22.8.06

O Caso do Chuveiro

Vocês se lembram da propaganda clássica da loja Minas Fogões? Aquela que tinha uma das musiquinhas mais toscas de todos os tempos:
A vida da dona-de-casa
É uma luta danada
Quando estragar o fogão, a panela de pressão
Não fique desesperada
Existe uma loja
Especial
Para a dona-de-casa
Minas Fogões
Conserta e tem as peças que você preciiiisa...
Pois bem: o chuveiro lá de casa queimou e eu o levei a uma eletro-técnica perto do serviço. Me falaram que eles não tinham a resistência daquele chuveiro, mas que o Róbson ou a Minas Fogões tinham. Como eu não tinha idéia de quem, ou o quê, era o Róbson, venci a natural relutância produzida pelo hino da propaganda e marchei para a Minas Fogões, que também fica perto.

Qual não foi minha emoção ao ultrapassar aqueles umbrais de domesticidade...! Foi um momento mágico. Faz mais de dois anos que eu saí da casa de meus pais, mas só então me senti uma verdadeira dona-de-casa...

21.8.06

O Caso da Graxa

Vocês sabem: se eu não fosse advogada, nem jornalista, eu seria engraxate. Gosto de espalhar a graxa sobre a superfície do couro. Adoro escovar o sapato até ele ficar brilhante. Acho que a transformação instantânea efetuada por uma boa engraxada proporciona satisfação imediata.

Já contei o caso da bota marrom que virou preta depois de três camadas generosas de graxa. É verdade que a graxa foi saindo e no final a bota ficou de uma cor escura meio indefinida, mas aí a viagem já estava acabando.
De qualquer forma, de preto para marrom não há lá grandes dificuldades. Ontem enfrentei um desafio muito maior.

Eu tenho um sapato cor-de-rosa de bico redondo e salto baixo que me restaurou a fé na crença de que sapatos bonitos também podem ser confortáveis. Eu até voltei na loja depois para ver se eu comprava o mesmo modelo em outra cor, mas é claro que todos os pares já tinha sido vendidos. E infelizmente, como o sapato é cor-de-rosa clarinho, o couro foi perdendo a beleza original depois de algum tempo.

Como não existe graxa cor-de-rosa, meus poderes de engraxate de nada serviram. E o diabo do sapato ainda tinha um vernizinho por cima do couro, o que fez com que a vendedora da loja me proibisse enfaticamente de lavá-lo, dizendo que eu só podia limpá-lo com o lado áspero de uma bucha nova.

Vocês podem imaginar quão eficiente era essa limpeza.

Pois bem: um belo dia, quando eu já estava conformada com o fato de que eu ia ter que jogá-lo fora, minha faxineira catou o sapato e deu uma boa lavada nele. O verniz foi ralo abaixo, mas a cor voltou a seu estado original. Fiquei estática de felicidade.

Evidentemente, o novo estado de limpeza não durou muito. O tal vernizinho, pelo jeito, funcionava como protetor. Tive que submeter o sapato a lavagens periódicas, e depois de algum tempo a cor estava irreconhecível.

E aí, como eu ia jogar o sapato fora mesmo, e o rosa já está saindo de moda, decidi usar minhas habilidades com a graxa para tentar recuperá-lo pela última vez.

Munida de uma escova de dentes velha e de uma caixinha de graxa preta novinha, foi ao ataque. E não é que deu certo? Depois de muitas camadas, o sapato rosa virou marrom-café. Ou roxo-beringela, como achou o Leo. Na verdade, marrom com reflexos roxos.

Ficou jóia!

18.8.06

SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA.

Anda circulando por aí um e-mail incentivando os eleitores a anularem seus votos. O e-mail diz que, se mais de metade dos votos em uma eleição forem nulos, uma nova eleição tem que ser convocada, com candidatos diferentes daqueles que participaram da primeira. É MENTIRA!

O art. 224 do Código Eleitoral (que é a lei que regula as eleições no Brasil) diz que se a nulidade atingir mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, o TSE tem que marcar dia para nova eleição dentro de 20 a 40 dias. Isso é o que o e-mail que está circulando por aí diz.
Só que o e-mail se esquece de contar que os arts. 220 a 222 explicam quais são os casos de nulidade, que são: votação feita em mesa eleitoral irregular; votação feita em cédula falsa (na época em que existia cédula!); votação feita em dia, hora ou local diferentes do que o TSE define; votação com quebra de sigilo; e outros casos listados nos artigos. ESSA NULIDADE NÃO TEM NADA A VER COM O VOTO QUE O ELEITOR ANULA POR VONTADE PRÓPRIA!

ALÉM DISSO, NÃO TEM NADA NA LEI QUE DIGA QUE OS CANDIDATOS DA ELEIÇÃO ANULADA NÃO PODEM CONCORRER DE NOVO!

Ou seja, o e-mail que incentiva as pessoas a anularem seus votos é uma grande bobagem. Está na dúvida? Não acredite em mim, acredite na lei! Siga o link http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L4737.htm. É o link do Código Eleitoral, no site da Presidência. Ou pesquise “Código Eleitoral” na internet e consulte a lei!
A democracia é feita por meio do voto. Não jogue seu voto fora!
E AVISE SEUS AMIGOS!
LEI Nº 4.737, DE 15 DE JULHO DE 1965.
Institui o Código Eleitoral.

CAPÍTULO VI
DAS NULIDADES DA VOTAÇÃO

Art. 220. É nula a votação:
I - quando feita perante mesa não nomeada pelo juiz eleitoral, ou constituída com ofensa à letra da lei;
II - quando efetuada em folhas de votação falsas;
III - quando realizada em dia, hora, ou local diferentes do designado ou encerrada antes das 17 horas;
IV - quando preterida formalidade essencial do sigilo dos sufrágios.
V - quando a seção eleitoral tiver sido localizada com infração do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 135. (Incluído pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
Parágrafo único. A nulidade será pronunciada quando o órgão apurador conhecer do ato ou dos seus efeitos e o encontrar provada, não lhe sendo lícito supri-la, ainda que haja consenso das partes.
Art. 221. É anulável a votação:
I - quando houver extravio de documento reputado essencial; (Inciso II renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
II - quando fôr negado ou sofrer restrição o direito de fiscalizar, e o fato constar da ata ou de protesto interposto, por escrito, no momento: (Inciso III renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
III - quando votar, sem as cautelas do Art. 147, § 2º. (Inciso IV renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
a) eleitor excluído por sentença não cumprida por ocasião da remessa das folhas individuais de votação à mesa, desde que haja oportuna reclamação de partido;
b) eleitor de outra seção, salvo a hipótese do Art. 145;
c) alguém com falsa identidade em lugar do eleitor chamado.
Art. 222. É também anulável a votação, quando viciada de falsidade, fraude, coação, uso de meios de que trata o Art. 237, ou emprego de processo de propaganda ou captação de sufrágios vedado por lei.
(...)
Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.
§ 1º Se o Tribunal Regional na área de sua competência, deixar de cumprir o disposto neste artigo, o Procurador Regional levará o fato ao conhecimento do Procurador Geral, que providenciará junto ao Tribunal Superior para que seja marcada imediatamente nova eleição.
§ 2º Ocorrendo qualquer dos casos previstos neste capítulo o Ministério Público promoverá, imediatamente a punição dos culpados.

17.8.06

O Caso do Reloginho

Quando me formei em direito, no longínquo ano de 1998, meu avô chamou meu pai e pediu para ele comprar um presente para mim. Meu pai resolveu o problema mandando que eu mesmo comprasse o presente, e aproveitou para sugerir “uma caneta bonita, com a data gravada”, que é o que ele acha o melhor presente de formatura de todos os tempos.

Como eu não tinha tanto interesse assim na caneta bonita, terminei comprando um bonito relógio (sem a data gravada). Achando-me muito esperta, escolhi um modelo movido a corda, e não a bateria, sendo que a corda era dada naturalmente pelo movimento do braço. A idéia é que eu nunca teria que me preocupar em trocar a bateria, nem em ficar dando corda no relógio. Ele era praticamente um moto-contínuo!

Pois bem. Depois de algum tempo percebi que o reloginho era danado para adiantar. Não consegui descobri se isso se devia ao fato de que eu gesticulo demais (já me disseram que se alguém segurasse meus braços eu não ia conseguir falar. Mas depois li a respeito de uma pesquisa a respeito do assunto, que chegou à conclusão que as pessoas que acompanham as palavras de gestos dinâmicos são consideradas mais inteligentes e mais articuladas que as outras, então continuei). Como chegar adiantada aos compromissos é bom, não me importei.

Mas agora o reloginho está pedindo socorro. Ao invés de adiantar, agora ele atrasa horrivelmente. O ponteiro dos segundos pára a seu bel-prazer, sem se importar com as minhas enérgicas sacudidas de braço. Já troquei o coitadinho do pulso esquerdo para o direito, que é mais ativo; já passei vários minutos agitando-o freneticamente. Nada adiantou. Acho que vou ter que levá-lo ao relojoeiro.

Estou me sentindo enganada.

16.8.06

O Caso das Frases

As frases que eu mais gosto de usar são:

“Uma mulher prevenida vale por duas.”

“Quem guarda tem.”

“A cidade grande está falida.”

E a minha preferida:

“Eu não disse?”

As frases que eu mais gosto de escutar são:

“À vista tem desconto.”

“Saiu o aumento.”

“Você passou!”

E a mais querida de todas:

“Você tem razão.”

11.8.06

O Caso do Sonho

Hoje eu sonhei que eu tinha comprado um velocípede amarelo com rodas azuis. Ele era igual a um pedalinho desses que alugam para passear em lagos, só que era terrestre e de plástico. No meu sonho eu pedalava alegremente pelas ruas de Fabri, até que aparecia uma subida e eu decidia descer dele e empurrá-lo. Só que eu me empolgava e empurrava demais, e ele acabava chegando a uma ladeira e disparando rua abaixo. Aí a cidade virava BH, a rua, a Contorno, e eu saía correndo atrás do carrinho, mas só chegava a tempo de ver uma moça se apoderando dele e o vendendo para o moço ao lado por cinco reais (sendo que eu tinha pago seis!). Então eu brigava com os dois, falava que o carrinho era meu, mas nenhum deles se convencia.

O resto do sonho era um longuíssimo debate entre eu e a moça, até que ela perdia a paciência e me dava os cinco reais que o moço tinha pago a ela. Eu dizia que não queria o dinheiro, queria o meu carrinho, e no final das contas ela ameaçava me trancar no quarto durante um dia inteiro porque eu a tinha perturbado demais.

Eu conseguia escapar e ia atrás do moço, que estava dando sopa na rua. Aí ocorria outro longuíssimo debate, comigo dizendo que as rodas do carrinho estavam desgastadas, que o carrinho era usado, que era só ele ver, mas o moço já tinha guardado o meu velocípede amarelo no porta-malas e não queria tirar de jeito nenhum.

Nessa hora eu acordei e passei vários minutos de minha vida contando esse interessantíssimo sonho para o Leo. Que, por sua vez, reclamou que eu nunca sonho com ele.
Mas, como ontem o Leo estava de camisa amarela exatamente do tom do carrinho e calça jeans da precisamente da cor das rodas e do volante, eu disse que eu sonho com ele sim.

10.8.06

O Caso do Acaso

Não, eu não acredito em coincidências, nem em sinais, nem em destino. Acho que a realidade humana é tão complexa que uma hora vai acontecer alguma coisa que tenha relacionamento com outra, e isso sem que haja uma divindade superior ordenando as vidas dos pobres mortais. Também acho que, quando ocorre algo e a pessoa conclui que aquilo era necessário para que ela encontrasse seu caminho, é ela que está dando significado a um fato aleatório, e não o fato que está dando significado à vida dela.

Muito bem. Dito isso, na quarta-feira passada recebi, por engano, um e-mail de serviço cujo remetente era de Ji-Paraná, em Rondônia. No sexta-feira assisti à uma palestra e um dos exemplos era uma pessoa jurídica de Ji-Paraná. No sábado fui à pós e quando chegou a hora das perguntas uma delas foi feita por um aluno de Ji-Paraná.

Alguém aí já tinha ouvido falar de Ji-Paraná? Eu não tinha a mais vaga idéia de que esse lugar existisse (perdoem-me os ji-paranaenses que me lêem).
Como eu disse, eu não acredito em sinais. Mas que no próximo concurso vão querer me mandar para Ji-Paraná e, que, se eu fosse solteira, encontraria um homem alto, bonito e moreno vindo de lá, disso eu não tenho a menor dúvida.

9.8.06

O Caso da Roda da Fortuna

Porque, como dizem os filósofos, tudo na vida é efêmero e o sucesso é uma ilusão. Vejam a Jennifer Aniston, a Rachel de Friends: até algum tempo atrás ela estava em um dos seriados mais assistidos de todos os tempos, ganhava um milhão de dólares por episódio, era casada com o Brad Pitt e foi eleita a mulher mais bonita do mundo mais de uma vez. Aí o seriado acabou, o Brad a trocou pela Angelina, as pessoas estão descobrindo que na verdade ela é meio feiosa e magrela, e que ela só sabe interpretar um papel: a Rachel.

Pra completar, como a única coisa que ela estava fazendo na época em que a Angelina anunciou sua gravidez (no intervalo de várias de várias viagens de benemerência) era um filminho muito meia-boca, o jeito foi arrumar um namorado depressa, para não ficar muito por baixo. Aí tudo que ela conseguiu arranjar foi o Vince Vaughn, um cara grandalhão, cheio de bolsas sob os olhos, que fala muito e alto, de um jeito que eu particularmente acho assustador.

Toda essa introdução foram uns pensamentos que ocorreram enquanto eu assistia ao filme “The Break-up”, que a dupla Vaughniston estava fazendo enquanto a pimpolha do Brad nascia na Namíbia.

É um filme bizarro. Está sendo vendido como comédia, mas todas as ceninhas engraçadas estão no thrailler. O resto é um drama esquisito, do tipo que só Hollywood é capaz de fabricar, na qual pessoas que têm bons empregados, bons amigos e boa casa para morar ficam se descabelando e enchendo o saco dos citados amigos por motivos risíveis. A gente não torce para o casal principal acabar junto, a gente torce para o filme acabar logo. Porque a personagem da Jennifer é uma chata e o personagem do Vince é insuportável.

Minha solução: enxada para os dois.

8.8.06

O Caso da Hospitalidade

Minha mãe é uma anfitriã agressiva. Ela serve comida o tempo todo e insiste para que as visitas repitam. Segue as pessoas pela casa, perguntando se elas estão confortáveis e se precisam de alguma coisa. Inventa diversões em tempo integral, providenciando revistas, passeios e tevê ligada. Traz água e cafezinho da bandeja e despacha o marido para a padaria para comprar quitutes especiais. Despeja as próprias filhas de seus quartos para que as visitas fiquem bem-acomodadas. E ela não deixa que as visitas levantem um dedo, porque afinal, visita é visita. Até quando as crianças do vizinho vinham brincar lá em casa e faziam a maior bagunça quem tinha que arrumar os brinquedos era eu.

Como não aprovo esse modelo hostil, decidi ser o oposto. Digo para as visitas ficarem à vontade e mostro o caminho da geladeira. Não é incomum que eu deixe as pessoas vendo filmes e vá para o quarto ler. Não insisto para que ninguém coma, nem fico inventando lugares aos quais o Leo deve levá-las. E se elas querem pôr a mesa, lavar a louça e arrumar a cama, eu falo uma única vez para elas deixarem para lá.

Gosto do meu estilo low-profile. O único inconveniente, sou forçada a admitir, é que eu só me preocupo com a alimentação das visitas quando eu mesma tenho fome. E como não tenho muita fome, se forem deixadas por minha conta, existe um risco real das pessoas emagrecerem alguns quilos em visitas prolongadas.

A sorte é as visitas nunca são deixadas por minha conta. O Leo sempre vai ao supermercado, abastece a geladeira e providencia refeições periódicas. E também oferece às pessoas guloseimas variadas, para elas irem se divertindo nos intervalos.

Sim, o Leo é um bom anfitrião. Nem exagerado como minha mãe, nem largado como eu. Mas não se preocupem, estou aprendendo.

7.8.06

O Caso da Quinta até Domingo

No final da semana passada eu me encontrei com muitos amigos. Conheci pessoas novas e revi conhecidos. Fiz várias visitas. Experimentei a torta de chocolate mais deliciosa do mundo. Conversei até começar a ficar rouca. Fui à casa da minha avó duas vezes. Comprei roupa nova. Fiz um curso de trabalho. Fui à aula da pós. Não me desentendi com minha mãe, nem com meu pai, nem com minha irmã mais nova. E não enjoei na viagem de ida, nem na viagem de volta.
Em suma, foram quatro dias atarefados, cansativos e divertidíssimos.

2.8.06

O Caso da Hoteleira Desaforada

Na nossa viagem aos Países Baixos, fiz pesquisas intermináveis na internet até achar um bed&breakfast fofo o suficiente em Brugge, na Bélgica. Depois de horas e horas de navegação, descobri um lugar legal o suficiente: o Alegria, no qual reservei o Quarto Chocolate. O preço estava até meio fora do orçamento, mas tudo bem – como diz meu pai, mais vale um gosto.

Chegamos em Brugge de carro sem maiores problemas (fora o desvio de 40 km causado por minha falta de navegação em ler mapas). Difícil foi achar o tal Alegria. Brugge é a cidade medieval mais bem conservada da Europa; as ruas do centro são estreitas, sinuosas e de mão única. O mapa que a gente tinha no guia de viagem não ajudou. Rodamos e rodamos, com o Leo cansado de tanto dirigir e eu morrendo de fome, e cada vez a coisa ficava pior, porque as ruas não são paralelas, nem perpendiculares, nem fazem sentido algum. Para piorar, algumas estavam sendo reformadas, e quando a gente achava que estava chegando, éramos impedidos de prosseguir por tratores!

No final, o Leo estacionou em uma rua mais larga e lá me fui, a pé, tentar descobrir onde ficava o tal hotel. Perguntei aqui e ali e acabei chegando a uma rua inteiramente em reforma, coberta de areia e lama. Para meu desapontamento, o b&b ficava no meio dela.

Chego lá. Acho a entrada pequena, apertada e com um cheiro esquisito. Vou falar com a velhinha gorda que está atrás do balcão e que, com o maior pouco caso, diz para eu parar o carro numa rua vagamente paralela e carregar as malas por um bequinho. Por quê? Porque não tinha como chegar no hotel de carro mesmo não. Ajudar? Não, não tem ninguém que possa. Estacionar? Ah, ela vai me ensinar onde é assim que eu chegar com as malas.

Saí de lá roxa de ódio. Imagina, ter que chapinhar na terra toda vez que fôssemos sair do hotel? E as malas, que não eram poucas, ser carregadas e descarregadas no muque? Tenha dó. Ou melhor, tenha dólares, porque o hotel Alegria não era baratinho, não!

Saímos procurando outra opção. E foi facílimo: a poucos metros de onde o carro estava estacionando havia um b&b simpaticíssimo, com uma moça mais simpática ainda. Voltei no Alegria (que só me trouxe tristezas!) para dizer para a velhinha antipática que eu não ia ficar lá, porque estava me sentindo enganada. Na hora da reserva, ninguém tinha falado nada da reforma, nem do estado da rua, nem avisado que para chegar lá a gente iria gastar HORAS!

A velhinha ficou danada. Disse que ia cobrar um dia de estadia porque estávamos cancelando em cima da hora. Fiquei mais danada ainda. E aí gastei com gosto meu inglês.

No fim das contas, o que funcionou foi a ameaça de que, se ela ousasse cobrar a diária, eu ia contar toda a história nos sites de críticas de hotéis, e aí eu queria ver ela ia arranjar mais hóspedes.
É ótimo falar a língua dos locais.

1.8.06

O Caso do Trabalho

Depois que me formei na segunda faculdade, passei alguns meses doente de vontade de trabalhar. Fiz programa de trainee, concurso, entrevista, inscrição em seleção de editora, o diabo. No final das contas, comecei a trabalhar no dia 22 de março de 2004, para minha grande alegria e satisfação.

A grande alegria e satisfação duraram até o final de 2005. Comecei a desconfiar que trabalhar, apesar das vantagens óbvias, como o salário no fim do mês, não era assim cousa tão sublime quanto eu imaginava. E olha que o ambiente de trabalho é ótimo, a infra-estrutura é muito boa, os colegas são legais, o local é próximo à minha casa.

Puxa, falando assim comecei até a gostar mais do meu trabalho.

31.7.06

O Caso do Celular

Eu tenho um celular novo e ele é lindo!

Depois que me furtarem dois celulares, todo esse negócio de telefonia móvel tinha perdido o encanto para mim. Fiquei desde o final de abril até agora sem celular, e achando ótimo (além de econômico, que, como vocês sabem, é um dos meus adjetivos favoritos. Só perde para “oportunidade”).

Mas, infelizmente, houve duas ocasiões em que o mundo dos celularless não pareceu tão róseo. Primeira: esqueci a chave do apartamento dentro dele. Cheguei em casa quase uma hora antes do Leo. E tive que ficar esperando, né? Se eu tivesse um celular eu ligava para ele e, mesmo que isso não o apressasse, eu tinha o consolo de saber que ele estava consciente de minha dor. Segunda ocasião: fui para o pronto-atendimento com um ataque de labirintite. Mandei um e-mail para o Leo avisando que eu estava indo, e ele ficou doido atrás de mim. Foi até parar no hospital para tentar me pegar, mas por sorte eu tinha conseguido uma carona que me deixou em casa. Resumo da ópera: sim, o celular tem lá sua utilidade.

Aí resolvi comprar o celular mais feio e barato de todos – porque quando eu tinha o meu 5102 ninguém queria furtá-lo. Só que mesmo os mais baratos custavam pouco barato – e eram de cartão. Acabei resolvendo o problema na base do escambo, e me vi a feliz possuidora de um nokia 6560 semi-novo.

Eu não estava botando muita fé nele nada, mas sexta, depois de duas semanas, finalmente o habilitei e carreguei.

A primeira coisa que eu fiz foi mudar o fundo de tela. Pus um girassol em aquarela com um céu azulzão atrás.
E aí eu fiquei feliz.

28.7.06

O Caso dos Quereres

Eu queria que cada dia tivesse quarenta horas. Eu queria cinco centímetros mais alta (só para não ficar precisando fazer bainha nas calças que eu compro). Eu queria que voltasse a fazer calor para eu conseguir ir no clube. Eu queria que toda segunda-feira fosse feriado (ou pelo menos a primeira segunda-feira de cada mês). Eu queria que a estrada para Belo Horizonte fosse sem buracos, sem curvas e sem morros. Eu queria que a pós-graduação terminasse agora, no final de julho (ao invés de no meio de dezembro).

Eu queria que meus amigos não sumissem. Eu queria que meus amigos me visitassem. Eu queria que meus amigos que visitam virtualmente, no blogue, deixassem mais comentários.

Eu queria gostar mais de verduras e legumes (irgha). Eu queria um aumento.

Pelo menos o aumento eu tive.

27.7.06

O Caso da Next Top Model

Há uns dois anos o Leo descobriu um seriado que ele achou a minha cara: America’s Next Top Model, ou seja, A Próxima Top Model dos Estados Unidos. É um reality show que pega 12 moças com potencial e vai ensinando a elas os truques da profissão. A cada episódio uma cai fora e a última que sobra é a vencedora.

O Leo tinha razão: eu adoro o programa. Em cada um deles tem uma sessão de fotos muito legal, o que alimenta meu lado produtora de moda. Dá até para pegar umas manhas a respeito de como sair bem nas fotos. E ainda tem make-overs, que é uma das minhas coisas preferidas! É incrível como um bom cabeleireiro (e um bom tinturista. E um bom maquiador) consegue transformar uma pessoa.

O programa deu tão certo que gerou filhotes. Teve o Great Britain’s Next Top Model, que foi de uma pobreza franciscana. As meninas ficavam em um alojamento horroroso, com beliches (!). As sessões de fotos eram totalmente meia-boca. E como as concorrentes eram bem feiosinhas (a mulher britânica não é conhecida pela sua beleza), nem chegamos a assistir a temporada inteira.
Aí veio Australia’s Next Top Model. Bem melhor, eu admito, mas ainda assim faltava grana. A apresentadora era meio sem sal. E os make-overs foram a coisa mais sem graça – teve gente que a equipe achou que estava bem, então as meninas ficaram do jeito que estavam. Que saudade do programa americano, no qual teve uma raspando a cabeça e outra abandonando a competição porque não queria cortar o cabelo curto!

Ultimamente temos visto Canada’s Next Top Model, que é quase tão legal quanto o original. A apresentadora não é nenhuma Tyra Banks, mas é bonita e razoavelmente simpática. O problema desse programa é que, sem sacanagem, as meninas são feias! Ou devo dizer exóticas? As mais bonitinhas foram eliminadas logo no começo, e agora tem umas três ou quatro garotas totalmente assustadoras. Fica até difícil torcer para uma delas.

A última descoberta do Leo foi o Germany’s Top Model. Vimos o começo do primeiro capítulo e concordamos que nesse sim a produção tem grana. A vencedora vai aparecer na capa da Cosmopolitan alemã e a apresentadora é a Heidi Klum. As meninas alemãs parecem bem jeitosinhas. O único probleminha é que o programa é em alemão... e não tem legenda. Mas não tem problema. A gente já sabe tudo que vai acontecer mesmo. É só irmos direto para as sessões de fotos e as eliminações, pulando toda a parte dos dramas e conflitos das concorrentes.
Que nunca eram lá muito interessantes mesmo.

25.7.06

O Caso dos Filmes Chineses

Diz o meu cunhado que a China é a próxima superpotência e, portanto, daqui a 20 anos os filmes que dominarão os cinemas serão os filmes chineses.

Isso vai ser um problema. Nada contra os personagens vagamente parecidos (os filmes franceses também são assim) e tudo a favor da fotografia espetacular. O negócio é que eu nunca entendo o roteiro direito. Termina o filme e eu fico “Hã? Acabou? Como assim?”

Acho que os chineses não seguem a estrutura narrativa básica herói+obstáculo+conflito interno+resolução. Nos filmes chineses, o herói sempre se ferra. Ou ele morre envenenado (O Tigre e o Dragão), ou ele escapa de morrer vestindo uma capa amaldiçoada (A Promessa), ou ela morre apunhalada por personagem apaixonado por ela (O Clã das Adagas Voadoras), ou ele simplesmente morre (Herói).

Ou talvez algo se perca na tradução. Eu sempre desconfio que os personagens falam muito mais do que as três ou quatro palavrinhas que aparecem na parte de baixo da tela. Outro problema é que os diálogos dos filmes chineses nunca são objetivos. Antes de ontem mesmo vi uma heroína esfaqueada balbuciar agonizante a seu amado que devia ter ido embora: “Mas por que você voltou?”. E ele respondeu: “Voltei por causa de uma pessoa”. Fala que voltou por ela, pô! A mulher tá morrendo!

Resumindo, não é que eu não goste dos filmes chineses. É que eu não os compreendo.

24.7.06

O Caso das Misses

Quando eu era criança, o Sílvio Santos organizava o concurso de Miss Brasil, sempre roubando para a Miss São Paulo, que costumava ser reta e dentuça. Naquela época, modelo não fazia muito sucesso. Quem era realmente bonita virava Miss.

Mas legal mesmo era o concurso de Miss Universo (embora o nome seja enganoso, porque nunca houve uma representante da lua ou de Beta Centauro. Talvez porque a Miss Vênus provavelmente venceria sempre). Miss Universo era sempre promovido em um lugar exótico e longínquo – tipo Tailândia ou África do Sul –, tinha no mínimo 80 concorrentes e passava na tevê altas madrugadas.

Lá em casa não tinha videocassete, mas a vizinha, que além de tecnológica era boazinha, gravava e me chamava para assistir. O programa durava umas 5 horas, mostrava todas as meninas de traje típico, de maiô, de roupa de gala, em que cada uma era formada, quais as medidas, cor do olho, cor do cabelo, na piscina, passeando, ensaiando... A Miss Brasil nunca ganhava, mas não era por falta de torcida.

Ontem o Leo descobriu que o concurso de Miss Universo ia passar na tevê a cabo. Fui assistir toda animada, mas tive várias decepções.

A primeira é que o concurso foi rápido demais. Durou 2 horas, e metade foi propaganda. Mostraram todo mundo em traje típico em 5 minutos, cortaram 66 moças para ficarem 20 (Miss Brasil entre elas). Mostraram as 20 de maiô, cortaram 10 (e lá se foi Miss Brasil). Mostraram as 10 de roupa de gala, ficaram 5, e das 5 tiraram a vencedora!

Segundo problema: trajes típicos pobrezinhos, coitados. Teve uma Miss que foi de vestidinho branco e deram pra ela uma sombrinha colorida, e o traje típico foi isso (e ela nem dançou frevo nem nada). A Miss Brasil foi de gaúcha. Outra apareceu de acordeom brilhante na cabeça. A dos Estados Unidos foi de jóquei. Patético.

Terceira decepção: roupas de gala pobrezinhas, coitadas. Vestido de Miss tem que ter plumas, paetês, lantejoulas, franjas, bordados e babados. Os desse concurso foram simples, elegantes e de bom-gosto. Um horror.

No final das contas, ganhou a Miss Porto Rico, que parecia a filha do Michael Jackson – nariz inexistente, queixinho pontudo. E vesguinha, ainda por cima.
Ontem à noite perdi mais uma de minhas ilusões de infância: a de que concurso de Miss Universo é algo científico.

20.7.06

O Caso do Amor Bonzinho

Minha irmã e o marido dela inventaram a competição do amor bonzinho. Funciona assim: quem fizer mais coisinhas boas para o outro vence. Mas como o recipiente das coisinhas boas fica feliz da vida, nessa competição todo mundo ganha.

O mais divertido da competição do amor bonzinho é que as regras vão sendo feitas à medida em que as situações aparecem. No caso da minha irmã, acho que ela está sempre perdendo, porque o marido dela dá pontuações astronômicas às coisinhas boas dele. E ela não discorda - porque discordar não seria coisa de amor bonzinho.

Então, casais competitivos e briguentos, brinquem de amor bonzinho. Desse jeito, vocês conseguem extravasar a rivalidade de maneira saudável, e quando vocês brigarem vai ser pra decidir quem é que vai levar o café-da-manhã na cama para outro.
O relacionamento agradece.
PS: Para os casais fofoluchos não é nem preciso sugerir que adotem o amor bonzinho. Aposto que eles já tinham decidido fazer isso antes mesmo de terem lido o segundo parágrafo.

19.7.06

O Caso do Aniversário

Hoje é dia do aniversário do Leo!

Teve café-da-manhã feito por mim, com direito a refrigerante. Mais tarde deve ter espumante Mumm ou cerveja de cereja belga (que trouxemos da mala embalada em uma sacolinha impermeável, que foi colocada dentro de um gorro, que foi encaixado no meio das roupas, e chegou no Brasil em perfeito estado. Ao contrário de um vinho do Marco Antônio que estourou bem em cima de um Grands Maîtres de la Peinture meu. Mas essa é outra história).

Comemoramos em BH da última vez que estivemos lá e o Leo achou ótimo: festa e presentes sem ter que mudar a idade. Mas eu particularmente adoro ficar mais velha. Não vejo vantagem alguma em ser nova e boba. Além disso, quanto mais o tempo passa, mais aumenta a porcentagem da minha vida de que o Leo participou.
Feliz aniversário, meu amor!

18.7.06

O Caso dos Elementos

Tem poucas coisas que eu goste mais do que um livrinho de divulgação científica. Dêem-me um O Último Teorema de Fermat, um Uma Breve História do Tempo ou um O Livro dos Códigos que eu me divirto durante horas.

Minha irmã Isabela trouxe dos States pra mim um livro sobre as teorias de formação do universo. E a coisa mais legal que descobri nele é que elementos mais pesados do que hidrogênio e hélio, como carbono, ferro e cálcio, foram forjados nas fornalhas do interior das estrelas bilhões de anos atrás. Quando as estrelas explodiram, essas substâncias se espalharam pelo espaço e, depois de muitas combinações loucas, terminaram fazendo parte de nós.

Somos feitos de pó de estrelas...!

17.7.06

O Caso da Atividade Física

Eu e o Leo íamos muitíssimo bem nas nossas caminhadas/corridas, exercitando-nos religiosamente seis dias da semana. Durou mais de um mês. Aí eu peguei uma rinite e fiquei péssima, tomando três remédios diferentes; o Leo pegou uma gripe forte, e eu tive até que dividir meus remédios com ele; tive que fazer os dez fichamentos que faltavam para a pós, e isso tomou todo meu tempo à noite.

Resultado: faz duas semanas que a gente não põe o pé na rua. E, para dizer a verdade, não estou sentindo a menor falta!

Como diz uma amiga minha: bom é comer e deitar na cama.

14.7.06

O Caso do Quinto Elemento

Ontem passou na tevê a cabo o filme O Quinto Elemento, do Luc Besson. Já vi esse filme um bocado de vezes, mas ontem vi de novo. Adoro os elementos nonsense, como o locutor de rádio com um topete em forma de bucha vegetal, e o fato de, no filme, o futuro não ser prateado e geométrico, mas coloridão (o cabelo da Mila Jovovich é tão laranja quanto a camiseta do Bruce Willis, e a camiseta do Bruce Willis é BEM laranja).
As musical são legais, o roteiro é divertido e, pra completar, tem um monte de quotes completamente sem sentido, mas ótimas de se repetir, como “Big Bada Bum”, “Mul-ti-pass” e “Aziz, light!”.

Só faltou a pipoca. Mas teve pão-de-queijo.

13.7.06

Ode ao Nutry de Brigadeiro

De todas essas
Barrinhas de cereais
O nutry de brigadeiro
É o que eu gosto mais.

Fibra que é bom tem 3%
Cálcio e ferro – desprezível
Quase não mata a fome.
Mas o gosto, esse é incrível!

Tem flocos de arroz crocantes
Que me enchem de alegria
E o melhor de tudo é:
Só oitenta calorias!

12.7.06

O Caso das Invejas

Não ligo se as pessoas têm celular mais novos e mais modernos que o meu (até porque, quando eu tive um celular novo e moderno, ele foi furtado. Duas vezes). Não me importo se as pessoas dirigem carros mais caros e mais metidos a besta que o meu (que, na verdade, é do Leo, porque só ele dirige). Não me preocupo se as pessoas viajaram mais para o exterior do que eu (até aproveito e peço umas dicas). Mas não suporto:
- que as pessoas ganhem de mim no Master (principalmente se elas acertarem mais perguntas de Arte do que eu. Ainda não aconteceu, mas um ex-namorado da minha irmã Isabela chegou perto);
- que as pessoas sejam mais sinistras de leitura que eu (afinal, nunca achei ninguém que tivesse lido mais livros do que eu li, ou tão rápido quanto eu faço. Mas no fim-de-semana descobri que meu amigo Júlio aprendeu a ler e a escrever sozinho quando tinha três anos e meio. Estou arrasada até agora =).

11.7.06

O Caso da Novela

Não gosto de novelas e não assisto a novelas, mas ontem abri uma exceção: estreou a novela das 8 (que na verdade começa às 9) da Globo, e os primeiros capítulos têm cenas gravadas na Holanda.

Morri de rir. A gente reclama porque em filmes como “Orquídea Selvagem” o Mickey Rourke vai de moto do Rio a Salvador em duas horas, mas as produções nacionais também não estão nem aí para a veracidade dos fatos. As cenas na Holanda foram gravadas em abril, justamente na época em que estávamos lá, mas a novela, não sei porque cargas d’água, começa em janeiro. Resultado: lindas panorâmicas de campos de flores (os narcisos, hiacintos e tulipas que vocês cansaram de ouvir falar nos meus posts de viagem), sendo que eles só florescem em abril e maio. Personagens andando de lá pra cá sob o sol com um único e elegante casaco, ao invés de camadas de roupa, necessárias porque janeiro em Amsterdam é inverno dos bravos (tão bravo que os canais congelam e dá para patinar neles. Mas na novela eles estavam bem líqüidos). Mocinha simpática, que estuda não sei o quê na Holanda e para conseguir 400 dólares tem que chorar com os pais, morando numa casa enorme e cheia de cômodos, sendo que tudo na capital é minúsculo e caríssimo. Para completar, em cima da mesa dela dá pra ver um buquê de tulipas (não duvido que na Holanda tulipas de estufa sejam vendidas o ano todo, mas nossa personagem não tem lá dinheiro para jogar fora).

Agora, o mais hilário foi ver o casalzinho romântico andando de bicicleta no centro de Amsterdam e de repente, em um passe de mágica, aparecer no campo com moinhos ao fundo. Coisa de 30 quilômetros de distância, na melhor das hipóteses.

E depois metem o pau no Mickey Rourke, coitado.

7.7.06

O Caso do Dodói IV

Estou desconfiada de que jamais vou me curar do kit rinite + dor de garganta + resfriado. Começou na sexta-feira passada – isto é, faz uma semana! – e, apesar do pior ter passado, eu ainda não consigo respirar direito, e continuo cansada e sem ânimo. E olha que estou tomando direitinho os remédios cavalares!

O fator mais preocupante é a falta de fome. Sem comida, o corpo não se recupera, mas só de pensar me dá uma cansaço... nem chocolate me atrai mais.

A coisa tá feia.

6.7.06

O Caso das Línguas

Eu falo bem inglês, português (olha não é todo mundo que pode dizer isso!), arranho o francês (o suficiente para reclamar que ficamos trancados em uma estação de metrô subterrânea e entender as instruções de escape) e tenho um portunhol irado (o Leo se escondia de vergonha, mas na nossa lua-de-mel na Argentina eu batia altos papos com o povo, principalmente com os motoristas de táxi. Não entendia metade do que eles respondiam, mas tudo bem).

Quando fomos à Holanda, fiquei frustradíssima por não ter conseguido aprender nem um pouquinho de holandês. Algumas palavras escritas dá para sacar, mas a pronúncia não tem pé nem cabeça. Voltei tendo adqurindo unicamente um “hallo!” (que é o hello deles) suspeitíssimo.

Agora ambiciono aprender italiano. O Leo arrumou um curso em áudio ótimo. Você não aprende a escrever nem uma palavra, só a entender e a falar, mas tá valendo. O legal é que o curso é em inglês, então você treina duas línguas ao mesmo tempo! E como italiano tem raízes latinas, eu me divirto muitíssimo tentando adivinhar como vão ser as palavras. E acerto um montão!

As coisas mais legais que aprendi até agora são (desconsiderem a grafia, que o curso não ensina):
“carrozza de treno” (vagão de trem)
“tavola viciana de la finestra” (mesa ao lado da janela)
“fermata del’autobus” (parada de trem)

Para aprender a escrever, estou tentando assinar uma revista em italiano. Digo tentar porque, para assinar, você tem que se cadastrar no site da editora e estou até hoje esperando o e-mail de confirmação.

Talvez na Itália os computadores sejam tocados a manivela.

5.7.06

O Caso do Dodói III

Estou quase boa (mesmo considerando que não sinto gostos, nem cheiros, e o nariz ainda não funciona, o que faz como que eu ande vinte metros e fique ofegante e tenha que comer em garfadas bem pequenas, porque não dá pra respirar e mastigar ao mesmo tempo). O Leo, tadinho, é que pegou os meus germes e tá ruim, muito ruim. O pior é que a doença se manifestou ontem durante uma viagem a BH, ele teve que enfrentar o ar-condicionado congelante do avião e um atraso básico de meia-hora, e chegou em casa em um estado lastimável.

Mas não se preocupem que eu estou cuidando dele. Até dividindo os meus remédios (menos o antibiótico, porque aí eu não me atrevo). De qualquer maneira, hoje de manhã ele foi ao médico e o médico disse para ele tomar o que eu estou tomando – o remédio contra febre e o descongestionante, que é justamente o que eu já tinha lascado nele.

A única coisa boa disso tudo é que o médico também lhe deu um atestado de um dia e uma hora dessas ele está descansando bonitinho no sofá de casa. E vai poder ver o jogo Portugal e França!
Porque vocês sabem, depois da derrota ridícula do Brasil, sou Portugal desde criancinha.

4.7.06

O Caso do Dodói II

O otorrino olhou meu ouvido, meu nariz, minha radiografia, diagnosticou rinite e me receitou três remédios daqueles que matam cavalos.

O legal é que um deve ser tomado com o estômago vazio, outro com o estômago cheio, e os dois são de 12 em 12 horas. Ou seja, até o final da semana, a prioridade em minha vida é tomar remédio na hora certa e da maneira adequada.

Tive que fazer uma planilha com os horários dos três diferentes remédios para não confundir.

Vocês vêem, os remédios estou tomando direitinho. Mas a recomendação de injetar 10 mililitros de soro fisiológico no nariz a cada quatro horas eu não vou seguir, não.

3.7.06

O Caso do Dodói

Depois de me gabar várias vezes que depois de começar a tomar um multivitamínico eu não fiquei mais doente, completei 6 meses de ingestão das pílulas milagrosas no pronto-antendimento do hospital.
Nada de grave, não se preocupem: só uma dor de cabeça forte causada por uma sinusite bizarra, que fica só do lado esquerdo do rosto. Mas o suficiente para eu dormir quase nada e sair de casa sem café-da-manhã à procura de um médico porque a cabeça não parava de doer.
Contei ao clínico-geral minha teoria que havia algum corpo estranho nas minhas vias aéreas, e ele até mandou eu tirar uma radiografia, mas ela saiu normal.
Agora estou esperando dar 11 horas para eu ir no especialista, um otorrinolaringologista.
Eu bem que queria fazer uma piadinha com o nome da especialidade, mas estou doente demais pra isso.

30.6.06

O Caso dos Dados Bizarros

Estou meio desconfiada da exatidão do monitor de batimentos cardíacos. No sábado de manhã estávamos tão cansados (do exercício de sexta à noite) que mal demos uma corridinha de 300 metros e nos caminhando cansadamente pelo resto do percurso. Qual não foi nossa surpresa ao ver que o freqüencímetro marcou que gastamos mais calorias do que na noite anterior, na qual corremos umas quatro vezes mais!

Explicação 1) quando a gente está cansado o coração tem de bater mais para levar oxigênio para os músculos; logo, a freqüência cardíaca continuou alta, mesmo com um exercício mais leve; logo, muitas calorias foram queimadas.

Explicação 2) quando a gente anda, desenvolve menos velocidade do que quando corre e, portanto, faz o mesmo percurso em mais tempo. Mais tempo=mais calorias gastas, mesmo com o exercício feito em uma intensidade menor.

Explicação 3) o reloginho é doido, mesmo.

29.6.06

O Caso do Salão de Beleza

Desisti de voltar a ser morena como deus me fez (até porque estamos no inverno, está frio demais e eu não estou nadando, o que quer dizer que não tenho que me preocupar com o cloro no cabelo) e fui ao salão me livrar do pedaço que cresceu e estava escuro.

Ser mulher é MESMO padecer no paraíso. Além de gastar quatro horas do meu precioso tempo, fui submetida a todo tipo de indignidade: primeiro cobrem a sua cabeça com um molde de borracha e você fica parecendo um ET; depois pegam agulhas de tricô e pescam os fios pelos buracos do tal molde. E deixa eu contar uma coisa: DÓI!

Aí você fica incontáveis minutos lendo revista velha enquanto a tinta faz efeito. Depois lavam o seu cabelo com água geladésima. E então... começa tudo de novo!

Isso porque eu caí na bobagem de dizer para o cabeleireiro que dessa vez eu queria luzes de uma cor diferente para misturar com as que eu já tinha, e ele entendeu que isso significava que ele tinha de me obrigar a passar pelo processo duas vezes, a primeira usando a tal cor diferente e a segunda usando a cor igual!

Sendo que o resultado da primeira vez foi tão sutil que nem deu pra ver.

28.6.06

O Caso do Galvão Malo, quer dizer, Bueno. Ou seria Mala mesmo?

Ontem tivemos de ver o jogo do Brasil na Globo, porque na tevê a cabo o sinal chega uns bons dois segundos atrasados. No jogo contra a Croácia, foi engraçadíssimo: o atacante ainda não tinha nem recebido o passe e a gente já escutava cornetinha e fogos estourando na rua. Aí não tivemos escolha.
Ser submetido às habilidades narrativas do Galvão Bueno, entretanto, é tortura das bravas. Ele é o rei das obviedades, do tipo “o tempo vai passando” (como se o tempo tivesse alternativa a não ser passar) e “o Brasil toca a bola” (como se a gente não estivesse vendo). Para completar, Arnaldo “Cego” Coelho, que não enxerga um impedimento nem se ele sapateasse na sua frente; Falcão, que foi técnico da seleção por um par de meses e por isso acha que pode dar palpite; e Casagrande, que sofre de um agudo caso de dor-de-cotovelo. Juntos, eles insistiam em dizer que os jogadores de Gana são “altos, fortes e velozes”, que Gana “estava gostando do jogo” e que a seleção adversária “era melhor em tudo”.

Menos em fazer gols, né?

26.6.06

O Caso do Monitor Cardíaco

Ótima notícia: caminhei, corri, derreti e bufei durante 47 minutos na quinta-feira, e o freqüencímetro marcou um estonteante gasto de 450 calorias, 3 vezes mais do que as 150 do que um site da internet disse que uma pessoa do meu peso gastaria caminhando vigorosamente a 5 km por hora.

Também fiquei incrédula, mas o monitor faz o cálculo usando meu peso e a freqüência cardíaca desenvolvida durante o exercício, então a chance que ele esteja certo é maior do que o site dos dados aleatórios que eu adaptei por aproximação.

Esse dado modifica inteiramente o meu programa de exercícios. Porque, quando você gasta 150 calorias por sessão de tortura, é muito fácil, principalmente no frio, decidir que elas não valem o esforço de sair de debaixo do edredom. Mas já que eu estou consumindo o número absurdo de 450 CALORIAS por dia, quero é passar a freqüência das caminhadas de seis dias por semana para TODOS OS DIAS DA SEMANA e fazer UMA HORA DE EXERCÍCIO de cada vez!

23.6.06

O Caso do Mapa Numerológico

Vocês sabem que eu sou muito cética e só acredito na dura e fria ciência; mas, além de cética, eu sou curiosa, então pedi ao pai do Leo, que fez um curso de numerologia pitagórica, para fazer o meu mapa.
E deu:
- que eu sou uma pessoa muito cética;
- que eu sou uma pessoa muito curiosa;
- que eu costumo fazer várias coisas ao mesmo tempo e acabo não avançando em nenhuma (vide direito, comunicação, jornalismo free-lance, leitura crítica, concursos);
- que eu posso tender à avareza (essa nem tem dúvida, né?);
- que eu vim a esse mundo para trabalhar muito (sempre desconfiei);
- que eu tenho facilidade para as conquistas materiais (essa eu quero explorar mais profundamente).

22.6.06

O Caso das Caminhadas

Quem lê esse blogue deve achar que o Leo e eu somos muito esportivos, porque tem muitos posts nos quais a gente joga tênis, nada, caminha e adquire aparelhos de ginástica novos. Entretanto, a verdade é que o esforço físico não é uma constante: a gente passa for fases, que terminam quando eu arrumo uma tendinite no ombro, a água da piscina gela e os aparelhos de ginástica se estragam sozinhos. Aí a gente volta para a frente da tevê a cabo.

Devido a todos esses problemas, acabamos apelando para as caminhadas, que são uma atividade realmente tediosa, mas que, devido a um conjunto de fatores, acabaram se tornando mais suportáveis.

Fator 1: está fazendo frio;

Fator 2: arrumamos tocadores de música;

Fator 3: temos um marcador de batimentos cardíacos.

Escutando música e sem sentir muito calor, tudo fica mais razoável. O freqüencímetro também é legal, e está gerando uma bonita planilha no Excel com os dados da caminhada. Amanhã vou descobrir quantas calorias eu gasto por dia no nosso exercício físico de preferência. Segundo um sítio na internet, são 150, que é uma quantidade ridiculamente pequena. Mas essa informação é para uma pessoa do meu tamanho que caminha a 5 km por hora, e ultimamente a gente tem dado umas corridinhas bem legais.

21.6.06

O Caso da Copa do Mundo

Como a Copa está detonando a audiência do blogue, vou dar um jeito de fazer uns posts temáticos para segurar a clientela.

Observação 1: o Ronaldo está gordo, sim!

Observação 2: o Ronaldinho Gaúcho é muito feio, coitado. E, dependendo do ângulo, fica parecendo o Felipe, aquele personagem da Mafalda cujo perfil podia ser desenhado usando-se como modelo uma cenoura dentro de um sapato.

Observação 3: por que o uniforme do Dida é de um horrendo cinza-sujeira? Ajuda aê, Nike. Observação 3.1: se eu fosse goleiro, só usava uniforme verde, para me misturar com a grama e confundir o adversário.

Observação 4: é incrível como o futebol dá empregos. Alguém já contou o nº de jornalistas, comentaristas, apresentadores, analistas e críticos esportivos que estão tirando o pé da lama?
Observação 5: sacanagem a Fifa ter tomado a bola do Fred.

20.6.06

O Caso da Esfera do Aniversário

Como todo mundo sabe, o Leo faz aniversário em 19 de julho. Hoje eu me lembrei de que estamos a um mês da data e ele, mais que depressa, declarou que, então, ele não pode ser contrariado e todas as suas vontades têm de ser satisfeitas. E não é só até o próximo dia 19, não: é até o dia 20 de agosto, porque o mês anterior E o mês posterior ao dia 19 de julho estão sob a “esfera do aniversário”.

O máximo que eu já tinha ouvido falar sobre influências transbordantes do dia do aniversário é o inferno astral que, salvo engano, começa 30 dias antes da data e termina nela. Mas, enfim, embora dure o dobro do tempo e provavelmente vá gerar algumas exigências extraordinárias, “esfera do aniversário” parece muito mais legal e promissor do que um troço chamado inferno astral.
Mal posso esperar parar chegar a minha vez para eu pedir coisas do tipo "hoje eu só quero comer coisas vermelhas" e "dá para ajeitar essa almofada que está debaixo da minha cabeça?"

16.6.06

Os Casos das Conversas de Casal

A gente vai a uns blogues de casais que têm muitos diálogos dramáticos e conflitos emocionantes, mas infelizmente (ou felizmente) o nosso não é assim. Eu sou até briguentinha, mas o Leo é tão tranqüilo que não há como haver discussões. Acho que o ápice de discordância que a gente chega é em situações do tipo:

Lud: a gente podia pegar o hábito de apagar a luz do quarto quando a gente sair de lá, né? Para economizar energia.
Leo: tá, sem problema.
Uma semana depois:
Leo (olhando as luzes da cozinha, do corredor e do quarto acesas): você pediu para a gente não deixar as luzes acesas à toa, mas acho que de vez em quando você esquece.
Lud: não é que eu esqueça. Eu deixo a luz ligada porque eu pretendo voltar naquele lugar.
Leo: entendi.
Lud: mas às vezes eu não volto.
Leo: hummmm, sei.
Lud: é, você tem razão. Pode deixar que eu vou prestar mais atenção.
Leo: obrigado, meu amor.
Lud: de nada, meu amor.

Sem emoção, concordo. Mas garanto que é muito mais saudável para o casamento (embora talvez menos divertido para os leitores do blogue) do que o seguinte diálogo:

Ela (falando alto): você SEMPRE esquece a luz acesa quando sai do quarto! Você é dono da Cemig, por acaso?
Ele (falando mais alto ainda): e você adora pegar no meu pé, hein? Tá bom, eu apago a luz, criatura!
Uma semana depois:
Ele (falando alto): você me encheu o saco por causa da luz, mas nunca lembra de apagar!
Ela (na defensiva): claro que lembro! É você que sempre esquece!
Ele (saltando do sofá e apontando): não é, não! Olha lá, você acabou de sair da cozinha e a luz tá acesa!
Ela (com raiva): é porque eu vou voltar na cozinha, meu filho!
Ele (com desprezo): ah, sei. Vai voltar na cozinha, sei. Não sei pra quê, já que você não sabe cozinhar mesmo!
Ela (com mais desprezo ainda): não sei cozinhar, é? Pelo menos eu não empresto uma dinheirama para os meus amigos e depois não tenho coragem de cobrar!
Ele (furioso): pelo menos eu empresto meu dinheiro para os meus amigos, ao invés de gastar tudo comprando uma bota ridícula de astronauta!
Ela (aos prantos): mas você disse que tinha gostado da bota!
Etc. etc.

14.6.06

O Caso do Quem é Você

Sabe aqueles testes do tipo “Que personagem de Friends é você?”? Pois é, quando eu faço eu nunca sou o personagem mimoso e simpático. No caso de Friends, não tenho dúvida nenhuma que eu seria o Ross: caxias, certinho, e chegado numa tese científica. Vi há pouco tempo um episódio no qual os personagens se reuniam para jogar na loteria, e o Ross não queria participar de jeito nenhum, porque é mais fácil cair um raio na cabeça de uma pessoa do que ela ganhar na loteria (é o que eu costumo dizer); e depois, quando o convencem a jogar, ele diz que vai aplicar o prêmio em investimentos de baixo risco (é o que eu costumo dizer!!!).

Se eu fosse um personagem de Asterix & Obelix, eu seria o Asterix: baixinho, briguento e metido. Se eu fosse um personagem de Mafalda, eu seria o Miguelito: baixinho, briguento e obcecado por dinheiro. Se eu fosse um personagem da turma da Mônica, eu seria o Cebolinha: baixinho, briguento e não fala o R. Se eu fosse um personagem da Disney, eu seria o Mickey (e olha que é com muita tristeza que eu digo isso, porque acho o Mickey muito antipático, e ter trabalhado na loja dele como um pequeno engenheiro - pequeno escravo, digo eu - não melhorou minha opinião dele nem um pouquinho): metido a besta, sabe-tudo e cheio de lições de moral.

E baixinho.

12.6.06

O Caso do Dia dos Namorados

Desde que eu arrumei emprego e nos casamos (o que aconteceu quase que simultaneamente), eu e o Leo meio que paramos de nos dar presentes em ocasiões festivas. Ok, não foi meio que paramos: foi paramos mesmo.

Explico: na época em que éramos adolescentes duros, os presentes eram muito importantes para a gente adquirir bens de consumo. Hoje em dia, que ganhamos bem, quando queremos alguma coisa, a gente sai e compra. Então nunca estamos precisando de nada.

Não consigo decidir se estamos sendo práticos ou preguiçosos. Porque, por um lado, somos partidários da teoria que ficar comprando coisas só para ocupar espaço em nossa pequena casa não vale a pena. Por outro, sempre achei que símbolos têm o seu valor.

Para não dizer que o romantismo morreu, no Natal passado a gente se deu a viagem à Disney. E quando eu fiz trinta anos, fomos à Europa. Mas, para falar a verdade, são coisas que a gente faria de qualquer jeito. Sem falar que em julho o Leo faz aniversário mas não temos mais férias – e aí, ele fica sem viagem e sem presente?

Hoje é dia dos namorados e neca de troca de presentes. Isso é bom – estamos além da fase de tentar conseguir favores do outro em troca de bens materiais – ou é ruim – estamos tão confiantes no nosso relacionamento que achamos que não precisamos nos esforçar mais?

9.6.06

O Caso do Aniversário de Casamento

Hoje eu e o Leo fazemos dois anos de casados. Quer dizer, eu acho que é hoje, que foi o dia da festa; ele acha que é ontem, que foi o dia do casamento civil.

Eu argumento que só depois da festa é que a gente começou a morar juntos; ele responde que a gente já morava juntos antes disso. Mas não é bem assim: eu passei no concurso e vim para o interior e ele vinha me visitar, mas não morava comigo. Se bem que na época a minha mãe ligou para a mãe dele, muito preocupada que a gente estava “antecipando o casamento” e “vivendo em pecado” porque o Leo veio ficar comigo uma semana antes do casório, para procurar emprego aqui (e achou no dia em que ele chegou mesmo). Porque, vejam bem, depois de dez anos de namoro e um de noivado, é claro que o Leo só estava esperando a oportunidade de ficarmos uns dias sozinhos para ele se aproveitar de mim e cancelar o casamento, né?
Enfim. Foram dois anos ótimos e passaram voando. Feliz bodas de algodão, meu amor!

7.6.06

O Caso dos Problemas das Compras On-line

Raramente eu faço um post. Mas hoje não resisti. Tenho que compartilhar com todos o que nos acaba de acontecer.
Como devem saber, compramos on-line numa grande loja um novo aparelho de ginástica. Depois de uns 2 dias de uso o ruído chato que ele fazia passou a ruído insuportável. Tentamos várias vezes ligar na garantia e suporte do fabricante (que, logicamente sem sucesso, tentou pelo telefone escutar, diagnosticar e ainda me ensinar a consertar o problema). Na última tentativa a atendente do fabricante pediu para entramos em contato com o site que nos vendeu e solicitar a troca. Podíamos até falar que foi ela quem mandou.
Primeiramente tentamos direto na página. O link de devoluções não levava a lugar nenhum. O mesmo para o link para produtos com defeito. Será que eles teriam no site um local para devolver os links com defeitos?
Partimos para o atendimento on-line. Foi cômico. Lá para o meio perdi a paciência e tive que zoar. Vejam só a conversa:
Sistema pergunta: Para entrar no atendimento on-line, favor informar seu nome e o numero do pedido.
Atendente: Olá Leonardo, em que posso ajudar?
Leonardo: Olá, Atendente!
Leonardo: Comprei um orbidream com vocês.
Leonardo: É um aparelho de ginástica.
Leonardo: Eu o recebi há 2 semanas e ele está fazendo um barulho muito estranho.
Leonardo: Não é o ruído normal do aparelho.
Leonardo: O que fazer?
Atendente: Poderia, por gentileza, informar o número de seu pedido para que possa consultá-lo em meu sistema?
Leonardo: XXXXX. Já tinha passado ele antes...
Atendente: Por favor, aguarde um instante, pois irei verificar.
Leonardo (5 min depois): Atendente, vc ainda está aí?
Leonardo (1 min depois para o sistema não cair como da última tentativa): sldkjfg
Atendente: Mais um momento por favor...
Atendente: Coletaremos o(s) produto(s) no endereço {RUA XXX n X} em até 7(SETE) dias úteis. Leonardo: Vc sabe que é um aparelho grande, não sabe?
Leonardo: acho que pesa uns 40 kgs.
Leonardo: Ah, e eu não tenho mais a caixa na qual ele veio.
Leonardo: Era uma caixa gigante, nem cabia no apartamento.
Leonardo: E obviamente eu não imaginava que o aparelho fosse dar defeito!
Atendente: Leonardo, correto, poderá acondicionar o produto em outra embalagem
Leonardo: Atendente, eu não tenho outra embalagem para acondicionar o produto.
Leonardo: Como eu disse, ele é muito grande!
Atendente: Leonardo, peço que acondicione o produto em outra caixa, poderá utilizar outras caixas junto
Leonardo: Não entendi.
Atendente: Leonardo, o senhor poderá embalar o produto em outras caixas, não é necessário que seje apenas uma.
Leonardo: O produto não desmonta, Atendente.
Leonardo: Nem tenho como comprar uma caixa daquele tamanho.
Leonardo: Não é a transportadora que vem pegar o produto? Se eles trouxerem uma caixa, eu pago por ela, não tem problema.
Atendente: Leonardo, o senhor poderá utilizar mais de uma caixa para acondicionar o produto, peço que desmonte e realize um só pacote
Leonardo: Atendente, não tem jeito!!!
Atendente: Leonardo, repetindo, o senhor poderá utilizar mais de uma caixa para acondicionar o produto, peço que desmonte e realize um só pacote
Leonardo: O unico jeito é eu comprar uma moto-serra e cortar o produto em quatro partes. Vocês vendem moto-serras aí?
Atendente: Leonardo, o senhor desmonta as caixas de papelão e realiza um só pacote, não sendo necessário que seja uma mesma caixa
(como é que será que se realiza um só pacote?)
Atendente: não é necessário que desmonte o produto
Leonardo: Vocês vendem kits "faça você mesmo sua caixa gigante"?
Atendente: Leonardo, sim, será coletado no prazo : Coletaremos o(s) produto(s) no endereço {RUA XXX n X} em até 7(SETE) dias úteis.
Leonardo: O endereço está errado, é XXX número Y .
Atendente: O endereço que consta no cadastro é
Atendente: Endereço: RUA XXX n X
Leonardo: Já pedi para mudar mais de 5 vezes. Está errado. XXX número Y.
Atendente: Mas não é esse que está no cadastro.
Leonardo: Eu sei onde moro. Tenho certeza que é no número Y. Mas se quiserem tentar buscar no número X fiquem a vontade...
É fogo ou querem mais??? Estou rindo até agora. Pior é que daqui a sete dias meu vizinho vai receber a visita de uma transportadora que vai insistir em recolher algo que ele não tem.
Resultado final: se algum dia alguém aparecer aqui tentando buscar o produto, vai ter que levar fora da caixa. E ainda digo que foi o combinado com o site.

O Caso dos Livros

Existem muitos inconvenientes em estudar para concursos quando você já trabalha oito horas por dia: o tempo para estudos é escasso, você já está com a cabeça quente de resolver problemas no serviço, e quando tem tempo livre quer mais é descansar.

Mas existe uma grande conveniência: trabalhando, você tem dinheiro para comprar os livros que você quiser! Não precisa ficar pedindo para os seus pais, nem usando os livros que a sua irmã mais velha escolheu. Ou de ficar economizando mesada para comprar coleções a prestações (e aí eles mudam a capa de um ano para outro, ou passam a só editar a capa dura, e você fica com aqueles livros mais desencontrados).

Acabo de comprar três livros novinhos e cheirosos de Processo Civil. Estudar para concursos não tem muitos pontos altos (tirando a aprovação, só que essa nunca é garantida), mas esse é um deles.

6.6.06

O Caso do Frio

Começou a fazer frio nesta cidade há duas semanas. Estou sentindo frio há duas semanas. Porque, vejam bem, eu nunca acredito que realmente vai fazer frio, e de manhã costuma fazer um solão enganador. Como minha casa é muito mais quente do que o trabalho, eu ponho uma blusinha de mangas curtas e lá me vou, feliz e serelepe, morrer congelada no serviço – e isso antes de ligarem o ar-condicionado.

É verdade que eu tenho um casaquinho guardado na gaveta para essas ocasiões, mas ele não está sendo suficiente. Então funciona assim: eu sinto frio todo dia, juro que no dia seguinte vou vir mais agasalhada, acordo no dia seguinte e vejo o céu azulíssimo e o sol rachando, ponho uma blusinha de mangas curtas e...

O lado bom é que fica muito mais agradável fazer exercícios no frio. O lado ruim é que o frio dá fome, então a gente acaba comendo muito mais do que gastou nos tais exercícios.

5.6.06

O Caso das Encomendas

Minha irmã voltou de uma viagem aos States e trouxe um tanto de encomendas e presentes. Os mais divertidos foram:

1) um tocador de MP3/gravador para eu gravar as aulas da pós. Ele é muitas vezes mais barato do que um iPod, e também não é lá um ganhador de prêmios de design, mas é muito leve e prático. A vantagem é que eu não vou ter dó de jogá-lo dentro da bolsa, nem de fazer exercícios com ele. Acho que vou colar nele um adesivo da Hello Kitty, igual eu fiz com a raquete de tênis do Federer, para ver se o quesito beleza aumenta. E é claro que ele já foi rebatizado de ludPod (porque esse a Lud pode ouvir).

2) um hidrante/auto-bronzeador. Depois de escutar de vários dermatologistas que eu devo evitar o sol, e que minha morenice instrínseca é uma ilusão, desisti de ficar torrando no clube (até porque estamos no inverno e está fazendo um frio danado). O problema é que aqui faz muito calor, e é inevitável andar na rua com os braços de fora. Resultado: braços bronzeados e pernas claras, o que fica muito engraçado quando eu uso vestido. Mas agora, com meu hidratante/auto-bronzeador, minhas pernas vão ficar da mesma cor dos meus bracinhos, sem nenhum risco para a minha saúde, nem para as minhas costas, porque ficar no clube com a parte de cima do corpo na sombra e a debaixo no sol exigia um certo malabarismo.

2.6.06

O Caso da Maquiagem

Minha mãe nunca usou maquiagem e sempre foi uma mulher sem vaidade. Ela se horrorizava com a perspectiva de uma das filhas fazer a sobrancelha e sempre tentou nos convencer que pintar o cabelo (ainda que fosse com um daqueles tonalizantes que saem em 2 meses!) ia estragar o dito-cujo e nos deixar carecas a longo prazo.

Talvez por isso mesmo, eu adoro maquiagem. Acho que é a mesma coisa de pintar e colorir, só que no rosto da gente (mas não se assustem, eu não tenho Picasso uma inspiração nessa área).

Como diz a Elizabeth Hurley, aquela atriz inglesa maravilhosa que foi casada com o Hugh Grant: “eu poderia não usar maquiagem, mas por que eu faria isso, se qualquer mulher fica tão mais bonita com a ajuda de produtos de beleza?”.

Se a Elizabeth Hurley diz isso, eu, pobre mortal, vou discordar?

1.6.06

O Caso do Aparelho de Tortura, er, Ginástica III

Estamos indo muito bem com nosso aparelho de tortura particular. Cada dia a gente consegue fazer um pouco mais de tempo, e o frio que está fazendo por aqui também ajuda.

Só que surgiu um novo problema: o aparelho fazia um barulhinho básico, inteiramente suportável, de nhénhénhénhén. De uns dias pra cá, deu pra fazer um rrrec-rrrec-rrec muito alto e irritante, do tipo que até afasta as pessoas do quarto.

Fui investigar o telefone do fabricante para me fazer valer dos 3 meses de garantia. Aí é que descobri que ele é de Porto Alegre. Não quero nem pensar em como a assistência técnica vai ser prestada.

E o pior é que a gente liga, liga, liga, e só dá ocupado. Acho que eles devem colocar um telefone fantasma nas encomendas entregues nos lugares longe.

31.5.06

O Caso dos Fichamentos

Ok, confesso: sempre fui caxias. Mas mesmo eu, que adorava dia de pegar boletim, preferia fica à toa a fazer dever de casa e férias a aula.

Então, como todo mundo, eu achava que ia estudar, fazer faculdade, me formar, e aí tava resolvido. Adeus, madrugadas estudando para prova! Tchauzinho, tardes gastas fazendo trabalhos! Até nunca mais, dever de casa!

Ledo engano. Pra começar, eu não fiz uma faculdade só, fiz duas, o que prolongou minha vida estudantil por 4 anos e meio (devia ser 4, mas eu tranquei um semestre pra trabalhar na Disney. Outra história – e outro blogue). Pra continuar, fui fazer um curso preparatório para concursos e descobri que se eu pagasse mais uns reais, o curso virava uma pós-graduação.

O que eu não contava é que, além dos reais a mais, a especialização demanda pilhas de fichamento, provas com 80 questões retiradas de concursos e uma monografia no final do ano.

Olá, madrugadas estudando para prova! Bem-vindas, tardes gastas fazendo trabalho! Aqui de novo, dever de casa?

30.5.06

O Caso dos Bens Materiais

Esse negócio de possuir bens é mais complicado do que se pensa. Porque, vejam bem, você não tem só que possuir: tem que guardar, cuidar, trancar, limpar, fazer seguro e recarregar bateria. E se furtam o bem material você fica danada da vida, mesmo que ele não custe assim tão caro. Principalmente quando te furtam o mesmo bem material pela segunda vez, como aconteceu com o meu celular.

Mas se você é uma pessoa informada, inteligente, culta, você não deixa barato, não. Você sabe que tem direitos. Então, para fazer valê-los, você entra em contato com a companhia aérea, passa uma raiva danada toda vez que liga pra lá, altera a voz com as teleatendentes que não têm nada a ver com isso e espera três semanas feito boba para responderem (negativamente) a sua solicitação.

Aí você pessoa informada, inteligente, culta acessa o seguro-viagem que você fez para essas eventualidades mesmo. Que vai exigir registro de reclamação de furto de bagagem feito na hora, aquele que ninguém faz porque só a gente só percebe que foi furtado depois que abre a mala em casa. Aí você vai sapatear de ódio sobre a cartinha educada que eles vão te enviar falando isso, e nessa lá se vão mais dois meses.

Mas você pessoa informada, inteligente, culta não se abala. Porque você sabe que pode entrar no juizado especial cível e chamar a companhia aérea e a seguradora pro pau.

Você pode até não ganhar nada. Você pode até gastar tempo, dinheiro, paciência e suas poucas horas de folga e levar um "improcedente" pelas fuças. Mas que você vai infernizar a companhia aérea do demo e a seguradora diabólica até não poder mais, ah, isso vai.
(Vocês vêem que os bens materiais têm uma influência muito negativa sobre mim.)

29.5.06

O Caso dos Estabelecimentos Comerciais

Lojas Bahia: péssimo atendimento (cada vendedor dá atenção a dois clientes de uma vez e insiste em que você faça um crediário) e filas imensas (galera pagando as prestações a perder de vista do crediário). Entregam aparelhos de ginástica com atraso, cobertos de poeira, riscados e enferrujados, e com a caixa fechada com uma corda. Quando você vai cancelar a compra, não deixam que você faça isso sem o papelzinho do cartão de crédito, porque é nele que está o “nº da transação”. Quando você explica que perdeu e que eles têm uma cópia, alegam que “já foi para a tesouraria”. Obrigam você a voltar na loja diversas vezes, até que você perde a paciência, liga para o cartão de crédito e pede o nº da transação, e escuta o cartão dizer que quem tem o número é outro fulano, e que só lojista é que pode ligar lá.
Nota: 0

Submarino: diz que os objetos são entregues em 7 sete dias úteis, mas esquece de avisar que a contagem só começa depois que a compra vai para a transportadora e que sábado não é dia útil. Entrega livros do Asterix com as cores erradas e com páginas enrugadas.
Nota: 2
Quando você decide devolver os livros de cores erradas e com páginas enrugadas, manda o carteiro buscar na sua casa no dia seguinte.
Nota: 6

TAM: deixa que violem sua bagagem e furtem seu celular e seus cabos do iPod. Quando você reclama, diz que vai abrir um processo a respeito. Gasta três semanas para enviar um e-mail ridículo dizendo que o resultado do processo é que, como você não viu o furto no aeroporto, ela não pode fazer nada a respeito.
Nota: -10

26.5.06

O Caso do Novo Restaurante

Já faz algum tempo que meus colegas de trabalho e eu abandonamos o restaurante Pizzarita (aquele cujas toalhas de mesa era lavadas de mês em mês, se tanto, e de vez um passarinho passava e levava um fio de macarrão) e mudamos para o Expresso.

O Expresso possui muitas vantagens: fica a um quarteirão de distância, então a gente sofre muito menos caminhando com o sol na cacunda na hora do almoço; o preço é melhor (nos últimos meses o Pizzarita andava extorsivo. Você pagava caro para ser maltratado pela dona e ver o passarinho fugir com o fio de macarrão); de vez em quando tem batata frita (bom!); e, ao invés de toalhas de mesas, ele tem jogos americanos (muito mais fáceis de limpar).

Mas nem tudo são flores (ou deditos de frango, uns tubinhos de peito de frango empanado que na Disney eles chamavam de chicken strips e eu chamo de chicken fingers. E não me digam que frango não tem dedo): o lugar é pequeno e apertado, e volta e meia aparecem uns mosquitos que não foram convidados para a refeição.

E arroz brilha tanto que eu posso ver meu próprio reflexo nele.

25.5.06

O Caso das Lições de Viagem

Aprendi algumas lições muito profundas na minha última viagem:

LIÇÃO 1: Devo parar de carregar dezenas de Nutrys dentro da mala como se eu estivesse indo para um lugar assolado pela fome. Eu levo os Nutrys de lá pra cá, mal como um deles no aeroporto do Brasil, e nunca mais nem ponho a mão, porque em viagens a gente quer é experimentar os quitutes locais. Fica aquele peso morto na mala, e o pior: o Leo tenta jogá-los fora, para não ter que carregá-los de volta, e eu aproveito quando ele não está olhando e enfio tudo na mala de novo. Tudo bem, eu acabando consumindo os Nutrys no horário de trabalho, mas esse passeio todo só serve para deixá-los deixa duros e quebradiços e aumentar o peso da bagagem.

LIÇÃO 2: Não é necessário que eu carregue absolutamente todos os sabõezinhos, xampuzinhos, creminhos e touquinhas dos quartos de hotel. Termino com uma pilha gigastesca de miniaturas que nunca mais vou usar mesmo. O pior é ficar acondicionando as milhares de embalagens em saquinhos plásticos, para garantir que eles não vão vazar na mala. No fim das contas, um conjuntinho de cada hotel é mais do que suficiente para guardar de lembrança. A minha ambição, que é ter uma gaveta repleta de toiletries para oferecer aos hóspedes, acaba frustrada por dois fatos: I - faz meses que eu não recebo hóspedes; II - qualquer sabonetinho Dove é de melhor qualidade que esses sabõezinhos de hotel, e não vamos nem falar no xampu - a não ser que eles sejam do Hilton, mas esses eu não dou para hóspede nenhum. Então essa novela toda só serve encher os meus parcos armários com inutilidades e aumentar o peso da bagagem.
LIÇÃO 3: O peso da bagagem é facilmente aumentável.

24.5.06

O Caso do Aparelho de Tortura, er, Ginástica II

Lá fomos eu e o Leo, animados e felizes, prontos para nos tornamos seres muito atléticos e recuperarmos o dinheiro gasto na máquina elíptica (esse é o nome genérico do aparelho de tortura). Afinal, com a grana dava para pagar 10 meses de academia para cada um (sim, é um número impressionante, mas academia aqui no interior é muito, muito barato).

Colocamos um filme na tevê e começamos. No peso mais baixo. Com os apoios para os braços fixos. Assim, para irmos nos acostumando.

O trem é tão puxado que tivemos que fazer em turnos, porque depois de um tempinho a gente tinha que parar para descansar!

E não fiquem achando que nós somos muito moles, não: o Leo nada centenas de metros na piscina do clube numa boa. E eu... bem, eu fazia bicicleta ergométrica todo dia.

O mais engraçado é que os primeiros 30 segundos dá pra fazer sem problema. É até gostosinho. Aí, de repente, do nada, fica dificílimo, seus músculos ardem, seu coração dispara, e você começa a lutar para respirar.

Estou achando que tem alguma coisa errada. Que parece que o orbitrack está no nível mais fácil, mas só parece. Que na verdade esquecemos de encaixar ou soltar alguma coisa e na verdade ele está no nível hiper-ultra-mega pesado para campeões.

Só pode ser.

23.5.06

O Caso do Aparelho de Tortura, er, Ginástica

Ontem cheguei em casa do serviço e saí correndo para caminhar, porque eu não estava mais agüentando a vida sedentária. Trotei quatro enérgicas voltas de sete minutos e meio, dei-me por satisfeita e voltei para casa, encontrando o Leo que já estava chegando.

Subimos, conversamos, arrumamos o lanche e, quando eu estava indo do quarto de estudos para a cozinha, quase caí em cima de uma caixa gigante que estava na área. O aparelho de ginástica que nós compramos para substituir a bicicleta ergométrica tinha chegado durante a tarde e eu percebi!

Ele se chama orbitrack e, em teoria, simula o movimento de subir escadas. Como ele tem hastes para os braços, parece que você está esquiando, mas infelizmente o calor local impede que eu me sinta em Saint-Moritz.

Fiz cinco minutos e quase morri. O pior é que o medidor de batimentos cardíacos do aparelho não concordou: minha freqüência não passou de míseros 110 batimentos por minuto.

Então é porque eu estou fraquinha mesmo.
Essa é a foto de um orbitrack. Quando estivemos em Amsterdam, não fomos ao Museu da Tortura, mas tenho certeza que esse equipamento está lá, no local de honra.

22.5.06

O Caso da Perdidinha

Como eu já falei aqui, eu e o Leo formamos uma ótima equipe. A viagem funcionou assim: o Leo ficou encarregado da localização, e eu, da comunicação. Ótima divisão de trabalho, porque o Leo é uma bússola humana (enquanto eu me perco indo da sala para o quarto), e eu gosto de falar como uma taramela, além de dominar o inglês, o portunhol e meia dúzia de palavras em francês.

Tudo ia maravilhosamente bem até que eu fui obrigada a ler mapas enquanto o Leo dirigia. Sair de Amsterdam até que foi fácil, porque eu usei meus poderes comunicatícios para perguntar para o motorista de táxi que nos levou à locadora de carros qual era a melhor saída, mas chegando em Haia... descobrir o hotel foi um parto.

Demos voltas e voltas sem conseguir entrar na rua do o hotel. O Leo lia as placas das ruas e perguntava se elas apareciam no mapa, e eu não achava nada. Acabamos conseguindo chegar quando eu desci do carro e fui perguntar onde diabos ficava o tal o hotel.

Depois o Leo pegou o mapa e morreu de rir, porque as ruas todas que ele tinha falado estavam lá. Mas nem me abalei, porque a gente tinha chegado, não tinha?

Pois é. Dali a três dias pegamos a estrada de novo para ir ao Kinderdijk, o patrimônio histórico mundial que tem 19 moinhos originais em funcionamento. Para chegar lá, tínhamos que circular Roterdam e sair na A12.

Então. Pegamos a saída da A12 bem felizes e lá nos fomos. E andamos. E andamos. E andamos. Do lado da estrada, víamos galpões, guindastes e depósitos, mas como Roterdam é o maior porto da Europa, estávamos tranqüilos. O Leo olhava o nome das placas que indicavam cidades do lado da estrada e perguntava se elas estavam no mapa, e eu não achava nenhuma, mas tudo bem – não tinha acontecido a mesma coisa em Haia?

Os depósitos iam ficando cada vez mais gigantes e a estrada, mais deserta. A A12 virou N12 – e eu disse: liga não, Leo, é a mesma coisa!

De repente, num momento de iluminação, virei o mapa e descobri que estávamos indo para o lado errado! Mais 10 quilômetros e a gente caía no mar. Aí é que eu entendi as placas “Europort” que volta e meia apareciam. Ao invés de irmos para a região central da Holanda, tínhamos dado a volta inteira em Roterdam e saído para o outro lado, na direção do mar. Estávamos 40 quilômetros fora da rota!
Não foi um de meus melhores momentos, confesso.

19.5.06

O Caso das Roupinhas

Continuando na minha campanha “30 anos”, no sábado aproveitei que eu estava em BH e saí com minha mãe para comprar roupas na “capitar”. Fui a umas quatro lojas, achei tudo feio e caro, e finalmente caí na loja mais legal de todas, nas quais as coisas eram bonitas e só medianamente caras. O bom de sair com minha mãe para fazer compras é que ela explora a loja toda enquanto eu estou no provador, e traz tudo de interessante na minha mãozinha.

Pois bem. Comprei uma calça, três blusas, um obi e saí de lá me achando vestida para o outono/inverno. Eu costumo misturar umas peças novas com as roupas que eu já tenho – e eu tenho muitas roupas, porque eu nunca jogo nada fora – e pronto, tá resolvido.

Como toque final, descobri uma bolsa dourada bonita e baratésima numa loja sensacional. Estou até achando o povo lava dinheiro lá. Mas whatever, o importante é que eu estou na moda.

E estou mesmo. Já me falaram: “nossa, a Rebeca da Belíssima tem uma bolsa igual à sua!” e “a Júlia da novela das oito também uma faixa assim!”. E eu, que nem vejo novela e não tenho a mais vaga idéia do que as pessoas estão falando, fico me achando.

* * *
Respostas atrasadas aos comentários passados:
Ana: Eu tenho 28 anos e visto-me como se tivesse 18!!!! E acho que quando tiver 30 ou 40 vou continuar a vertir-me da mesma maneira. Nao estou a imaginar-me vestida "como uma senhora" porque nao tem nada a ver comigo. Vai ser bonito quando eu chegar a velha... ninguem me vai levar a sério!!!

Ana, entendo perfeitamente. Eu sofro (ou sofria) da mesma enfermidade. Mas como fiquei cansada de me perguntarem: “que faculdade você faz?” e “você tem namoradinho?”, resolvi mudar. Quem sabe o que acontecerá com você quando fizer trinta? Mantenha-nos informados!
PS: Adoro o português de Açores da Ana. Eu queria falar assim!
Anonymous: Seria esta uma frase real ou tem um certo sentido pejorativo? Ludmila, você é religiosa, ou segue alguma filosofia? Achei muito cômico! =D Boa semana.
Anonymous, juro que não estou usando a frase "Isso não estava nos planos de Jesus para mim!" pejorativamente; é só para brincar mesmo. Quanto a mim, não sou nada religiosa – estou mais para sou agnóstica. Prefiro ter a ciência como religião... Mas depois de tantas pesquisas científicas mostrando que as pessoas que tem uma fé recuperam-se melhor de doenças e sentem-se menos sozinhas no mundo, estou pensando seriamente em adotar uma... =)

18.5.06

O Caso da Dieta do Tipo Sangüíneo

Como eu adoro uma novidade, arrumei o livro acima emprestado. E olha que já não é tão novidade assim, porque eu me lembro de ter escutado algo a respeito a algum tempo. Mas enfim.

Juro que me esforcei para levar o livro a sério. Porém, vejam bem, o autor é um médico naturopata. Vitrola? É, eu também fiquei com cara de interrogação. Mas logo descobri do que se tratava: médico naturopata é o cara que se formou em medicina natural. E o autor do livro foi da primeira turma de medicina natural da primeira faculdade de medicina natural dos Estados Unidos! Então tá então.

O argumento do moço é que dietas que são para todo mundo não funcionam, porque cada um é cada um. Então, para resolver esse problema, ele apresenta a dieta do tipo sangüíneo, que são tipos quatro de dieta para todo mundo!

A idéia é que, se você adotar os alimentos adequados, vai viver mais, com mais qualidade, e ficar menos doente. E acabar esbelto, também, porque seu metabolismo vai ficar jóia. Só que, como os alimentos adequados são todos do tipo saudável, é claro que qualquer um emagrece!

A única pessoa que gostou desse livro é o Leo, porque o sangue dele é tipo O e a dieta recomendada inclui carne, muita carne. Eu detestei a minha: tipo A, que deve evitar carnes e laticínios e comer folha, muita folha, junto com tofu. E também deve eliminar exercícios vigorosos, preferindo ioga e meditação.
Ai, meus sais!

17.5.06

O Caso do Armário Minúsculo

Quando eu morava com meus pais, eu tinha um quarto gigantesco com cinco portas de armário. Gigantes.

Depois que me casei e mudei, tive que me conformar com três portinhas de armário, sendo que cada uma é praticamente metade daquelas a que eu estava acostumada. E sendo que uma delas é de prateleiras e duas prateleiras são usadas para guardar roupa de cama. E isso porque o Leo é bonzinho e usa o armário do outro quarto.

É muito difícil espremer minhas roupinhas no armário minúsculo. Mas ele realmente apresenta uma grande vantagem: toda vez que eu compro/ganho uma roupa, uma das velhas sai, porque senão a nova não cabe.

Então o armário está me curando da minha síndrome do guarda tudo. Porque vocês sabem, eu sou muito apegada às coisas. Então eu ainda tenho calças de dez anos atrás, bermudas da época da faculdade de direito, blusinhas do tempo do onça. Que eu ainda uso de vez em quando!
Mas com o armário microscópico, não tem negócio. Para entrar uma, outra tem de partir.

Resultado: as antiguidades estão perdendo terreno com uma velocidade espantosa.

A moda agradece.

16.5.06

O Caso da Estante

Lembram-se dos bonitos móveis Todeschinni? Pois é. Depois de devolvermos as mãos francesas inúteis na loja e ganharmos 75 reais de crédito (dinheiro vivo, nem pensar), surgiu outro porém: descobrimos que a estante era horrivelmente profunda e alta, e os livros que a gente punha ficavam perdidos em todo aquele espaço, coitados.

Mas o Leo logo arranjou uma solução: colocar coisas na frente dos livros. Então agora nossa estante contém itens como uma ovelhinha de Bariloche, um navio que ganhamos de presente e um gatinho sentado numa poltrona. Com a última viagem, entraram na dança um globo terrestre vindo de Amsterdam, uma armadura em escala reduzida comprada em Brugge e um tamanquinho holandês de cerâmica de Delft.

Para completar, na última ida a BH eu trouxe um bonequinho do Mickey clássico com uma cabeça que balança de cá pra lá igual aqueles cachorrinhos de camelô, e que eu comprei com 40% desconto na época em que eu trabalhava na Disney.

Então o quarto do computador ficou sendo o lugar das lembranças de viagem. De Paris temos o mousepad da Monalisa. Só ficou faltando um souvenir de Aruba!

Acho que a gente devia voltar lá para arrumar um.

15.5.06

O Caso da Descoberta

Descobri uma coisa ótima e vou usar sempre: sempre que algo der errado, olhe longamente para o infinito e diga

- Não era o plano de Jesus para mim.

Comecei a usar de brincadeira, porque achei muito engraçado, mas estou descobrindo que é bizarramente reconfortante. O aparelho de ginástica chegou detonado? Não era o plano de Jesus para mim fazer ginástica. Perdi a inscrição no concurso? Não era o plano de Jesus para mim ser auditora do trabalho.

Às vezes fica mais difícil, quando como você gasta oitenta reais em material para o concurso cuja inscrição você perdeu. Mas aí você usa a criatividade: não era o plano de Jesus para mim economizar esses oitenta reais. Porque eram os oitenta reais... do diabo!

E durma Jesus com um barulho desses.

12.5.06

O Caso da Decisão

Decidi que, agora que tenho trinta anos, não posso mais andar por aí vestida como uma pivete. Nem como uma menina de vinte.

Revirei meu guarda-roupa e mandei descer um tanto de saias-secretária e calças de tecido. Não dá para continuar trabalhando de calça jeans. A minha chefe usa, mas ela é chefe.

E tem outra: não quero ser aquela pessoa que começa a se vestir melhor só depois de passar num concurso importante. Aí todo mundo fica achando que você mudou, que está metida etc. etc. Não vai ser verdade, porque eu já sou metida.

11.5.06

O Caso dos Estudos

Os estudo realmente sugam toda a criatividade da gente. Daqui a pouco eu vou ter que começar a falar dos princípios probatórios no processo do trabalho só para ter assunto e a audiência do blogue vai cair horrivelmente.

Mas fala sério: ninguém merece trabalhar oito horas por dia fazendo coisas chatas e ainda ter que passar os fins-de-semana assistindo a aulas de direito. E gastar as noites fazendo fichamentos e estudando sobre as últimas tendências da nova lei de execução e seus reflexos na área trabalhista.

O Leo acha que eu estou mal-humorada porque voltamos de uma viagem fantástica e a realidade do dia-a-dia realmente sofre em comparação.

EU acho que eu estou mal-humorada porque deu para fazer frio nessa cidade, então nem posso mais usar minhas recém-adquiridas habilidades natatórias na piscina do clube. E porque furtaram meu celular pela segunda vez e ninguém se responsabiliza. E porque entregaram o aparelho de ginástica que compramos em péssimas condições, e cancelar o pagamento está sendo uma novela daquelas mexicanas.

Tá bom ou quer mais?

9.5.06

O Caso da Casa

Nossa casinha tá uma bagunça. Lembram o vazamento de água quente que gerou uma bolha gigante? Pois é, veio um pintor arrumar o estrago, que foi grande e em dois quartos. No primeiro dia ele passou massa. No segundo dia ele ia pintar mas teve de passar massa de novo. No terceiro dia... vamos ver o que vai acontecer.

O problema é que o pintor só pode vir quando a minha faxineira está em casa, e isso torna o processo muito lento. E o resultado é que os móveis dos dois cômodos estão empilhados em um terceiro cômodo há uma semana, e isso me incomoda muito, principalmente agora que estamos nos livrando de todas as coisas inúteis para deixar a casinha arrumada. Dei a bicicleta ergométrica, doei um sonzinho encostado para uma instituição beneficente, vou mandar uma mesa e quatro cadeiras embora...

Para completar o quadro, meu humor não está dos melhores, porque tive aula da pós no sábado E no domingo de manhã E à tarde. E não faço exercícios desde o episódio das escadas, porque não tive tempo, nem bicicletinha ergométrica.

Ai, a falta que ela me faz.

8.5.06

O Caso da Ergométrica

O instrutor da academia já tinha falado que minha bicicletinha ergométrica não estava ajudando em nada, já que meu condicionamento físico estava só no “regular”, embora eu pedalasse quase todo dia. Na hora eu fiquei indignada, mas lentamente fui me convencendo que ele tinha razão.

Tendo me convencido, resolvi tomar uma medida drástica: dar a bicicleta para outra pessoa, porque se não eu ia continuar usando, lendo minhas revistas e vendo tevê ao mesmo tempo, e me acreditando superatlética.

Foram buscar a bicicleta e eu me despedi dela com dor no coração. Acho que faz uns dez anos que eu a possuo (ou possuía). O lado bom é que a sala ficou bem mais bonita, porque, afinal, bicicleta ergométrica não é adorno decorativo.

No dia mesmo comprovei que a bicicleta realmente não estava fazendo mais efeito. Para não ficar sem me exercitar, o que me deixa de mau-humor, resolvi subir e descer energicamente as escadas do meu prédio.

Em cinco minutos eu já estava bufando. Em dez eu parei porque me coração estava batendo loucamente e eu estava me desmanchando de calor.

O que comprova que subir e descer escadas é um ótimo exercício, mas que talvez eu não esteja preparada para ele.

Amanhã vou tentar uma enérgica caminhada.

5.5.06

O Caso do(s) Celular(es) Furtado(s)

É, definitivamente eu e celular realmente não combinamos. Pela segunda vez meu celular foi furtado, dessa vez no vôo Guarulhos-Confins. A mala chegou violada, sem o celular que estava lá dentro e, pior, sem os cabos do leoPod. O aparelho está em outro lugar e, portanto, ficou a salvo, mas, quando ele terminar de descarregar, acabou!

Fiquei borbulhando de ódio, mas depois passou. Depois da reclamação oficial na TAM, da consulta ao seguro-viagem e do boletim de ocorrência (com policiais tão toscos que se não fosse uma delegacia eu tinha saído correndo, de medo. E gastamos uma hora e meia para preencher um BO eletrônico, porque o moço que estava operando o computador era tão ruim de serviço que parecia que nunca tinha usado o programa!).

A preguiça agora é arrumar outro celular. Quero um de 1 real, de cartão. Existe? Eu uso pouco mesmo, e até agora celular bonitinho e novinho só me deu dor de cabeça. Quando eu tinha o meu 5120 ninguém o cobiçava.

4.5.06

O Caso da Mulher de Recursos

Eu realmente acho que tenho meus momentos de gênio. Além de transformar a bota marrom em preta com ajuda de um pouco de graxa (que foi saindo durante a viagem, de forma que no final elas eram mais marrons do que pretas, mas aí eu já estava tão turbinada de chocolate belga, sorvete de caramelo e cerveja de framboesa que nem liguei), reformei meu próprio sobretudo preto 12 horas antes do embarque.

Porque, vejam bem, eu sou uma nulidade em assuntos domésticos. Minha mãe costumava dizer a respeito, com um longo suspiro desolado, que “tinha tanta dó do Leo! Quando vocês se casarem, como é que vai ser?”, ao que eu respondia, “mãe, eu sou uma intelectual. Eu vou trabalhar com o meu cérebro e pagar alguém para fazer os serviços domésticos!”. O que não a convencia, mas foi o que aconteceu, no final das contas.

Mas voltando ao sobretudo: ele estava largo, e não havia a menor chance de comprar algo parecido em Belo Horizonte (esse veio de Bariloche). Então, cheguei a brilhante conclusão que, se eu pregasse três botões iguais aos que já existiam meio palmo mais para a esquerda, fechando mais o casaco, ele ia ficar ótimo!

E ficou. O que nos leva ao segundo ponto das minhas discussões com minha mãe: “mãe, se eu precisar de fazer algum serviço doméstico, eu descubro como!”
E descobri. O avesso do sobretudo não ficou bonito, mas a parte de fora está chuchu.

3.5.06

O Caso das Tulipas

Não tinha tulipas abertas pelo Keukenhof, só nas estufas, mas eu que sou uma menina esperta interroguei sem pena dois pobres funcionários e cheguei às seguintes respostas:

- Sim, geralmente há tulipas no Keukenhof nesta época do ano (metade de abril);
- Não, elas não abriram porque está fazendo um frio atípico.

Quer dizer, os campos de tulipa estavam lá, só que elas ainda não havia desabrochado (urgha).

Também consegui arrancar dos funcionários que as tulipas abrem quando o termômetro bate em 15º C. Então, pelo resto da viagem fiquei vigiando o clima da região. Porque ir à Holanda e não ver tulipas, ora! É como ir a Roma e não ver o papam.

Mas vocês vêem, faz total sentido que as tulipas abram quando o clima esquenta. Porque, à medida que a temperatura passava dos 7 para os 10, 11 e 12 graus, eu passei usar menos camadas de roupa (que inicialmente eram cinco). E o Leo, que romanticamente comparava eu e minhas camadas a um bulbo (a cebola da qual nasce a tulipa), disse que as tulipas provavelmente estavam fazendo igualzinho.


Ele estava certíssimo.

2.5.06

O Caso das Best Friends Ever!


Chego em casa e dali a pouco o interfone toca... é uma entrega de flores!

E de quem podia ser, a não ser das minhas melhores amigas? Com um cartãozinho megafofo?

Amigas, adoro vocês!!!

O Caso das So-Called Friends

Eu tenho duas melhores amigas. Tudo bem, elas moram em BH e São Paulo, e eu moro em Fabri há dois anos, mas nós somos melhores amigas, entende?

Neste domingo eu fiz aniversário e não rolou nem um telefonema. Nem um e-mailzinho. Nem um desses cartões barangos de internet feitos para quem não quer ter trabalho. Sendo que eu havia mandado um e-mail para as duas na QUARTA-FEIRA convidando para a minha festinha!

À qual elas não foram, claro (senão eu não estaria aqui reclamando).

Então eu devo:
Opção A: arrumar melhores amigas melhores?
Opção B: ser a melhor melhor amiga e deixar passar batido?