Eu e minha mãe temos um relacionamento algo complicado. Geralmente está tudo muito bem, e aí ela vai e pumba!, faz um comentário (geralmente uma crítica) que me deixa irritadíssima ou muito magoada.
Várias pessoas já me disseram que é bobagem minha. Que eu não devo deixar que simples comentários me afetem. Poxa, mas se você não liga para o que sua própria mãe diz, vai ligar pra quê?
Pra piorar, minha mãe é uma daquelas pessoas de óóótimo coração, do tipo que se preocupa se os parentes velhinhos estão recebendo a devida atenção e acolhe em casa familiares que passaram por cirurgias complicadas e portanto terão que ser mimados durante semanas.
Então, toda vez que ela faz uma de suas críticas mortais, eu fico achando que ela é a mocinha da história e eu, claro, só posso ser a vilã.
23.4.07
20.4.07
O Caso dos Sucos
O Leo deu uma olhada na programação alimentar e não botou muita fé, porque ela é cheia de sucos de frutas, e eu
1) não sou fã de suco de frutas
2) recorrendo aos sucos de caixinha, a meio litro de suco por dia a conta no final do mês vai ficar alta.
Ele tinha razão. Quando vi o preço de um mísero litro, fiquei chocada. Tão chocada que (eu, a menos doméstica das pessoas!) comprei laranjas e um espremedor para produzir meu próprio suco (sob o olhar de total descrença do Leo). Isso quando as laranjas amadurecerem, porque elas estão um bocado verdes.
Entretanto, como sei que a variedade é a alma do negócio, controlei a pão-durice. Na quarta-feira fomos a três supermercados para eu me equipar. Comprei um suco de uva (o mais barato, hohohoho) e um suco de soja sabor pêssego (a nutricionista queria leite de soja, mas ainda não tive coragem, e ela disse que o suco também valia).
Os sucos são doces que dói, mas gostosinhos. O de soja tem uma aparência embaçada, e o sabor da boneca Pesseguinho da Turma da Moranguinho (não perguntem). Infelizmente li o rótulo e descobri que tem pouquíssima proteína. Acho que vou ter que me conformar com a idéia do leite de soja.
Também comprei geléia de morango, biscoito integral salgado e gergelim. O gergelim é gostosinho e crocante. O biscoito é ótimo! Até melhor do que o cream cracker comum. A geléia a nutricionista quer que eu passe no biscoito, mas uma das coisas que eu mais odeio na vida é misturar doce e salgado. A solução foi comer os biscoitos a seco e depois uma colherada da geléia de morango. Que é mais uma do time das coisas horrivelmente doces, mas tenho certeza de que me acostumo!
Então está indo tudo muito bem, até porque toda essa glicose que eu estou consumindo está me deixando de óóótimo humor.
1) não sou fã de suco de frutas
2) recorrendo aos sucos de caixinha, a meio litro de suco por dia a conta no final do mês vai ficar alta.
Ele tinha razão. Quando vi o preço de um mísero litro, fiquei chocada. Tão chocada que (eu, a menos doméstica das pessoas!) comprei laranjas e um espremedor para produzir meu próprio suco (sob o olhar de total descrença do Leo). Isso quando as laranjas amadurecerem, porque elas estão um bocado verdes.
Entretanto, como sei que a variedade é a alma do negócio, controlei a pão-durice. Na quarta-feira fomos a três supermercados para eu me equipar. Comprei um suco de uva (o mais barato, hohohoho) e um suco de soja sabor pêssego (a nutricionista queria leite de soja, mas ainda não tive coragem, e ela disse que o suco também valia).
Os sucos são doces que dói, mas gostosinhos. O de soja tem uma aparência embaçada, e o sabor da boneca Pesseguinho da Turma da Moranguinho (não perguntem). Infelizmente li o rótulo e descobri que tem pouquíssima proteína. Acho que vou ter que me conformar com a idéia do leite de soja.
Também comprei geléia de morango, biscoito integral salgado e gergelim. O gergelim é gostosinho e crocante. O biscoito é ótimo! Até melhor do que o cream cracker comum. A geléia a nutricionista quer que eu passe no biscoito, mas uma das coisas que eu mais odeio na vida é misturar doce e salgado. A solução foi comer os biscoitos a seco e depois uma colherada da geléia de morango. Que é mais uma do time das coisas horrivelmente doces, mas tenho certeza de que me acostumo!
Então está indo tudo muito bem, até porque toda essa glicose que eu estou consumindo está me deixando de óóótimo humor.
19.4.07
O Caso da Mudança
Estão querendo transformar o escritório aqui numa filial de menor importância.
Os executivos graduados ficaram em polvorosa, porque provavelmente serão enviados para outra cidade.
Estão se movimentando para impedir a modificação. Até tentaram me aliciar para o protesto.
Mas eu, que ganho metade do que eles ganham e não corro risco de ser transferida, não tô ligando a mínima.
Quero mais é que o escritório seja reduzido, o serviço diminua e o mundo acabe em barranco pra eu morrer encostada.
Os executivos graduados ficaram em polvorosa, porque provavelmente serão enviados para outra cidade.
Estão se movimentando para impedir a modificação. Até tentaram me aliciar para o protesto.
Mas eu, que ganho metade do que eles ganham e não corro risco de ser transferida, não tô ligando a mínima.
Quero mais é que o escritório seja reduzido, o serviço diminua e o mundo acabe em barranco pra eu morrer encostada.
18.4.07
O Caso da Alimentação Oficial
Ontem voltei à nutricionista e ela me passou um programa alimentar lindinho. Nem teve aveia e linhaça; de exótico, só o leite de soja (também pode ser o suco) e gergelim (fonte de cálcio). A lista está cheia de coisinhas gostosas, como geléia de frutas, iogurte e minhas mini-pizzas de torrada integral, que ela disse que são muito nutritivas. Até chocolate tem (15 g, que é uma quantidade minúscula, e só porque eu pedi pelo amor de deus. Mas que tem, tem)!
A boa notícia é que minha porcentagem de gordura corporal está em 21, adequada para a minha idade (e menor do que os 22% que consegui na academia). A má é que a nutricionista acha que eu estou muito preocupada com as gorduras e açúcares da minha alimentação, e é para eu relaxar.
Então tá.
A boa notícia é que minha porcentagem de gordura corporal está em 21, adequada para a minha idade (e menor do que os 22% que consegui na academia). A má é que a nutricionista acha que eu estou muito preocupada com as gorduras e açúcares da minha alimentação, e é para eu relaxar.
Então tá.
17.4.07
O Caso da Roupa Nova do Imperador
O Leo está precisando de roupa. O Leo odeia comprar roupa.
Durante muito tempo, ele resolveu o problema pedindo camisas de natal e de aniversário. Infelizmente, agora ele precisa é de calças.
No sábado, fui autorizada a ir com ele comprá-las, mas tive que obedecer às seguintes diretivas:
1) ser rápida, objetiva e direta;
2) dizer “sim” ou “não” para as roupas que ele experimentar e pronto;
3) não chamar a vendedora pra ver a roupa nele;
4) não ficar detalhando para o vendedor a razão pela qual a peça não agradou;
5) não confraternizar com a vendedora;
6) não ficar explicando ao vendedor a razão, o evento ou a necessidade que motivou a compra.
O engraçado é que eu achei que eu não fazia nenhuma dessas coisas, mas na loja tive que me segurar para não fazer muitas delas!
No fim das contas, as regras resultaram em uma compra rapidíssima e praticamente indolor.
Acho que vou adotá-las.
Durante muito tempo, ele resolveu o problema pedindo camisas de natal e de aniversário. Infelizmente, agora ele precisa é de calças.
No sábado, fui autorizada a ir com ele comprá-las, mas tive que obedecer às seguintes diretivas:
1) ser rápida, objetiva e direta;
2) dizer “sim” ou “não” para as roupas que ele experimentar e pronto;
3) não chamar a vendedora pra ver a roupa nele;
4) não ficar detalhando para o vendedor a razão pela qual a peça não agradou;
5) não confraternizar com a vendedora;
6) não ficar explicando ao vendedor a razão, o evento ou a necessidade que motivou a compra.
O engraçado é que eu achei que eu não fazia nenhuma dessas coisas, mas na loja tive que me segurar para não fazer muitas delas!
No fim das contas, as regras resultaram em uma compra rapidíssima e praticamente indolor.
Acho que vou adotá-las.
13.4.07
O Caso da Soja
Descobri que no restaurante onde eu almoço tem carne de soja. Acho que era soja refogada com pimentão (vou perguntar). Tinha cara de carne moída, o que muito me animou. Aparências e texturas familiares me reconfortam.
Obedecendo ao princípio do “Experimenta, e poderás gostar”, assim como a seu corolário “Misturado no arroz e feijão, quase tudo desce”, botei uma colher de sopa no meu prato e fui palpitante para a mesa.
Quer saber de uma coisa? É gostosinho! Ainda não posso dizer que agora conheço o gosto da soja, porque a peçonha do pimentão tinha passado toda para ela, mas achei o sabor do prato muito aceitável.
Conclusão: já que comer boi vegetal ralado todo dia vai me deixar bem-nutrida, saudável e dispensando reposição hormonal num futuro distante, encaro numa boa.
Obedecendo ao princípio do “Experimenta, e poderás gostar”, assim como a seu corolário “Misturado no arroz e feijão, quase tudo desce”, botei uma colher de sopa no meu prato e fui palpitante para a mesa.
Quer saber de uma coisa? É gostosinho! Ainda não posso dizer que agora conheço o gosto da soja, porque a peçonha do pimentão tinha passado toda para ela, mas achei o sabor do prato muito aceitável.
Conclusão: já que comer boi vegetal ralado todo dia vai me deixar bem-nutrida, saudável e dispensando reposição hormonal num futuro distante, encaro numa boa.
12.4.07
O Caso da Ovoliação (= Avaliação dos Ovos de Páscoa)
Serenata de Amor: chocolate ao leite com pedacinhos crocantes. Sabor encorpado, com toques de castanha. Ótima safra.
Chokito: chocolate ao leite com flocos de arroz, coberto com uma fina camada de caramelo. Ovo alegre e volátil, de acentuada doçura.
Diamante Negro: chocolate ao leite com os pedacinhos crocantes. Aroma envolvente e bom contraste entre texturas.
Crunch: chocolate ao leite com flocos de arroz. Um ovo jovem e despretensioso. Acompanha bem ocasiões informais.
Alpino: delicado mas com personalidade. Buquê sedutor. Um clássico.
Confetti duas cores: chocolate ao leite e chocolate branco salpicados de mini-confettis. Textura interessante, mas composição desequilibrada pelo excesso de açúcar.
Laka: chocolate branco. Consistência aveludada e cremosa. Buquê simples, mas eficiente, com toques de baunilha.
Sonho de Valsa: chocolate ao leite coberto com camada do recheio do bombom. Encorpado e vigoroso, satisfaz os paladares mais exigentes.
11.4.07
O Caso da Nutrição
Ontem fui à nutricionista, e foi ótimo. Ela sabia tudo sobre a equação do metabolismo basal, o chá verde e as propriedades funcionais dos alimentos.
Preenchi um longuíssimo questionário com os meus hábitos alimentares, minhas condições de saúde e as comidas que eu odeio. Ela perguntou se eu estaria disposta a incluir na alimentação aveia, soja e granola, e eu confessei que nunca tinha comido nenhuma delas, mas estava disposta a experimentar. Sou muito enjoada pra comer, mas depois de ter descoberto que adoro pão integral e chá, fiquei mais aventureira.
A nutricionista disse que minha alimentação estava boa e equilibrada, mas que eu podia incluir mais frutas, por causa das vitaminas (que hoje em dia eu supro com um multi-vitamínico) e variar um pouco o cardápio, para não enjoar (é aí que entram a aveia, a soja e a granola).
Fui pesada, medida e beliscada com o adipômetro. Na semana que vem eu volto lá, para ela me contar minha porcentagem de gordura corporal e me entregar uma dieta (não no sentido de restrição de calorias, mas no sentido de prescrição alimentar) feita especialmente para mim.
Perguntei se ao entrar na academia seria necessário mudar a dieta. Ela disse que nesse caso eu deveria retornar, e ela faria alterações para potencializar o ganho de massa magra sem aumentar a massa gorda, além de indicar os alimentos adequados para antes e depois do treino.
Um sucesso, essa nutricionista!
10.4.07
O Caso da Inglaterra
Hoje está chovendo por aqui. O céu está cinzento e triste, as ruas estão molhadas e vazias e o ar está gelado.
É incrível como um copo de chá quentinho contrabalança todos esses abatedores de ânimo. Ele aquece as mãos, a garganta e a barriguinha, deixando a baixa temperatura ambiente agradável. Os vapores que sobem dele hidratam o sistema respiratório. O aroma de mato faz lembra que o sol existe (e eventualmente aparecerá).
Sim, agora eu entendo os ingleses, moradores daquela ilha úmida, e o fato de eles acharem que uma boa xícara de chá é praticamente uma panacéia universal.
Acho que eles têm razão.
5.4.07
O Caso da Teoria Pascal
Estou com uma teoria de que ovos de Páscoa são tão absurdamente caros não só porque a indústria chocolateira sabe o público os espera avidamente, e não só porque a forma especial e a embalagem também não são baratas. Havendo provado alguns deliciovos, minha conclusão é que, para que o chocolate suporte permanecer em forma de ovo, é necessário alguma modificação em sua composição. Essa mudança deve ser o aumento da massa de cacau, que é o ingrediente mais caro, e isso gera não só um aumento no preço como também na qualidade, para minha grande alegria gustativa.
Pretendo recolher mais dados objetivos para sustentar minha teoria na segunda-feira, em que farei um rolê pelos supermercados daqui para ver se há deliciovos em promoção. Planejo fazer um estoque.
Tudo em nome da ciência, é claro.
4.4.07
O Caso do Tempo
Que horror: o primeiro trimestre do ano já acabou. O tempo realmente parece passar mais rápido à medida que a gente envelhece. Conheço duas teorias para explicar o fato:
1ª teoria (produzida por um amigo doidão): para uma criança de 1 anos, um mês é 1/12 da vida dela. Uma eternidade. Para uma moça de 30, um mês é 1/360 da minha vida. Uma ninharia.
2ª teoria (produzida pela ciência): o cérebro humano tem um mecanismo para evitar superlotação: todas as vezes que você vê/aprende/percebe uma coisa nova, ele registra com detalhes. Quando a coisa é batida, ele nem fixa. Você se lembra a maneira exata com que pescou a chave dentro da bolsa e trancou a porta? Pois é, fica automático. Mas, para uma criança, tudo é novidade.
Gosto muito da segunda teoria, que também explica porque, quando você viaja para um lugar diferente ou muda de emprego, o tempo parece demorar mais a passar. Mas provavelmente a realidade é uma soma das duas, mais de uma terceira e quarta teorias que ainda não me ocorreram.
3.4.07
O Caso do Incentivo
O Leo me incentiva a evitar programas aos quais eu não estou com vontade de ir, a ignorar sugestões que não me agradam, a só fazer o que eu gosto. Em suma, ele deixa a minha vida mais fácil.
Já eu incentivo o Leo a voltar para faculdade e se matricular em dez matérias de uma vez, a seguir uma dieta rigorosa e a fazer concursos. Em suma, eu deixo a vida dele mais difícil.
Mas, convenhamos, mais interessante.
2.4.07
O Caso da Ação Direta de Inconstitucionalidade
Lembram-se da monografia sobre o arrolamento no processo fiscal?
Pois é, o STF estava julgando a constitucionalidade dele numa ADI que se arrasta desde 1999. Duas semanas após eu entregar a monografia, o STF decidiu finalmente produzir uma decisão E considerou o arrolamento fiscal inconstitucional.
Toda a utilidade da minha monografia (se é que tinha alguma!) caiu por terra.
E ela nem foi corrigida ainda!
30.3.07
O Caso dos 300
Mensageiro persa: “O rei Xerxes exige que vocês entreguem uma oferenda de terra e água.”
Rei de Esparta (jogando o mensageiro no poço): “Tem bastante terra e água aí embaixo.”
Capitão persa: “Nossa flechas cobrirão o sol!”
Soldado de Esparta: “Ótimo. Combateremos à sombra.”
Rei Xerxes: “Ajoelhe-se e pouparei seu povo.”
Rei de Esparta: “Eu até me ajoelharia, mas esse negócio de massacrar um batalhão inteiro do seu exército hoje de manhã me deu uma câimbra danada na perna.”
Capitão persa: “Entreguem suas armas!”
Voa uma lança das linhas espartanas e perfura o cara.
Sim, as respostas malcriadas são a melhor razão para assistir a “Os 300 de Esparta”.
Rei de Esparta (jogando o mensageiro no poço): “Tem bastante terra e água aí embaixo.”
Capitão persa: “Nossa flechas cobrirão o sol!”
Soldado de Esparta: “Ótimo. Combateremos à sombra.”
Rei Xerxes: “Ajoelhe-se e pouparei seu povo.”
Rei de Esparta: “Eu até me ajoelharia, mas esse negócio de massacrar um batalhão inteiro do seu exército hoje de manhã me deu uma câimbra danada na perna.”
Capitão persa: “Entreguem suas armas!”
Voa uma lança das linhas espartanas e perfura o cara.
Sim, as respostas malcriadas são a melhor razão para assistir a “Os 300 de Esparta”.
29.3.07
O Caso dos Lanchinhos de Viagem
Tive uma de minhas ótimas idéias (aquelas que depois de um exame detalhado se revelam retardadas): levar na viagem à Península Ibérica uns lanchinhos gostosos e de baixo índice glicêmico e distribuí-los fartamente entre as principais refeições para não deixar o açúcar no sangue da galera bater no pé durante ou depois de uma sucessão interminável de obras de arte/trezentos degraus até o topo de uma torre de igreja/quilômetros e quilômetros percorridos a pé no centro histórico. O plano é manter todo mundo alimentado e bem-humorado o tempo todo, o que elevará em muito o nível de contentamento da tripulação. Afinal, não há alegria viajora que resista se você está morrendo de fome/sede/calor, e a única coisa que consegue entender no cardápio são os preços de vários dígitos em euro.
Descartei de cara Nutry e biscoitinhos do tipo Club Social porque são enganação: têm muita gordura ou muito carboidrato simples, e praticamente nada de fibra ou vitamina. Descobri que damascos secos e amendoins têm baixo índice glicêmico e um tanto bom de calorias, ideal para fornecer energia na hora daqueles trezentos degraus.
Aí comecei a fazer contas: 30 g de amendoim ou 6 damascos secos... vezes 4 pessoas... vezes 28 dias... Resultado: eu teria que levar na mala mais de 3 quilos de amendoins e quase 700 damascos!
Larguei mão.
28.3.07
O Caso da Comida
Sempre fui enjoada pra comer. Eu era aquela criança magrelinha, esmirrada, que os pais tinham que pedir pelo amor de deus para vir almoçar. Nunca comi tomate. Strogonoff, só fui experimentar depois dos doze anos. Não gostava de verdura, legume, fruta (fora jabuticaba), e da maioria dos doces e salgados também. É um mistério que eu não tenha morrido de desnutrição.
Com a idade, fiquei um pouco menos enjoada. Depois que cresci e pude adquirir minhas próprias refeições, descobri que chocolate, sorvete, pão-de-queijo e pizza são alimentos agradabílissimos.
Agora que fiquei saudável, estou enjoada de novo. É verdade que encaro uns verdes folhosos menos repelentes, consumo uns legumes crus, e acho que diversas frutas – fora jaca. E caju. E mamão – são até gostosinhas. Mas não como mais pão de farinha refinada, bolo, biscoito, salgadinhos fritos e doces em geral (fora o chocolate, é claro). É que essas comidas não são funcionais, e com meu novo paladar desentoxicado de açúcar, nem tão gostosas. Então eu dispenso.
Isso deixa a minha avó, que sempre tem coca-cola, pasteizinhos fritos e torta de abacaxi em casa e gosta de alimentar os netos, desesperada.
PS 1: Isso não quer dizer que na minha festa de aniversário vou só servir água gelada, chá sem açúcar e sanduíches de pão integral com requeijão light. Não, não. Para os convidados vai ter também sorvete de soja.
PS 2: Brincadeirinha!
27.3.07
O Caso dos Pães
Eu como um pão de forma integral metido a besta e mais caro do que os normais. Demorei a me acostumar com o gosto, e ele também tem um tanto de calorias razoável, mas enfim – é carboidrato complexo e tem fibras, certo?
O Leo come um pão de forma light de farinha branca refinada. Como tudo que é feito de farinha branca refinada, ele é delicioso. Cada fatia tem quase metade das calorias do meu, mas enfim – é um produto sem valor nutricional algum, certo?
Errado. Comparei os rótulos e fiquei chocada: o pãozinho bobo do Leo tem quase o dobro de fibras por porção!
Boba sou eu.
26.3.07
O Caso do Livro
Alguém já disse – e acho que foi o Umberto Eco – que existem só 5 ou 6 histórias, o resto é repetição.
Ando achando que é verdade. Depois que você vê um tanto de filmes, lê um tanto de livros, você começa a descobrir os finais, e aí o negócio perde um pouco da graça.
No domingo passado li “A Sombra do Vento”, do Carlos Ruiz Zafón. O livro começa muitíssimo bem na Barcelona dos anos 40, e depois desgringola para um policial e um romance meio óbvios. O escritor é bom e tem tiradas espirituosíssimas, mas a motivação dos personagens é vaga e os personagens femininos são todos unidimensionais.
Mas, enfim, é bem bom. Recomendo.
23.3.07
O Caso do Trabalho
Descoberta empolgante: a palavra “trabalho” vem do latim “tripaliare”, que significa martirizar com um instrumento de tortura, o “tripalium” (que significa “com três paus”).
Que trabalhar pode ser torturante não é novidade para ninguém. Fiquei logo imaginando uma fila de escravos sendo cutucada com tripaliuns por feitores malvados.
Só que aí surge o “paradoxo do ócio”: se para trabalhar a pessoa tem que ser cutucada, QUEM CUTUCA OS CUTUCADORES?
22.3.07
O Caso dos Casos
- O Leo está indo muito bem na faculdade. Já fez várias provas e só tira notão. E como presta atenção e faz anotações, os professores estão ficando fãs dele. Isso quando não acham que ele também é professor.
- Hoje é o terceiro aniversário da minha posse. Da mudança para cá também. Acabo de me tornar uma funcionária pública estável. Cidadã honorária (porque, da turma toda, eu sou a única que gosta da cidade) eu já sou há muito tempo.
- Nosso atual ovo de Páscoa fora de época é o Chokito. Ele é feito de chocolate com flocos de arroz coberto com uma camada de caramelo. Nhão!
- Decidi tratar meus estudos da mesma maneira que tratei a dieta: científica. Já fiz a seleção de bibliografia. Ontem dividi o número de blocos de tempo (2 horas por dia, todo dia, até o fim do ano) pelo número de tópicos do edital. Agora é organizar uma grade de horário com as metas de conteúdo semanais e mensais. Ou seja, não terei como me enganar. Se eu não estiver estudando direitinho, vai saltar à vista na planilha. Infelizmente, acho que estudar vai ser mais difícil do que deixar de comer chocolates. O segundo é omissão, o primeiro é ação. E eu sou meio preguiçosinha.
Assinar:
Postagens (Atom)