a pena; o de Amsterdam, não); levo diversas espécies monetárias na carteira, na bolsa e escondidas debaixo da roupa, assim como uma estimativa de quanto quero (e posso) gastar.

Minhas melhores amigas estão na Europa. Elas foram no começo do mês. Planejamento? Reservaram hotéis e albergues e iam comprar uma passagem de trem de Veneza a Paris. Programação? O pai de uma delas contou que nas estações de trem costuma ter um posto de turismo com mapas e informações. E lá se foram, lépidas e fagueiras.

E quer saber? Aposto que elas estão se divertindo tanto quanto eu.
Mas que a minha viagem dura um mês a mais (esse mês que eu gasto arrancando os cabelos, infernizando a agente de turismo, arranjando e cancelando reservas, e fazendo uma quantidade inacreditável de contas), isso dura.

22.8.06

O Caso do Chuveiro

Vocês se lembram da propaganda clássica da loja Minas Fogões? Aquela que tinha uma das musiquinhas mais toscas de todos os tempos:
A vida da dona-de-casa
É uma luta danada
Quando estragar o fogão, a panela de pressão
Não fique desesperada
Existe uma loja
Especial
Para a dona-de-casa
Minas Fogões
Conserta e tem as peças que você preciiiisa...
Pois bem: o chuveiro lá de casa queimou e eu o levei a uma eletro-técnica perto do serviço. Me falaram que eles não tinham a resistência daquele chuveiro, mas que o Róbson ou a Minas Fogões tinham. Como eu não tinha idéia de quem, ou o quê, era o Róbson, venci a natural relutância produzida pelo hino da propaganda e marchei para a Minas Fogões, que também fica perto.

Qual não foi minha emoção ao ultrapassar aqueles umbrais de domesticidade...! Foi um momento mágico. Faz mais de dois anos que eu saí da casa de meus pais, mas só então me senti uma verdadeira dona-de-casa...

21.8.06

O Caso da Graxa

Vocês sabem: se eu não fosse advogada, nem jornalista, eu seria engraxate. Gosto de espalhar a graxa sobre a superfície do couro. Adoro escovar o sapato até ele ficar brilhante. Acho que a transformação instantânea efetuada por uma boa engraxada proporciona satisfação imediata.

Já contei o caso da bota marrom que virou preta depois de três camadas generosas de graxa. É verdade que a graxa foi saindo e no final a bota ficou de uma cor escura meio indefinida, mas aí a viagem já estava acabando.
De qualquer forma, de preto para marrom não há lá grandes dificuldades. Ontem enfrentei um desafio muito maior.

Eu tenho um sapato cor-de-rosa de bico redondo e salto baixo que me restaurou a fé na crença de que sapatos bonitos também podem ser confortáveis. Eu até voltei na loja depois para ver se eu comprava o mesmo modelo em outra cor, mas é claro que todos os pares já tinha sido vendidos. E infelizmente, como o sapato é cor-de-rosa clarinho, o couro foi perdendo a beleza original depois de algum tempo.

Como não existe graxa cor-de-rosa, meus poderes de engraxate de nada serviram. E o diabo do sapato ainda tinha um vernizinho por cima do couro, o que fez com que a vendedora da loja me proibisse enfaticamente de lavá-lo, dizendo que eu só podia limpá-lo com o lado áspero de uma bucha nova.

Vocês podem imaginar quão eficiente era essa limpeza.

Pois bem: um belo dia, quando eu já estava conformada com o fato de que eu ia ter que jogá-lo fora, minha faxineira catou o sapato e deu uma boa lavada nele. O verniz foi ralo abaixo, mas a cor voltou a seu estado original. Fiquei estática de felicidade.

Evidentemente, o novo estado de limpeza não durou muito. O tal vernizinho, pelo jeito, funcionava como protetor. Tive que submeter o sapato a lavagens periódicas, e depois de algum tempo a cor estava irreconhecível.

E aí, como eu ia jogar o sapato fora mesmo, e o rosa já está saindo de moda, decidi usar minhas habilidades com a graxa para tentar recuperá-lo pela última vez.

Munida de uma escova de dentes velha e de uma caixinha de graxa preta novinha, foi ao ataque. E não é que deu certo? Depois de muitas camadas, o sapato rosa virou marrom-café. Ou roxo-beringela, como achou o Leo. Na verdade, marrom com reflexos roxos.

Ficou jóia!

18.8.06

SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA.

Anda circulando por aí um e-mail incentivando os eleitores a anularem seus votos. O e-mail diz que, se mais de metade dos votos em uma eleição forem nulos, uma nova eleição tem que ser convocada, com candidatos diferentes daqueles que participaram da primeira. É MENTIRA!

O art. 224 do Código Eleitoral (que é a lei que regula as eleições no Brasil) diz que se a nulidade atingir mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, o TSE tem que marcar dia para nova eleição dentro de 20 a 40 dias. Isso é o que o e-mail que está circulando por aí diz.
Só que o e-mail se esquece de contar que os arts. 220 a 222 explicam quais são os casos de nulidade, que são: votação feita em mesa eleitoral irregular; votação feita em cédula falsa (na época em que existia cédula!); votação feita em dia, hora ou local diferentes do que o TSE define; votação com quebra de sigilo; e outros casos listados nos artigos. ESSA NULIDADE NÃO TEM NADA A VER COM O VOTO QUE O ELEITOR ANULA POR VONTADE PRÓPRIA!

ALÉM DISSO, NÃO TEM NADA NA LEI QUE DIGA QUE OS CANDIDATOS DA ELEIÇÃO ANULADA NÃO PODEM CONCORRER DE NOVO!

Ou seja, o e-mail que incentiva as pessoas a anularem seus votos é uma grande bobagem. Está na dúvida? Não acredite em mim, acredite na lei! Siga o link http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L4737.htm. É o link do Código Eleitoral, no site da Presidência. Ou pesquise “Código Eleitoral” na internet e consulte a lei!
A democracia é feita por meio do voto. Não jogue seu voto fora!
E AVISE SEUS AMIGOS!
LEI Nº 4.737, DE 15 DE JULHO DE 1965.
Institui o Código Eleitoral.

CAPÍTULO VI
DAS NULIDADES DA VOTAÇÃO

Art. 220. É nula a votação:
I - quando feita perante mesa não nomeada pelo juiz eleitoral, ou constituída com ofensa à letra da lei;
II - quando efetuada em folhas de votação falsas;
III - quando realizada em dia, hora, ou local diferentes do designado ou encerrada antes das 17 horas;
IV - quando preterida formalidade essencial do sigilo dos sufrágios.
V - quando a seção eleitoral tiver sido localizada com infração do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 135. (Incluído pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
Parágrafo único. A nulidade será pronunciada quando o órgão apurador conhecer do ato ou dos seus efeitos e o encontrar provada, não lhe sendo lícito supri-la, ainda que haja consenso das partes.
Art. 221. É anulável a votação:
I - quando houver extravio de documento reputado essencial; (Inciso II renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
II - quando fôr negado ou sofrer restrição o direito de fiscalizar, e o fato constar da ata ou de protesto interposto, por escrito, no momento: (Inciso III renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
III - quando votar, sem as cautelas do Art. 147, § 2º. (Inciso IV renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
a) eleitor excluído por sentença não cumprida por ocasião da remessa das folhas individuais de votação à mesa, desde que haja oportuna reclamação de partido;
b) eleitor de outra seção, salvo a hipótese do Art. 145;
c) alguém com falsa identidade em lugar do eleitor chamado.
Art. 222. É também anulável a votação, quando viciada de falsidade, fraude, coação, uso de meios de que trata o Art. 237, ou emprego de processo de propaganda ou captação de sufrágios vedado por lei.
(...)
Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.
§ 1º Se o Tribunal Regional na área de sua competência, deixar de cumprir o disposto neste artigo, o Procurador Regional levará o fato ao conhecimento do Procurador Geral, que providenciará junto ao Tribunal Superior para que seja marcada imediatamente nova eleição.
§ 2º Ocorrendo qualquer dos casos previstos neste capítulo o Ministério Público promoverá, imediatamente a punição dos culpados.

17.8.06

O Caso do Reloginho

Quando me formei em direito, no longínquo ano de 1998, meu avô chamou meu pai e pediu para ele comprar um presente para mim. Meu pai resolveu o problema mandando que eu mesmo comprasse o presente, e aproveitou para sugerir “uma caneta bonita, com a data gravada”, que é o que ele acha o melhor presente de formatura de todos os tempos.

Como eu não tinha tanto interesse assim na caneta bonita, terminei comprando um bonito relógio (sem a data gravada). Achando-me muito esperta, escolhi um modelo movido a corda, e não a bateria, sendo que a corda era dada naturalmente pelo movimento do braço. A idéia é que eu nunca teria que me preocupar em trocar a bateria, nem em ficar dando corda no relógio. Ele era praticamente um moto-contínuo!

Pois bem. Depois de algum tempo percebi que o reloginho era danado para adiantar. Não consegui descobri se isso se devia ao fato de que eu gesticulo demais (já me disseram que se alguém segurasse meus braços eu não ia conseguir falar. Mas depois li a respeito de uma pesquisa a respeito do assunto, que chegou à conclusão que as pessoas que acompanham as palavras de gestos dinâmicos são consideradas mais inteligentes e mais articuladas que as outras, então continuei). Como chegar adiantada aos compromissos é bom, não me importei.

Mas agora o reloginho está pedindo socorro. Ao invés de adiantar, agora ele atrasa horrivelmente. O ponteiro dos segundos pára a seu bel-prazer, sem se importar com as minhas enérgicas sacudidas de braço. Já troquei o coitadinho do pulso esquerdo para o direito, que é mais ativo; já passei vários minutos agitando-o freneticamente. Nada adiantou. Acho que vou ter que levá-lo ao relojoeiro.

Estou me sentindo enganada.

16.8.06

O Caso das Frases

As frases que eu mais gosto de usar são:

“Uma mulher prevenida vale por duas.”

“Quem guarda tem.”

“A cidade grande está falida.”

E a minha preferida:

“Eu não disse?”

As frases que eu mais gosto de escutar são:

“À vista tem desconto.”

“Saiu o aumento.”

“Você passou!”

E a mais querida de todas:

“Você tem razão.”

11.8.06

O Caso do Sonho

Hoje eu sonhei que eu tinha comprado um velocípede amarelo com rodas azuis. Ele era igual a um pedalinho desses que alugam para passear em lagos, só que era terrestre e de plástico. No meu sonho eu pedalava alegremente pelas ruas de Fabri, até que aparecia uma subida e eu decidia descer dele e empurrá-lo. Só que eu me empolgava e empurrava demais, e ele acabava chegando a uma ladeira e disparando rua abaixo. Aí a cidade virava BH, a rua, a Contorno, e eu saía correndo atrás do carrinho, mas só chegava a tempo de ver uma moça se apoderando dele e o vendendo para o moço ao lado por cinco reais (sendo que eu tinha pago seis!). Então eu brigava com os dois, falava que o carrinho era meu, mas nenhum deles se convencia.

O resto do sonho era um longuíssimo debate entre eu e a moça, até que ela perdia a paciência e me dava os cinco reais que o moço tinha pago a ela. Eu dizia que não queria o dinheiro, queria o meu carrinho, e no final das contas ela ameaçava me trancar no quarto durante um dia inteiro porque eu a tinha perturbado demais.

Eu conseguia escapar e ia atrás do moço, que estava dando sopa na rua. Aí ocorria outro longuíssimo debate, comigo dizendo que as rodas do carrinho estavam desgastadas, que o carrinho era usado, que era só ele ver, mas o moço já tinha guardado o meu velocípede amarelo no porta-malas e não queria tirar de jeito nenhum.

Nessa hora eu acordei e passei vários minutos de minha vida contando esse interessantíssimo sonho para o Leo. Que, por sua vez, reclamou que eu nunca sonho com ele.
Mas, como ontem o Leo estava de camisa amarela exatamente do tom do carrinho e calça jeans da precisamente da cor das rodas e do volante, eu disse que eu sonho com ele sim.