5.12.06

O Caso da Idéia Retardada

Ok, confesso: sempre malhei pessoas que acham que jejuar o dia inteiro vai deixá-las esbeltas para uma festa à noite, ou que passar uma semana comendo só abacaxi é a melhor maneira de se livrar dos quilinhos em excessos causados pelas comemorações de fim de ano. Mas o mundo dá voltas, e eis que tive minha própria idéia retardada: acordar todos os dias mais cedo para fazer vinte minutos de bicicleta antes do café-da-manhã, para estimular o metabolismo.

Eu explico: vocês sabem que faz um tempo que ando paquerando a academia, querendo e não querendo voltar para os braços dela. Há uns dias, decidi que ia começar assim que eu saísse de férias em janeiro, porque aí poderia ir todos os dias, e no horário mais vazio, de maneira a fazer a transição da maneira menos dolorosa possível.

Só que de repente surgiu a chance de passar o Ano-Novo na praia. E aí, aquelas gordurinhas que são invisíveis quando você está vestida passam a ser uma grande preocupação.

(Parêntese para esclarecimentos: sim, eu sei que existem preocupações mais graves nessa vida. Prometo que daqui a pouco me preocuparei com a paz mundial. Assim que eu estiver em forma.)

Minha primeira idéia retardada foi entrar imediatamente na academia e bater ponto nela diariamente. Mas, considerando que eu tenho apenas 17 dias, concluí que não ia adiantar muito, já que músculo algum se desenvolve em tão pouco tempo. Então, resolvi utilizar os 17 dias fazendo muitos, muitos exercícios aeróbicos, que são os que eliminam as gordurinhas mesmo.

Como eu trabalho o dia inteiro, só tenho a noite para me dedicar à boa forma. A noite... e a madrugada. Hoje acordei as 6:20 da matina para pedalar.

Sim, eu sei que é uma idéia retardada. O problema é que as idéias retardadas sempre parecem brilhantes.

4.12.06

O Caso do Vestido Infinito

Na minha busca incessante pela mala perfeita, descobri outra coisa legal: o Vestido Infinito. Ele é uma única peça de roupa, mas vira vários modelos: o cumprimento da saia e o tipo de decote é você que escolhe.

Na verdade, o Vestido Infinito é um tubo de pano com duas tiras longuíssimas saindo da parte de cima. Dobrando e enrolando, você transforma as tiras em alças, mangas e decotes, e o vestido fica do jeito que você quer.

Resumindo, ao invés de levar na mala três ou quatro vestidos, e o mesmo número de blusas e saias, você leva só o Vestido Infinito. Igreja italiana na qual alcinha não entra? Manga e a saia midi. Passeio em praia do Caribe? Ombro só e minissaia. Noite de gala em Paris? Tomara-que-caia e saia longa.

Mesmo se a viagem for longa, você não precisa se preocupar: em teoria o Vestido Infinito não amassa e seca rápido. Então, dá pra lavá-lo à noite no quarto de hotel, e ele vai estar pronto para usar no dia seguinte.

Você pode comprar essa maravilha pós-moderna pela internet. Custa 200 dólares (sem o frete). Ou você pode infernizar sua própria mãe para ela fazer o Vestido Infinito pra você (plano B).

Assim que ficar pronto eu aviso se deu certo.

1.12.06

O Caso da Ansiedade

Descobri que sou ansiosa, muito ansiosa. Quero resolver minha vida toda, agora, e rápido. Quero ter certeza do clima do fim do mês, da cotação do dólar no fim do ano que vem e do salário com que vou me aposentar. Quero um calendário mágico que me diga quanto tempo vou ter que estudar para passar em outro concurso, quanto tempo vou ter que ficar na academia para entrar em forma, e quanto tempo vou precisar para dominar essa ansiedade e virar uma pessoa calma e contente.

O pior é que, não satisfeita de me afligir com os rumos de minha própria vida (e sem muito motivo, eu reconheço), me aflijo com os rumos da vida do Leo também. Já tenho os próximos três anos de vida dele traçados. Numa planilha.

Já ele não esquenta a respeito de um futuro incerto sobre o qual não temos controle. Mas também, para que se preocupar, se eu me preocupo por nós dois?

30.11.06

O Caso da Remoção Cirúrgica

Eu tenho umas verruguinhas na testa e no queixo (igual a uma bruxa, rárárá) e na última vez que fui ao dermatologista perguntei se ele podia dar jeito nelas. Ele prometeu carbonizá-las e disse para eu encontrá-lo no hospital na semana seguinte.

A palavra “hospital” devia ter-me feito desconfiar. Mas não fez, e lá fui eu, toda boba, porque outra dermatologista já tinha queimado minhas verruguinhas antes, e, embora o processo tenha sido um pouquinho dolorido, não foi nada de mais (embora seja verdade que também não adiantou nada e as verruguinhas voltaram).

Pois bem. Chego lá, entro numa sala ameaçadoramente chamada de “Procedimentos”, e o dermatologista, armado de uma enfermeira, põe luvas, passa álcool iodado nas verruguinhas, e saca uma injeção de todo tamanho.

E a injeção era só para anestesiar. A eliminação das verruguinhas se deu depois, com um bisturi elétrico e o inevitável cheiro de carne queimada.

Na verdade, a anestesia doeu mais do que a queimadura (porque aí eu já estava anestesiada, claro), mas achei a dor bem danada, e não tenho a menor ambição de repeti-la.

De qualquer maneira, foi tudo bem rapidinho, e em dez minutos eu estava liberada. Chegando em casa, observei que as verruguinhas haviam sido substituídas por baixo-relevos. Acho que o bisturi elétrico chegou na derme. Agora estou passando uma pomada cicatrizante três vezes por dia, e acredito que me livrei para sempre das verruguinhas teimosas.

Só tem um problema: eu tinha três verruguinhas bem pequenas no queixo. Elas continuam lá. Junto com uma cratera que parece estar se recusando a cicatrizar.

Estou muito desconfiada de que, na empolgação, meu dermatologista carbonizou uma espinha.

29.11.06

O Caso do Protesto

Concordo em gênero e número (porque em grau não tem jeito de concordar) com o protesto que a Isa fez no post anterior. Sim, devemos dizer não à ditadura da magreza.

É um plano ótimo, que economiza tempo (gasto na academia) e dinheiro (gasto na academia, no nutricionista e nas comidinhas especiais que o nutricionista vai me mandar comprar). O plano só enfrenta um pequeno obstáculo: a ambição.

Eu estou sempre ambicionando alguma coisa. Algumas ambições, como fazer uma pós-graduação e ver as tulipas na Holanda, dão certo. Outras, como virar uma estrela do tênis, dão errado (e eu tenho a tendinite para provar). E outras mais, como ficar loura e correr quatro vezes por semana, funcionam somente durante algum tempo.

No momento ambiciono entrar em forma. Porque, quando não estou urdindo planos, eu não sou uma pessoa feliz.

E nemo venham me dizer que eu devia ter ambições mais nobres, como ser a primeira mulher astronauta do Brasil ou dominar o chinês mandarim. Eu não mando na ambição, é ela que manda em mim.

28.11.06

O Caso do Retorno

Pois é. Como tem um povo que trabalha comigo que está acordando cinco e meia da manhã todo dia para ir à academia, estou ficando com a consciência pesada. Ainda mais porque a dita academia fica do lado da minha casa.

É verdade que eu larguei porque o ortopedista que diagnosticou meu início de tendinite falou para eu parar na época. Então eu parei para tratar da tendinite, mas logo a fisioterapia encheu o saco, e aí eu nem continuei o tratamento, nem voltei à academia.

Estou com vontade de voltar, e para levar a sério. Porque suar, xingar e perder o precioso tempo que eu gosto de usar lendo romances em inglês e vendo programas trash na tevê a cabo E não ver resultado não dá.

Estou até pensando em ir a um nutricionista para seguir uma alimentação que me ajude a ganhar massa magra. O problema é que eu sou muito enjoada pra comer, e ele provavelmente vai querer que eu adicione brócolis e bolinhos de soja às minhas refeições, e aí, meus amigos, não vai rolar.

22.11.06

O Caso da Mala Perfeita

Cada vez que viajo, tento levar menos coisas. Ou melhor: cada vez que faço viagens longas, tento levar menos coisas. Nas viagens curtas eu levo roupas para cada ocasião e pelo menos três pares de sapatos.

Na verdade, a questão não é a duração da viagem, mas sim a sua mobilidade durante ela. Se você viaja de carro e vai ficar o tempo todo em uma única pousada, dá para carregar o guarda-roupa inteiro. Se você viaja de avião, pega metrô e vai pipocar entre vários hotéis, o melhor é levar uma mala compacta e leve.

Navegando na internet – nas horas de folga, viu, Marco Antônio? – descobri um tipo de mala chamado travelpack. Ele é uma mochila com rodas. Ou seja: você tanto pode carregá-lo nas costas, quando estiver subindo e descendo de ônibus, quanto puxá-lo com a mão, quando estiver indo de um lado para outro do aeroporto. Se você comprá-lo na cor preta, vai ter a agilidade de um mochileiro, mas é só esconder as alças que vão te tratar bem nos hotéis.
Um travelpack do tamanho de uma bagagem de mão tem a vantagem não precisar ser despachado: você simplesmente o leva para o avião, evitando a fila na esteira de malas na hora do desembarque e as violações de bagagem. Por outro lado, o tamanho não é dos maiores. Aí não tem escolha: é reduzir o número de roupas ou reduzir o número de roupas. O que era a idéia mesmo.

Só não descobri exatamente como fazer isso. Acho que a solução vai ser levar uma barra de sabão de coco para uma lavadinha básica nas roupas usadas. Enquanto eu uso a outra blusa e a outra calça que estão limpas.

17.11.06

O Caso do Cabelo LXXXVIII – 2ª parte

A notícia boa é que o tonalizante continua saindo, e o resultado é que as luzes estão perdendo a cor laranja e ficando caramelo. A notícia ruim é que eu fui cortar o cabelo, decidi variar um pouco, pedi uma franja, e o resultado é que eu estou parecendo mais nova do que normalmente pareço.

Sei que tem muita gente que acha que ter cara de nova é maior vantagem, mas eu peço permissão para discordar. Tenta fazer alguém te levar a sério parecendo uma paquita, tenta.

16.11.06

O Caso da Verdade

Eu sempre fui partidária da teoria que, ao conversar com estranhos ou conhecidos poucos, a gente deve concordar com tudo que eles dizem, para ser agradável e não criar polêmica vazia. E, mesmo com amigos, pra quê dar palpite se não pediram sua opinião?
Mas, de uns tempos para cá, ando achando que, se não for pra dizer a verdade – ainda que a concordância seja tão mais agradável – para que se dar a trabalho de conversar?

Pôr em prática essa nova decisão, no entanto, está-se mostrando difícil. Acabei não dizendo a um amigo que NÃO ERA UMA BOA IDÉIA ele alugar um apartamento longérrimo do trabalho. Também me segurei e não disse a uma grávida de três meses que NÃO ERA UMA BOA IDÉIA ela ter tomado um revolucionário preparado multivitamínico que ela mesma estava vendendo.
Talvez seja mais fácil dizer minha opinião antes da pessoa ter feito a coisa não tão brilhante. Porque aí já é tarde demais.

14.11.06

O Caso do Cabelo LXXXVIII

Então o meu cabelo está laranja.

Explico: eu freqüento o cabeleireiro dos três dígitos justamente para evitar esse tipo de situação. Da última vez que fui lá, há dois meses, ele usou um tonalizante castanho para apagar minhas luzes. 4 semanas depois, o tonalizante começou a sair e as luzes ressurgiram. Só que, ao invés de voltarem à vida em seu lindo tom dourado original, elas apareceram em uma nada bonita cor... laranja.

Um cabeleireiro tão chique – e caro! – devia dar um jeito na situação, certo? O diabo é que eu não consigo falar com ele. Antes do feriado, passei no salão, que estava tão cheio de gente que mal consegui conversar com a assistente. Hoje liguei lá e o moço viaja hoje, e a partir de quinta-feira vai estar organizando uma festa (sim, sim, porque o moço é cabeleireiro, estilista e decorador).

Então, até terça-feira da semana que vem, quando finalmente consegui marcar uma hora com ele, meu cabelo continuará... laranja.

13.11.06

O Caso da Santa Ludamila

Eu sou bem atéia (ou agnóstica, dependendo da época), mas não resisti: quando minha irmã foi à República Tcheca, pedi para que ela me trouxesse uma medalhinha da Santa Ludamila.
Para quem não sabe, Santa Ludamila foi uma santa católica, avó do Imperador Venceslau, e ficava convertendo o menino para o cristianismo até que a mãe dele perdeu a paciência e estrangulou a minha xará com o próprio véu da coitada.
Tô achando que ser santo na igreja católica é geralmente um negócio bem desagradável.

10.11.06

O Caso das Religiões

Já que as pessoas que têm fé vivem mais e melhor, com menos doenças físicas e psicológicas, a lógica científica não me deixa opção: tenho que arrumar uma religião.
Sim, eu sei que eu não preciso me filiar a uma religião constituída. Posso simplesmente passar a acreditar na mãe-terra e no sentido místico do universo, mas como eu sou uma pessoa muito racional, estou atrás de uma crença que tenha um mínimo de organização.
Comecei minhas pesquisas pelo judaísmo. De cara, ele já ganhou muitos pontos. Primeiro, porque não acham que só os judeus vão para o paraíso, mas todos os homens (e mulheres) justos. Segundo porque, justamente por causa da primeira razão, não ficam perturbando ninguém para se converterem à sua fé.
Aí a coisa complica um pouco. Os mais liberais aceitam os convertidos, mas os ortodoxos torcem o nariz para os judeus-novos. Para eles, só é judeu quem é filho de mãe judia. E tem mais: judeu de verdade só pode se casar dentro de sua fé. Ou seja – não basta que a minha conversão. O Leo tem que vir a reboque.
Mas problema mesmo é achar um rabino aqui na região para que ele possa me recusar três vezes, como manda a tradição, para ver se estou mesmo decidida.

9.11.06

O Caso dos Sorvetes

Há três sorvetes novos no mercado: Sonho de Valsa, Laka e Diamante Negro. Eles vêm com o letreiro “série especial”, que é para fazer você comprar rápido, antes que acabe. Só que faz uns dois meses que eu ando vendo esses sorvetes, então:
- eles estão fazendo tanto sucesso que a fábrica está fazendo mais;
- eles estão fazendo tão pouco sucesso que o primeiro lote ainda não acabou.
No final das contas, não resisti e comprei. Todos os três.

O sorvete de Sonho de Valsa é gostoso, se você gosta de amendoim. MUITO amendoim. Ele só tem gosto de amendoim. Eu diria maldosamente que sobrou muito sorvete de paçoca da época das festas juninas, então para aproveitar o fabricante pôs calda de chocolate e passou a vender com o nome de Sonho de Valsa, mas eu realmente não sei se existiu o sorvete de paçoca (só o de pamonha).
O sorvete de Laka é gostoso, se você gosta do gosto de nada com bastante açúcar. Deu até choque nas minhas papilas gustativas. Achei que eu tivesse perdido o paladar, mas depois comecei a achar que estava comendo chantilly gelado. O que é bom, se você de chantilly. PURO. E doce.
O sorvete de Diamante Negro é gostoso, se você gosta de chocolate e de pedacinhos de chocolate. Em suma, é o meu favorito.

7.11.06

O Caso dos Vôos

Descobri uma coisa fantástica, dessas que você só descobre quando fica vagando à toa pela internet durante várias horas. É o seguinte: os vôos do oeste para o leste são mais rápidos do que os do leste para o oeste.

É claro que estamos falando de vôos longos e altos, inter ou intracontinentais. E antes que algum mané grite “eu sei! É por causa da rotação da Terra!”, é bom lembrar que o avião está sob o campo gravitacional do planeta, então o fenômeno não tem nada a ver com a gravidade. Não é como se o avião se afastasse da Terra o suficiente para plainar no espaço enquanto o planeta roda debaixo dele.

A causa do fato é o tal do jet stream ou “corrente a jato”, uma corrente de ar muito veloz que ocorre na estratosfera no sentido oeste-leste. Os avião de alto curso aproveitam e pegam carona (ou vão contra a corrente. Literalmente) no ventinho.

Para vocês terem uma idéia, um vôo Los Angeles – Nova Iorque demora 30 minutos a mais do que um vôo Nova Iorque – Los Angeles. Nos vôos intercontinentais, a diferença é ainda maior.
Infelizmente, para quem viaja no sentido sul-norte (do Brasil para a Europa ou para os States e vice-versa), essa informação não é muito útil. Mas que é legal, é.

3.11.06

O Caso do Feriado

Não tem nada melhor do que feriado no meio da semana para ficar à toa. Sim, pois quando o feriado é prolongado, você fica na obrigação de fazer uma megaviagem ou um programa superlegal. Mas, se o seu dia de folga é uma modesta quinta-feira, você fica livre, leve e solta para passar o dia dormindo, vendo programas ruins da tevê, lendo livros repetidos e batendo papo dentro da piscina do clube, o que te faz perder a noção da hora e ganhar lindos ombros vermelhos, porque nem SPF30 não protege minha morenidão intrínseca (que cada vez mais percebo ser uma lenda) do sol das 11 da manhã.

O mais legal é estou um patchwork de bronzeados, porque andei tomando sol com biquínis e maiôs diferentes. Tá engraçadíssimo.

Mas não há de ser nada. No sábado, como não vou ter aula da pós (aleluia!), vou colocar um biquíni reduzido e largatear ao sol. Melhor ser um pimentãozinho uniforme do que uma colcha de retalhos bronzeada.

É só meu dermatologista não escutar isso.

31.10.06

O Caso da Amiga Marromeno

Pois é: quando as minhas melhores amigas esqueceram meu aniversário, meti o pau. E, claro, como deus pune os presunçosos, chegou o aniversário da minha melhor amiga Lili e eu... esqueci.

O pior é que anotei na agenda, em letras garrafais. Mas, chegado o dia... me esqueci de olhar a agenda.

Aí, muito envergonhada, resolvi dar parabéns atrasado... por e-mail.

Sim, eu virei uma amiga muito marromeno. Não, eu não tenho desculpas para esse comportamento. Sim, eu tenho que dar um jeito de me emendar.

Feliz aniversário, amigaaaaa!!!

Prometo que isso não vai acontecer mais.

30.10.06

O Caso do Livro do Pi

Li um livro ótimo ontem: “The Life of Pi” (A Vida de Pi), do Yann Martel. Em suma, é a história de um jovem indiano que, após um naufrágio, se vê em um bote salva-vida com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de Bengala muito carnívoro chamado Richard Parker. Pi sobrevive 227 dias em alto-mar até dar na costa do México. Aí ele tem duas versões da história para contar.

O final do livro tem uma reviravolta louca à la “Sexto Sentido”, do M. Night Shyamalan. E bem que ele foi consultado para dirigir a versão no cinema.

26.10.06

O Caso dos Bebês

Ontem vi um programa interessantíssimo mostrando que sim, somos mais inteligentes que nossos pais e avós. O recém-nascido precisa de uma dieta rica em gordura para encapar os neurônios, e também precisa de estimulação constante para garantir a formação das conexões neurológicas. Nas gerações passadas, ninguém sabia disso, e geralmente o pessoal tinha um bocado de filhos, de maneira que era difícil dar a cada um atenção devida. O resultado é que o bebê podia ser um pequeno Einstein, mas, mal-alimentado e mal-estimulado nos primeiros anos de vida, provavelmente não ia conseguir desenvolver uma única teoria física que prestasse.

Em tese, nossa geração alcançou o potencial máximo de desenvolvimento cerebral. Fomos bem-alimentados na primeira infância e submetidos a todo tipo de experiência. A princípio nossos filhos não vão ser assim tão mais espertos que a gente. O que será possível para eles é alcançar o mesmo potencial máximo de desenvolvimento. E aí tudo vai depender da qualidade dos genes que eles herdarem.

O problema é que não há como saber quais genes a gente passa para os bebês. Espero que nossos filhos nasçam com a habilidade do Leo nos esportes e seu senso de direção, assim como meu gosto por literatura e minha facilidade com cores. O que significa que provavelmente vamos ter filhinhos desajeitados que enjoam até no carrinho de bebê, detestam ler e são virtualmente daltônicos.

Se eles tiverem o bom gênio do Leo já tá bom.

24.10.06

O Caso do Natal

Quando eu era criança, há muitos e muitos anos, o natal era o ponto alto do ano. O mês de dezembro todo era pura alegria: eram férias começando, primos vindo para a cidade, montagem da árvore na casa da minha avó, sessões intermináveis para embrulhar presentes. Dois dias antes do natal eu já nem estava dormindo direito; no dia vinte e quatro, minha mãe tinha que forçar a gente a tirar uma sonequinha depois do almoço, senão ninguém agüentava ficar acordado até meia-noite. E olha que na minha família as crianças botavam o sapatinho na janela e ganhavam uns presentes lá pelas dez da noite, porque senão a gente morria de ansiedade.

Os anos passam, a gente cresce, e um belo dia você percebe que o natal é uma festa como outra qualquer. Talvez pior, porque você tem que entrar no amigo oculto, e sempre te dão um presente que não é bem aquele que você tinha pedido; você tenta colaborar com o cardápio do evento e ninguém concorda com suas opiniões; e depois que você casa você quer passar em várias casas pelo menos para dar oi, então você corre muito, come pouco e não consegue terminar as conversas que iniciou.

Acho que estou ficando, além de velha, amarga.

23.10.06

O Caso da Cama

Ok, confesso: nunca fui muito de sair. Mesmo assim, quando nos mudamos para cá, eu e o Leo saímos direto, explorando a noite local. Íamos a restaurantes, pizzarias, barzinhos, churrascarias, e de vez em quando à casa dos amigos novos.

Depois que eu comecei a fazer a pós, entretanto, tudo mudou. Não quero mais sair, não quero mais ver amigos, quero só ficar em casa descansando, vendo filmes e lendo livros não-jurídicos. De preferência na cama. Enrolada nos lençóis. E de pijama.

Ontem eu iniciei um processo interessantíssimo de fusão com a cama, mas ele foi interrompido pela necessidade de almoçar. Uma pena.

O melhor de tudo é que, quando me convidam para um evento ao qual eu não estou com a menor vontade de ir, posso fazer cara de sacrificada e dizer que não dá porque tenho que estudar. Embora, na verdade, esteja planejando passar a noite toda na minha caminha querida, junto a um empolgante romance em inglês.
Uma hora as pessoas vão começar a perguntar que diabo de concurso é esse, que eu tanto estudo e não faço.
Mas até lá, tô na boa.